Pátria amada Brasil?!

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Permitam-me iniciar este verdadeiro desabafo com uma pergunta. Será que todos os que levaram a mão ao peito nesta Copa têm noção do que se é cantado no Hino Brasileiro? Venho tentando responder a mim mesma esta questão. E creio que cheguei à conclusão de que grande parte da população não tem noção nenhuma de patriotismo.

Patrimônio público sendo destruído, o país sendo difamado por seus próprios cidadãos, bandeiras sendo queimadas… Foi esse o cenário visto na noite seguinte à derrotada Seleção Brasileira, em casa, na semifinal de nossa Copa do Mundo. Cenário este que se encontrava completamente diferente 90 minutos antes, quando a nação inteira parou para cantar à capela o quanto idolatrava e amava seu país.

“Pátria amada Brasil” foi o que todos gritaram com fervor. Para horas depois se jogarem na hipocrisia e na ignorância. Os revoltados que me desculpem, mas NADA justifica que se ateie fogo à bandeira de seu país. Vai contra todos os preceitos de educação, de civilidade e acho que não há necessidade de citar patriotismo…

“Brasil, de amor eterno seja símbolo”, diz o Hino Nacional. Aliás, o hino do Brasil é uma verdadeira declaração, um juramento de amor pelo país. Sinceramente, dói ouvi-lo da boca de quem não o sente. Aliás, dói saber que há brasileiros que odeiam o próprio país.

Sinto-me envergonhada pela falta de patriotismo do nosso povo. E não há como dizer que ela só acontece porque demos vexame no futebol. O povo brasileiro faz questão de exaltar os problemas do país, faz questão de dizer que o exterior é melhor. É ÓBVIO que o país tem problemas, e muitos, mas também é óbvio que qualquer país, qualquer lugar no mundo tem problemas econômicos, políticos e sociais.

Mais uma vez desculpem-me, porém, torcer contra seu país para parecer que é intelectual e politizado só lhe transforma em um verdadeiro babaca. E àqueles que preferem o exterior, que detestam com todas as forças a minha Nação: escolham o país dos sonhos, abram o Google e procurem a embaixada mais próxima.

Sair às ruas quebrando tudo o que se vê pela frente não vai mudar o país. Vaiar a Seleção brasileira ou a presidente da República não vai mudar o país. Torcer contra o Brasil não vai mudar o país. Se você realmente aspira por mudança, comece mudando seu voto. Proteste nas urnas. Faça jus à todos os manifestos de cidadania de 2013 votando conscientemente.

Sei que tenho apenas dezesseis anos e muitos dirão que eu é que não tenho a menor noção do que digo. Mas ainda assim, com minha pouca experiência de vida, de uma coisa eu tenho certeza: eu AMO o meu país. Tenho sim, e muito, orgulho de ser brasileira. E, hoje, canto o Hino Nacional acima de tudo com o coração, entendendo, acreditando e sendo sincera a cada palavra dita.

Bruna Paiva

Sem olhar para trás

capa_44280_1301446313A casa já estava em silêncio àquela altura da madrugada.Todos dormiam e já era a hora. Levantei da cama e, debaixo dela, apanhei minha mochila com o pouco que havia separado para a partida.

Do outro lado do quarto minha irmã mais nova dormia como um anjo. Andei até ela e beijei-lhe a testa pela última vez. Sentiria sua falta. Mas era preciso ir.

Saí do meu quarto e dei uma última volta pela casa inteira. Lembranças e fotografias espalhadas me fizeram refletir novamente se era mesmo aquilo o que eu queria fazer.

Parecia loucura. Ir embora, jogar tudo para o alto sem olhar para trás. Deixar minha família, minha vida em troca de uma aventura. Poderia soar como mais um capricho adolescente de uma menina de dezessete anos bancando a revoltada.

E talvez realmente fosse a maior loucura que cometeria em toda a minha vida. Só mais um sonho que desapareceria dentro de alguns meses. Mas eu precisava tentar, porque podia também ser a chance da minha vida.

É claro que meus pais provavelmente ficarão enlouquecidos quando descobrirem que eu fugi. De início vão armar o maior escândalo, colocar Deus e o mundo atrás de mim. E quando não me encontrarem e desistirem das buscas vão ficar desolados. Mas conseguirão viver sem minha presença. Ainda terão minha irmã, vão superar a perda.

Os documentos falsos já estão em mãos. Idade e nome adulterados para que nunca mais encontrem a Ana Paula que viveu até aqui. O circo parte em duas horas, e eu vou com eles. Viver nas lonas, rodeada pela arte, colocar o meu sonho em prática…

Dando uma última olhada na sala de estar,e reprimindo uma lágrima que teimava em cair, girei a maçaneta e saí para sempre, sem olhar para trás.

Bruna Paiva

Entre o medo e o amor

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Não sei se desconheço o que sinto ou se temo conhecê-lo muito bem… O coração treme quando você chega perto, o estômago se enche de borboletas cada vez que você fala comigo. Toda música na rádio me lembra você… Mas não entendo o porquê disso tudo. Ou talvez, somente não queira entender.

É evidente que você mexe comigo. Você me faz bem e eu quero estar contigo. Mas ao mesmo tempo tenho receio de acreditar que “dessa vez vai ser diferente”.

Acho que as experiências passadas com essa tal da paixão me deixaram um pouco refratária. Nas últimas vezes que me permiti acreditar que estava “apaixonada”, não deu muito certo pro meu lado. Confesso que não é pequeno o medo de dar errado dessa vez também.

Sei que você não fez parte de minhas desilusões amorosas. Nem te conhecia nessa época… E pelo o que você diz  sentir, não pretende me magoar ou me desiludir.

Porém, acho que precisava te revelar esse meu medo secreto. Um temor que tento esconder bancando a durona, mas que por dentro me faz frágil. Um medo de assumir, até pra mim mesma, o que sinto. Medo de deixar acontecer, medo de me dar mal mais uma vez, medo de sofrer e posso até citar um provável medo do amor.

Talvez eu esteja sim apaixonada por você e este texto só tenha sido uma tentativa de expressar isso em palavras. Ou talvez uma tentativa frustrada de negar tal sentimento, para minha mente, mais uma vez. Ou uma maneira de mostrar a confusão que eu faço na minha cabeça com todo esse receio de me arriscar.

Sei que no final vou acabar assumindo que gosto de você. E quando eu fizer isso, só espero que não dê errado. Espero que você não seja mais um para entrar na lista das desilusões. Espero que dessa vez seja de verdade.

Bruna Paiva

A Garota da Casa Grande: um romance sem preconceitos

CAPAA Garota da Casa Grande seria mais um livro no estilo amor de verão como muitos outros, não fosse por um detalhe essencial: o romance é entre duas meninas!

Uma história interessante, já que nos dias de hoje o homossexualidade tem sido fonte e foco de tantas polêmicas e discussões. Nunca tive nada contra os gays, pelo contrário, alguns amigos meus são homossexuais e tenho por eles a mesma consideração que teria por qualquer outra pessoa.

Porém, confesso que foi meio difícil deixar o preconceito completamente de lado lendo o livro. Não sei nem se chega a se chamar preconceito, mas algumas partes da história me causaram certa estranheza. Algumas cenas bobas que confesso que se fossem entre um homem e uma mulher provavelmente teriam passado quase despercebidas…

Mas depois que eu abri a mente e o coração para a história que estava lendo, consegui ver um romance bonito como vários outros que já li. A história das duas me divertiu e conseguiu me emocionar em alguns trechos.

Quando eu leio um livro, gosto de me colocar no lugar dos personagens. E sabe, me colocando no lugar delas, consegui imaginar a dor que comentários preconceituosos podem provocar, o mal que o preconceito pode causar a uma pessoa…

Como de costume, Georgia vai passar férias na casa de sua avó, que mora no interior. Acontece que desta vez ela não fica completamente no ócio, como nos anos anteriores. Durante um passeio matinal com Max, o Golden Retriever que virou seu companheiro naquele lugar, ela conhece Alice, sua vizinha.

As duas logo ficam amigas e Georgia, que já havia se assumido gay dois anos antes, acaba ajudando Alice a entender o que sente e a “sair do armário” de uma vez. No meio de algumas confusões e acontecimentos repentinos, as duas vivem um verdadeiro romance de verão.

Só teve uma coisa que eu não gostei na obra: o texto foi mal revisado. O livro foi publicado pelo selo Novos Talentos da editora Novo Século. E pelo o que eu vejo na internet, não é a primeira vítima desse problema. Os erros na revisão de texto são notáveis, principalmente nos primeiros capítulos. Tirando esse pequeno incidente, a história é o máximo.

A autora de A Garota da Casa Grande é Amanda Marchi. Ela também é blogueira e você pode visitar o blog dela clicando aqui. 

Bruna Paiva

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Fui arrastada pela febre do álbum da Copa do Mundo

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Filha, se arruma que a gente está indo pro shopping.

Fazer o que no shopping?

Seu irmão quer trocar figurinha.

Sim, o que você leu acima é sério. A um mês da copa, a febre do momento é o álbum de figurinhas da mesma. E quando eu digo febre quero dizer que 90 por cento das pessoas em volta de mim estão colecionando. Até briga por figurinha repetida eu já vi.

Na copa de 2010 aconteceu a mesma coisa. Só que agora sinceramente está me irritando. Por que? Porque virou o programa dos meus fins de semana. Meu irmão , de 11 anos, resolveu que o legal de colecionar um álbum que todo mundo também tem é trocar figurinhas com estranhos no meio da rua.

Imagina um shopping com uma multidão num canto. Não é muito difícil, né? Agora imagina essa multidão unida por um propósito. Protesto? Promoção? Não, o álbum da Copa. Exato. As pessoas vão para as ruas trocar figurinhas repetidas com gente que elas nem conhecem. E meu irmão tá no meio disso. E pior que eu sou arrastada pra essa furada.

Meu consolo é que não sou a única. Já cansei de ver namoradas, esposas e filhas entediadas enquanto os homens brincam de trocar cartas com a cara de outros homens. E não, não são só as crianças e adolescentes até 20 anos. As crianças maiores de 30 também estão colecionando…

Aliás, é um momento em que dá pra ver meninos de 10, 11 anos brincando de igual pra igual com gente de 30, 40, pra não citar os mais velhos que isso. Ah, e é claro que não tem só homem na brincadeira né, as coitadas das mães se metem também. Fora a pequena parcela de meninas que resolveram colecionar o álbum.

A febre é tanta, que meus amigos, quando vêem meu irmão simplesmente me abandonam e vão brincar de figurinhas com o pirralho. Até meu pai outro dia saiu com as figurinhas da criança para trocar com os colegas no trabalho.

Têm gente que diz que está colecionando o álbum para o filho bebê, ou o filho que nem nasceu ainda. Juro que já vi pai com filho no colo só pra justificar a brincadeira. Inclusive, na maior parte desses casos, a criança não está nem um pouco interessada na troca de figurinhas. Se duvidar, o pobrezinho tá ali tão obrigado quanto eu…

Não que eu tenha algo contra vocês, mas qual é a graça? Eu brincava de trocar figurinha também. Mas até os 10 anos e com gente que eu conhecia… Sinceramente não vejo mais muita graça pra gastar dinheiro com essas coisas. Se ainda fossem 650 caras bonitos no álbum… Mas se 20 por cento dão pro gasto já é muito, viu?

Bruna Paiva

 

Que tal pagar por uma foto com seu ídolo mas ser impedida de tocá-lo?

Reprodução / Meet Avril Lavigne - Brazil 2014

Reprodução / Meet Avril Lavigne – Brazil 2014

Vamos imaginar uma situação?

Você tem um ídolo, um cara que você admira pra caramba, sabe todas as músicas e daria tudo pra conhecer essa pessoa. Até que um dia esse ídolo vem pro seu país, ou pra sua cidade para dar um show. E vende pacotes para os fãs que desejarem conhecê-lo pessoalmente.

Você resolve fazer um sacrifício, guardar uma grana, ou até mesmo usar a que você tem poupada, para comprar esse pacote que custa cerca de $800. Chega o dia tão esperado em que você finalmente vai conhecer seu ídolo, chegar perto e falar o quanto admira o cara… Só que com um empecilho:  você não pode tocar nele.

Bom, se você esteve online nos últimos dias provavelmente sabe o que me inspirou a fazer este post. Avril Lavigne, sim. Antes de tudo, quero deixar bem claro que meu problema não é com a Avril, eu inclusive sempre gostei bastante dela e de suas músicas. Mas tenho problemas sim com a atitude dela e de outros muitos artistas.

Se você não sabe o que se passou, eu explico. A Avril Lavigne é uma cantora americana super legal. E ela passou com sua turnê  pelo Brasil na última semana. A passagem dela por aqui foi bem polêmica, porque aconteceu exatamente o que eu narrei ali em cima, no começo do texto. Os fãs que pagaram para falar com ela simplesmente não podiam tocá-la.

Pra começar, acho de uma babaquice extrema um artista cobrar para atender seus fãs. Ainda mais quando os ingressos do show já não foram nem um pouco baratos. Além de ser falta de respeito com os fãs, chega a ser feio da parte do artista.

Na época em que eu ia nos shows da Restart quase todo mês, eles faziam isso. E eu nunca paguei. É claro que eu já quis, quando eu era mais nova não percebia o tamanho da palhaçada que isso é. Mas eles faziam sessões de fotos com as fãs sem ter que pagar o meet também. Todas as fotos que eu tenho com meus ídolos foram absolutamente gratuitas…

Eu acho errado artistas cobrarem pelos 5 minutos que vão passar com seu fã. Mas sinceramente achei um absurdo os fãs da Avril não poderem sequer encostar nela. Gente, como assim? Você vai falar pro cara que admira ele, que se identifica com as músicas dele, mostrar o carinho que você tem pela pessoa e ela vai falar tipo “ah ta, obrigada, mas não toca em mim, ok?”

Não dá pra entender e não dá pra aceitar, que me desculpem os fãs e defensores da cantora, mas ela, que sempre esteve na minha lista de artistas preferidos, desceu pra caramba no meu conceito.

Sou contra a cobrança de Meet e pronto. Acho que atender os fãs faz parte das conseqüências de ser um artista famoso e admirado. É claro que nem sempre dá pra atender todo mundo, é compreensível que o artista esteja cansado e não consiga falar com todos os fãs. Mas cobrar valores absurdos para atender o cara que  é, na verdade, a sua maior fonte de renda já é ruim. Exigir que eles se mantenham longe de você, chega a ser patético.

Bruna Paiva

Lembranças do nosso fim

Sentada na praia em um dia de mar gelado demais para mim. Preferi ficar aqui no sol mesmo. Estava lendo meu livro, mas não consegui mais me concentrar depois que um jovem casal passou por mim.

Eles brincavam pela areia. Ele implicava com ela enquanto corriam até o mar. Ele jogou água nela, que ficou braba de início, mas acabou amolecendo com um beijo apaixonado em meio às ondas. Do mesmo jeito que fazíamos até o último verão. E então as cenas que vivemos na praia da casa do seu tio vieram todas à minha cabeça. Os beijos apaixonados, as tardes no mar, as juras de amor eterno. A ilusão de que éramos para sempre…

Fiquei me perguntando se aquele casal, que devia ter a mesma idade que tínhamos quando ainda estávamos juntos, acabaria como a gente. Se teriam o nosso fim. É, eu sei que já tinha me prometido nunca mais pensar no nosso fim, nem em você, mas eles me remeteram tanto a nós dois que ficou meio difícil manter a promessa.

Só consigo esperar que ele não se canse dela. Que não decida se divertir com outras enquanto a ilude. Espero de coração que ela seja feliz e não sofra como eu sofri — ou será que ainda sofro?

Não desejo o nosso fim para ninguém. Só não sei se estou dizendo isso porque realmente não o desejo a ninguém ou se é só porque queria que até o nosso fim fosse só nosso…

Bruna Paiva

Meus amigos viraram zumbis

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Você já sonhou que estava caindo e acordou assustado com a adrenalina bombando no sangue? Ou teve um pesadelo que não te deixou mais dormir? Claro que já. Todo mundo já teve um sonho estranhamente real que nos deixa inquietos pelo resto da semana. Eu vivo sonhando coisas estranhas. Normalmente quando vou dormir muuuito cansada, meu subconsciente me sabota com um sonho bizarro e cansativo.

Já sonhei com ataque terrorista, incêndio na escola e professora psicopata correndo atrás de mim com uma faca em punho… Mas na última vez em que algo estranho invadiu minha mente durante o sono, as vítimas foram três amigos meus. Tive a capacidade de sonhar que os três, juntos e uniformizados, sofriam um terrível acidente de ônibus e viravam zumbis. Sim. Eles viravam zumbis, enquanto a coordenadora do colégio ria da desgraça dos coitados.

Não faz sentido nenhum, eu sei, mas naquele dia eu acordei duas horas antes do que precisava, e só sosseguei bem mais tarde quando  vi os três na escola em bom estado e sem vestígios de qualquer acidente zumbi. Quando contei para eles, foram unânimes em duvidar da minha sanidade mental. Mas não sou maluca.

Eu procurei saber o significado desse tipo de sonho, o que a ciência diz sobre eles. E descobri que há muitas explicações para sonhos assim. Alguns, acreditam que os sonhos podem sim ser presságios ou premonições…Estão vendo meninos, posso ter previsto e salvado vocês de virarem zumbis.

Outros cientistas afirmam que “sonhos são tentativas que nossos sistemas cerebrais nos oferecem para compreensão maior sobre situações de interesse pessoal”. Aí já não entendo direito o que meu interesse pessoal tem a ver com meus amigos virando zumbis… Não me interesso nem um pouco em ter amigos mortos-vivos, juro.

Li também que quando sonhamos algo ruim com alguém, é sinal de que algo bom vai acontecer com essa pessoa. Ou seja, se um dos três ganhar na mega-sena essa semana eu quero minha participação no prêmio…

Brincadeiras à parte, existem diversas teorias para explicar o significado de nossos sonhos estranhos. E é bem difícil de escolher em qual acreditar. Prefiro acreditar que algo muito bom vai acontecer aos meus amigos. Mas acho que se eu não procurar uma explicação para as loucuras da minha mente enquanto durmo, vou começar a acreditar que realmente há algo de errado com minha sanidade mental…

Bruna Paiva

O tempo passa, as coisas mudam…

tumblr_le29985tcZ1qdvfsno1_500Ela sempre se sentiu um patinho feio. Aos 12 anos já era zoada na turma por não ter um corpo tão desenvolvido quanto o das outras garotas. Cada vez que alguém zombava de seu cabelo ou aparelho dentário ela tinha vontade de sumir.

As garotas cochichavam e riam quando ela passava. Algumas se aproximavam, fingiam ser amigas e depois juntavam-se às risadas. Aquelas eram as que mais a machucavam. Os garotos a olhavam para depois caírem na gargalhada. O menino por quem ela era apaixonada a desprezou na frente de todos.

Mas o tempo passou. Ela acabou saindo da escola de infância. Os anos correram e ela cresceu. Mas os sentimentos em relação àquela época não mudam.

Ela agora tem 22 anos e está se formando na faculdade de psicologia. Cresceu e virou mulher no tempo certo. O cabelo melhorou, o corpo se moldou em bonitas curvas e não precisa mais do aparelho dentário. Está linda e chama atenção por onde passa. Arrumou até um namorado. Ele tem 25, é lindo e tem planos de pedi-la em casamento.

Hoje à noite, haverá um reencontro daquela turma de dez anos atrás. Ela pensou bastante e resolveu que iria. Chegou ao local marcado, ao lado de seu namorado, e ao ver aquelas pessoas lembrou-se das zoações e do sofrimento na infância. Mas não deixou transparecer. Continuou sorrindo, de cabeça erguida, andando, cumprimentando e apresentando, a todos, o seu companheiro.

Durante a festa, percebeu que, como há 10 anos, ela ainda era motivo de comentário entre aquelas pessoas. Mas dessa vez, era um pouco diferente.

As garotas ainda cochichavam. Mas agora, elas queriam saber por que não eram como ela. Queriam suas curvas, seu corpo, seu cabelo… Os meninos que gargalhavam agora estavam babando. E o garoto por quem ela foi apaixonada, o que a desprezou, bom… acho que ele ficou meio arrependido.

Lá pela metade da festa, ela foi até o banheiro retocar a maquiagem. Por lá, encontrou uma ex-colega de turma. Uma das que fingia ser sua amiga para depois cochichar com as outras. A garota, se olhava no espelho, e disse enquanto nossa protagonista retocava o batom: “Nossa amiga, como você mudou!”

Ela se privou de maiores comentários, manteve a elegância sem conter a ironia dizendo: “ Talvez eu tenha mudado um pouco. Mas estou vendo que você continua a mesma.”

Depois do fim da festa, quando o namorado a deixou em casa, ela se sentia feliz. Como nunca havia se sentido ao lado daquelas pessoas. Sentia que tinha conseguido se livrar de tudo o que a atormentava quando criança. E sentia que aquela noite tinha sido uma vingança perfeita contra tudo o que lhe fizeram dez anos antes.

Bruna Paiva

Um mês de Rádio Cidade!!

maxresdefaultDesde pequena que ouço de meus pais que na sua adolescência só ouviam a Rádio Cidade. Diziam que lá só tocava música boa e que era uma pena que não existisse mais. Porém, no último dia 10 de março, a Rádio Cidade voltou e eu resolvi escutar. E não é que só toca música boa mesmo?

Hoje, dia 10, faz um mês que a rádio voltou à ativa e há um mês eu não ouço outra coisa…

Na correria da minha semana, eu passo muito tempo dentro do carro, e as viagens, desde a volta da rádio, são todas trilhadas pela Cidade. É Legião Urbana, Capital Inicial, Detonautas, meu querido Charlie Brown, Pearl Jam, U2, Queen, e outros grandes nomes da música, o dia inteiro. A programação é muito legal. E o engraçado é que são músicas e versões que meus pais curtiam na minha idade. Música boa é pra sempre, né?

De noite, na hora em que estou voltando do ballet, tem o “Cidade do Rock”.  O programa já existia na antiga Cidade, e na nova continua muito maneiro. Cada dia com um cantor top diferente. É muito bom.

Outra coisa que eu curti foi a publicidade forte que eles estão usando. Tem uma propaganda em que uma garotinha pede pra ouvir Anitta e Bruno e Marrone. O locutor tenta ser delicado e diz que na Cidade não toda esse tipo de música. E então é surpreendido por gritos de alegria da garotinha que acha a rádio do c%&@!#0. É de chorar de rir.

Tá certo que eu adoro boy bands e divas do momento, mas o som da rádio cidade tem sido bem mais interessante. Tem uma hora que cansa só escutar a mesma coisa o dia inteiro…

Meus pais tinham razão, viu? A Cidade é a melhor rádio que tem. Parabéns pelo primeiro mês de retorno, e eu espero que ela continue aí por muitos e muitos anos. Porque se acabar de novo, vai fazer muuuuita falta.

Bruna Paiva