27 de setembro

Saí de casa pro trabalho hoje e dei de cara com dezenas de crianças na rua. Grupinhos com mochilas, mães e garrafinhas d’água caminhando meio sem rumo mas com objetivo certo: doces. A saudade da infância bateu tão forte que eu não aguentei.
Cresci e vivo até hoje no subúrbio carioca. Por aqui, 27 de setembro é lei: dia de São Cosme e Damião, dia de ir às ruas. As colegas que se mudavam sempre diziam que, na zona sul e na barra, a magia mal existia.
Cosme e Damião era o único dia em que minha mãe me deixava matar aula. Menos quando a escola marcava prova justamente no dia 27. Maldade pura, eu sempre acreditei.
Passávamos o dia inteirinho caminhando por todas as ruas do meu bairro e dos adjacentes. Todas as crianças da vila iam juntas. Era mais legal com os amigos. A gente levava mochilas e de vez em quando passava em casa pra diminuir o peso e pegar mais água. As mães às vezes revezavam o turno porque, diferente de nós, elas cansavam de andar pra lá e pra cá o dia todo. Tinha até mãe evangélica que fingia que não via e deixava o filho ir correr atrás do doce com os amigos. O bom era a bagunça.
Era o dia em que todas as crianças da região se encontravam nas ruas, independente da escola em que estudavam ou da classe social. Todo mundo lutando pelo mesmo objetivo: o tal do saquinho de doces.
O meu preferido era o de papel. Já na minha época quase extinto. Eu ganhava e já metia o olho lá dentro pra ver se tinha doce de amendoim, o que eu mais gostava e que acabava mais rápido lá em casa.
No fim do dia era hora de ganhar os doces dos vizinhos da vila (sempre os últimos porque já guardavam pras crianças de lá) e contar os saquinhos. A graça era ver; quem conseguiu mais. Eu e meu irmão sempre ganhávamos porque juntávamos os nossos (levemente trapaceiros, mas pelo menos a gente realmente dividia tudo hahah).
Com o tempo a ostentação foi diminuindo. Em parte pelas crises econômicas que dimiuíram a oferta de doces na vizinhança, mas também pela tristeza do fim da infância.
No inicio da adolescência, os dias 27 de setembro eram quando eu me vestia da maneira mais infantil que eu conseguia. Mas uma hora parou de colar (kkkk). A cada ano eu ganhava menos saquinhos. E hoje eu só tenho saudades…
Bruna Paiva
Ps: Texto escrito em 2019 e publicado em meu Facebook antes da pandemia do coronavirus. Não provoquem agolomerações!

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Os 10 melhores livros da minha quarentena (até aqui!)

Se tem uma coisa que a quarentena agilizou na minha vida foram as leituras. Eu tenho conseguido ler muito mais do que antes e já estou muito próxima de passar da meta de leituras que eu tinha estabelecido para o ano inteiro. Uma das coisas que eu tinha como meta e tenho conseguido é fazer mais leituras em formato digital. Muitos dos livros que vou indicar hoje são e-books. Tenho tentado investir esse tempo para ler coisas que eu sempre quis e acabava adiando por mil motivos na correria do dia a dia.

O post de hoje é sobre os melhores livros que li até essa metade do ano. Tem livro de tudo que é tipo pra vocês aproveitarem esse tempo em casa para conhecer coisas novas:

O terceiro livro da série “Arma Escarlate” da Renata Ventura foi o primeiro livro que eu li no ano. Já falei bastante aqui no blog sobre essa série incrível sobre o mundo bruxo no Brasil. O terceiro livro segue a mesma linha dos outros e não decepciona. A gente se envolve com os personagens e sofre as angústias deles. Nesse livro, Hugo embarca numa aventura perigosa para tentar salvar alguém muito importante. E minha paixão pelo Capí só cresce a cada livro.

Além do trabalho incrível que a Renata faz mesclando ficção, a História do Brasil e os mitos do nosso folclore. A parte 2 já está no meu kindle e, ao mesmo tempo que estou louca para saber o que acontece, venho adiando essa leitura porque não sei quando o quarto livro sai! Nesse livro, boa parte da história se passa na escola do Norte do Brasil e a questão indígena é muito bem apresentada pela autora. É o tipo de livro que, além de encantar pela trajetória de seus personagens, desperta reflexões sobre assuntos que você talvez não imaginasse encontrar num livro de fantasia.

 

Depois de muito tempo sem ler Thalita, me deparei com esse livro, que ganhei na ação do Felipe Neto na Bienal do Rio de Janeiro. E que história deliciosa e sensível!

O livro conta a história de Davi, um adolescente do segundo ano do Ensino Médio, que durante um curso de astrologia começa a se descobrir. É uma história incrivelmente sensível sobre um menino entendendo sua sexualidade, lidando com os próprios preconceitos e aprendendo a lidar com uma sociedade homofóbica. E, ao mesmo tempo, uma história super divertida que me rendeu boas gargalhadas. Um equilíbrio perfeito!

 

Esse livro já virou um clássico. Confesso que não foi o melhor livro que li nessa quarentena; muitas lacunas na história me incomodaram. Mas, ainda assim, é um livro marcante. Uma história distópica forte, chocante e que infelizmente me remeteu muito à realidade política atual. É um livro necessário, principalmente para quem se interessa em pensar a mulher e o feminismo na sociedade. Um livro sobre o que pode acontecer quando se toma o religioso como universal…

A adaptação para TV é ótima e inclusive busca preencher algumas das lacunas que me incomodaram no livro. Uma das adaptações mais bem feitas a que assisti nos últimos tempos. Vale à pena demais!

 

Confesso que nunca fui muito de ler livros eróticos, mas a trajetória da Nana Pauvollih sempre me interessou. Ela foi uma das pioneiras na autopublicação pela Amazon. Como sempre quis ler algo dela, comprei “Pecadora” bem no início da quarentena.  Não imaginei que fosse gostar tanto.

A história de Isabel, uma mulher reprimida pela religião e pelo machismo da família que, ao conhecer um novo amigo do marido, começa a se descobrir sexualmente. Isso acaba provocando uma mudança completa na vida de Isabel. Um livro que me surpreendeu muito positivamente pelo teor feminista que poucas vezes eu vejo nesse gênero. E, além de tudo, a forma com que Nana escreve me envolveu demais!

 

Quem passou a adolescência lendo Crepúsculo sabe a importância desse livro. Essa era uma dívida com a Crepusculete que ainda vive dentro de mim. E que dívida bem paga! Nunca imaginei que fosse gostar TANTO desse livro. Falei um pouco sobre ele no meu Instagram (não me segue ainda? Clica aqui!).

Uma história de amores, traições, brigas de família e casamentos arranjados. Tudo contado por uma empregada numa grande fofoca com um novo hóspede da casa. É incrível. Os personagens são muito envolventes e a história é cheia de reviravoltas. E é claro que quem leu Crepúsculo entende bem por que o livro é tão citado. Eu amei!

 

Nesse livro, o Dr. Dráuzio Varella traz as histórias do tempo em que foi voluntário em presídios femininos. As histórias das detentas deixam muito clara a dura realidade das mulheres presas no Brasil. O livro mexeu bastante comigo porque eu fiz trabalho voluntário em presídios, na faculdade, e vi muito essa realidade de perto. Uma das questões que sempre me incomodou e que também é tratada por Dráuzio no livro é o abandono das mulheres presas. A imagem das filas nos dias de visita, muito bem colocada por Dráuzio, sempre me chocou. Nos presídios masculinos, em dias de visitas, as filas são quilométricas. Já nos femininos, não chegam a poucos metros.

 

Esse talvez tenha sido o livro que mais mexeu comigo nesse período. “Céu Sem Estrelas” conta a história de Cecília, uma menina que acaba de completar 18 anos e está com a vida virada de cabeça para baixo. Ela perde o primeiro emprego, briga feio com a mãe e acaba tendo que morar de favor na casa de uma amiga. Em meio a esse cenário, Iris Figueiredo retrata de maneira muito real os efeitos da ansiedade e da depressão na vida de Cecília.  É um livro muito sensível e que merece demais a leitura.

 

Mais um livro que foi assunto nos meus stories no Instagram e no Twitter (me segue lá!). Cassandra Rios foi a escritora mais censurada pela ditadura no Brasil. Ela foi a primeira mulher brasileira a vender 1 milhão de cópias e viver dos frutos de sua escrita. Cassandra incomodava a ditadura porque escrevia sobre o amor entre mulheres. Era tida como pornográfica e imoral. Uma mulher que merece que revisitemos sua obra. Até porque, apesar de ter sido uma escritora renomada, hoje é muito raro que se ouça falar de sua obra.

Em “Eu sou uma lésbica” acompanhamos a jornada de descobrimento da sexualidade de uma mulher desde a infância até a juventude.

 

Helena roubou meu coração! Também falei sobre esse livro no Instagram (Tá vendo quanto você perde por não me seguir? Haha). Em “Helena”, Machado nos trás a história de uma família que, ao perder seu progenitor, descobre por meio do testamento que aquele homem tinha uma filha bastarda. O último pedido do morto é que essa filha seja integrada à família e amada como tal. Uma história que fala sobre amores proibidos, mentiras de família, traições, incesto e que envolve o leitor do início ao fim!

 

Esse conto do Vitor Martins é super baratinho na Amazon e foi um afago no meu coração. “Escrito em algum lugar” traz a história de Antônio e Gustavo, que se conhecem na fila para comprar o ingresso do show de sua boy band preferida, o Triple J. Uma história apaixonante daquelas que fazem a gente torcer pelos personagens e vibrar com o beijo do casal! O jeito que o Vitor escreve é delicioso!

 

 

Por enquanto, esses são meus livros favoritos de 2020. Até o fim do ano, provavelmente essa lista vai se atualizar e aí eu trago ela de volta para vocês!

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Sobre homens e bebês

 

Quantas pessoas você conhece que foram abandonadas pelo pai, seja física ou afetivamente?

Uma das coisas que eu mais estranhei quando estive na França foram os homens com seus bebês. Pais nas ruas com suas crianças, de todas as idades, às vezes mais de uma. Andando de bicicleta, brincando nas pracinhas, passando nos mercados… Pais sozinhos com suas crianças pelas ruas parisienses. Quando se via um casal hétero com sua criança, na maioria dos casos, era o pai quem empurrava o carrinho.

Tudo bem, não é que não exista tal cenário no Brasil. Eu mesma tive e tenho um pai maravilhoso, que esteve presente em todos os momentos importantes da minha vida. Mas, convenhamos, essa não é uma realidade majoritária no país. Em 2013, segundo o Huffpost Brasil e o Instituto Brasileiro de Direito de Família, 5,5 milhões de crianças brasileiras sequer tinham o nome do pai em sua certidão de nascimento.

Se você vai a um shopping, a um parque, a um restaurante, aqui no Brasil, é muito mais provável que encontre um número muito maior de mães sozinhas com suas crianças do que pais. O que me chamava atenção na França era justamente que, pelo menos nas ruas, ficava muito claro que essa realidade lá é bem diferente. Passei 10 dias em Paris e confesso que não houve um em que eu tenha deixado de reparar nessa questão. A cada vez que eu pisava na rua lá estava um pai com sua criança, da maneira mais natural e rotineira possível. Não parecia ser nada extraordinário por lá. Apenas pais, fazendo sua obrigação de pais.

Lembro inclusive de ter me sentido mal por aquela questão me chamar tanta atenção. Afinal, é exatamente naquilo que eu acredito. Pais e mães com funções semelhantes, criando os filhos em conjunto, como é a obrigação de quem coloca um filho no mundo. Mas a quantidade era o que me assustava. Porque não, não é o que vemos por aqui.

Não estou assumindo aqui uma postura de “tudo é melhor fora do Brasil”, até porque não acredito nisso. Amo meu país, apesar dos pesares, e ainda acredito no potencial de crescimento que temos aqui. Assim como, durante minha estadia na França, certos aspectos culturais também me incomodaram. Mas esse foi um aspecto que eu invejei, algo que eu não pude deixar de observar a todo o tempo.

A barreira linguística ainda me impede de investigar a fundo a questão na França. Ainda assim, acredito que a situação econômica do país e a menor desigualdade social, sejam grandes responsáveis pelo que eu observei nas ruas por lá. Mas isso é só um palpite meu. Não achei nenhum artigo sobre o assunto e, como não entendo francês, a coisa fica ainda mais dificultada. Inclusive, se você conhecer algum dado sobre a paternidade na França, algum artigo traduzido, seja para o português, para o inglês ou mesmo para o espanhol, me mande! É algo que muito me interessou e eu gostaria de saber mais.

Seja lá qual for a causa dessa paternidade mais presente e responsável, espero que um dia ainda durante minha vida o meu país chegue lá também. Que um dia eu saia na rua e veja pais e mães em quantidades semelhantes cuidando de seus filhos. Sei que estamos caminhando para isso, pelo menos na minha humilde bolha social. Mas espero que um dia a população como um todo consiga reverter nossas estatísticas.

 

Bruna Paiva

 

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Insônia, quarentena e BBB

Não durmo mais. Há quatro ou cinco dias eu não sei mais o que é um sono tranquilo que começa de noite e só termina no meio da manhã. Logo eu que sempre apaguei onde encostava; eu que num tempo longínquo dormia nas escadas da academia de dança entre uma aula e outra, com toda a barulheira do sapateado na sala de cima; eu que sou mestre em cair em sono profundo assim que sento no ônibus; eu que durmo no meio de todo e qualquer filme que assista; eu que não aguento 5 minutos de leitura à noite antes de dormir…

Sim, eu fui acometida pela insônia da quarentena. As noites são longas. Tudo na cama me incomoda. Tira lençol, bota lençol. Travesseiro muito alto, agora muito baixo. Dor na coluna. Vira de ladinho, ruim. De costas, ruim. Bruços, impossível. Travesseiro no meio das pernas, quando vira de posição agarra no lençol. E assim a noite passa. As pequenas cochiladas entre um incômodo e outro me trazem sonhos estranhíssimos que ou não fazem sentido nenhum ou me deixam triste.

Não é falta de exercício físico. Não é falta de trabalho. Não é falta do que fazer. Não é a situação alarmante do mundo inteiro; mas pode ser.  Não é o fato de um vizinho ter morrido de corona; mas pode ser. Não é o ódio genuíno que eu sinto pelo presidente desse país e seus apoiadores; mas pode ser que seja. Não é o confinamento e convivência de 24 horas com a família; mas pode até ser. Não é a intensidade disso tudo, que faz uma semana parecer um mês; mas será que é?

O Fantástico disse que é preciso pegar o sol da manhã para que seu corpo entenda que está de dia e produza os hormônios que bla bla bla e isso pode te ajudar a dormir a noite. Hoje acordei cedo e sentei no primeiro feixe de sol do sofá. Vitamina D deve fazer falta, realmente. Minha psicóloga aconselhou a usar máscara nos olhos. Só tenho esse novo modelo da moda, a que cobre nariz e boca. Será que é só subir um pouquinho? Dizem que o celular atrapalha também.

Mas eu acho mesmo é que o Big Brother tinha que ser transferido para as 18h. Não faz sentido ficar até onze e meia da noite com adrenalina desenfreada no sangue na esperança de que o Babu venha a ser líder; para logo depois me frustrar e precisar dormir com esse sentimento horrível. Talvez, se o Boninho fizesse logo a tal prova de quem imita melhor o Tim Maia, meu sono voltasse ao normal. Fica aqui o apelo.

 

Bruna Paiva

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“Fã de Carteirinha”: meu novo livro no Wattpad

 

Olá pessoal,

Hoje venho trazer uma novidade para esses dias de quarentena de vocês. Acabou de sair no Wattpad a apresentação e o primeiro capítulo do meu mais novo livro! É isso mesmo: temos um livro novo! E ele começou a ser postado hoje mesmo!

“Fã de Carteirinha”, como o nome já diz, traz como tema o amor de fã. Foi o primeiro livro que eu comecei a escrever na vida e eu estou muito feliz em finalmente ter conseguido trazer ele para o mundo!

 

Confira a sinopse: 

Thalita dividia seu coração entre o namorado da escola e o amor platônico por um cantor pop. Mas sua vida vira de cabeça pra baixo quando ela conhece seu maior ídolo.

Do alto de seus 16 anos, a carioca Thalita Silveira tinha certeza de que era possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, desde que cada uma ocupasse um lugar específico em seu coração. De um lado Benício, o namorado dedicado e atencioso que estuda na mesma escola que ela; do outro lado, Christian Belchior, o cantor e ídolo popstar que sequer sabia que ela existia.

Thalita defendia o seu direito de amar os dois ao mesmo tempo, porém de formas diferentes. O que ela não fazia ideia era de que, por um acaso do destino, um dia teria a chance de estar mais perto do seu ídolo do que jamais imaginou. E é exatamente aí que seus problemas começam.

O que no início parecia só a realização de um sonho, em pouco tempo transformou a vida de Thalita em uma sucessão de novas experiências. De repente, sob os holofotes da mídia, e temperada com muito ciúmes, traições e mentiras, ela vê sua teoria sendo testada na prática.

Será mesmo possível dividir o coração entre dois amores?

 

A história será postada semanalmente no meu perfil do Wattpad, com capítulos novos toda quarta e sábado!

 

E você já pode conferir o primeiro capítulo! Basta clicar aqui!

Espero vocês por lá!

 

Beijos,

Bruna Paiva

 

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Um bolero

Um bolero. Em meio ao vai e vem desenfreado, um clássico bolero latino invade os ouvidos de quem entra, senta e espera a próxima parada. Um bolero apaixonado, lento, sentido do fundo da alma de quem toca e canta. E da senhora ao lado da porta.

Uma idosa distinta, bem arrumada, bem penteada, bem pintada. Sentada sozinha no banco destinado a quem tem prioridade por já ter vivido tanto. Os olhos vidrados no músico, do outro lado do vagão. Os ombros deixando-se levar pelas notas; tão discretamente que poucos distinguiriam a dança do sacolejo da viagem. Um e dois e um e dois. Os lábios acompanhando, silenciosamente, a ardorosa letra enquanto os olhos, marejados, por vezes se fecham absortos.

O salão. O chão riscado com os sapatos. O amor ardente transmitido em tantas danças, durante tanto da vida. A cada sexta-feira à noite, o baile tão esperado por toda a semana do casal. A quebra rotineira da rotina de uma vida simples, difícil, mas sempre celebrada, sempre dançada. A paixão compartilhada que por tantas vezes salvou o amor também dividido. E que nunca mais fora a mesma; que nunca mais viria a ser.

A dança que era um terceiro elemento no casamento tão sonhado, e tão bem vivido graças àquelas sextas-feiras. A dança que era regra em cada festa de família, aniversário e domingo a tarde na sala de casa. Que encantou os filhos, os netos e quase conseguiu ser apresentada aos bisnetos. A dança que selava o pacto renovado a cada nova música, por tanto tempo que às vezes a memória já falha. A dança que a fazia sentir que a idade não existe, que o amor verdadeiro se lembra ainda do perfume sentido no primeiro abraço. A dança de que tanto sentia falta desde a partida de seu grande amor.

A saudade de toda uma vida contida em três minutos de bolero. A lembrança de toda a felicidade compartilhada e ainda hoje vivida ao lado dos frutos daquele amor. O peito apertado pela dor de se despedir mais uma vez de quem sonhou e viveu ao seu lado. O luto duplo revivido, mas não lamentado.

Uma nota pescada na carteira recompensa o músico pela oportunidade de reviver alguns minutos de uma vida tão gostosa. A viagem segue com a certeza de que a vida merece ser vivida intensamente até o fim. E, depois dele, quem sabe voltemos a dançar…

 

Bruna Paiva

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Confissões da quarentena 2.0

Mês passado eu precisava ter arrancado um dente. Um siso que me castiga desde os quinze anos de idade e que eu adiei tanto arrancar até chegar num estado crítico, e agora não tem mais jeito. Tomei coragem, marquei para março. O dente continua aqui. De quarentena.

Mês passado eu precisava ter feito um exame importante para acompanhar a protusão-que-pode-vir-a-ser-uma-hérnia-de-disco que os anos de dança causaram na minha coluna. Além voltar para o tratamento de reprogramação postural. Não deu tempo também. Mas as dores na coluna não entraram em quarentena. Estão aqui, firmes e fortes. Tenho feito exercícios em casa, mas já aconteceu de não conseguir levantar da cama durante essa quarentena.

Vinha pensando em cortar meu cabelo. Será que corto? Será que não? Vou marcar para março. Não! Abril! É isso, em abril eu corto. Mas será, mesmo? Faz tanto tempo que eu não vejo ele assim, grande… Mas eu também gosto tanto dele bem curtinho. A quarentena decidiu. Por enquanto, vai crescer.

Estou frustradíssima pela provável anulação de todas as festas juninas desse ano. Creio que poderíamos deixar instituído que, depois de tudo isso, paçoca, quentão, bolo de milho, pudim de tapioca, canjica, cocada, pé de moleque, milho cozido, pamonha e afins serão aceitos independente do calendário. Além é claro de quadrilhas (dançadas, por favor), botas e chapéus de caubói, camisas xadrez, Maria Chiquinha, vestido de chita, e muito olha pro céu meu amor. A decoração de Natal podia ser junina, a ceia também, é claro. Muito mais brasileiro seria.

Eu tinha marcado de ir à praia com meu namorado. Depois de quase dois anos juntos, eu finalmente o convenci a ir à praia comigo. Não é bem a praia dele, sabe? Seria um domingo gostoso à beira mar. Mas foi instaurada a quarentena, bem naquele fim de semana. Nada de praia por enquanto. Agora só no próximo verão (o que no rio de janeiro é quase todo dia a não ser nossas duas semanas de garoa e ventinho). Ou tomara que o universo conspire e que o primeiro dia pós-quarentena seja um domingo de sol.

A viagem romântica que faríamos no nosso aniversário de também não tem mais previsão de acontecer. O campeonato de pole dance para que comprei os ingressos e vinha contando os dias para assistir foi cancelado. A prorrogação do meu contrato de estágio também se enrolou toda. Não sei mais qual vai ser o rumo da minha vida acadêmica em 2020.

Muita coisa parou pela metade na minha vida por causa da quarentena. Mas qual o remédio? Deixar que 5 ou 7 mil pessoas morram como se fosse natural e inevitável não me parece razoável… sigamos em casa. E me chamem para natais juninos.

Bruna Paiva

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Confissões de Quarentena:

  • Estou presa em casa desde que voltei da psicóloga no dia 16 de março. Fui à consulta sob protestos da minha mãe. Ainda havia movimento nas ruas e isso começou a me deixar preocupada. Já são duas semanas de isolamento social desde então. A terapia tem sido feita online.

 

  • Comecei a ficar assustada de verdade quando meu namorado foi dispensado do trabalho para entrar em quarentena. Ele trabalha em shopping, não folga nem no Natal.

 

  • Temos comido bem. A falta do que fazer tem feito todo mundo procurar a cozinha para passar o tempo. Até quem nunca pisou lá resolveu se arriscar. A cada dia fazemos um prato elaborado diferente. Talvez seja a parte mais gostosa dos dias.

 

  • Pensar nos moradores de rua tem me deixado mal. Com as ruas vazias e os estabelecimentos fechados, não há para quem pedir. Não há quem se compadeça no meio da rotina, quem se desprenda de uma moeda, quem possa comprar um prato de comida. Talvez essas pessoas morram de fome antes de entender por que ninguém mais sai de casa…

 

  • Já assisti a tantos filmes que no momento estou odiando finais abertos. Preciso de desfechos, de finais felizes, ou tristes, mas finais que encerrem as histórias. Me indiquem filmes que de fato acabem, por favor.

 

  • Não consigo mais assistir a noticiários constantes. É desesperador. A cobertura integral me dá náuseas. Ataca minha ansiedade e me deixa atordoada sem saber o que fazer, agoniada por não poder pisar na rua, angustiada pelo futuro. Me limito ao Jornal Nacional. Uma vez por dia está de bom tamanho.

 

  • Tenho feito aulas de dança online ainda que o pouco espaço do meu quarto faça a coisa toda parecer meio ridícula. Sinto saudade de aulas em espaços amplos, com contato com os professores, risadas nos corredores e empolgação em grupo para pegar coreografias. Talvez, mais do que nunca, esteja dando o devido valor a tudo isso.

 

  • Tenho medo da irresponsabilidade imbecil do presidente da república e seus seguidores. Medo pela minha avó, meus tios, meus pais, meus ex-professores e por mim e meus amigos também. E tenho sorte de estar presa em casa com pessoas que pensam como eu. Passar a quarentena com quem defende que tudo volte ao normal, arriscando a vida de tanta gente… provavelmente me enlouqueceria.

 

  • Estou aproveitando o momento para ler. Uma coisa que vinha me incomodando há muito tempo era meu ritmo de leitura. De alguns anos para cá, ele diminuiu. A vida adulta vai ficando mais corrida e o total de livros lidos no fim do ano cai bastante em relação à adolescência. Minha meta esse ano era aumentar a média. Talvez a quarentena me ajude a conseguir.

 

  • Queria aproveitar para estudar francês, mas não fiz isso ainda. Também queria arrumar todo o meu armário e as coisas que deixo para depois há tanto tempo. Mas essa cobrança de ter que fazer algo produtivo o tempo inteiro também é bastante angustiante. Parece sempre que o tempo não é suficiente para nada, ainda que seja todo o tempo que temos.

 

  • Tenho cuidado da minha pele e do meu cabelo mais do que nunca. Todo o tempo que eu sempre quis para me dedicar a esse tipo de coisa agora está aqui. E é gostoso cuidar de mim mesma.

 

  • Quando isso tudo acabar eu quero ir ao cinema. Passear num shopping, assistir a um filme e lanchar depois. Ir até a feira da Glória só pra comer um pastel, passar uma manhã ou uma tarde na praia, assistir a um show, almoçar com a família completa. Ver gente, ver vida no mundo, ver arte. Quero tudo de volta ao normal, em segurança. Mas para isso, é preciso ficar em casa…

 

Bruna Paiva

 

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E-book de graça só neste domingo!

 

Está sem fazer nada nessa quarentena? Eu tenho um presente para você!

Apenas nesse domingo, 29/03, meu e-book “Sobre Deixar de Amar” está disponível GRATUITAMENTE para download na Amazon Brasil!

É só clicar nesse link: https://amzn.to/2Ut74IZ e baixar esse mimo!

Mas não percam! É só hoje!

 

Em “Sobre deixar der amar”, apresento 16 textos sobre encontros e desencontros do amor. Nas crônicas e contos,  ódio e amor são retratados como sentimentos vizinhos. Histórias que misturam ficção e sentimentos reais. Um convite para pensar o amor como ele realmente é: real e não idealizado.

VOCÊ ACREDITA NO AMOR ROMÂNTICO? SERÁ QUE O SENTIMENTO É MESMO COMO VEMOS NOS CINEMAS E LITERATURA?

 

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Bruna Paiva

“De Volta ao Carnaval”: Último Capítulo no ar!

Olá, pessoal!

Acabou de entrar no ar o Último Capítulo  do meu novo conto “De Volta ao Carnaval” lá no Wattpad. 

De Volta ao Carnaval chegou ao fim! Vem conferir o último capítulo da história de Yara e Bruno! Obrigada por terem vindo até aqui comigo! Foi uma delícia passar essa semana com vocês!

Para conferir o último capítulo, é só clicar AQUI!

“De Volta ao Carnaval” é um spin off do meu conto de Carnaval de 2018: “Enquanto o Carnaval Durar”. A sinopse do novo conto, você pode conferir a seguir:

Encontros de carnaval tem que ficar em fevereiro? E se o sentimento continuar depois do fim da folia? Quando vale a pena deixar o orgulho de lado e se entregar ao amor? Yara e Bruno se conheceram no carnaval do ano passado. Se esbarram em um bloco nas ruas do Rio de Janeiro e o que era para ser uma aventura sem compromisso quase virou namoro. Os joguinhos de desinteresse acabaram afastando o casal, que nunca conversou sobre o que aconteceu.

O problema é que a melhor amiga de Yara também estava naquele carnaval. E acabou engrenando um namoro sério com o melhor amigo de Bruno. Agora, um ano depois, em um novo carnaval, Yara e Bruno estão prestes a se reencontrar. Mas será que eles estão prontos para isso? “De Volta ao Carnaval” é um conto em sete capítulos que se passa pelas ruas e blocos do carnaval carioca. Em meio a muita fantasia, festa e curtição, Yara e Bruno vão precisar escolher entre orgulho e amor.

 

Gostou? Então corre no Wattpad para não perder nadinha!

Espero vocês!

Beijos e até o capítulo de amanhã!

Bruna Paiva

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