“Carrie a estranha” – ela está nas nossas salas de aula.

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Recentemente tomei coragem para assistir ao filme Carrie- A Estranha.  Digo que tomei coragem porque sempre fui medrosa para assistir a filmes de terror sem ficar morrendo de medo por anos. Meu pai, que é fã do Stephen King e já tinha visto a primeira adaptação do livro do autor para as telonas, queria ver a nova versão e resolvi acompanhá-lo. O filme de terror que achei que me daria medo, na verdade mexeu comigo. Percebi que sempre houve pelo menos uma Carrie por ano na minha sala de aula. E que, com certeza, há uma na sua também. Duvida?

O ser humano sabe como ser cruel, e era isso o que faziam com Carrie. Se você começar a perceber, com certeza existe ou já existiu uma Carrie na sua sala. Aquela menina ou aquele menino que não se entrosa muito com a turma e por isso vira piada nos corredores. Já parou para pensar que ele ou ela pode ser uma pessoa maravilhosa se você tentar se aproximar?

A história de Stephen King, escrita em 1974, trata de um tema bastante atual: bullying. A menina Carrie White foi fechada em seu próprio mundo pela mãe que é uma fanática religiosa. Por isso, é excluída pelos colegas de classe. Logo no início do filme, enquanto toma banho no vestiário do colégio depois de uma aula de Educação Física, ela tem sua primeira menstruação e fica desesperada porque não fazia ideia do que era aquilo.

A falta de informação de Carrie logo vira motivo de piadas entre os colegas de classe. Chris Hargensen, a patricinha da turma, filma a situação da colega e faz com que o vídeo vá parar na internet. Por causa dessa maldade, Chris é proibida de ir ao baile de formatura, fica indignada e resolve se vingar. No baile, dá um jeito de humilhar Carrie na frente de todos os convidados. O que ninguém sabia é que Carrie White possuía poderes telecinéticos. Depois de ser humilhada ela se vinga de todos os colegas que lhe fizeram mal, usando seu poder.

Para a minha surpresa, o filme não me deixou nem um pouco com medo. Pelo contrário, achei a história fascinante e acabei percebendo que, na verdade, Carrie não era estranha. Ela só era tímida e diferente por causa da influência da mãe fanática. Ela não era feia, não era chata, irritante… Mas uma menina linda que gostava de viver como qualquer adolescente. O problema não estava em Carrie. Ela sofria exatamente com a mesma coisa que muitas crianças e adolescentes sofrem hoje: a falta de sensibilidade vinda das pessoas ao seu redor.

O bullying não está só na violência física ou psicológica. Mas também no simples fato de se ignorar a existência de uma pessoa que convive com você. Excluir um colega de classe das reuniões e passeios da turma por falta de interesse em conhecê-lo também é maldade. O que poderia ter acontecido com Carrie se não tivesse passado a vida sendo zoada pelos colegas de turma? Talvez nunca tivesse usado seus poderes para o mal… E se alguém tivesse tentado compreendê-la antes poderia ter evitado a morte de muitos.

A conclusão a que chego é a seguinte: Carrie não era estranha porque não existe um padrão que defina o que é estranho e o que é normal. A definição de estranho no dicionário é “que é pouco comum”. Ninguém pode definir o certo e o errado no jeito de ser. O ideal é aderir e conviver com as diferenças. Porque isso sim é diversidade. Então, na volta às aulas, preste mais atenção na sua sala. Pode haver uma Carrie sentada perto de você…

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11 pensamentos sobre ““Carrie a estranha” – ela está nas nossas salas de aula.

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  4. Cara Bruna,
    Em todos os meus anos na escrita, já vi pessoas reagirem de muitas maneiras a quem tem talento. Incomoda. Tentar apagar você pode ser uma delas. Mas não se preocupe. Seu talento é imortal. Isso é pura inveja. E só os bons despertam inveja. No fim, tudo dá certo!!!!
    Feliz Ano Novo. Siga em frente, o mundo precisa dos bons escritores. E, pelos textos que seu pai me mostrou no jornal, você é ótima e original.
    Grande beijo,
    Clarissa

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