Não, eu não vou pular carnaval

Bloco-Loucura-Suburbana-Rio-de-Janeiro20140227_03

— Filha, vamos pro Céu na Terra?

— Pra onde mãe?

— Pro Céu na Terra.

— Mãe você não acha que tá meio cedo pra eu morrer não?!

—Que morrer o que garota. To falando do bloco de carnaval que tem lá na Zona Sul.

—Deus que me livre! Desde quando o inferno resolveu se chamar de Céu, gente?

—Que isso filha? Vamos curtir o carnaval…

— Mamãe querida, tudo que eu menos quero é ir curtir o carnaval. Se eu pudesse eu ia pra Argélia no carnaval.

— Pra Argélia? Minha filha o que é que tem de bom na Argélia?

— Eu sei lá o que tem na Argélia mãe. Só sei que passar o carnaval lá deve ser melhor do que aqui.

—Não entendo essa sua implicância com o carnaval.

— Me diz o que é que tem de bom no carnaval, mãe?

— Tem gente na rua…

—Eu não gosto de gente demais na rua.

—Tem alegria…

—Felicidade exagerada e sem nenhum motivo. Não faz sentido e me irrita.

—Tem música…

—Na na na na não. Tem Rebolation, Lepo Lepo, Ai se eu te pego…

—Filha, eu amo carnaval.

—Mãe eu não vou pro canaval. Me chama pra qualquer coisa, mas não me chama pro carnaval. Você quer dar um passeio na Argélia? Eu vou com você…

— É, não tem jeito. Eu vou ter que arrumar outra família no carnaval do ano que vem…

Há anos diálogos como o acima se repetem aqui em casa na época do carnaval. Minha querida mãe adora essa comemoração. Já eu acho que a única coisa boa que ele me acarreta é a semana de folga na escola.

Não consigo entender por que é que as pessoas acham que no carnaval elas precisam ficar felizes sem motivo nenhum.

A cidade vira uma bagunça. É gente bêbada, gente suada, gente suja, gente vomitando… Fora a pegação desenfreada. Este ano aqui no Rio, uma marca de camisinha vai estreiar uma cápsula que é um quarto de motel onde os casais poderão permanecer por até quarenta minutos pendurados por um guindaste à 15 m de altura.

Os nomes dos blocos também são os mais, digamos… excêntricos possíveis: “Xupa mais não baba”, “Empurra que eu sento”, “Calma, Calma sua Piranha”, “Simpatia é quase amor”, “Pinto Sarado”, “Suvaco de Cristo”…

Agora me digam: qual o sentido disso tudo? Eu não entendo o carnaval, eu não suporto o carnaval. E o pior de tudo é que minha mãe sempre me convence a sair na rua pra ver a “festa” passar…

Bruna Paiva

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