Ex-adolescente fala sobre dificuldades na escolha de uma profissão

  

reprodução web

reprodução web

Olá. Sou um ex-adolescente de 41 anos e vim aqui  contar um pouco da minha experiência  no processo de escolha da  minha profissão.  Aos 16 eu vivia cantando, estudava violão clássico, tocava guitarra, programava  jogos  no meu computador , era atleta de Tae Kwon Do, gostava muito de ler, escrever,  fazia teatro e o cinema era minha segunda casa. Imaginem  como era minha cabeça em meio a essa sopa de atividades…

Para tumultuar ainda mais, eu era tímido, um tanto inseguro,  ainda virgem (pra mim era um problemão), sem grana e digamos que não me enquadrava entre os mais belos da minha rua.  A adolescência é dura, particularmente com os homens. Enquanto as meninas florescem, lindas, repletas de curvas e olhares sedutores, nós, meninos, crescemos de forma desproporcional, desajeitada e infantil.

Mas voltando à escolha profissional, as carreiras que naquela época eu achava que se enquadravam em meu mundo eram Educação Física, Música, Computação, Letras, Artes Cênicas e Cinema. A vocação para as artes  falava alto,  mas ainda mais alto falava a vontade de ter uma vida financeira estável. Cresci  em um cenário de hiperinflação vendo minha mãe se desesperar cada vez que o aluguel aumentava, ou que a prestação da escola subia.  Não queria passar pelas mesmas dificuldades com minha futura família.

Lembro bem de um episódio marcante que, na minha  ingenuidade adolescente, pesou  bastante na decisão de desconsiderar qualquer possibilidade de uma carreira artística. Fazia curso de canto, teatro e oficina de poesia no Galpão das Artes, uma espécie de mutirão  artístico que funcionava colado ao MAM do Rio, onde  hoje funciona a casa de espetáculos Vivo Rio.  Um dia, depois da aula, fui embora andando com o professor, um grande poeta.  Em um dado momento ele catou umas moedas na bolsa, despediu-se  de mim e saiu correndo para pegar um ônibus lotado que chegava no ponto.

Um ônibus?! Me indignei ao ver como a sociedade tratava um renomado  artista, com vários livros publicados, vários prêmios no currículo. Na minha cabeça aquele homem tinha que ter um bom carro, uma vida confortável que recompensasse seu talento.  Como eu não tinha vocação pra hippie, decidi que meus talentos artísticos ficariam relegados à categoria de hobby. Precisava escolher uma profissão rápido e não estava disposto a passar as privações impostas à maioria dos  músicos, poetas, escritores e atores.

De repente a  informática já não me atraia tanto e eu  estava perdido, não sabia mais para onde ir. Não Lembro bem em que momento , mas  houve um ponto em que a  Comunicação me pareceu uma  boa alternativa.  Não fazia a menor ideia do que era o curso ou o mercado de Comunicação, mas  imaginei que poderia ser um caminho para unir  a música, o cinema, a literatura, o teatro e até o esporte em uma única carreira.  Dentro da Comunicação, estudei  Publicidade. Mas quando estagiava em uma agência vi que aquilo não me realizaria. Troquei de curso e tive a sorte de me tornar jornalista.

Em 22 anos de carreira já perdi a conta de quantas histórias ajudei a contar. E de quantas pessoas consegui ajudar com as histórias que contei.  Me arrisquei, experimentei , acertei mais do que errei. Vivo fazendo o que gosto. Voltei a arranhar o violão, a treinar Tae Kwon Do, me reaproximei do teatro e da literatura.  Aprendi a saborear a vida sem abrir mão das coisas que me dão prazer.

Hoje olho para trás e percebo que poderia estar feliz em qualquer carreira que tivesse abraçado. Porque não é a profissão que você exerce que  vai determinar o seu grau de sucesso e realização profissional. A  forma como você se relaciona com a profissão que escolheu e com as pessoas ao seu redor é que será determinante.  É claro que uns têm mais sorte, para outros as oportunidades aparecem mais facilmente, mas quem acredita, trabalha direito e persiste chega lá. Independente da profissão, é a forma como você encara os obstáculos, e como trabalha para superá-los ,que irá determinar o tamanho do seu grau de satisfação em relação à vida.

Tenho amigos que tocam suas vidas de forma digna, alguns até com boa dose de conforto, na música, nas artes e na Educação Física. Hoje tenho meu carro, minha casa, minha família, mas às vezes uso transporte público.  E quer saber, cada vez que preciso fazer sinal para pegar um ônibus lembro daquele velho poeta… E de como nós adolescentes  muitas vezes tomamos decisões importantes sem o devido cuidado.

Portanto, se você está em dúvida sobre qual carreira seguir, converse com profissionais da área, informe-se sobre o mercado, pesquise na internet, procure conhecer antes de se definir. E se,no meio do caminho, perceber que fez a escolha errada, não tenha medo ou vergonha de mudar. É o seu futuro que está em jogo.

Por JMC para Adolescente Demais

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s