Para sempre no meu pensamento – Um ano sem você…

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Eu, no colo da minha mãe, ao lado do meu primo

Há exatamente um ano, eu recebi uma das piores notícias da minha vida. E, pela primeira vez, senti uma pancada tão forte com esse tipo de acontecimento. Eram seis horas da manhã quando me disseram que você tinha ido embora, pra sempre.

Juro que não acreditei num primeiro momento. Mas quando vi o desespero da minha mãe, percebi que não era um pesadelo. Eu nunca mais ia te ver ou ouvir sua voz.

Agora, isso já faz um ano. E, na última semana, vi uma homenagem em que diziam que você morreu para se tornar Herói. Sinceramente? Já temos heróis demais nos cinemas e quadrinhos. Eu não queria mais um herói morto, só queria você aqui.

Eles dizem se lembrar de cada operação sua, de como você era bom no que fazia e comprometido em cada batalha. Mas quer saber do que eu lembro?

Eu me lembro de quando você me levava pra tomar sorvete. Lembro de quando você me pegava no colo e me virava de cabeça pra baixo. Lembro de andar de bicicleta com você, de toda a atenção que você sempre me deu. Lembro das piadas, dos almoços em família e do ano novo que a gente passou junto e você comprou espumante sem álcool para eu poder brindar também.

Me lembro de chegar na sua cidade de madrugada e você estar na rodoviária esperando com um sorriso gigante no rosto. Lembro de jogarmos jogos de tabuleiro e lembro que foi você que me ensinou a jogar Jenga. Lembro do seu casamento, de como você estava feliz…

Eu lembro da última vez em que te vi. E me arrependo de ter sido tão idiota lá pelos meus 13 anos. É uma fase em que a gente resolve bancar o rebelde e acha que ninguém mais é interessante. Meu Deus, como eu me arrependo. Ah, se naquela época eu soubesse que nunca mais ia te ver…

Lembro de tanta coisa boa que passei com você… Enquanto para eles você era o “PAIVA”, pra mim você era só o Fábio. Ou tio Fábio, como eu te chamei muito, mesmo não sendo esse nosso grau de parentesco.

E, primo, que falta danada você tem feito por aqui, hein?

Há um ano, com a dor da perda bem recente aqui dentro de mim, eu escrevi o texto “Para Sempre No Meu Pensamento”, falando sobre a morte. E, como esse texto foi apagado junto com o antigo blog, achei que era uma boa forma de prestar uma homenagem repostando ele aqui. É impressionante como, mesmo depois de 365 dias, cada palavra ainda reflete a dor de não poder mais te ver…

 

 

 

Para Sempre No Meu Pensamento

fabio

Eu, meu irmão e meu primo.

 

Não consigo me decidir se é a vida que nos ensina a lidar com a morte ou se a morte nos ensina a lidar com a vida. A verdade é que nunca aprendi a lidar bem com esse encontro da vida e a morte.

Às vezes eu tenho certeza de que a vida e a morte gostam de brincar conosco, como se fossemos pequenas marionetes. Elas brincam com nossos sentimentos e nos tiram as coisas e pessoas de uma hora para a outra, sem aviso prévio.

Me pergunto qual seria o motivo de fazerem isso, por que levar as pessoas que não merecem ser levadas? Não que eu me ache no direito de decidir sobre o merecimento à vida de qualquer ser humano, mas… Se ao menos nos pedisse permissão, se pelo menos perguntasse antes…

Mas há um motivo para ela não pedir. Se a morte pedisse permissão para levar alguém amado, quem deixaria? Ninguém permitiria que alguém querido fosse levado. Então ela simplesmente os leva. Ela vem e tira de nós aqueles a quem mais amamos sem dizer nada.

Não sei se ela se importa com o que deixa pra trás quando leva alguém, parece que não. À morte, não importa se uma mãe, uma esposa ou toda uma família vai sofrer. Ela não se importa nem um pouco, é cruel. Sei que pode parecer egoísta, mas quem mais se importa com a morte somos nós. Aqueles que continuam vivos para lembrar e sofrer pela perda de nossos amados.

A morte de alguém querido trás uma dor imensurável. A dor da perda é pior que qualquer dor física. Ela te deixa com um vazio, como se uma parte de você se desintegrasse. A dor de ter de aceitar que nunca mais vai rever essa pessoa, ouvir sua voz, é inexplicável.

E aí começam as lembranças. Você lembra da última vez que a viu e depois começa a reviver todos os outros momentos em que esteve com essa pessoa.  As lágrimas da dor de perder alguém amado foram as únicas que eu nunca consegui segurar.

Quando se está de luto por alguém que se ama, a única coisa que você quer é se trancar no seu mundo e chorar de saudades. E é aí que a vida mais uma vez resolve brincar conosco. Porque não é permitido se trancar no seu mundinho. A vida faz questão de te obrigar a sair dele e perceber que uma parcela pequena de pessoas sofre junto com você, enquanto o resto do mundo continua vivendo normalmente mesmo quando o seu mundo está caindo.

Quando a gente percebe isso, dá raiva, dá vontade de gritar com o resto do mundo, mas você não pode. Porque o resto do mundo não tem culpa do seu luto. E porque, quando a morte vem, não há mais nada que se possa fazer a não ser manter quem você ama para sempre no seu pensamento.

Saudades Eternas,

Bruna Paiva

 

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Um pensamento sobre “Para sempre no meu pensamento – Um ano sem você…

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