Música como água

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Sabe o que tem um efeito engraçado sobre mim? A música. Não uma em especial, mas música em geral. Não sei se ocorre só comigo, mas realmente acredito que não seja a única. É esquisita a forma como uma música pode me trazer a exata sensação de um momento passado…

E o curioso é que, nem sempre, o que a música diz tem a ver com o que ela me lembra. Por exemplo, “Hoje” da MC Ludmila, por incrível que pareça, me lembra um momento romântico. Enquanto “Gostava tanto de você” do Tim Maia me traz lembranças de uma noite super divertida com uma amiga.

Outro dia estava no carro e começou a tocar na rádio “Tudo que Vai” do Capital Inicial. A letra fala de separação, mas me fez voltar ao dia da minha primeira vez no palco para uma peça de teatro. O frio na barriga, o nervosismo e até o cheiro da coxia eu conseguia sentir.

É engraçado esse tipo de reação. Alguns acordes combinados com palavras podem trazer de volta do passado um beijo, um toque, um cheiro, gosto e até um sentimento. Se você faz ou já fez parte da minha vida, tem oitenta por cento de chance de que alguma ou várias músicas me lembrem o que vivemos juntos.

Tem também aquele tipo de canção que você não precisa ter vivido nada ao som dela para que seja especial. Toda vez que escuto “Faroeste Caboclo” me sinto dentro da história, me arrepio com as cenas que crio na cabeça e sempre sinto a mesma atmosfera na música. A tensão, o encantamento de João de Santo Cristo e toda a energia pesada que o personagem traz consigo.

Toda música carrega um sentimento e um jeito de te tocar. Charlie Brown Jr, por exemplo, me traz saudade e gratidão. Saudades por motivos óbvios, e gratidão porque não me lembro de uma mágoa que a voz do Chorão no volume máximo não tenha amenizado. É uma sensação de alívio misturada com um “vai ficar tudo bem” tudo no simples ato de apertar o play.

Tem música que narra com detalhes algumas passagens da minha vida e me fazem realmente questionar se o compositor andou me espionando. Outras que trazem lembranças tão dolorosas que eu nem sempre consigo escutar até o final. Algumas que quando eu resolvo escutar ficam em repetição por horas…

A música sempre teve esse efeito colateral comigo. Como um ombro amigo quando eu estou mal, um calmante quando estou irritada e uma ótima companheira para qualquer situação.

Nunca consegui entender as pessoas que não gostam de música. Talvez porque não consiga enxergar um mundo sem ela. Para mim, a música é como água: essencial para a vida e parte dominante no meu corpo.

Bruna Paiva

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Um pensamento sobre “Música como água

  1. Acabei de ler uma bela crônica. Eu também tenho esse relacionamento com a música. Basta eu ouvir uma boa música para esquecer todos os problemas de um dia de trabalho. Basta eu cantar um hino que minha alma encontra o alívio! Isso é muito bom pra mim…

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