Incêndio na escola

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— Pai, não surta. Mas a escola tá pegando fogo!

Parece brincadeira, mas foi exatamente essa a primeira frase que saiu da minha boca quando meu pai atendeu ao telefone naquela manhã de quarta-feira. Antes que você me pergunte, sim, houve um incêndio na minha escola. Mas não foi nada sério. Depois que todas as salas foram evacuadas às pressas, o fogo foi rapidamente controlado.

Sabe aquela besteira que todo mundo repete de “ah, queria que a escola pegasse fogo só para não ter aula amanhã” ?  Pois é, nunca mais diga isso. Na hora do vamos ver, todo mundo corre. É desesperador. Ainda mais quando seu irmão mais novo resolve sumir no meio do caos. E, bom, no dia seguinte teve aula normal, então…

Hoje, pouco tempo depois, até acho graça relembrar uma colega me puxando escada abaixo enquanto eu queria subir pra procurar meu irmão. Ou zoar a professora cujo primeiro reflexo foi apagar o quadro antes de correr da sala. Mas na hora não teve graça nenhuma. A não ser quando uma menina parou na escada, bem na minha frente, pra tirar uma selfie em meio a fumaça preta que tomava conta do corredor.

Depois que encontrei meu irmão, e fui para a quadra aberta junto a todos os outros alunos, achei prudente avisar ao meu pai (nunca à minha mãe, já que ela se desesperaria). Realmente não encontrei jeito melhor de contar o que acontecera e, ao mesmo tempo, tranquilizá-lo. Mas acho que minha declaração não foi lá o que se possa chamar de tranquilizadora…

Agora como pai, deixem-me contar a minha versão. Saio do banho e percebo três ligações perdidas da filha em um horário que ela deveria estar em sala de aula. Vou até a sala ainda enrolado na toalha e escuto o seguinte recado na secretária eletrônica: “Pai, é sério. Atende o telefone. Preciso falar com você. Tem um incêndio aqui”. Ato contínuo, deixo a toalha cair no chão e tropeço na cachorra ao sair correndo nu pela casa para pegar uma roupa no quarto.

Enquanto corria para me vestir em tempo recorde, minhas tentativas de falar com o celular da filha na escola paravam todas na barreira da caixa postal. Em uma situação dessas um pai pode surtar ou respirar e raciocinar. Fiquei no meio termo. Mas pensei, bom, se ela ligou é porque está viva. Ou pelo menos estava cinco minutos atrás.. Então ainda há esperança.

Meus batimentos cardíacos ainda estavam na ascendente quando ela retornou no celular. A alegria de perceber que ela e o irmão estavam bem durou pouco. Como não conseguira falar comigo, ela teve a brilhante ideia de ligar para o trabalho da mãe. E nessas situações a mãe é do tipo que modula entre o surto contido, moderado e o irracional. Consegui pegá-la no trabalho ainda no segundo estágio do surto e fomos os dois juntos resgatar os sobreviventes na escola.

Os pimpolhos entraram no carro com a cara lavada, sorrisos nos rostos e excitadíssimos com as tranquilizadoras histórias que tinham para contar. O mais novo viu labaredas no corredor e disse que a professora foi a primeira a sair correndo da sala. A mais velha ouviu dizer que um cadeirante foi esquecido justo na sala em que o incêndio começou. E os dois divertiam-se ao relembrar as cenas de colegas pisoteados e espremidos enquanto desciam no estouro da boiada pelas escadas do prédio.

O mais curioso é que a escola não enviou sequer um comunicado aos pais com esclarecimentos sobre o ocorrido. Mas os boletos, esses nunca deixam de chegar.

 

Bruna Paiva e J. Maurício

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