Quem acabou com a música lenta?

Já imaginou passar dez minutos abraçada com o carinha que vc olhou a festa inteira, poder sentir o perfume dele e avaliar se vcs têm química, sem necessariamente precisar ficar com esse cara? Se curtir vc pega. Caso contrário, fica só na dança e depois faz a fila andar. To falando da hora da música lenta. Um ritual que desapareceu das festas e pistas de dança, mas que os adolescentes da minha geração souberam explorar muito bem.

Os meninos esperavam o momento para se encher de coragem, atravessar a pista e lançar a pergunta: “quer dançar?”. Se a resposta fosse negativa, não era o mesmo que levar um toco. Quer dizer…Era um meio-toco. Mas você saia dali de cabeça erguida por, pelo menos,  ter mostrado atitude. E sempre se podia convidar outra menina sem o risco de ser taxado de galinha. Afinal, vc só estava querendo dançar!

Para as meninas era a oportunidade de testar sua capacidade de sedução. Elas ficavam paradas se fazendo de gostosas, enquanto torciam para serem abordadas pelo menino com quem já haviam trocado olhares, sorrisos ou até algumas poucas palavras. Não ser convidada por nenhum carinha era uma espécie de meio-toco ao contrário. Aí restavam dois caminhos: uma discreta saída estratégica da pista, ou manter a pose e a esperança até o fim. Afinal vc não estava se oferecendo a ninguém. Só queria dançar, certo?!

Quando o convite era aceito, o casal entrava na pista e se abraçava. Não havia outra maneira de dançar música lenta que não fosse com os corpos grudados. Os meninos abraçavam as meninas pela cintura e elas retribuíam trançando as mãos por cima dos ombros deles. Duas quebradas de quadril para um lado, um passinho, duas quebradas para o outro lado, mais um passinho, e os corpos iam se roçando e girando lentamente em torno do próprio eixo. Talvez por isso alguns tb apelidassem  aquele momento de sessão mela cueca. Mas isso é outro assunto…

Embalados por canções românticas, quase sempre internacionais, a hora da música lenta era mágica. Quando você podia sentir o cheiro do cabelo da sua parceira, encaixar seu quadril entre as pernas dela e dançar com os rostos praticamente colados. Dependendo da forma como ela reagia, os movimentos de cabeça, o ondular do corpo, a respiração, dava pra sentir quando a química estava à favor. Aí não tinha jeito. Era cheiro no pescoço, mão boba e beijo de língua no melhor estilo novela das 21h.

Agora, alguém pode me explicar como é que uma coisa dessas acaba?

Não resisti e deixei no início do texto uma sessão de música lenta que montei com dez clássicos do gênero. À medida que ia escolhendo a sequência, uma espécie de filme da minha adolescência ia passando na cabeça. Dancei cada uma delas dezenas, ou centenas de vezes. A primeira, “Endless Love”, era a preferida de uma menina linda com quem tb dancei. Com ela rolou uma química tão especial que este ano comemoramos 20 anos de casados. Espero que vcs curtam as canções.

Beijão e muita química pra vcs!

J.M. Costa

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