Um adeus que eu não quero dar

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Odeio dilemas. Não saber o que fazer, o que falar, o que sentir. Entretanto, estou num ano em que um dilema é parte integrante da minha vida. Seis meses. Em seis meses tudo muda. Em seis meses darei adeus a um lugar de que muita gente reclama de ter que frequentar. Você já reclamou, e eu? Prefiro nem comentar… Estou falando da escola.

Aliás, no início deste ano, reclamação era meu nome do meio. Chega uma hora em que escola satura. Ainda mais quando você já sabe o que quer fazer da sua vida. Juro que, em março, a cada aula de química, física e matemática eu tinha vontade de me jogar do prédio.

Mas a ficha caiu. Para falar a verdade, ela despencou. Olhei de um lado para o outro daquele lugar em que passei toda a minha adolescência e percebi que daqui a seis meses vai ser a hora de dar adeus. Pela primeira vez na vida não vi isso com bons olhos. Qual é, quem nunca quis se livrar da escola de uma vez por todas? Eu sempre!

Mas de repente o desejo era o contrário. Apesar de eu ainda querer me jogar pela janela quando os números aparecem no quadro negro, queria que os próximos seis meses, passassem menos rápido do que os seis que já foram. Venho tentando preparar meu psicológico para o último dia de aula. Mas a cada vez que penso que vai acabar, as lembranças vêm e trazem as lágrimas. Sim, sofro por antecipação.

Pode parecer besteira para quem não vê a hora de sair de lá. Mas quem já passou por isso provavelmente me entende. Nunca mais vou ver todas aquelas pessoas reunidas novamente. Vou acordar de manhã e não precisarei do uniforme azul. Não vai mais ter o Seu Zé me dando bom dia, enquanto eu entro com cara de sono pelo portão. O pátio, onde várias das lembranças de minha adolescência vivem, será apenas mais uma recordação.

A fila sufocante da cantina, provavelmente vai ser substituída por vários outros sufocos. Os amigos vão ser vistos com menos frequência e não vai mais ter miniolimpíada. Aquele medo de ir para o SOE se fizesse besteira e as bagunças no intervalo entre as aulas. Nem vou mais ter que reclamar de tantos números e fórmulas.  Ah vai, no fundo era legal quando eu conseguia entender matemática.

A escola é um dos poucos lugares que você frequenta por um tempo e nunca mais pode voltar; não na mesma situação, não no mesmo clima. Sempre debochei das pessoas que diziam “não reclame dela, um dia você vai sentir saudades”, hoje me vejo bem do outro lado da situação. Estou com saudades pelo que nem aconteceu ainda. Esperado que os dois últimos trimestres passem bem devagarzinho para que eu possa me despedir.

É maravilhoso encerrar uma etapa da minha vida. Ao mesmo tempo, vai ser incrivelmente difícil dar um passo a frente e jogar o capelo para o alto sem deixar que as lágrimas de saudade estejam presentes.

Bruna Paiva

 

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3 pensamentos sobre “Um adeus que eu não quero dar

  1. Oi, Bruna!
    Acabei de conhecer o seu blog, pesquisando por diários adolescentes X blogs.
    Gostei muito do que vi, parabéns!!
    Te convido a conhecer o meu novo projeto, um blog que deve durar somente um ano. É a transcrição de um antigo diário (aquele tradicional, de papel e caneta, na época em que não havia internet no Brasil ainda!…), de 1994-4995, onde eu comento tudo o que escrevi naquele ano…
    Bjs

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