Aposentem os pedestais

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Há alguns meses, o primeiro bailarino do Royal Ballet, Thiago Soares, esteve ensaiando para sua turnê de 15 anos de carreira em minha escola de dança. Ele é ex-aluno de lá e, como estrearia no Rio, usou algumas de nossas salas para os ensaios. Eu, como tiete que sou, pedi uma foto logo no dia em que ele chegou.

Ao postar, fui surpreendida com perguntas como “Ai, meu Deus, como você conseguiu uma foto com ele?”  ou mesmo “mas você chegou pra ele e pediu?” Lógico! Eu e todos os que conseguiram uma foto com ele. Um simples “oi, Thiago, tudo bem? Posso tirar uma foto com você?” e fui recebida por uma pessoa super simpática.

Na semana seguinte, Marianela Nuñez, primeira bailarina do Royal, que também estava ensaiando para a turnê, conseguiu ser ainda mais simpática. Porque acima de tudo são pessoas. Gente que nem a gente, de carne e osso.

Tudo bem, quem sou eu para reclamar de idolatria? A garota que passou a adolescência vivendo pelos ídolos. Mas, mesmo assim, vou falar porque minha cara de pau é maior do que tudo. Por que colocamos as pessoas que admiramos em pedestais?

Pode até parecer um caso de “ faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Mas há tempos que tento diminuir e, quem sabe, aposentar meus pedestais. Amo e admiro demais os meus ídolos, mas com o tempo percebi que não há mal nenhum em tratá-los como o que realmente são: pessoas.

Acreditem: uma pessoa que é parada na rua por um admirador de seu trabalho vai amar tirar uma foto e agradecer pelo carinho. Claro que o bom senso é essencial nesse momento. Não vá pedir uma foto durante um almoço de família do cara. Aí já passa a ser inconveniência. Ainda assim, a pessoa precisa ter jogo de cintura com seus admiradores. O ídolo que age como se um fã incomodasse nem merece o reconhecimento.

O Luba, do lubatv, sempre pede para que os fãs ajam como se ele fosse da turma, apenas mais um amigo de seus admiradores. Eu imagino que, no caso do Thiago, um bailarino talentoso e bem-sucedido, deve ser incrível voltar à escola de dança em que se formou e perceber que é admirado pelos que hoje lá estudam, um exemplo a ser seguido.

Quem me segue no Instagram, provavelmente, viu as fotos com o Thiago e a Marianela e minha cara de felicidade. Não tenha medo de chegar perto de seu ídolo e pedir uma foto porque o admira. E, se por acaso achar que pode incomodar, lembre-se de que, se estivesse no lugar dele, provavelmente gostaria de saber que seu trabalho é admirado por aí…

Bruna Paiva

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