Questão de tempo

clock-782536_1280Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Seis. Olho fixamente para o relógio e, embora acompanhe o ponteiro dos segundos com precisão, o tempo parece não passar. Dezessete. Dezoito. Dezenove. Continua girando, mas tudo à minha volta parece igual.

“O tempo leva toda dor consigo” foi o que eu cansei de ouvir de todos aqueles que tentaram me consolar. Não é o que acontece no momento. Vinte-e-oito. Vinte-e-nove. A dor não se esvai, nem mesmo se abranda.

Não me julgue louca. Não é o primeiro ciclo que acompanho até o fim. Já perdi a conta de quantas voltas esse mesmo ponteiro deu bem na frente dos meus olhos. Entretanto, o mundo e a passagem do tempo não parecem se preocupar com o meu estado. As lembranças voltam mais fortes a cada instante; e contar os segundos é a única coisa em que consigo me concentrar.

Quarenta e três. Quarenta e quatro. Quarenta e cinco. Ele segue no mesmo ritmo e eu continuo do mesmo jeito, com a mesma dor e a situação parece me cortar como um bisturi afiado.

Cinquenta e seis. Cinquenta e sete. À medida que o giro se completa, eu olho para dentro, procurando a tal mudança. Não a encontro e só vejo uma saída. Um. Dois. Três…

Bruna Paiva

 

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