Meu aborto é por amor

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Não, não é egoísmo. Não, eu não o odeio. De forma alguma odiaria alguém tão puro e inocente quanto eu gostaria de ser. Como colocar uma criança num mundo tão sujo e cruel? Como cuidar de alguém que depende de mim quando mal consigo sobreviver?

Não quero carregar a culpa de ter colocado alguém nesse mundo sem escrúpulos. Não quero precisar mentir dizendo que é um bom lugar para se viver. Não quero que meu filho viva para ver qual será a próxima guerra, ou novo preconceito infundado. Não quero que ele veja a injustiça social escancarada, enquanto a corrupção é camuflada por quem, na teoria, zela pelo bem comum.

Não quero que meu filho sofra pelo que essa corja de monstros faz com o planeta. Esses são egoístas. Só pensam no tal do progresso enquanto poluem nosso ar e acabam com a água de gerações que nem chegaram ainda.

Não quero que ele viva num mundo onde viramos a cara para quem nos pede ajuda nas ruas. Nesse lugar em que fingimos que dormimos quando uma grávida entra no ônibus. Onde o dinheiro é o foco principal da vida e o ser humano se permitiu escravizar pelas aparências. Numa sociedade fútil em que gritar a felicidade nas redes sociais é mais importante que ser feliz na vida real.

Não quero que meu filho viva num mundo em que precisamos ter medo de nossa espécie. Num mundo em que te aconselham a não andar de shorts para não ser abusada. Não quero colocar uma criança nesse lugar que já deixei de tentar mudar há tempos. Num lugar em que não há mais espaço para amor, compaixão ou gentileza.

Lugar em que respeito e gratidão são a exceção. Onde quem tem voz para falar com as massas só a usa em benefício próprio. Em que celebridades instantâneas   são canonizadas. Não quero que meu filho viva num mundo de gente que não sabe ser feliz. Gente que adora reclamar de tudo. Gente que se odeia mas não abre mão da falsidade.

Gente que se diz religiosa, mas julga a fé e as escolhas dos outros. Gente que acha que o mundo gira ao seu redor. Gente que abusa do poder que tem. Gente vazia que sente prazer em ser escrota com os outros.

Não quero que meu filho seja a próxima vítima dessa gente de merda, desse mundo de merda.

É por isso que não o terei. Não por egocentrismo. Não porque, assim como você, sou uma aberração. Mas porque quero poupá-lo. Meu aborto não é obsceno. Meu aborto não é absurdo. Amo meu filho e quero salvá-lo desse mundo nojento. A decisão cabe a mim, não a você.

Bruna Paiva

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