“A vida só é boa quando a gente faz as coisas com o coração…”

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“Boa tarde, gente. Eu vou tocar uma musiquinha. Se alguém se sentir incomodado é só falar que eu paro.”  O garoto que entrou no metrô devia ter uns 22 anos. Tímido e magrelo, trazia um sorriso no rosto e nas mãos um Ukulelê. Apoiou as costas na porta fechada do vagão e começou os primeiros acordes no pequeno instrumento.

Já no fim de uma semana cansativa, eu estava esgotada, com dor de cabeça, estressada, de saco cheio daquele dia, torcendo para que a sexta-feira acabasse logo. Quando começou a cantar, o som daquela voz me fez olhar novamente para seu dono. Ironicamente, aquele garoto franzino tinha uma voz maior que três dele. A batida gostosa e tranquila da música que ele tocava, junto com aquela voz tão incrível, me fez fechar os olhos e encostar a cabeça.

A letra que ele cantava, falava sobre acreditar em seus sonhos e não se deixar abalar pelas coisas pequenas. O refrão da música que eu não consegui encontrar em lugar nenhum vai e volta, martelando em minha cabeça, mesmo depois de alguns dias. “Filho, não se estresse/A vida só é boa quando a gente faz as coisas com o coração”.

Escutei a música inteira com os olhos fechados, porém cheios de lágrimas. Quando ele terminou, contou que era do interior do Ceará. Que chegara ao Rio de Janeiro havia pouco tempo com um único objetivo: seguir e viver de seu sonho que é cantar.  Percebi que não havia sido a única a ser tocada pela música. Dentro do vagão, várias pessoas, que antes estavam com cara de paisagem, sorriam olhando para o garoto.

Juntei todas as moedas que havia recebido de troco naquele dia, e jogado negligentemente no bolso da mochila, sem paciência para colocar no devido lugar. Dei na mão dele com um sorriso no rosto. Ele sorriu de volta e agradeceu.

O garoto desembarcou na estação seguinte. Ainda sentada, assisti a ele sumindo na multidão antes de o trem sair da estação. Não consigo me lembrar seu nome. Mas aquele garoto mudou o meu dia. Talvez por minha sensibilidade aos mais diversos tipos de artistas de rua. Talvez por ter me mostrado o quão idiota estava sendo por reclamar de uma semana rotineira ao invés de fazer mais as coisas com o coração. Saí daquele vagão me sentindo mais leve. O estresse, cansaço, aquela dor de cabeça de que eu reclamava, tudo acabou virando um sorriso.

Aquele garoto entrou no metrô no meio da tarde dizendo que tocaria uma musiquinha. Pediu para que, se alguém se sentisse incomodado, dissesse. Provavelmente um discurso repetido o dia inteiro. Quem sabe o que ele já não escutou por aí? Provavelmente, para ele, aquele era só mais um vagão. Eu, só mais uma garota no meio de mais um grupo de pessoas. Mais meia dúzia de moedas que nem ajudam tanto assim.

Mas para mim, naquela tarde, ele definitivamente não foi só mais um cara no metrô. Ainda hoje, semanas depois, a cada vez que me percebo reclamando, estressada por motivos bobos, fecho os olhos e faço aquele refrão voltar em minha cabeça. Respiro fundo e me obrigo a sorrir.

Bruna Paiva

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3 pensamentos sobre ““A vida só é boa quando a gente faz as coisas com o coração…”

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