Depois de 12 temporadas de Grey’s Anatomy, estou quase formada em Medicina

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Dia desses me peguei dando instruções sobre primeiros socorros cardiotorácicos para o meu pai. Com a maior segurança do mundo. E com a mesma confiança que me faz ter certeza de que a minha dor de cabeça é causada por um aneurisma, ou um tumor do tamanho da minha mão. Ou que o meu batimento cardíaco acelerado depois de uma aula de dança é claramente um ataque do coração (Page Cardio!). O nome disso não é loucura, acreditem, esse meu grande conhecimento sobre as mais diversas áreas da medicina cirúrgica é culpa de Grey’s Anatomy.

Apesar de muito ter ouvido falar da série durante anos, sempre tive certo preconceito. Minha hesitação era justificada: tenho medo de sangue. Não é um simples nojinho, estou falando de reações como fraqueza, vertigem e, às vezes, desmaio a cada vez que ouço falar de situações que envolvam sangue. Na escola, eu era a fresca que passava mal nas aulas de biologia. No hospital, eu sou (até hoje) a fresca que faz escândalo para tirar sangue, o que só pode ser feito com agulha infantil e com sete enfermeiros me segurando. Eu não gosto de médicos, eu não gosto de hospitais, eu odeio sangue. Ainda assim, a série dos cirurgiões constantemente aparecia na aba “principais escolhas para Bruna”, no Netflix.

No meio do Carnaval de 2016, meu lado masoquista aflorou e eu pensei, “Por que não?”. É claro que as primeiras temporadas foram complicadas. Os episódios de 40 minutos chegavam a durar 90, de tanto ser obrigada a pausar e retomar o fôlego. As cenas de cirurgia e procedimentos mais dolorosos (quase 90% de cada episódio) eram somente escutadas, já que minha mão na frente evitava que eu visse o que não precisava ver. Mas eu sobrevivi. 12 temporadas depois, me sinto quase uma residente. O sangue (na tela do computador, que deixemos bem claro) não me incomoda nem um pouco.

É óbvio que o que me cativou não foram os bisturis. Já nos primeiros episódios eu percebi que aqueles personagens fariam valer a pena cada enjoo e cena desconfortável. E como valeu. Em três meses terminei as 12 temporadas e aguardo ansiosamente pela 13ª, que será lançada em setembro. Até o presente momento já aprendi a usar o disfibrilador, serrar ossos, coloca-los no lugar certo… Sei algo sobre suturas, traqueostomias e retiradas de apêndices. Ah, claro, sou super apta para transplantes e procedimentos cardiotorácicos, aprendi tudo com a minha deusa Cristina Yang.

Brincadeiras à parte, fico impressionada com a transformação causada pela série. A menina que sempre foi fresca ao ponto de não conseguir ouvir falar de sangue, hoje fica super empolgada quando chega uma cirurgia complicada decorrente de um acidente feio, no Grey Sloan Memorial.

Assistir a Grey’s Anatomy acarreta dois únicos problemas. O primeiro, e mais grave de todos, é o famoso apego pelos personagens. Eu duvido que alguém tenha sangue frio o bastante para não sofrer com aquela série. Não dá. Eu tenho um texto sobre luto por personagens, e esse sentimento é constante em Grey’s. A cada morte ou despedida de um personagem, ou mesmo os casos tristes de alguns pacientes, mais dias de depressão. Alguns episódios são feitos única e exclusivamente para judiar do coração de quem assiste.

O segundo problema é desenvolvido aos poucos. Quando você pisca, a hipocondria já tomou conta de sua cabeça. Aquela mancha a que você nunca deu muita atenção vira um câncer de pele, cuja metástase já é terminal. A pontada de dor de cabeça depois de um dia cansativo, pode ser um grande tumor tomando conta de seu cérebro. Uma crise de soluços, aterrorizantemente, pode te levar a morte.

Hipocondria, depressão e a convicta crença de que se pode exercer a Medicina, esses são os sintomas clássicos dos viciados em Grey’s Anatomy. Mas vale a pena, vai. Apesar da autora, Shonda Rhimes, que também escreve How To Get Away With Murder e Scandal, não ter pudor algum em matar meus personagens mais queridos, não consigo mais ficar longe do centro cirúrgico.

Bruna Paiva

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