Você paga pela arte que consome?

wp-1476189581117.jpg“Vocês já viram aquela comédia romântica linda?”

“Eu queria ter visto, mas acho que já saiu de cartaz.”

“Ah, não tem problema! Já tem pra baixar na internet.”

“É que eu não baixo filme”

“Você não sabe? É fácil! Tem vários programas, e tem sites para ver online também”

“Não, é que eu não assisto filmes sem pagar por eles”

É nesse momento que recebo olhares claramente questionando de que planeta eu venho. É uma questão simples na minha cabeça, um princípio que respeito muito: eu pago pela arte que consumo. Seja ela cinema, teatro, literatura, música, ou qualquer outro tipo de manifestação cultural. Se há um custo para que eu possa usufruir dela, eu faço questão de não o driblar.

“Você paga para escutar música?” Sempre que é preciso.

“E se você quiser assistir a um filme que não está disponível na Netflix, ou outras redes pagas?” Eu não assisto. Ou compro o DVD.

“Mas e livro? Você adora ler, impossível nunca ter baixado um pdf. Livro é caro!” Só baixo o que é de Domínio Público. O resto eu compro, quando tenho dinheiro para isso.

Toda vez em que eu entro numa discussão sobre a importância de respeitar os direitos autorais da arte, acabo saindo como a anormal do grupo, ou “a maluca que tem dinheiro pra rasgar”. É engraçado como esse é uma visão completamente distorcida da realidade.

“Então, você acha que, se eu não tenho dinheiro para acessar uma arte eu não posso tentar outros meios de chegar até ela? ” Eu ouvi uma vez. Sinceramente? Se seus “outros meios” forem ilegais, eu realmente acho que você não pode. Existem diversas maneiras de chegar à arte sem precisar roubar. E, como roubo, leia de DVD pirata no Camelódromo às músicas que você baixa no 4shared.

Quando eu gosto de um artista eu quero que, mais do que sucesso, ele receba o merecido retorno por seu trabalho. Chegar à arte dele de maneira ilegal só contribui para seu fracasso. Não quer pagar pelo livro? Peça emprestado a um amigo, vá a uma biblioteca. Filmes? Eu acho que a Netflix tem um preço justo se considerarmos a quantidade de conteúdo disponível. E existem outras plataformas para isso também. Música? O Spotify custa 15 reais e dá direito a 5 contas. Se dividir com a família ou amigos, dá 3 reais para cada um, para ouvir quanta música você quiser. E o serviço gratuito também é bem funcional, se você ignora os anúncios.

Mas as pessoas acham que não precisam pagar por arte. Que é obrigação do artista disponibilizar seu conteúdo gratuitamente para quem “não tem dinheiro para gastar nisso”. O que todo mundo esquece é que o artista também precisa pagar as contas. Se você for à sorveteria e disser que gosta muito do sorvete deles, “mas não tem dinheiro para gastar nisso” o sorveteiro vai dizer “sinto muito”. Ele não vai te dar o sorvete de graça. Porque o mundo não é assim.

A gente precisa, sim, pagar pelo que consome. E a arte, diferente do que muitos pensam, não tem que ser gratuita. “Mas quando eu pago pelo filme eu estou enriquecendo a produtora, e não o artista”. E quando você não paga por ele, o artista não recebe nem o percentual que lhe é de direito.

Há quem diga que esse discurso exclui socialmente aqueles que “não têm dinheiro para gastar com isso”. Eu ainda acho uma conscientização importante para uma sociedade mal-acostumada. Assim como o sorveteiro, o artista não tem obrigação alguma de te dar de graça um produto que é fruto de muito trabalho.

Bruna Paiva

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4 pensamentos sobre “Você paga pela arte que consome?

  1. Bem atual ~> http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/pf-prende-seis-e-tira-do-ar-sites-que-pirateavam-filmes-e-avenida-brasil.html

    Em tempo, acho que melhoramos muito no combate a pirataria, não com prisões, mas com modelos de negócios mais interessantes (Netflix, Spotify etc). A democratização da arte, em geral, encontra saída no modelo de anúncio, que é quem banca a Internet do jeito que é hoje (notícias de graça, videos do artista no youtube). Ainda tem o que melhorar. Compositores não são remunerados por músicas no youtube, por exemplo, mas caminhamos MUITO nas últimas décadas.

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  2. Boa dia Bruna! Muito legal o seu texto……ajuda a conscientizar as pessoas sobre o valor $$ da arte, que ela tem……..afinal, o artista precisa viver…….mas, uma coisa me chamou a atenção…….a falta de crédito nas fotos que você usa…..elas são suas? Você tirou elas ou comprou do Gatty Image? Você pegou na internet? Pesam sobre elas o Copyright, o Criative Commons ou o Domínio Público?………no mundo do século XXI, onde blogs e sites reproduzem todo tipo de conteúdo, perguntaria também: você paga pela arte que você usa?

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