Ensaio sobre a cegueira, um livro sobre a vida…

Imagine um mundo de cegos. Um mundo em que ninguém enxerga absolutamente nada além de uma brancura leitosa e impenetrável. É exatamente esse o cenário com o qual nos deparamos no livro “Ensaio sobre a cegueira”, do português José Saramago.

Na ficção criada por Saramago, uma epidemia de cegueira assola uma cidade e se espalha de maneira avassaladora. O cenário criado pelo autor é explorado de maneira primorosa para metaforizar as mazelas humanas e as questões mais profundas da vida humana.

Após serem completamente abandonados pelo governo, os cegos nos servem de laboratório para pensar nos instintos e no egoísmo humano. Na situação extrema criada por Saramago, cada mínimo conflito é potencializado. “Ensaio sobre a cegueira” é um livro extremamente metafórico e atual. Falando sobre desigualdade social, sede de poder e animalização do ser humano, o livro se aproxima de uma distopia.

Eu já tinha tentado ler esse livro de José Saramago quando mais nova, mas a linguagem experimental do autor foi uma barreira para mim. Dessa vez, aproveitei a oportunidade de um trabalho da faculdade para retomar essa leitura. E foi uma experiência incrível. Me envolvi demais com o livro e com certeza foi um dos melhores que li esse ano e, quiçá, na vida!

Os pontos que mais me chamaram atenção foram a questão feminista e a questão da revolta dos oprimidos, duas coisas muito presentes no livro e que, de certa forma, se complementam ao longo da história. A figura mais importante do livro é uma mulher, a única que enxerga, a única que pode de fato ajudar a alguém. Ela tem um papel importantíssimo nessa revolta contra aqueles que se aproveitam da situação para exercer um poder descabido. Ela une as mulheres, numa luta necessária para que elas mantenham seus direitos dentro do caos em que são largadas. Ainda assim, sua identidade é anulada.

Nenhum dos personagens têm nome próprio. Todos são identificados por características, físicas, profissionais, ou da procedência de sua cegueira. A mulher mais importante do livro  é apenas “a mulher do médico”, anulada de qualquer característica pessoal além dessa. Há de se admitir que, proposital ou não, é no mínimo controverso e muito representativo para toda a alegoria feminista presente na história.

O livro é maravilhoso, provoca reflexões importantíssimas e, apesar de ter sido escrito em 1995 por um autor português, conversa (e muito!) com o período atual aqui do Brasil. Eu amei e agora pretendo conhecer mais coisas do mesmo autor.

 

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