PEQUENA COREOGRAFIA DO ADEUS – RESENHA

Fazia muito tempo que eu queria ler alguma coisa da Aline Bei. Ganhei Pequena Coreografia do Adeus de Natal e ele ficou aqui na estante esperando eu dar uma chance. Foi a leitura de Tudo é Rio, da Carla Madeira, que me fez querer seguir na linha de leitura de uma autora nacional que eu sabia que seria arrebatadora. E foi…

Pequena Coreografia do Adeus começou me surpreendendo porque eu não fazia ideia de que seria um romance em versos. A forma inovadora do livro já me deixou interessada logo de cara. E a escolha por contar a história em versos deixa ainda mais visceral a narrativa.

O livro traz uma história de abandono parental, o que nem sempre significa um abandono físico. É possível abandonar um filho ainda que se esteja ali, todos os dias, de corpo presente. E é um pouco essa a questão que mais choca e gera aquele incômodo próprio da literatura.  

Júlia é uma mulher que cresceu num ambiente hostil em que os pais se odiavam e as brigas eram frequentes. A infância de Júlia foi cheia dos traumas que se apequenar para caber na realidade dos outros e não ser um fardo dentro de casa causa numa criança. E ela chega na vida adulta assim, destroçada, tentando juntar seus pedaços e conseguir finalmente entender o que quer da própria vida. Ao mesmo tempo, a família, mesmo que longe e fragmentada, ainda é um drama que vive dentro e fora de Júlia, que não sabe bem como conviver em paz com eles e nem como viver sem…

O livro tem dois momentos: a infância de Júlia e o tempo presente, no início de sua vida adulta. É um desses livros que não tem exatamente uma linha narrativa que te leva a algum lugar, mas definitivamente te carrega a cada página encrustando a vivência da personagem na sua pele até que você se envolva o bastante para não conseguir largar o livro.

Não é um livro leve. É uma história cheia de nuances e dramas familiares que podem te fazer repensar toda a maneira como suas relações são construídas. Exatamente o tipo de livro que tem sido o que mais gosto de ler ultimamente. Um equilíbrio perfeito entre o desgraçamento de cabeça e literatura que me lembra por que eu gosto de ler.

Meu livro está cheio de marcações e deixou meu sarrafo tão alto que a leitura que comecei em seguida perdeu um pouco da graça. É muito gratificante ver autoras brasileiras contemporâneas fazendo uma literatura tão intensa e primorosa. Dá orgulho da literatura nacional e vocês sabem que eu sou uma entusiasta do que a gente produz aqui no mercado editorial brasileiro.

 Pequena Coreografia do Adeus é um livro que com certeza entrou para a lista dos meus favoritos do ano e eu amei conhecer o trabalho da Aline Bei. O outro romance da autora já está no meu radar.

Se você gosta de drama e de livros que vão te deixar em posição fetal encarando o teto por horas, tentando entender pra onde está levando sua própria vida, “Pequena Coreografia do Adeus” é pra você.

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