O que me move é a paixão

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O que leva uma menina de 16 anos a dizer para o mundo que quer ser escritora? Um ano depois da decisão tomada, ainda não consigo responder à pergunta sem parecer piegas.

O que me move é a paixão. Sou levada às palavras para que a ausência delas não me leve à loucura. Quero ser escritora porque não sou nada sem a escrita. Colocar o que sinto no papel é terapia, desliga-me do mundo, traz-me paz. Não acredito que nenhuma outra profissão me proporcionaria tamanho prazer.

Uma vez, durante uma entrevista, a escritora Clarice Lispector ouviu a seguinte pergunta: “Por que você escreve?”. Ela logo retrucou: “Por que você bebe água?”. A resposta, à primeira vista, parece bonita. Mas só entende a carga de realidade e sinceridade na fala de Clarice quem compartilha o mesmo sentimento.

A escrita não se escolhe, acata-se. Ela vem de dentro, da alma. Escolhe você, e quando se manifesta, não dá muitas opções. Você precisa escrever, externar o que sente e transformar em palavras aquilo com o que não consegue lidar internamente.

Escrevo desde os 14 anos; profissionalmente, desde os 16, e hoje, tenho absoluta certeza de que quero fazê-lo para o resto de minha vida.

Bruna Paiva

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Um banho para celebrar o amor

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Corremos o máximo que pudemos para escapar do temporal que encharcara nossas roupas. Meus pais haviam viajado e estávamos a sós em casa. Fechei a porta, rimos e nos beijamos ainda com a chuva gelada escorrendo por nossos rostos. Peguei uma toalha pra ela, liguei o aquecedor do banheiro e fui surpreendido quando Rafaella estendeu o braço, sorriu com os olhos e perguntou:

“você não vem?”

Poucos meninos romantizam sua primeira vez. A maioria prefere inclusive que aconteça sem envolvimento algum. Um ato mecânico, quase didático, e pronto. Vencido o rito de passagem, sentem-se prontos para encenar experiência com qualquer uma que realmente lhes interesse. Aos 16 anos, confesso que também planejava um encontro casual. Mas quis o destino, ou melhor, Rafaella, que comigo fosse diferente.

Ela era um ano mais velha, morena, olhos incrivelmente verdes e um sorriso que me conquistara desde o primeiro dia em que a vi na escola. Ah, ela também era virgem, mas ao contrário de mim admitia essa condição sem qualquer constrangimento. Sua imagem na porta do banheiro, sorrindo para mim, fez meu coração disparar. Beijamo-nos longamente e trancamos a porta…

Dentro do banheiro tiramos nossas roupas molhadas e pela primeira vez tive uma mulher nua em meus braços. Nos ensaboamos enquanto o vapor da água quente ajudava a dar um clima de filme àquele momento. Meu Deus como ela era linda. Seu cheiro, a maciez de sua pele, suas curvas e seu olhar desinibido. Não sei exatamente quanto tempo ficamos ali. Mas até hoje foi o banho mais demorado da minha vida.

O mais incrível é que não transamos dentro do banheiro. Quer dizer, não houve penetração. Mas não tenho dúvida de que o que fizemos ali foi amor. Tenho aquele banho como um dos momentos mais fortes que já vivi. Quando entramos no quarto nossos corpos já conversavam sozinhos e a natureza se encarregou do resto. Não houve constrangimentos, medos ou inseguranças. Apenas amor.

JM Costa

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Vazio Literário no Salão de Livros para Crianças e Jovens FNLIJ 2015

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De um lado, cerca de 10 jovens leitores acompanhavam a narração de Alice no Pais das Maravilhas, conduzida pelo jornalista Pedro Bial. Na outra extremidade do evento, o incansável Ziraldo contava as aventuras de seus personagens para pouco mais de 15 crianças. E essas foram as duas maiores concentrações de pessoas que vi no último domingo (21/06), ao visitar o 17º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no Rio de Janeiro. Um cenário triste que me deixou com um vazio literário no peito pelo resto do meu dia de folga.

Vazio porque sei que a geração de jovens de hoje lê muito mais do que a minha. Vazio porque vi nos olhos de meus filhos a mesma decepção que eu não consegui disfarçar. Vazio porque, pelo desânimo que percebi nos livreiros, distribuidores e editores que participavam do evento, fiquei com receio de não haver uma 18ª edição. E vazio ainda maior porque ao meu lado estava uma adolescente, dona deste blog, que sonha em viver profissionalmente de literatura.

Lembro-me de ter levado meus dois filhos ainda bebês aos seus primeiros salões de livros. Eles não sabiam ler, mas se encantavam com as cores, com os formatos e desenhos dos livros infantis. Nós nos amontoávamos nas almofadas, nos pufes dos espaços de leituras e eu e a minha mulher  contávamos histórias. Interpretávamos, gesticulávamos e fazíamos vozes de vários personagens para eles. Deixávamos que segurassem os livros, que sentissem aquele universo. Acreditávamos e acreditamos ser importante para as crianças fantasiar, viajar por estórias e histórias.

Mas aquele ainda era o maravilhoso e exclusivo mundo dos livros impressos. Crianças não nasciam com tablets e smart phones em punho. Os tempos mudaram e as feiras literárias precisam se atualizar também. Um salão literário para crianças e adolescentes não pode ignorar novos autores, os blogueiros e os youtubers. São essas as novas referências  que têm arrebanhado cada vez mais a atenção dos nossos jovens e ajudado a formar novos leitores e formadores de opinião.

Alguém duvida que a presença de fenômenos jovens como Bruna Vieira, Felipe Neto ou Christian Figueiredo (todos tb autores de livros) arrebanharia muito mais jovens leitores do que eventos como 150 anos de Alice no Pais das Maravilhas ou 120 anos de Maba Tahan? Não defendo de forma alguma que não se cultuem ou valorizem os clássicos. Mas é preciso mesclar o tradicional com o novo para se atingir as novas gerações. Você atrai oferecendo o que eles gostam e aí aproveita a presença deles para  apresentar-lhes  um cardápio mais amplo.

Ao lado da feira de livros havia um encontro de Anime e Cosplay. Estava lotado de jovens e seus pais. E olha que a entrada custava R$ 25, enquanto a da feira literária custava apenas R$ 5. Será então que os jovens não querem mesmo mais saber de livros? Sinceramente não acredito nisso. Basta olhar para o crescimento da Amazon Brasil e de sites de leituras como Wattpad e Widbook. Basta ver a multidão que a Bienal do livro atrai ao mesclar os clássicos com as novas tendências, o analógico com o digital.

O que parece estar mais do que provado depois deste 17º Salão FNLIJ é que não há mais espaço para a velha fórmula de se expor os livros em uma estante e esperar que os leitores simplesmente apareçam. Vivemos no mundo dos mil estímulos. Os livros estáticos mantêm seu charme, mas nunca sofreram tanta concorrência. E para captarmos a atenção dos leitores é preciso interagir com esse novo mundo e sus novos estímulos.

Portanto, para o próximo salão, convidem os autores queridinhos dos adolescentes, convidem blogueiros, youtubers, viners…Coloquem uma bandinha jovem tocando e personagens andando pelos corredores…Convoquem os estudantes dentro das escolas (as pariculares tb) para concursos, antologias. Instalem uma espaçonave na entrada do salão, deixem os cosplayers entrarem… Façam alguma coisa ou tudo isso ao mesmo tempo. Mas pelo amor de Deus não me deixem sentir esse vazio literário mais uma vez.

JM Costa

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A emocionante história de Gigi e os seus Quimionautas

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Era uma vez uma jornalista que se descobriu com câncer durante a gravidez.Os médicos aconselharam-na a interromper a gestação para evitar o avanço acelerado da doença, e para aumentar suas chances de tratamento. Mas o único conselho que ela seguiu foi o de seu coração.

Durante os últimos três anos Gizella Werneck (ou Gigi como gostava de ser chamada) espalhou amor e esperança pela Terra. Seu quarto no hospital era conhecido como quarto do amor,  decorado com corações de vários formatos. Sua força e alegria contagiavam a todos que mantinham contato com ela. Mas Gigi queria ir além.

Ela queria dar esperança e alegria às crianças que enfrentam o câncer.  E foi com esse intuito que escreveu s Aventuras dos Quimionautas no Planeta Terra. Uma fábula sobre o Planeta Kura e seus habitantes super-heróis. No fim do ano passado ela conseguiu viabilizar, atrávés de financiamento coletivo,  a confecção dos 3 mil primeiros exemplares para serem distribuídos gratuitamente em instituições públicas de tratamento.

Gigi acabou nos deixando no dia 19 de dezembro de 2014. Ela viajou para o Planeta Kura poucos dias depois que os livros ficaram prontos. Mas, graças a um grupo de voluntários, seu projeto dos Quimionautas ganhou vida própria. Hoje uma versão teatral da história é apresentada com músicas e distribuição de corações em  hospitais, ambulatórios e instituições de tratamento de crianças e adolescentes com câncer.

Agora o grupo dos  Quimionautas lançou uma nova campanha de arrecadação de recursos, para imprimir uma segunda edição do livro, que é distribuído gratuitamente durante as apresentações.

CLIQUE AQUI PARA CONHECER MAIS DESSA EMOCIONANTE HISTÓRIA

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Um Diário para Alice em nova fase

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Abro esse post dividindo com vocês o orgulho de ver “Um Diário para Alice” emocionando um número cada vez maior de leitores no Wattpad, uma rede social onde leitores e escritores interagem postando e-books, votando em capítulos e comentando as histórias. O romance, que foi lançado aqui no blog no fim do ano passado, agora segue seu curso em uma nova etapa.

Para comemorar, além de convidar vocês a darem uma olhada, votarem e deixarem seus comentários por lá no Wattpad, vou contar um pouco dos bastidores da produção dessa aventura, da qual participei ativamente como fã, produtor, editor e divulgador…

Revista

http://oglobo.globo.com/rio/bairros/adolescente-lanca-romance-que-mistura-capitulos-escritos-videos-em-seu-blog-14670636

UM POUCO DOS BASTIDORES:

Desde que começou a escrever e a me surpreender com o sentimento que coloca em seus textos, estabelecemos uma relação quase profissional aqui no Adolescente Demais. Ela escreve e eu faço a leitura crítica antes da publicação.  Faço uma avaliação sincera e às vezes dou sugestões. Ela me ouve, mas nem sempre me escuta. Tem personalidade forte e costuma defender suas idéias com coragem e uma boa dose de teimosia. Tô falando da Bruna Paiva, dona deste blog, autora de “Um Diário para Alice” e minha filha.

Não foi diferente quando acabamos atropelados por “Um Diário para Alice”.  Digo atropelados, porque me sinto um pouco responsável pelo rumo que  esse projeto tomou. Tudo começou quando, em fevereiro de 2014, ela me mostrou um conto. Gostei do que li e resolvi provocá-la perguntando como a história continuava. Ela escreveu mais dois capítulos. Tornei a provocá-la e o conto foi se transformando, ganhando corpo e cedendo lugar a uma trama bem mais complexa. Oito meses depois ela tinha seu primeiro romance em mãos.

Decidimos manter a ideia original de publicar a história no blog, mas queríamos uma fórmula diferente. Algo que fosse além do texto. Que despertasse o interesse inclusive daqueles leitores menos habituais. Em tempos de internet, Facetime, WhatsApp, Skype, Snap… Por que não fazer um diário eletrônico? Esse foi o raciocínio para a construção dos  Diários para Alice. Em vez de escritos, eles seriam gravados de um smartphone e entremeados entre um capítulo e outro da história.

A ideia parecia boa, mas para  funcionar teríamos que encontrar uma atriz com o perfil certo e disposta a aceitar  condições pouco confortáveis. Ela teria que interpretar ao mesmo tempo em que gravava a si própria com um celular em punho. Enquanto interpretava e se filmava,  ela ainda precisaria seguir algumas indicações de enquadramento e de movimentos de câmera. Para ficar mais natural, não haveria cortes. Os vídeos seriam curtos, mas gravados em uma única tomada. Por aí vcs podem imaginar o grau de dificuldade…

Contamos com a ajuda do ator Pedro Alves, primo da Bruna, para a seleção do elenco. E com a ajuda dele tivemos a sorte de encontrar a talentosa atriz Bruna Villela,  que gostou da história e corajosamente topou encarar o desafio. No primeiro encontro das Brunas, autora e atriz se entrosaram bem. Depois se encontraram novamente para leitura dos textos, para conversar sobre os perfis das personagens, sobre o figurino e acessórios que a protagonista Bianca usaria.

Testamos a forma como os vídeos seriam gravados, o enquadramento, a entonação e alguns movimentos de câmera. Mas a verdade é que estávamos apostando em uma fórmula que não sabíamos ao certo se funcionaria. O teste final foi a gravação do primeiro vídeo, o Diário Nº 2 (sim gravamos o Nº 2 antes do Nº 1), no aeroporto. Bruna, nossa atriz, já chegou como Bianca, com tranças nos cabelos, olhos bem delineados e o ar tenso de quem estava deixando uma vida para trás.

Bruna, nossa autora, chegou de coque, depois de um dia cheio, que começou às 7h da manhã com a escola. Emendou, das 14h às 18h ,  em quatro horas de aula de dança, para encerrar com mais duas duas horas e meia de curso de Espanhol. Às 21h resgatei o que sobrara da minha filha escritora na porta do curso de idiomas e partimos para nossa primeira locação. Ao contrário do que se pode imaginar, a euforia afastava qualquer vestígio de cansaço. Nos encontramos todos no aeroporto às 22h de terça-feira, dia 2 de setembro. Eu, as Brunas e Pedro.

Após uma rápida preleção nossa Bianca fez uma primeira gravação para passar o texto. Esqueceu o final e aumentou o nosso grau de ansiedade. Era o primeiro Diário, em um aeroporto com gente circulando, funcionários parando para ver o que se passava e a pressão do relógio. Não havíamos pedido autorização para gravar ali dentro e a qualquer momento a segurança poderia encrencar. Repassamos o texto com ela e, percebendo nosso nervosismo, ela, justo ela que era a mais pressionada naquela situação, sorriu e pediu que relaxássemos pois “estava tudo sob controle”.

E foi o que fizemos. Deixamos acontecer e nossa Bianca nasceu. O vídeo ficou ótimo e ainda aproveitamos um mega ventilador do aeroporto para dar o efeito do cabelo voando no fim da gravação. Belo Improviso da nossa super atriz-câmera-woman que caminhou na direção do vento. Quando assistimos ao resultado tivemos a certeza de que estávamos no caminho certo.

MAKING OFF DA GRAVAÇÂO NO AEROPORTO: 

LEIA, COMENTE E AJUDE A DIVULGAR “UM DIÁRIO PARA ALICE” NO WATTPAD

http://www.wattpad.com/story/26082786-um-di%C3%A1rio-para-alice

 

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Meninas e meninos

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Enquanto as novelas tentam escalar audiência com beijo gay, traições e sexo desenfreado, os pais de meninas continuam ouvindo as mesmas piadas do século passado. Basta nascer um bebê do sexo feminino para alguém próximo ao pai soltar a piada pronta de sempre: “aêeeee vai passar de consumidor a fornecedor”. Como se aquela recém-nascida estivesse fadada a ser abatida dali a alguns anos.

A menina vai crescer, vai namorar e vai acabar dando pra alguém? É claro que vai. E tomara que sim. Ou será que ainda temos pais querendo que suas filhas sejam desvirginadas na noite de núpcias?

As meninas de hoje não são menos românticas, menos carinhosas ou menos fiéis porque não casam virgens. Pelo contrário. Elas são mais seguras, mais resolvidas e menos suscetíveis a virarem fantoche nas mãos de algum babaca.

Que beijem, que amem, que se apaixonem e se decepcionem. Que vivam e se experimentem. Que acima de tudo aprendam a se valorizar e a não se deixarem manipular. Que nossas meninas desabrochem e se realizem como mulheres em todos os campos que escolherem atuar.

E que nossos meninos aprendam cada vez mais cedo a importância que elas têm em suas vidas. Fomos todos gerados no ventre de uma menina. E é sempre ali, em seus braços, que quando amamos uma mulher nos sentimos completos e protegidos.

JM Costa

Quem acabou com a música lenta?

Já imaginou passar dez minutos abraçada com o carinha que vc olhou a festa inteira, poder sentir o perfume dele e avaliar se vcs têm química, sem necessariamente precisar ficar com esse cara? Se curtir vc pega. Caso contrário, fica só na dança e depois faz a fila andar. To falando da hora da música lenta. Um ritual que desapareceu das festas e pistas de dança, mas que os adolescentes da minha geração souberam explorar muito bem.

Os meninos esperavam o momento para se encher de coragem, atravessar a pista e lançar a pergunta: “quer dançar?”. Se a resposta fosse negativa, não era o mesmo que levar um toco. Quer dizer…Era um meio-toco. Mas você saia dali de cabeça erguida por, pelo menos,  ter mostrado atitude. E sempre se podia convidar outra menina sem o risco de ser taxado de galinha. Afinal, vc só estava querendo dançar!

Para as meninas era a oportunidade de testar sua capacidade de sedução. Elas ficavam paradas se fazendo de gostosas, enquanto torciam para serem abordadas pelo menino com quem já haviam trocado olhares, sorrisos ou até algumas poucas palavras. Não ser convidada por nenhum carinha era uma espécie de meio-toco ao contrário. Aí restavam dois caminhos: uma discreta saída estratégica da pista, ou manter a pose e a esperança até o fim. Afinal vc não estava se oferecendo a ninguém. Só queria dançar, certo?!

Quando o convite era aceito, o casal entrava na pista e se abraçava. Não havia outra maneira de dançar música lenta que não fosse com os corpos grudados. Os meninos abraçavam as meninas pela cintura e elas retribuíam trançando as mãos por cima dos ombros deles. Duas quebradas de quadril para um lado, um passinho, duas quebradas para o outro lado, mais um passinho, e os corpos iam se roçando e girando lentamente em torno do próprio eixo. Talvez por isso alguns tb apelidassem  aquele momento de sessão mela cueca. Mas isso é outro assunto…

Embalados por canções românticas, quase sempre internacionais, a hora da música lenta era mágica. Quando você podia sentir o cheiro do cabelo da sua parceira, encaixar seu quadril entre as pernas dela e dançar com os rostos praticamente colados. Dependendo da forma como ela reagia, os movimentos de cabeça, o ondular do corpo, a respiração, dava pra sentir quando a química estava à favor. Aí não tinha jeito. Era cheiro no pescoço, mão boba e beijo de língua no melhor estilo novela das 21h.

Agora, alguém pode me explicar como é que uma coisa dessas acaba?

Não resisti e deixei no início do texto uma sessão de música lenta que montei com dez clássicos do gênero. À medida que ia escolhendo a sequência, uma espécie de filme da minha adolescência ia passando na cabeça. Dancei cada uma delas dezenas, ou centenas de vezes. A primeira, “Endless Love”, era a preferida de uma menina linda com quem tb dancei. Com ela rolou uma química tão especial que este ano comemoramos 20 anos de casados. Espero que vcs curtam as canções.

Beijão e muita química pra vcs!

J.M. Costa

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Somos todos adolescentes demais

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Imagem:reprodução web

Sonhei ser rock star, engenheiro, atleta, ator, dono de restaurante, empresário, poeta. Vendi roupa, chocolate erótico, dei aulas particulares. Levei bomba no primeiro vestibular e sofri para escapar do Exército. Entrei na faculdade para fazer um curso e acabei me formando em outro. Perdi a conta das vezes que me apaixonei e que não fui correspondido. Quando parei de procurar acabei esbarrando com o amor da minha vida. Casei aos 23 e alguns dizem que não aproveitei a vida. Eu discordo. Ao meu modo, também fui Adolescente Demais.

Talvez por isso tenha tomado coragem para pedir à patroa Bruna Paiva, minha filha e dona deste blog, um espacinho como colaborador. Na verdade sempre estive por aqui, mas nos bastidores. Lendo originais, sugerindo temas, comprando livros, comparecendo a eventos, me dividindo entre os papéis de fã e incentivador de uma menina que ora me surpreende, ora me emociona com seus escritos.

Tenho que admitir que escrever no Adolescente Demais dá um certo frio na barriga. Será que a garotada vai me comparar ao “tio Sukita”? (quem não entendeu corre no google!). Afinal de contas, o que um coroa de 42 anos tem de interessante para postar em um blog lido predominantemente por jovens? Não tenho qualquer pretensão de ser professoral, até porque nessa convivência com vocês aprendo mais do que ensino. Quero apenas compartilhar experiências e a forma como um ex-adolescente enxerga o mundo.

Nessa minha estreia aqui divido com vocês o meu sentimento de dever cumprido no que diz respeito ao papel de pai de fã da Restart. A sensação veio depois de ler o texto “Eu vou levar comigo” publicado pela Bruna há pouco mais de uma semana, quando a banda anunciou o seu fim. Mesmo que para mim eles jamais tenham ido além do status de “viadinhos coloridos” (definição da própria fã!), nunca censurei minha filha em seus momentos de completa ausência de lucidez.

Nem mesmo quando ela chegou em casa toda lanhada depois de sair no tapa com outras meninas em um show. O motivo justificava os meios, contou-me vitoriosa ao exibir em seu quarto, entre hematomas e arranhões, um pedaço de toalha suada que um dos integrantes jogou na pista (ela tem essa coisa nojenta até hoje guardada em uma caixa!). Ou quando tive que desatracá-la do guitarrista e ordenar, em tom ameaçador, que ela desistisse da invasão que havia comandado à van da banda na saída de um show.

Ao longo de cinco anos eu e minha mulher nos dividimos no staff de equipe de apoio de fã enlouquecida. Enquanto eu levava e buscava nos eventos, a pobre da mãe acompanhava a louca da Bruna. Perdi a conta das filas quilométricas, pedidos para ir para aeroporto e porta de hotel, das roupas coloridas, faixas , cartinhas, camisetas, encontros de fã clubes e gritos, muitos gritos. Meu Deus…. Como elas gritavam.

Querem saber? Nunca achei que fosse dizer isso, mas valeu muito a pena. Uma das vantagens de se ter filhos adolescentes é poder reviver a intensidade dessa fase mágica. É ter o privilégio de conviver com gente que não tem medo de se jogar de cabeça em busca de sua felicidade. Gente com fome de vida e que nos ensina a lembrar que um dia também fomos Adolescentes Demais.

J.M. Costa

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Vestida para Votar

Levantou-se às 7 horas da manhã, ainda de ressaca da festa do dia anterior. Tomou um banho quente, pôs a calça Jeans, uma blusa de malha rosa e foi à padaria comprar pão e leite. Cartazes, galhardetes e panfletos espalhados pelas ruas lembraram-na de que não se tratava de um dia comum.

De volta à casa, tirou a calça, jogou a blusa rosa na escrivaninha e sentou-se só de calcinha na cama. O cheiro do pão quente a embalou por alguns minutos de reflexão. Tinha pouco tempo para se decidir e queria fazer a escolha mais acertada. O dia exigia uma produção cuidadosa.

Pela primeira vez em 16 anos sentia o peso da responsabilidade. Decidiu encarar aquele momento de forma solene. Vestiu-se de preto, mas recuou diante da prova do espelho. Era fechado demais para o horário. Também evitaria o verde e o vermelho, suas cores prediletas, para não parecer favorável a este ou àquele partido.

Explorou o armário de uma ponta a outra em busca de uma cor neutra. Sentiu uma energia boa ao pegar o vestido branco no último cabide. Era ele. Vestida, maquiada, trança feita e sandália no pé, pôs-se uma última vez diante do espelho. Mas recuou. Avaliou que seu amor poderia encarar como desfeita se a visse usando o presente de réveillon dois meses antes do combinado.

Decidiu esfriar a cabeça e buscar inspiração tomando café. Esquentou o pão, preparou um chocolate quente e questionou-se mentalmente sobre seu estado de indecisão em um dia tão importante. Decidida a por fim àquela angústia, escovou os dentes e usou a velha tática da roupa à vista.

Passou a mão na blusa rosa sobre a escrivaninha, pegou a calça jeans sobre a cama e sentiu-se verdadeira. Na mochila, buscou o papel com os nomes e números dos seus candidatos. Já os tinha escolhido há uma semana, depois de minusciosas pesquisas na internet.

Saiu de casa orgulhosa. Vestida como quem vai comprar pão, mas com disposição para mudar o mundo.

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Meu professor de Química merecia um super-homem na sala

Nos meus tempos de escola nunca fui o mais engraçadinho da sala, mas já dei minhas cacetadas, ou trolladas como vocês dizem hoje. Lembro o dia em que fui suspenso porque espalhei barbantinho cheiroso no ar-condicionado central do ensino médio; e do dia em que fui esculachado por um professor durante as correções de uma uma prova de Química. Para não deixar uma questão em branco, inventei uma resposta criativa sobre a vida solitária que os elétrons levavam. O professor, sem o menor senso de humor, se sentiu ofendido. Mas recentemente descobri um video no You Tube que deu inveja: o trote do super-homem.

O video em si não é novo. Mas a ideia é genial e merece algumas considerações. É o tipo de sacanagem que pode ter consequências desastrosas, principalmente quando se estuda em um colégio muito conservador, como era o meu. Mas eu tinha professores que mereciam. Todo mundo tem aquele professor que se acha, que gosta de tocar o terror, abarrotar os alunos de matéria sem se preocupar se eles de fato estão conseguindo assimilar toda aquela massaroca de conteúdo. Pois se eu pudesse voltar no tempo, com certeza daria uma de super-homem na sala.E a vítima que escolheria certamente seria meu ex-professor de Química.

Até hoje fico me perguntando de que valeu ficar desenhando cadeias de carbono e montando nomezinhos complicados com sufixos eto, ato, ídrico…Ainda guardo sequelas daquela lavagem cerebral e volta e meia me pego recitando maluquices como “bico de pato, formoso periquito,mosquito teimoso…”. Fórmulas de decoreba ensinadas com entusiasmo pelo professor de Química. Fico imaginando a cara daquele mala quando eu levantasse berrando no meio de sua aula, entre um peróxido e um hidrocarboneto, e saísse voando por entre as carteiras, com minha exuberante capa vermelha, para defender o mundo de alguma injustiça.

Depois de sair voando pela sala, o professor poderia reagir mal ou bem. No meu caso, certamente a resposta seria a pior possível. O cara era muito mal humorado. Por isso eu manteria um colega filmando a sua reação quando, ainda encarnado em super-heroi, eu retornasse triunfante para a sala. O ataque de pelanca do professor seria a cereja no bolo para o video que postaria nas redes sociais. Em tempos de celebridades instantâneas e de culto a videos babacas na internet, não tenho dúvidas de que ficaria famoso. Seria convidado a dar entrevistas, ganharia fãs querendo testar meus superpoderes e, com um pouco de sorte, ainda receberia uma suspensão para curtir a fama em sua plenitude.

O melhor de tudo é que equilibraria o jogo de sequelas. Já que não me livro dos tenebrosos macetes para ato, eto,,oso… O causador desse mal também teria uma lembrança minha pelo resto de sua vida. Viva o super-homem!

 

Por JMC para Adolescente Demais

 

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