Desejo

O desejo era ser menos fraca

Parecer mais com a máscara inabalável performada socialmente

Insegurança maldita que não permite acreditar

Duro lutar contra a corrente

Que insiste em ser mais forte

Deixar afundar parece menos trabalhoso

Fim

Pronto

Calmaria

Convidativo

 

Bruna Paiva

 

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Eu te mantenho

Aqui estou. Sentada no lugar onde te beijei pela primeira vez. (Provavelmente a última)

O ar é úmido e abafado, o oposto daquele dia. Há mais pessoas também. Abro um livro, encaro o céu e apenas existo. A respiração automática me obrigando a permanecer. Figurante na paisagem, aparecendo no fundo da foto do casal.

Me distancio do que sou para botar no papel o que sinto:

Talvez fosse mais fácil me livrar de você.

Te banir da minha vida não teria causado dor tão prolongada. Gosto amargo no fundo da boca que nunca se vai por completo. Manter sua importância é desgastante. Dificulta as coisas.

Mas sem complicação não seria eu. E não posso negar que gosto assim.

Bruna Paiva

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Tão distraidamente

Tabagismo, Cigarro, Ruim, Ar, Cinzas, Vaporizador

Cigarro na boca, olhar baixo, distante da roda de conversa; mas o ouvido parece atento. Camisa branca de manga comprida que chama atenção para os ombros largos e os braços ao longo do corpo.

Ele joga o cabelo para longe do rosto, sorrindo despreocupado e tomando o cigarro entre os dedos. Um sorriso travesso de quem conta a história fragmentada. Observo as fascinantes mãos alongadas, perdida em pequenos pensamentos depravados.

De repente ele estende o braço e balança a cabeça concordando efusivamente com o colega coadjuvante. Na minha perspectiva, ele protagoniza. O local, o momento, o conjunto da cena.

Passa os dedos nos cabelos sedosos, com um suspiro profundo, enquanto volta o que resta do cigarro para entre os dentes. Depois deixa a mão bater na coxa. Aperta os lábios com o cigarro no meio para logo arrancá-lo com os dedos novamente.

Queria ser aquele cigarro, penso. E me assusto com o pensamento enquanto ele sopra a fumaça e joga a guimba no chão.

Bruna Paiva

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Eu odeio me apaixonar

Odeio a forma como o sentimento suga todas as minhas energias, me torna dependente de algo que, há pouco tempo, nem fazia diferença. Odeio a forma como me tira o controle sobre o foco da minha própria vida e se torna uma insistente distração que perturba a todo momento.

Odeio os efeitos físicos que ele me causa e a forma como, devagar, vai fazendo crescer a ansiedade até que ela domine meu corpo o tempo inteiro. E então chegam os suores, os enjoos, as tremedeiras, o sorriso patético e, o pior de todos, o descompasso de meus órgãos internos pela presença de outra pessoa.

Detesto me sentir impotente, rendida a algo que eu nem queria estar sentindo. Odeio a forma invasiva e truculenta como a paixão se mete nas minhas relações interpessoais, me dizendo como devo olhar para cada um que passa na minha vida. E odeio ainda mais a impossibilidade de desacatá-la. É ditadora e irredutível.

Tenho horror à forma como fico triste, estafada, doente, lenta, verdadeiramente apaixonada. E odeio não conseguir escrever sobre qualquer outra coisa senão esse sentimento que me é tão tóxico, e que ao longo dos anos só aprimorou sua capacidade de me fazer mal.

Eu odeio me apaixonar, simplesmente porque, em vinte anos, não aprendi a fazer isso sem anular cada pedaço mim mesma.

Bruna Paiva

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Tudo velho, de novo

Lugar há muito conhecido. Sentimentos assustadoramente familiares. Mais uma vez perdida, apavorada. Sozinha, um peixe fora d’água. Tudo de novo.

Por mais que não seja mais realidade, que não haja razão para se preocupar e que o acolhimento seja certeza agora, o mundo inteiro se resume àqueles corredores. A insegurança e a sensação de estar novamente presa ali tomam conta do meu corpo. Volto a andar com os olhos baixos, fragilizada.

Respiro fundo mas o ar não obedece. Lembranças demais por toda parte, e nenhuma das memórias agradáveis resolve dar as caras. A repetição daquela velha rotina me faz perceber o quanto fui marcada. Muito mais do que imaginava.

A rapidez com que os sentimentos me tomam faz tudo em volta se mover devagar, enxergo alguns de meus maiores fantasmas e é quase impossível convencer minha mente de que eles não estão ali. Me sinto pequena, cada vez menor. Quero colo, meu quarto, minha cama. De novo. O impulso é de correr para o banheiro e chorar, como tantas vezes fiz. Mas não vou.

Volto a respirar reafirmando que está tudo bem e que minha realidade é outra agora. Mas só consigo sentir o alívio de fato quando finalmente boto os pés fora do lugar em que estudei durante a vida inteira…

Bruna Paiva

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Amar

Por inteiro e não fragmentado

Com os olhos e a boca

Alma e corpo

Força, sede, formigamento

Vontade insaciável, domínio de pensamento.

É pra ser sentido

Entregue.

Certeza maior que o medo e a hesitação.

Bonito, intenso e doloroso

É ceder, ouvir e se encontrar.

É doação e

sobretudo força grave de dentro pra fora.

 

Não assim,

Perda de tempo.

 

Bruna Paiva

 

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Quadrilha real

Camila se apaixona por Bernardo

Que é amado por Renata

Que é amada por Marcelo

Que até gosta de Maria.

 

Bernardo nem dá bola para Camila

Ou Renata, já que é amigo de Marcelo e tem na cabeça alguém que nem estava na história.

Renata se contenta com a situação, mas não é capaz de corresponder Marcelo.

Os três conseguem construir uma amizade saudável apesar da confusão.

Camila sofre sozinha, quem se importa?

Marcelo acaba tentando investir em Maria

Que não faz ideia de tudo que há por trás.

 

E, de alguma forma, a roda gira.

E segue girando.

 

Bruna Paiva

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Realidade destacada

No acostamento da via expressa, esdrúxulo e insignificante, um braço repousa estendido. Mal percebido por quem passa em alta velocidade, um universo dentro de outro.

Os dedos tocando o chão pareceriam descansar despretensiosos, não fosse o osso quebrando a barreira da pele no topo do antebraço. Esquecido o contexto absurdo, era uma mão bonita. Mãos de baixista? Quem sabe?

Ao redor, nada que justifique aquela imagem. Só um braço, esquecido no acostamento. Apenas um pedaço destacado de alguma realidade que não nos pertence e para a qual não temos tempo.

Então seguimos em frente. Mais preocupados com a lentidão do motorista do ônibus prestes a nos atrasar para o que quer que tenhamos que fazer.

Bruna Paiva

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Mudo convite

Tristeza constante que esconde a própria nascente.

Não se satisfaz com o pinga-pinga de felicidade.

Tem que ser mar, tsunami de alegria.

Essa tristeza que me suga

derruba

derrota.

Que me convence de estar constantemente errada.

Exagero

drama

vitimização.

 

Extingue qualquer traço de confiança e insiste em provar que nada vai dar certo.

 

Não se contenta em viver cada coisa no seu ritmo.

Quer tudo agora,

com pressa

para não se afogar.

E se afoga na afobação.

 

Me enche de expectativas pelo mero prazer de deleitar minha decepção.

 

Dor profunda que vem de lugar nenhum

e de todos os lugares ao mesmo tempo.

Que angustia,

atormenta,

aterroriza

e faz flutuar na cabeça

como peixe em oceano

a ideia de acabar com o sofrimento.

 

Bruna Paiva

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Ciúmes

Coisa estranha no peito

Gosto amargo na boca

Sangue que esquenta e bagunça tudo na cabeça.

Raiva sem motivo

Olho revirado e suspiro que não se controla.

 

“Eu não sinto nada”

“Não me incomoda!”

Cruza os braços apertando forte para o coração não fugir em protesto.

Vira o rosto e encara o outro lado

Mas espia de rabo de olho.

 

Infantil

Mas não sabe escapar.

Autoconfiança forjada se esvai em um piscar

De repente, sozinha

Derrotada

Impotente.

 

Bruna Paiva

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