Era isso, então?

 

A mente anestesiada 

não se ocupa além da tormenta. 

Dor demais não dá poema.

Era isso então?

Trago fundo toda a passividade 

do que não virou palavra

porque não se tem tempo pra isso.

Sou mulher e

Talvez adolescências já não caibam.

Cabeça atormentada

O rosto indiferente

Vivendo por inércia sem espaço para ser. 

 

Bruna Paiva

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Cinematógrafo

As letras no livro em minhas mãos desfocam até virarem um borrão dentro das margens. É a terceira vez que tento ler esse parágrafo e, novamente, as palavras perfiladas não me dizem nada. Minha mente vagueia por outros assuntos. A imagem que eu nunca vi se instala no meu cinematógrafo interno.

Crio, recrio, rememoro, regurgito e a ânsia de vômito me sobe até a garganta enquanto seu corpo é tocado por ela. As cenas mais diversas vêm e vão, e ao mesmo tempo em que alimento cada uma delas, eu só queria esfregar meu cérebro com água sanitária, como um assassino faz com o chão sujo de sangue.

Imagino sua boca, escorregando pelas curvas dela como faz com as minhas. As mãos quentes sendo usadas para arrepiar a pele que não me pertence. A intimidade, o carinho, o desejo. Te imagino deitado puxando o corpo dela para perto. Enfiando sua mão pelos cabelos dela e brincando distraído. Será que olharia para ela do mesmo jeito que olha pra mim?

Que sentido faz esse tipo de questionamento? É certo que nenhum. Da mesma forma que criar essa realidade na cabeça só serve para me desestabilizar. Ainda assim, é inevitável imaginar que no passado você foi dela.Porque de fato o foi.

Tento retornar para a história que alguém escreveu e agora se encontra em minhas mãos. Mas a que eu crio sobre vocês, na cabeça, é daquelas que aprisiona o espectador. É como me sinto, obcecada por uma versão sua que desconheço, mas invento. Uma versão sobre a qual não tenho o menor controle, apesar de minha criação.

Aperto os olhos com força e, apesar de saber exatamente por que esses devaneios apareceram, percebo, enquanto uma lágrima escorre, que não será tão fácil me livrar deles.

 

Bruna Paiva

 

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Agosto

Agosto passou depressa em suas semanas infinitas.

O tempo desgovernado, voando e fingindo que não existe.

Em poucos dias é primavera e o inverno ao teu lado não deu voz à melancolia.

A insegurança há muito não dá as caras.

O sonho de uma vida ao alcance da mão. E não escapa.

Tudo fora de lugar

justamente onde devia estar.

 

Bruna Paiva

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Aventura

Você é aventura

Adrenalina

O cigarro que eu nunca fumei

A favela que eu nunca subi

O sexo que eu nunca fiz

Teu sorriso me desafia

E eu mergulho naquela boca

cheia de possibilidade.

Minha própria descoberta

De que o mundo é maior

E que o gosto de tabaco na tua língua

Talvez seja um belo vício

Você traz a liberdade

De uma vida que eu não conheço

Da loucura que eu reprimi

Pelo bem dos bens costumes, da moralidade

Você é o foda-se que eu engoli

Por tantos anos de obediência

A um mundo que não é meu.

O suspiro de desafogo por uma angústia que me corrói.

O notar que aquele medo

Enraizado

Construído

Não me pertence

O ser livre que do desejo

Passou à ação

O tempo controlado

Presente

Sem futuro, sem passado

Você é aventura

De um jeito que eu nunca vivi.

 

Bruna Paiva

 

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Possibilidade

Uma página em branco

Uma possibilidade

O dia que se repete sem nunca repetir

O poema é escape

Bolha musical no cotidiano vazio

Fuga da dimensão temporal, interrompida pela luz verde ou o rastro de conversa alheia.

Rastro que constrói

Palavras escritas na água

Caneta aprisionada na página em branco

Uma possibilidade

No ônibus local de criação

Do que se vê

Do que se ouve

 

 

Bruna Paiva

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Desejo

O desejo era ser menos fraca

Parecer mais com a máscara inabalável performada socialmente

Insegurança maldita que não permite acreditar

Duro lutar contra a corrente

Que insiste em ser mais forte

Deixar afundar parece menos trabalhoso

Fim

Pronto

Calmaria

Convidativo

 

Bruna Paiva

 

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Eu te mantenho

Aqui estou. Sentada no lugar onde te beijei pela primeira vez. (Provavelmente a última)

O ar é úmido e abafado, o oposto daquele dia. Há mais pessoas também. Abro um livro, encaro o céu e apenas existo. A respiração automática me obrigando a permanecer. Figurante na paisagem, aparecendo no fundo da foto do casal.

Me distancio do que sou para botar no papel o que sinto:

Talvez fosse mais fácil me livrar de você.

Te banir da minha vida não teria causado dor tão prolongada. Gosto amargo no fundo da boca que nunca se vai por completo. Manter sua importância é desgastante. Dificulta as coisas.

Mas sem complicação não seria eu. E não posso negar que gosto assim.

Bruna Paiva

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Tão distraidamente

Tabagismo, Cigarro, Ruim, Ar, Cinzas, Vaporizador

Cigarro na boca, olhar baixo, distante da roda de conversa; mas o ouvido parece atento. Camisa branca de manga comprida que chama atenção para os ombros largos e os braços ao longo do corpo.

Ele joga o cabelo para longe do rosto, sorrindo despreocupado e tomando o cigarro entre os dedos. Um sorriso travesso de quem conta a história fragmentada. Observo as fascinantes mãos alongadas, perdida em pequenos pensamentos depravados.

De repente ele estende o braço e balança a cabeça concordando efusivamente com o colega coadjuvante. Na minha perspectiva, ele protagoniza. O local, o momento, o conjunto da cena.

Passa os dedos nos cabelos sedosos, com um suspiro profundo, enquanto volta o que resta do cigarro para entre os dentes. Depois deixa a mão bater na coxa. Aperta os lábios com o cigarro no meio para logo arrancá-lo com os dedos novamente.

Queria ser aquele cigarro, penso. E me assusto com o pensamento enquanto ele sopra a fumaça e joga a guimba no chão.

Bruna Paiva

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Tudo velho, de novo

Lugar há muito conhecido. Sentimentos assustadoramente familiares. Mais uma vez perdida, apavorada. Sozinha, um peixe fora d’água. Tudo de novo.

Por mais que não seja mais realidade, que não haja razão para se preocupar e que o acolhimento seja certeza agora, o mundo inteiro se resume àqueles corredores. A insegurança e a sensação de estar novamente presa ali tomam conta do meu corpo. Volto a andar com os olhos baixos, fragilizada.

Respiro fundo mas o ar não obedece. Lembranças demais por toda parte, e nenhuma das memórias agradáveis resolve dar as caras. A repetição daquela velha rotina me faz perceber o quanto fui marcada. Muito mais do que imaginava.

A rapidez com que os sentimentos me tomam faz tudo em volta se mover devagar, enxergo alguns de meus maiores fantasmas e é quase impossível convencer minha mente de que eles não estão ali. Me sinto pequena, cada vez menor. Quero colo, meu quarto, minha cama. De novo. O impulso é de correr para o banheiro e chorar, como tantas vezes fiz. Mas não vou.

Volto a respirar reafirmando que está tudo bem e que minha realidade é outra agora. Mas só consigo sentir o alívio de fato quando finalmente boto os pés fora do lugar em que estudei durante a vida inteira…

Bruna Paiva

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Amar

Por inteiro e não fragmentado

Com os olhos e a boca

Alma e corpo

Força, sede, formigamento

Vontade insaciável, domínio de pensamento.

É pra ser sentido

Entregue.

Certeza maior que o medo e a hesitação.

Bonito, intenso e doloroso

É ceder, ouvir e se encontrar.

É doação e

sobretudo força grave de dentro pra fora.

 

Não assim,

Perda de tempo.

 

Bruna Paiva

 

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