Ciúmes

Coisa estranha no peito

Gosto amargo na boca

Sangue que esquenta e bagunça tudo na cabeça.

Raiva sem motivo

Olho revirado e suspiro que não se controla.

 

“Eu não sinto nada”

“Não me incomoda!”

Cruza os braços apertando forte para o coração não fugir em protesto.

Vira o rosto e encara o outro lado

Mas espia de rabo de olho.

 

Infantil

Mas não sabe escapar.

Autoconfiança forjada se esvai em um piscar

De repente, sozinha

Derrotada

Impotente.

 

Bruna Paiva

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O mundo acaba hoje

Ela não se importa que o mundo acabe se puder continuar dançando.

Está sozinha e nunca se sentiu tão bem acompanhada.

Não pediu permissão nem avisou a ninguém que estaria ali.

E finalmente sente-se livre.

Para sorrir

Respirar

Ser quem ela é.

Ela se sente mais leve; despida de toda carga acumulada no último ano.

E dança.

Sem mais nada em mente ela dança.

O olhar tenso de um rapaz de poullover negro é sua última visão. E então o mundo acaba.

Mas ela está dançando.

 

Bruna Paiva

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Saudade

Peito revolvido.

Cheiro de pão com manteiga.

A ausência que reaviva uma presença de memória.

O gosto da tua boca

O cheiro do perfume

Trazido pelo vento;

Ou pela masoquista lembrança?

“Dor por si mais dura e firme” que me esgarça de dentro para fora.

Que me inventa uma necessidade maldita

De ter aquilo que já não posso.

 

Bruna Paiva

 

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Démodé

Acende a tela. 125 mensagens. Por grupo. Em vinte minutos.

Notificação, Lembrete, e-mail, te seguiu, curtida, comentário, discórdia, notícia falsa, esquerda, direita, tragédia, briga, tendência, influencer, fulano falou, ciclano mentiu, beltrano roubou, Trending Topics, carência, todo mundo é dono da sua vida, “por que você não respondeu?”, “onde está?”, “fazendo o quê?”, “com quem?”

A hora passa e você pouco respira. Olhos fixos, dedos ágeis e mente atribulada. Mal se dá conta de que o mundo não repousa na palma de suas mãos.

O aparelho não tem cheiro, vento batendo na cara, gosto, frio na barriga no toque. Te priva de estar só.

Respirar fundo e observar as pequenas particularidades do mundo, prestar atenção de verdade, sem desfoque, pensar no aqui, no agora, esse único segundo que realmente importa: isso é démodé.

Bruna Paiva

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Mãe de si

 

Dentro de mim ela ainda vive

“Meu único tesouro”.

Filha a quem me sinto obrigada a proteger.

Filha frágil, doce, sonhadora

Adolescente.

Que me olha pelo espelho perguntando quanto tempo ainda falta para “ficar tudo bem”.

Que me encara desolada enquanto a água esquenta e eu, frustrada, digo que não sei. Mas prometo que ainda vai.

Uma filha que o tempo já tentou enterrar. Mas não se foi porque seus sonhos continuam vivos. E eu cuido. Por mais que esse corpo canse é por ela que ele continua. “Eu sou grande, fico acordada até mais tarde”.

É por ela que eu enxugo as lágrimas e prometo no espelho “eu vou te dar a vida que você sonhou. A vida que você merece.”

 

Bruna Paiva

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Lembrança

Fim de manhã.

Arrumo os papéis espalhados na mesa da cozinha enquanto tento te expulsar da minha mente. Nunca mais te disse uma palavra.

Mas as que eu deveria ter dito ecoam na minha cabeça dia sim, dia não.

 

Me encosto na parede e choro até o chão, feito cena de novela.

Na lembrança, tua boca roça meu pescoço

sem que eu desconfie das mentiras que ela me conta.

 

Saio dali e pego um táxi até a praia.

Sento na areia, fecho os olhos deixando que o sol me cegue

e me livre dessa mania de me torturar

com a vaga lembrança do sabor do teu amor.

 

Bruna Paiva

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Papel

Permita que eu abuse de sua boa vontade.

Que eu derrame sobre ti toda a angústia de ser quem sou

E a impotência de amar quem amo.

 

Me conceda essa sua paciência

Que me é assustadoramente necessária.

Porque no fundo sou eu a tua escrava,

“meu tão certo secretário”.

Sou eu quem te preciso e não você quem me serve.

Te atormento com a minha agonia

Que é para não terminar afogada.

E não há remédio mais eficaz para o vazio estranho que me consome.

 

Desafogo a caneta e deixo a marca da minha dor

Porque sei que, enquanto houver tinta, você me permitirá.

Sempre em branco, paciente, à disposição.

 

Bruna Paiva

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Cura Tudo

Rejeitada. Você foi rejeitada.

Mais uma vez, rejeitada.

Em tão pouco tempo, rejeitada.

Encara a palavra, rejeitada.

 

O que é que você vai fazer sobre isso?

Chorar? Já não possuo mais lágrimas.

Devastar-se? Não me sobra disposição.

Odiá-lo? Ah, mas quanta energia se gasta…

E o que resta?

 

Papel, caneta e um café amargo.

 

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O meu silêncio

 

O meu silêncio é grito

O meu silêncio é dor

O meu silêncio é saudade

É sufoco, desespero e impotência

 

O meu silêncio é duro

Breathetaken

Meu silêncio é monólogo

É cada discussão contornada

 

Tudo o que eu queria dizer e

não disse

 

Me silêncio é pesado

É papel de repente manchado.

De tinta

E lágrima

 

O meu silêncio é protesto

infinito preso na garganta

Agonia que afunda no estômago

 

É estaca que entra devagar

E se enterra cravada na alma

 

É ar que entra

E não satisfaz

 

É vida sugada

Energia não gasta

O meu silêncio é tromba d’água camuflada em calmaria

 

O meu silêncio é pedido de socorro

E eu venho berrando há muito tempo.

 

Bruna Paiva

 

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Teresa, Maria e Lili

Teresa:

João está ao meu lado, mas eu mal me dou conta de seu corpo sentado aqui. Minha mente passeia por Raimundo. Por seu jeito criativo e maneira descontraída de falar enquanto passa a mão nos cabelos. Por seu sorriso despreocupado e sempre acompanhado dos olhos castanhos que tanto me fascinam. Estes, porém, nunca voltados para mim. Seu coração é de Maria, que ignora a sorte que tem.

Maria:

Sento-me e afundo as mãos na areia gelada. Quase em transe, observo a dança das ondas que chegam a acariciar meus pés descalços, mas são sempre puxadas de volta ao imenso mar que tem a sorte de possuí-las. Meus olhos embaçam enquanto penso em Joaquim. O único homem que amarei em toda a vida.  O único que nunca terei.

Lili:

Lá vem Joaquim novamente com sua ladainha de te amo e te amo. Não entendo a procedência de tanto amor se nunca trocamos meia dúzia de palavras. Nem por que continua a insistir mesmo sabendo que não o correspondo. Por que não segue em frente? Qual a dificuldade em superar a paixonite e me deixar viver em paz?

Teresa:

Deus, o que faço se não puder ter Raimundo? Não imagino que possa amar a outro como a ele amo. Como tomar coragem de contar tudo sobre meu amor? Vejo João aqui a meu lado e lembro que os dois são amigos. Me pergunto se ele não ajudaria a deixar Raimundo saber do sentimento que carrego.

Maria:

A brisa faz meus cabelos voarem e percebo os olhares do surfista que passa por mim. Sei que posso tê-lo em questão de segundos, assim como a maioria dos homens por aqui. Mas nenhum deles me seria suficiente. Seguiria sentindo-me fraca, vazia e incompleta. Por mais que tenha quase tudo o que desejo nessa vida, minha maior necessidade nunca estará a meu alcance.

Lili:

Como alguém consegue ter tamanho desprendimento de si mesmo? Mais amor próprio, querido! Nunca deixaria meus estudos para me relacionar com alguém tão dependente. Sei que acabaria entediada com tamanha melancolia e sem tempo para me dedicar ao que realmente interessa.

Teresa:

João não quis ajudar. E ainda foi ríspido, mostrou-se quase ofendido com minha proposta. Logo ele que desde a escola sempre me foi simpático. Bradou que Raimundo nunca se interessaria por uma carola como eu. E que eu não deveria me insinuar para alguém que vive a se declarar por outra pessoa. Talvez ele tenha razão. Talvez a melhor saída seja mesmo canalizar meu amor a outra finalidade.

Maria:

Se ao menos conseguisse transferir meu amor a Raimundo. Aquele que sei que me adora e deseja como o mar a cada uma de suas ondas… Mas meu coração não permite que me livre de Joaquim. Mesmo que em mim nada lhe interesse mais que em Lili. Por mais que machuque, meu sentimento insiste em ser dele. E só dele por toda a vida.

Lili:

Daqui a um mês, enfim me livrarei das perturbações de Joaquim. Finalmente consegui aprovação para o intercâmbio com que tanto sonhei. Vou morar na Itália e estudar gastronomia. Ainda não consigo acreditar que J. Pinto Fernandes, um dos maiores chefs da atualidade, será meu professor! Não poderia estar mais realizada.

 

Bruna Paiva

 

* Texto inspirado no poema Os três mal-amados, de João Cabral de Melo Neto, que por sua vez foi inspirado em Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade.

** Exercício proposto pela professora Júlia Studart na disciplina Oficina de Produção de Texto, no Curso de Letras da UNIRIO, 2017.1.

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