Saudade

Peito revolvido.

Cheiro de pão com manteiga.

A ausência que reaviva uma presença de memória.

O gosto da tua boca

O cheiro do perfume

Trazido pelo vento;

Ou pela masoquista lembrança?

“Dor por si mais dura e firme” que me esgarça de dentro para fora.

Que me inventa uma necessidade maldita

De ter aquilo que já não posso.

 

Bruna Paiva

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Anúncios

Se você ama alguém, diga!

“Se você ama alguém, diga. Mesmo que você tenha medo de não ser a coisa certa a fazer. Mesmo com medo dos problemas que isso pode te causar. Ainda que com medo que isso acabe com a sua vida, diga. Diga em voz alta e viva a partir daí.”

Essa é uma das últimas falas do Mark Sloan em Grey’s Anatomy. E, de longe, uma das minhas preferidas dentre as 14 temporadas da série; talvez pela verdadeira dor com que é dita. Mark está morrendo quando fala isso. Ele sabe que está morrendo e acabou de perder a mulher que mais amava na vida. Mas, meio por medo, meio por orgulho, não disse isso a ela até que ambos estivessem numa situação trágica. E é por isso que essa fala me toca tanto.

Eu sempre senti demais. Sempre fui de me apaixonar, de me entregar ao que eu sentia. Ao mesmo tempo, eu sempre tive medo de falar sobre isso, de assumir o que se passava na minha cabeça e ter que lidar com as consequências. Medo de passar vergonha, de perder a amizade, de me apegar, de assumir para mim mesma o que sentia. Medo da falta de reciprocidade, de me decepcionar, de sofrer. Porque eu sempre soube o quanto isso tudo doía.

Até que um dia eu me percebi completamente apaixonada por um amigo. Contando os minutos para encontrá-lo, hipnotizada por aquele sorriso, estudando e tentando decifrar cada ação dele. Eu não dizia o que estava sentindo, como todas as outras vezes em que me apaixonei antes. Mas, em algum momento, me cansei da incerteza. Do esgotamento que eu mesma me provocava ao tentar ler a mente dele, tentar sempre encontrar algo que me mostrasse se ele queria ou não. Pela primeira vez, me esgotei de não conseguir pensar em outra coisa, de fantasiar demais e viver de menos.

Coincidentemente, assisti de novo ao filme “Compramos um zoológico” na mesma época. E acabei me atentando para uma fala que nunca havia me chamado atenção.

“Às vezes, tudo que você precisa são 20 segundos de uma coragem constrangedora e eu prometo que algo bom vai acontecer.”

Essa frase rodeou em minha cabeça por algum tempo até a coragem constrangedora dar as caras de fato. Chamei o menino para conversar e ele confessou não ter o menor interesse em mim. É claro que, na hora, fiquei mal, mas não posso dizer que meus 20 segundos foram em vão. Foi ali que eu aprendi que ser honesto com o que você sente ou pensa é sempre o melhor caminho, ainda que com aquele medo avassalador que o Mark citou. Desde aquele dia, os 20 segundos de coragem continuam sendo minha maior estratégia.

Lidar com as consequências faz parte. O que eu não consigo é lidar com os “e ses” da vida. Falar abertamente sobre o que você sente por alguém é libertador. É claro que já me dei muito mal por expor o que eu sentia, já me decepcionei muito. Mas nunca me arrependi de falar. Porque tudo vira experiência nessa vida, vira história para contar. E o sofrimento uma hora passa, mas a especulação sobre o que teria acontecido se tivesse tido coragem, essa te corrói para o resto da vida.

Agir com a razão faz bem, é óbvio. Mas há momentos em que a gente precisa deixar o coração tomar a palavra. Porque ser racional demais pode te custar mais caro do que deveria.

Então, diga. Se você ama, diga. Se não ama, informe. Não está feliz com as coisas do jeito que estão? Diga! Fale sobre o que você sente. Confesse seus desejos. Diga com vontade, com verdade e então viva a partir daí.

 

Bruna Paiva

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Pequena eternidade

Coloco minhas pernas por cima das suas enquanto fazemos o caminho de volta, na poltrona falsamente aconchegante daquele ônibus abafado. Dividimos um fone de ouvido, o braço roçando no meu. Conversamos de muito perto e eu rio de tudo que ele fala. Não é possível que não perceba; mas finge que não.

Chegamos. Duas horas para matar. “Vamos à praia?”. Sol quente, vento frio e o cheiro do perfume que me invade os pulmões sem consentimento. Sentamos na areia e discutimos amenidades. Estudo cada ação e ele não parece disposto a tomar qualquer atitude. “O que você queria me dizer naquele dia?”. Xeque Matte. Agora ou nunca mais. Mas me demoro ponderando as consequências.

Bonita aquela criança, mal segurada pela mãe. Pego a areia nas mãos e deixo escorrer pelos dedos. Me arrependo no segundo seguinte por não ter onde limpar. Respiro fundo e digo. É melhor se arrepender de um ato feito do que da tortura de um “e se”.

“Eu nunca tinha percebido”, sonso. Nós dois sabemos que ele está mentindo, mas não falamos nada. “Minha vida é complicada, não quero magoar você”. O mesmo escape de sempre. Nunca boa o suficiente para mudar o discurso de ninguém.

Me sinto frustrada. Constrangida talvez seja a melhor palavra. Mas mantenho a leveza. Sorrindo, fazendo piada, apesar do estranho vazio queimando no peito. Take a sad song and make it better. Deito e encaro o céu. Não vai cair. Controlo a respiração enquanto voltamos a falar nada com nada.

Ele passa a mão no meu cabelo e brinca olhando para o mar. Nem um pouco abalado pelo que acabou de acontecer. Um casal tira fotos com balões no outro lado da praia. Fico enjoada. Apaixonados demais. Estáveis demais.

Enquanto os encaro ele me beija de surpresa. Me assusto mas não me afasto. Talvez devesse. Mas beijo de volta. Tonta, perdida. “O mundo gira devagar”. Chego mais perto e gravo cada detalhe. Sinto tudo o que posso e não devia.

No final do beijo, sorrio. Ele passa os braços em volta de mim e, apesar de saber que é um erro, me permito sentir a segurança. Relaxo em seu abraço obrigando a cabeça a entender que aquilo não quer dizer nada. Para ele. Não entendo bem por que me beijou, mas sei que não foi pelo mesmo motivo que beijei de volta.

Não posso me envolver, mas aperto os braços em volta dele. Sinto que aquele momento nunca mais vai se repetir. E é por isso que eu registro. Cada segundo.

 

Bruna Paiva

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Apaixone-se por você mesma

Não existe nada mais libertador do que se permitir ser você mesma. Falar o que você pensa, vestir o que você gosta, ser quem você quiser. Uma vez que você se permite viver dessa forma, é quase certo que vai acabar se apaixonando por quem você é. E essa sensação é transformadora.

Não por aquela velha máxima de que “se eu não gostar de mim, quem é que vai?”; porque quando você começa a gostar de verdade de quem é e se deleitar com sua própria companhia, pouco importa a opinião de quem quer que seja. Você deixa de viver naquela eterna tentativa de agradar os outros e passa a simplesmente ser você. Se alguém gostar, ótimo; se não, tá tudo bem também.

É incrível se perceber apaixonada por si mesma. Olhar no espelho e finalmente gostar do que vê. Investir tempo para correr atrás do que você acredita e fazer coisas por si mesma. Gostar de cada detalhe e entender que as particularidades que te enlouqueciam na adolescência são, na verdade, parte de quem você é.  Entender que você é incrível, independente do que as pessoas digam. Preenche um vazio que você nem sabia que existia.

Quando você se apaixona por você, acredita em si, a validação alheia sobre sua vida deixa de ser a coisa mais importante do mundo. Você passa a ser alguém com brilho próprio, deixa de esperar a luz dos outros para conseguir se enxergar.

Nada nem ninguém no mundo vale o sentimento de estar bem com você mesma. De se sentir livre, plena e independente.

Mas isso tudo só acontece quando você consegue compreender que a pessoa mais importante da sua vida é você mesma. Não importa o quanto a vida às vezes tente te provar o contrário, você é protagonista da sua passagem pelo mundo. E, enquanto você não se coloca como prioridade em sua própria existência, não dá para ser feliz de verdade.

Bruna Paiva

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de seguir o blog nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchat

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

 

Cura Tudo

Rejeitada. Você foi rejeitada.

Mais uma vez, rejeitada.

Em tão pouco tempo, rejeitada.

Encara a palavra, rejeitada.

 

O que é que você vai fazer sobre isso?

Chorar? Já não possuo mais lágrimas.

Devastar-se? Não me sobra disposição.

Odiá-lo? Ah, mas quanta energia se gasta…

E o que resta?

 

Papel, caneta e um café amargo.

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de seguir o blog nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchat

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Podia ser você

Você seria a pessoa perfeita. Tem quase tudo que eu sempre sonhei encontrar em alguém. É interessante, divertido, engraçado. Você me respeita e defende ideais parecidos com os meus. Você me admira como artista e como mulher e faz questão de enaltecer isso toda vez que fala comigo. Você me faz sentir bem, esquecer um pouco dos problemas e sorrir de vez em quando. A gente podia ser um casal sensacional.

Mas falta alguma coisa. Me peguei obrigando minha cabeça a se apaixonar por você. Eu te juro que fiz muita força para conseguir te enxergar com outros olhos. Mas não fui capaz. Eu olho para você e consigo imaginar um futuro, com uma relação estruturada, família e tudo mais, mas sempre com um vazio.

Falta paixão, tesão. Falta frio na barriga, ansiedade e coração batendo forte do teu lado. Falta eu ficar desconsertada e pensar em você o dia inteiro. Falta eu olhar para você como a melhor coisa que me aconteceu. E eu não sei sustentar um relacionamento sem tudo isso. Porque me soa mentiroso.

E não é como se todo esse sentimento que eu almejo fosse fruto de um ideal fantasioso. Eu já conheci pessoas legais, que me pareciam tão certos quanto você e por quem eu fui capaz de me apaixonar a cada detalhe. Mas é o tipo de coisa sobre o qual eu não tenho o menor controle. Acontece devagar e de repente. E com você não aconteceu.

Me percebi tentando convencer a mim mesma de que, por falta de opção, era você a minha melhor chance de viver uma história de amor. Mas isso é torto demais para eu permitir que comece. É injusto. Com você e comigo. Eu prefiro esperar, deixar o tempo agir. Assim, você pode viver a sua vida, encontrar alguém que te ame de verdade. E, quem sabe eu também encontre alguém incrível que consiga me despertar todo o sentimento que eu gostaria de ter tido por você.

Bruna Paiva

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de seguir o blog nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchat

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Se você gostasse

Se você gostasse mesmo de mim, não teria me deixado ir naquele dia. Teria vindo atrás de mim, me segurado bem perto e insistido para eu ficar. Teria dito algo engraçado para que eu risse, mesmo estando chateada. Pedido desculpas por ter vacilado e reconhecido que era hora de darmos um rumo para a nossa situação.

Se você realmente correspondesse o meu sentimento, a distância não seria uma desculpa recorrente. E você não teria deixado que ela fosse maior ainda quando estávamos lado a lado. Você não teria se afastado, deixado de conversar comigo, ou de dar atenção quando eu chegava animada para te contar alguma coisa. Se gostasse de mim, não deixaria a gente esfriar. Não teria permitido que eu chegasse ao ponto de me sentir tão insegura com você que questionasse a minha própria existência.

Mas você deixou. Você deixou que eu acreditasse numa reciprocidade inexistente enquanto me enganava secretamente. Talvez não por maldade, quem sabe, no fundo, você mesmo quisesse acreditar naquilo. Eu sei que eu tinha certeza do que você sentia. E hoje não tenho mais certeza de nada.

Você chegou devagar, pouco a pouco foi se tornando parte da minha rotina, parte de quem eu era. Mexeu com meus sonhos, ouviu minhas confidências, segurou minha mão, dividiu pequenos detalhes e por fim se cansou. Se de mim ou de fingir interesse eu nunca entendi direito…

Bruna Paiva

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Teresa, Maria e Lili

Teresa:

João está ao meu lado, mas eu mal me dou conta de seu corpo sentado aqui. Minha mente passeia por Raimundo. Por seu jeito criativo e maneira descontraída de falar enquanto passa a mão nos cabelos. Por seu sorriso despreocupado e sempre acompanhado dos olhos castanhos que tanto me fascinam. Estes, porém, nunca voltados para mim. Seu coração é de Maria, que ignora a sorte que tem.

Maria:

Sento-me e afundo as mãos na areia gelada. Quase em transe, observo a dança das ondas que chegam a acariciar meus pés descalços, mas são sempre puxadas de volta ao imenso mar que tem a sorte de possuí-las. Meus olhos embaçam enquanto penso em Joaquim. O único homem que amarei em toda a vida.  O único que nunca terei.

Lili:

Lá vem Joaquim novamente com sua ladainha de te amo e te amo. Não entendo a procedência de tanto amor se nunca trocamos meia dúzia de palavras. Nem por que continua a insistir mesmo sabendo que não o correspondo. Por que não segue em frente? Qual a dificuldade em superar a paixonite e me deixar viver em paz?

Teresa:

Deus, o que faço se não puder ter Raimundo? Não imagino que possa amar a outro como a ele amo. Como tomar coragem de contar tudo sobre meu amor? Vejo João aqui a meu lado e lembro que os dois são amigos. Me pergunto se ele não ajudaria a deixar Raimundo saber do sentimento que carrego.

Maria:

A brisa faz meus cabelos voarem e percebo os olhares do surfista que passa por mim. Sei que posso tê-lo em questão de segundos, assim como a maioria dos homens por aqui. Mas nenhum deles me seria suficiente. Seguiria sentindo-me fraca, vazia e incompleta. Por mais que tenha quase tudo o que desejo nessa vida, minha maior necessidade nunca estará a meu alcance.

Lili:

Como alguém consegue ter tamanho desprendimento de si mesmo? Mais amor próprio, querido! Nunca deixaria meus estudos para me relacionar com alguém tão dependente. Sei que acabaria entediada com tamanha melancolia e sem tempo para me dedicar ao que realmente interessa.

Teresa:

João não quis ajudar. E ainda foi ríspido, mostrou-se quase ofendido com minha proposta. Logo ele que desde a escola sempre me foi simpático. Bradou que Raimundo nunca se interessaria por uma carola como eu. E que eu não deveria me insinuar para alguém que vive a se declarar por outra pessoa. Talvez ele tenha razão. Talvez a melhor saída seja mesmo canalizar meu amor a outra finalidade.

Maria:

Se ao menos conseguisse transferir meu amor a Raimundo. Aquele que sei que me adora e deseja como o mar a cada uma de suas ondas… Mas meu coração não permite que me livre de Joaquim. Mesmo que em mim nada lhe interesse mais que em Lili. Por mais que machuque, meu sentimento insiste em ser dele. E só dele por toda a vida.

Lili:

Daqui a um mês, enfim me livrarei das perturbações de Joaquim. Finalmente consegui aprovação para o intercâmbio com que tanto sonhei. Vou morar na Itália e estudar gastronomia. Ainda não consigo acreditar que J. Pinto Fernandes, um dos maiores chefs da atualidade, será meu professor! Não poderia estar mais realizada.

 

Bruna Paiva

 

* Texto inspirado no poema Os três mal-amados, de João Cabral de Melo Neto, que por sua vez foi inspirado em Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade.

** Exercício proposto pela professora Júlia Studart na disciplina Oficina de Produção de Texto, no Curso de Letras da UNIRIO, 2017.1.

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Presa a você

Primeiro vieram as noites molhadas. As noites em que eu ia dormir com o nariz entupido e a cabeça latejando por causa das lágrimas. Nelas, eu abafava meus soluços no travesseiro encharcado. Não me lembro a que horas pegava no sono. Só lembro de acordar pensando em você.

Abria os olhos inchados e mal me movia encarando o teto. A comida no prato quase sempre ia inteira para o lixo. A fome foi a primeira a sumir.

Em algum momento, as noites de pranto começaram a se alternar com as de exaustão total. Meu corpo implorava por uma noite bem dormida. Mas elas também desapareceram. Quando minhas lágrimas secaram, as madrugadas em claro começaram a me visitar trazendo devaneios que nunca haviam dado as caras. Então começou a dor.

A pior dor que se pode sentir não é física. Provoca um vazio no fundo da alma que, vez ou outra, berra pela falta de alguém. Faz qualquer um clamar por algo doce como a dor de uma facada.

As noites de insônia em que eu fitava o teto do meu quarto despertaram esse vazio. A dor crescia junto com minhas olheiras. A fome não reaparecera. Comia só para me manter de pé e, ainda assim, estava a cada dia mais magra.

As lembranças espalhadas na internet e em meus arquivos pessoais não ajudavam em nada além de cavar mais fundo o buraco em minha alma. De certa forma, eu me culpava. Ninguém me obrigou a me entregar tanto.

Em poucas semanas, a insônia deu lugar às lembranças durante o sono. Me debatia enquanto dormia e acordava ofegante no meio da noite. Destruída, humilhada, com raiva de mim, de você, do mundo.

E, quando chegou a nossa data, eu chorei. Mais do que nas noites molhadas. Mais do que quando te assisti partir. Chorei pela impotência, pelo tempo, por não conseguir me recompor. Chorei pelo futuro inexistente de que eu ainda tinha saudades. Chorei porque precisava parar de sonhar. Chorei porque apesar de tudo eu ainda te amo e esse amor é a minha maior prisão.

Bruna Paiva

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

À distância

Eu tenho saudades de acordar com o braço dormente debaixo da sua cabeça. Saudades do teu cheiro, da sua mania de andar pela casa vestindo só calcinha por baixo de uma camiseta minha. Saudade de você se arrumando enquanto eu te apressava impaciente para sair de casa. Saudades de você implicando com o meu jeito de lavar louça à prestação. Do jeito como você canta feito louca enquanto dirige e como sempre dorme quando sou eu no volante.

Saudade do jeito que você corre os dedos pelas veias do meu braço, com a cabeça encostada no meu ombro. E de sempre brigar contigo quando deixa meu computador descarregar completamente. Saudade até daquele filme do Heath Ledger que você me faz assistir e decorar as falas só porque você ama. De ver seu sorriso infantil quando te beijo de surpresa.

Saudade de estar pertinho de você. De te abraçar nos momentos ruins e comemorar as suas conquistas. Sinto falta de poder te ver a qualquer hora… Pela tela do computador, às vezes a distância parece ser ainda maior. Há dias em que eu me questiono se fizemos a escolha certa. Nos separamos para seguir nossos sonhos, é verdade. Você de um lado do continente e eu do outro. Mas eu sinto falta de quando morávamos naquela cidadezinha em que todo mundo sabia tudo da vida dos outros. Aqui é tão enorme, e as pessoas nem se falam muito.

Às vezes tenho saudade até do medo que eu tinha do seu pai no início do nosso namoro. Quando a gente tinha que sair escondido. Acho que aquela época só contribuiu para nos apaixonarmos mais. Outro dia eu conversei com o Padre Paulo (acredita que ele está no Facebook?). Ele disse que a gente faz um casal lindo e que ele topa celebrar nosso casamento quando a gente voltar.

Eu sei que ainda faltam alguns anos. Mas, nos dias ruins, minha energia para sair de casa e seguir em frente é saber que quando, finalmente, estivermos formados vamos poder construir tudo o que sempre sonhamos. E não importa se aqui, aí, na nossa cidade ou em outro canto do mundo. Com você, eu não preciso de mais nada.

Falta pouco, meu amor. Cinco anos passam rapidinho. Um dia a gente ainda vai olhar para trás e pensar “foi muito louco, mas passou”.  Acordei no meio da noite morrendo de saudades suas, olhei as horas e vi que você já deve estar saindo para a aula. Que seu dia seja abençoado e que você não esqueça nunca que eu te amo.

Com amor,

Matheus.

 

Bruna Paiva

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE