Se você gostasse

Se você gostasse mesmo de mim, não teria me deixado ir naquele dia. Teria vindo atrás de mim, me segurado bem perto e insistido para eu ficar. Teria dito algo engraçado para que eu risse, mesmo estando chateada. Pedido desculpas por ter vacilado e reconhecido que era hora de darmos um rumo para a nossa situação.

Se você realmente correspondesse o meu sentimento, a distância não seria uma desculpa recorrente. E você não teria deixado que ela fosse maior ainda quando estávamos lado a lado. Você não teria se afastado, deixado de conversar comigo, ou de dar atenção quando eu chegava animada para te contar alguma coisa. Se gostasse de mim, não deixaria a gente esfriar. Não teria permitido que eu chegasse ao ponto de me sentir tão insegura com você que questionasse a minha própria existência.

Mas você deixou. Você deixou que eu acreditasse numa reciprocidade inexistente enquanto me enganava secretamente. Talvez não por maldade, quem sabe, no fundo, você mesmo quisesse acreditar naquilo. Eu sei que eu tinha certeza do que você sentia. E hoje não tenho mais certeza de nada.

Você chegou devagar, pouco a pouco foi se tornando parte da minha rotina, parte de quem eu era. Mexeu com meus sonhos, ouviu minhas confidências, segurou minha mão, dividiu pequenos detalhes e por fim se cansou. Se de mim ou de fingir interesse eu nunca entendi direito…

Bruna Paiva

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Anúncios

A diferença entre assédio e elogio

Cena: Menina, 17 anos, saindo do prédio num dia de calor do Rio de Janeiro. A rua é uma ladeira pouco movimentada na zona norte carioca. Ela está indo para o pré-vestibular, mochila nas costas, sol na cabeça, vai pegar um ônibus na rua transversal. Eis que o táxi descendo a ladeira diminui a velocidade até quase se igualar ao ritmo dela. O trabalhador no volante escancara a janela, mete a cabeça para fora e grita “tá de parabéns, hein, gostosa”. Ela revira o olho, mas ignora. Ele repete e ela precisa respirar fundo para não responder. E então, escuta um barulho alto. Quando olha para trás, vê que, prestando tanta atenção nela, o taxista esqueceu de olhar para a rua e acabou batendo no carro parado na frente. Ela ri bastante, o cara fica puto.

A história acima aconteceu com uma amiga minha. Ela postou no Twitter e eu achei bem engraçado. Acontece que, quando passei adiante, ouvi muito os seguintes argumentos: “você tá achando engraçado? É o instrumento de trabalho do cara”, “ele tava só elogiando a garota, não fez nada demais”, “o cara faz um elogio e vocês desejam o mal dele?”, “ele deve ter levado o maior prejuízo e ela ainda riu na cara dele?”.

De fato, é o instrumento de trabalho do cara. E certamente ele teve um prejuízo. Mas, queridos, eu acredito bastante em carma. O que você faz nessa vida, seja bom ou ruim, volta. De uma forma ou de outra, volta. E para aqueles que ainda têm uma certa dificuldade em diferenciar elogio de assédio, deixa eu tentar ser bem clara e didática.

Se você quiser elogiar uma mulher desconhecida na rua, aqui vai um tutorial. Chegue desarmado, sem essa tua marra de quem acha que come todo mundo mesmo. Olha no olho dela enquanto fala. Diz que ela é bonita, que gostou do jeito que ela se veste, que o perfume é bom, que ela tem um sorriso lindo, fala para ela o que chamou a sua atenção. Mas, antes de falar, pense dez vezes se o que você pretende dizer pode soar ofensivo. Não encosta nela enquanto fala a não ser que ela te dê liberdade para isso. (E, não, a roupa dela não é código para você saber se pode ou não pôr sua mão ali)

Se você chegou numa boa, foi simpático, elogiou a menina de verdade e esperou a reação dela sem pressão, você tem alguma chance de ela te achar legal e te dar uma atenção. Mas se ela disser não, querido, paciência, a vida é assim mesmo.

Quando você grita “e aí, gostosa”, “princesa”, “ô, lá em casa”, ou coisas do gênero para qualquer uma na rua, isso NÃO É um elogio. Você está sendo escroto, babaca, machista e imbecil, no mínimo. Esse tipo de coisa ofende. Não porque a gente não se ache gostosa, pelo contrário. Mas porque a gente se sente exposta, nua, suja e impotente. Parece que você é um pedaço de carne no açougue à disposição de quem quiser levar. E ofende porque a gente sabe que é muito mais do que isso; e queremos ser vistas e tratadas com respeito.

Você não tem o direito de assediar ninguém na rua só porque acha que tá tudo bem. Porque pra você pode até estar tudo ótimo. Mas para a gente não fica. Surgem um milhão de questões na cabeça. Dúvidas sobre o nosso valor e capacidade de chegar onde queremos.

Muita gente tenta educar homens falando “podia ser a sua mãe, sua filha ou sua irmã”. Mas a verdade é que o assédio não é errado porque você tem uma mãe, filha ou irmã. O assédio é terrível porque nós somos seres humanos; tão capazes quanto vocês. E merecemos respeito e liberdade para viver em paz, assim como vocês.

Bruna Paiva

 

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

7 filmes inspiradores na Netflix

Oi, gente! No post de hoje eu trouxe 7 filmes com histórias inspiradoras. São filmes incríveis e não tem como não se emocionar. E, o melhor, estão todos disponíveis na Netflix!

 

  • Forrest Gump

Nesse clássico dos anos 90, Tom Hanks interpreta um homem de raciocínio lento que, mesmo com todas as suas dificuldades e inocência para entender o mundo, nunca se deixou abater por aqueles que o diminuíam. Forrest termina a escola, faz faculdade, vira atleta olímpico, luta na Guerra e até vira empresário. É impossível não se emocionar com o jeito infantil de Forrest.

 

  • 8 Miles

Jimmy é um rapper branco que sofre certo preconceito na periferia de Detroit. O garoto tem o sonho de se tornar rapper profissional, mas em seu caminho a mãe alcóolatra, a irmã pequena, o preconceito e as guerras de gangs são sempre obstáculos. Apesar disso tudo, o rapper não se deixa abater e vai competir no concurso de rimas do bairro vizinho para tentar o título. Quem faz o papel principal é o Eminem e o filme é incrível!

 

  • Escritores da liberdade

Uma professora de inglês se vê num impasse quando  precisa lidar com uma  turma cheia de preconceitos e guerras internas. Ela então decide forçar os alunos a escreverem diários expressando as coisas que sentiam e viviam, inspirados pelo diário de Anne Frank.

 

  • Onde mora o coração

Uma adolescente é abandonada grávida pelo namorado no estacionamento de um Wal-Mart numa cidade que não conhece. Ela consegue viver escondida dentro do supermercado até o fim da gestação, mas, depois de descoberta, é incrível a forma com que ela consegue levantar sua vida e criar a filha. O filme é muito bonitinho e  a força dessa mulher é admirável.

 

  • A vida é bela

Um pai é levado com seu filho pequeno a um campo de concentração e faz a criança acreditar numa fantasia enorme para que o menino não sofra com a realidade da Guerra. Que filme maravilhoso! Vencedor do Oscar de filme estrangeiro em 1997, A vida é bela é um dos filmes mais emocionantes sobre o Holocausto. E, ainda assim, consegue ser leve.

 

  • Na natureza selvagem

Um garoto recém-formado decide largar tudo, inclusive a família, para se dedicar a aventura que sempre foi seu sonho: ir sozinho até o Alasca e viver sem dinheiro ou tecnologia. A história real de Christopher McCandless é triste, porém emocionante e inspiradora.

 

  • Lion

Eu sou completamente apaixonada por esse filme, e acho que já até indiquei aqui no blog. Lion conta a história real de um menino indiano que se perdeu da família aos  5 anos e acabou adotado por um casal australiano. 25 anos depois, ele resolve procurar a família biológica usando as poucas lembranças que tem daquela época e o Google Maps. É uma história maravilhosa.

 

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Crush

É engraçado como, na minha imaginação, nós dois funcionamos tão bem. Somos extremamente íntimos e compartilhamos momentos de intensa sintonia. E a graça é que eu mal te conheço. Nunca tivemos abertura para isso, mas, ainda assim, me apaixonei pelo que inventei de você, pelo que inventei de nós.

Está certo que a parca convivência que tivemos nos últimos tempos contribuiu para que minha cabeça meio louca fantasiasse os mais insanos diálogos em que descobríamos um interesse mútuo e subitamente éramos um casal. É, eu tenho uma imaginação fértil.

Entretanto, o mais irônico de tudo isso é que eu não tenho coragem de te contar como me sinto. Primeiro porque gosto demais da minha fantasia para correr o risco de você acabar com ela. Já passei por situações parecidas antes. Isso nunca termina bem pro meu lado, ainda assim eu insisto em repetir o erro. Depois, te ter por perto é algo que me faz bem. Gosto de poder conviver com você; te ter do jeito que posso. A possibilidade de perder isso, caso confesse meu interesse, me angustia.

Ainda assim, uma parte de mim quer acreditar que dessa vez é diferente. A coitada não vai aprender nunca. Então, todos os dias, ela acorda otimista, tendo a certeza de que vai ter coragem suficiente para passar por cima das minhas inseguranças e te chamar para conversar. É claro que eu nunca deixei que ela se manifestasse. Abafo toda a coragem dessa doida dentro do peito e me contento em assistir à nossa história juntos, nessa realidade paralela, toda noite com a cabeça no travesseiro.

 

Bruna Paiva

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Uma playlist bem GIRL POWER para você se sentir maravilhosa

 

Imagem: Pixabay

Outro dia eu, em plena TPM, estava me sentindo meio mal e resolvi apelar para um dos melhores remédios do universo: música. Mas eu não queria ouvir qualquer coisa, precisava de algo que me jogasse pra cima sem diminuir ninguém. A maior parte das listas que eu achei tinham músicas ótimas, mas muitas, apesar de serem cantadas por mulheres sensacionais, falavam sobre homens; e não era aquilo que eu queria no momento.

Como não encontrei bem o que estava procurando, resolvi montar eu mesma uma playlist que me agradasse. Acabei fazendo uma lista de músicas empoderadoras cantadas por mulheres; de preferência falando sobre como nós somos incríveis, e não sobre homens que nós não queremos mais.

Eu amei o resultado e tenho escutado tanto essa playlist que resolvi compartilhar com vocês. A Playlist é pública no Spotify, e eu também criei uma lista de reprodução no Youtube para vocês terem as duas opções. Espero que gostem e se sintam incríveis escutando!

Clique aqui para entrar na Playlist pelo Spotify!

Youtube:

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

O meu silêncio

 

O meu silêncio é grito

O meu silêncio é dor

O meu silêncio é saudade

É sufoco, desespero e impotência

 

O meu silêncio é duro

Breathetaken

Meu silêncio é monólogo

É cada discussão contornada

 

Tudo o que eu queria dizer e

não disse

 

Me silêncio é pesado

É papel de repente manchado.

De tinta

E lágrima

 

O meu silêncio é protesto

infinito preso na garganta

Agonia que afunda no estômago

 

É estaca que entra devagar

E se enterra cravada na alma

 

É ar que entra

E não satisfaz

 

É vida sugada

Energia não gasta

O meu silêncio é tromba d’água camuflada em calmaria

 

O meu silêncio é pedido de socorro

E eu venho berrando há muito tempo.

 

Bruna Paiva

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

7 Blogs e Canais incríveis para quem sonha em fazer intercâmbio

Você tem o sonho de passar uma temporada em outro país estudando ou trabalhando? Eu também tenho muita vontade de fazer um intercâmbio. Mas nem sempre a gente tem o tipo de informação que precisa para conseguir realmente tirar essa ideia da cabeça e concretizar o sonho. E, acreditem, informação é a chave para você encontrar exatamente o que procura e ainda gastar pouco. Você sabia que é possível conseguir o intercâmbio dos seus sonhos praticamente de graça? Basta correr atrás e fazer sua pesquisa nos lugares certos.

Porém, são poucos os espaços na internet que trazem tanta informação. Por isso, resolvi compartilhar com vocês os blogs e canais no Youtube que eu acompanho sobre o assunto e que são fundamentais se você, como eu, também sonha em fazer um intercâmbio!

 

O Partiu Intercâmbio é um site incrível e muito completo. Se você tem alguma dúvida sobre modalidades de intercâmbio, como conseguir bolsas, como funciona tudo isso, para onde ir de acordo com os seus interesses… Acredite, você precisa conhecer o PI. O que eu acho mais sensacional no site é que eles têm um mecanismo que te permite encontrar bolsas de estudos que estão sendo oferecidas no momento com todas as informações importantes.

 

O Gerson Saldanha ganhou um concurso para estudar em Seatle e, quando voltou pro Brasil, resolveu começar a divulgar intercâmbios gratuitos para os jovens. O canal é incrível e traz muitas dicas boas, além de explicar de um jeito muito dinâmico e divertido o que você precisa para cada tipo de intercâmbio. Ele coloca experiências dele nos vídeos também, o que deixa tudo muito mais pessoal.

 

  • Estudar Fora

O Estudar Fora é uma iniciativa da Fundação Estudar. O site deles é no mesmo estilo do Partiu Intercâmbio, bastante completo com todas as informações que você nem imagina que precisa. Mas o canal no Youtube deles é bem mais ativo que o do PI e eu confesso que gosto mais também. Todo mês eles fazem um compilado das bolsas de estudo que estão prestes a encerrar e sempre trazem novidades e dicas diferentes para públicos muito diversos.


Já sabe o que quer?

Uma vez que você já decidiu o que quer fazer e para onde quer ir, é interessante também procurar outros canais que, apesar de não serem especializados em intercâmbios como esses que eu citei, têm muita informação que pode lhe ser útil.

Estou falando dos diários de intercambistas por aí. Muita gente resolve registrar a experiência e dividir dicas sobre a modalidade de intercâmbio e o lugar para onde foram. Esses relatos podem ser fundamentais para você saber o que fazer em certas situações. Separei alguns diários de intercâmbio que eu acompanhei só para vocês terem uma ideia.

 

  • O intercâmbio na Disney do Igor Saringer

O Igor foi trabalhar na Disney pelo programa ICP, em que universitários de todo o mundo podem se candidatar para passar uma temporada trabalhando e morando na Disney. O mais legal desse intercâmbio é que, por ser remunerado, ele praticamente se paga.

  • O intercâmbio na Alemanha do Ícaro Molinari

O Ícaro foi fazer um intercâmbio de um ano na Alemanha e, em seus vídeos, ele explica bastante como é a vida por lá e mostra vários costumes alemães bem diferentes dos nossos. Além de dar algumas dicas sobre como conseguir o mesmo tipo de programa que ele.

 

  • O intercâmbio no Canadá da Gabbie Fadel

Esse é o mais antigo da lista. A Gabbie foi pro Canadá em 2012, mas foi um diário muito importante para mim já que foi o primeiro que eu acompanhei e o que me despertou essa vontade de estudar fora também. Ela foi fazer um curso de idiomas no Canadá e ficou numa Hostfamily. É bem bacana acompanhar a experiência da Gabbie durante os meses que ela passou por lá.

 

  • O intercâmbio na Broadway da Gabriella Adami

A Gabriela Adami é uma amiga que se formou na escola de dança alguns anos antes de mim. Ela está voltando (agora em setembro) de um intercâmbio nos estúdios de dança da Broadway, em Nova York. Ela registrou tudo num diário super legal e deu várias dicas para quem quer fazer o mesmo tipo de intercâmbio que ela ou outros!

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Onde o feminismo se aplica na sua vida?

Imagem: Pixabay

Dia desses ouvi um estranho na rua discursando sobre como o feminismo é desnecessário, radical e só quer fazer com que mulheres tenham mais direitos que homens. Eu não me meti na conversa em parte porque não tinha energia para aquilo no momento, parte pela boa educação que meus pais me deram. Acontece, que o que aquele estranho não sabia era que logo ao seu lado, havia alguém se sentindo poderosamente feminista naquele dia.

O feminismo está na luta, na militância? Está, sim. E ainda bem que existem mulheres incríveis dispostas a dar a cara a tapa por todas as outras. Mas o feminismo também está presente em coisas pequenas, do dia a dia.

Naquela tarde, eu vesti a roupa que eu quis, me arrumei toda, olhei no espelho e pensei “meu Deus, que mulherão da porra”. Depois eu saí, sozinha, com o meu dinheiro, encontrei com uma amiga e me diverti a tarde inteira sem dar satisfação para ninguém. Fizemos o que tivemos vontade e depois voltamos para casa. Coisa boba, nada demais, mas eu voltei no metrô (o mesmo em que encontrei o distinto senhor do início do texto) me sentindo incrivelmente livre e feliz.

E o feminismo está aí, em me olhar no espelho, vestindo a roupa que eu gosto, achar ótimo e sair sem dar atenção para o que qualquer um acha do jeito que me visto. No prazer de ter o meu próprio dinheiro e fazer dele o que eu bem entendo. Na segurança em afirmar que um relacionamento, hoje, está longe de ser prioridade na minha vida. O feminismo está nos planos e objetivos que eu traço para mim. No entendimento de que eu sou a pessoa mais importante da minha vida, mesmo. No fato de que agora eu estou postando esse texto e falando sobre esse assunto num espaço que é meu e ninguém tem nada com isso.

O feminismo está na liberdade. Em, finalmente, poder afirmar sem medo que sou apaixonada por mim. Em ponderar as situações e tomar, eu mesma, as decisões importantes da minha vida. O feminismo está na minha avó, que vai me matar quando ler isso, mas, sem tomar consciência, é um dos maiores exemplos feministas da minha vida. Uma mulher que criou três filhos sozinha, que apanhou muito da vida e que hoje, aos 71 anos, é livre, ativa e faz de si o que bem entende.

O feminismo é fundamental e nos permite tomar as rédeas de nossas próprias vidas. Nos faz entender que somos capazes de qualquer coisa. Nos permite acreditar em nós mesmas. E talvez isso incomode; mulheres se unindo, se espelhando umas nas outras para chegarem aonde tiverem vontade. E justamente porque ainda incomoda é que precisamos mais dele. Por causa do feminismo, hoje, eu sei exatamente o que quero da minha vida e luto por isso. Porque eu sei que posso e consigo.

Bruna Paiva

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Loco Love: Uma tragédia Shakespeariana em pleno Arizona

 

Sabe quando você começa a assistir a um filme sem esperar muita coisa e acaba se surpreendendo? Foi exatamente o que aconteceu comigo quando assisti a Loco Love, recém adicionado ao catálogo da Netflix. Eu só queria assistir a alguma coisa aleatória enquanto fazia a unha. Mas acabei gostando do que via.

Um romance bem ao estilo Romeu e Julieta é a principal trama do filme. Gavin é o típico adolescente americano de classe média alta. Marisol também é americana, mas vem de família mexicana e vive na comunidade latina. O problema é que existe um impasse entre latinos e americanos no Arizona já que, devido à imigração ilegal, a mão de obra latina é mais barata e isso acaba gerando desemprego entre os americanos.

O filme traz uma importante reflexão sobre preconceito e intolerância. O pai de Gavin é radicalmente contra a entrada de latinos no país e chega a se filiar a um grupo clandestino de extermínio aos imigrantes ilegais. Ele odeia latinos antes do primeiro “olá”.  Parte da comunidade de Marisol também não suporta americanos. A discriminação vem de ambos os lados e isso fica claro desde o início da história.

Por mais estranho que isso soe, o que eu achei mais interessante no filme é que (SPOILER!) ele não tem um final feliz. É trágico. E expõe sem o menor pudor quais são as reais consequências de intolerância e “justiça” com as próprias mãos. Ninguém acaba bem na história. Disseminar ódio em vez de tentar encontrar soluções para o problema é justamente o que destrói as pessoas.

Apesar de ser um filme mexicano independente e sem muita divulgação, Loco Love toca em questões extremamente importantes e fundamentais para discutirmos a situação tenebrosa em que se encontra o mundo justamente por preconceito e fundamentalismo. A situação México X EUA é reproduzida em diversos países da Europa e, recentemente, num caso registrado em Copacabana. Além, é claro, das últimas manifestações assustadoramente nazistas nos Estados Unidos.

O preconceito, xenofobia e intolerância são problemas reais e que precisam ser, cada vez mais, discutidos e levados a sério. Loco Love faz isso e faz questão de expor o problema sem frescura. Ele grita “estão vendo a que leva tanto esforço para discriminar as pessoas? É a isso que leva: Morte, tristeza e sofrimento.”

Bruna Paiva

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Teresa, Maria e Lili

Teresa:

João está ao meu lado, mas eu mal me dou conta de seu corpo sentado aqui. Minha mente passeia por Raimundo. Por seu jeito criativo e maneira descontraída de falar enquanto passa a mão nos cabelos. Por seu sorriso despreocupado e sempre acompanhado dos olhos castanhos que tanto me fascinam. Estes, porém, nunca voltados para mim. Seu coração é de Maria, que ignora a sorte que tem.

Maria:

Sento-me e afundo as mãos na areia gelada. Quase em transe, observo a dança das ondas que chegam a acariciar meus pés descalços, mas são sempre puxadas de volta ao imenso mar que tem a sorte de possuí-las. Meus olhos embaçam enquanto penso em Joaquim. O único homem que amarei em toda a vida.  O único que nunca terei.

Lili:

Lá vem Joaquim novamente com sua ladainha de te amo e te amo. Não entendo a procedência de tanto amor se nunca trocamos meia dúzia de palavras. Nem por que continua a insistir mesmo sabendo que não o correspondo. Por que não segue em frente? Qual a dificuldade em superar a paixonite e me deixar viver em paz?

Teresa:

Deus, o que faço se não puder ter Raimundo? Não imagino que possa amar a outro como a ele amo. Como tomar coragem de contar tudo sobre meu amor? Vejo João aqui a meu lado e lembro que os dois são amigos. Me pergunto se ele não ajudaria a deixar Raimundo saber do sentimento que carrego.

Maria:

A brisa faz meus cabelos voarem e percebo os olhares do surfista que passa por mim. Sei que posso tê-lo em questão de segundos, assim como a maioria dos homens por aqui. Mas nenhum deles me seria suficiente. Seguiria sentindo-me fraca, vazia e incompleta. Por mais que tenha quase tudo o que desejo nessa vida, minha maior necessidade nunca estará a meu alcance.

Lili:

Como alguém consegue ter tamanho desprendimento de si mesmo? Mais amor próprio, querido! Nunca deixaria meus estudos para me relacionar com alguém tão dependente. Sei que acabaria entediada com tamanha melancolia e sem tempo para me dedicar ao que realmente interessa.

Teresa:

João não quis ajudar. E ainda foi ríspido, mostrou-se quase ofendido com minha proposta. Logo ele que desde a escola sempre me foi simpático. Bradou que Raimundo nunca se interessaria por uma carola como eu. E que eu não deveria me insinuar para alguém que vive a se declarar por outra pessoa. Talvez ele tenha razão. Talvez a melhor saída seja mesmo canalizar meu amor a outra finalidade.

Maria:

Se ao menos conseguisse transferir meu amor a Raimundo. Aquele que sei que me adora e deseja como o mar a cada uma de suas ondas… Mas meu coração não permite que me livre de Joaquim. Mesmo que em mim nada lhe interesse mais que em Lili. Por mais que machuque, meu sentimento insiste em ser dele. E só dele por toda a vida.

Lili:

Daqui a um mês, enfim me livrarei das perturbações de Joaquim. Finalmente consegui aprovação para o intercâmbio com que tanto sonhei. Vou morar na Itália e estudar gastronomia. Ainda não consigo acreditar que J. Pinto Fernandes, um dos maiores chefs da atualidade, será meu professor! Não poderia estar mais realizada.

 

Bruna Paiva

 

* Texto inspirado no poema Os três mal-amados, de João Cabral de Melo Neto, que por sua vez foi inspirado em Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade.

** Exercício proposto pela professora Júlia Studart na disciplina Oficina de Produção de Texto, no Curso de Letras da UNIRIO, 2017.1.

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE