“De volta ao Carnaval”: meu novo conto no Wattpad!

 

Olá, pessoal!

Hoje eu vim aqui trazer uma novidade deliciosa para vocês!

O conto de carnaval que eu coloquei no Wattpad em 2018 foi um sucesso! Vocês adoraram a história de Aline e Diego e pediram muito uma continuação. Pediram tanto que eu resolvi atender. É isso mesmo! Vou lançar um spin off de “Enquanto o Carnaval Durar”!

“De volta ao Carnaval” vai trazer, dessa vez, a história de Yara e Bruno, amigos de Aline e Diego que também se conheceram naquele carnaval. No início, bem diferente de Aline e Diego, Bruno e Yara se relacionaram sem a menor enrolação. Mas depois, apesar de seus melhores amigos terem assumido um namoro, Yara e Bruno não souberam lidar com os próprios sentimentos. Os joguinhos de desinteresse acabaram afastando o casal, que nunca conversou sobre o que aconteceu.

Um ano depois, o carnaval está de volta e a tensão entre os dois é visível. A amizade de Yara e Aline vai ser fundamental para que os dois se reaproximem. Em meio a muita festa, fantasia e caos pelas ruas do Rio de Janeiro, Yara e Bruno vão precisar lidar com todo o sentimento que ainda têm um pelo outro, apesar do orgulho.

A história de Yara e Bruno será postada em 7 capítulos, todos os dias, entre 7 e 13 de fevereiro!

Para não perder nenhum capítulo, clique aqui para adicionar “De Volta ao Carnaval” à sua biblioteca do Wattpad, e fique atento aos avisos aqui no blog e nas minhas redes sociais! Vou avisar toda vez que o capítulo novo sair!

Segue lá para não perder nadinha:

Wattpad: @Bruna-Paiva

Instagram: @brunapaivac ou @ademaisblog

Twitter: @brupaivac

Facebook: Adolescente Demais

E, claro, enquanto “De volta ao Carnaval” não começa, corram lá no Wattpad para reler, ou conhecer, “Enquanto o Carnaval Durar” também!

Beijos e espero vocês!

Bruna Paiva

 

 

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Ensaio sobre a cegueira, um livro sobre a vida…

Imagine um mundo de cegos. Um mundo em que ninguém enxerga absolutamente nada além de uma brancura leitosa e impenetrável. É exatamente esse o cenário com o qual nos deparamos no livro “Ensaio sobre a cegueira”, do português José Saramago.

Na ficção criada por Saramago, uma epidemia de cegueira assola uma cidade e se espalha de maneira avassaladora. O cenário criado pelo autor é explorado de maneira primorosa para metaforizar as mazelas humanas e as questões mais profundas da vida humana.

Após serem completamente abandonados pelo governo, os cegos nos servem de laboratório para pensar nos instintos e no egoísmo humano. Na situação extrema criada por Saramago, cada mínimo conflito é potencializado. “Ensaio sobre a cegueira” é um livro extremamente metafórico e atual. Falando sobre desigualdade social, sede de poder e animalização do ser humano, o livro se aproxima de uma distopia.

Eu já tinha tentado ler esse livro de José Saramago quando mais nova, mas a linguagem experimental do autor foi uma barreira para mim. Dessa vez, aproveitei a oportunidade de um trabalho da faculdade para retomar essa leitura. E foi uma experiência incrível. Me envolvi demais com o livro e com certeza foi um dos melhores que li esse ano e, quiçá, na vida!

Os pontos que mais me chamaram atenção foram a questão feminista e a questão da revolta dos oprimidos, duas coisas muito presentes no livro e que, de certa forma, se complementam ao longo da história. A figura mais importante do livro é uma mulher, a única que enxerga, a única que pode de fato ajudar a alguém. Ela tem um papel importantíssimo nessa revolta contra aqueles que se aproveitam da situação para exercer um poder descabido. Ela une as mulheres, numa luta necessária para que elas mantenham seus direitos dentro do caos em que são largadas. Ainda assim, sua identidade é anulada.

Nenhum dos personagens têm nome próprio. Todos são identificados por características, físicas, profissionais, ou da procedência de sua cegueira. A mulher mais importante do livro  é apenas “a mulher do médico”, anulada de qualquer característica pessoal além dessa. Há de se admitir que, proposital ou não, é no mínimo controverso e muito representativo para toda a alegoria feminista presente na história.

O livro é maravilhoso, provoca reflexões importantíssimas e, apesar de ter sido escrito em 1995 por um autor português, conversa (e muito!) com o período atual aqui do Brasil. Eu amei e agora pretendo conhecer mais coisas do mesmo autor.

 

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Intimidade

Falar do dia de ontem

Escovando os dentes à beira da janela

Abraço disponível

a compartilhar um silêncio que não constrange

Mas alenta

Conforta

O olhar que se prende no do outro

Sem fugas ansiosas

E enxerga além do que quer ver

Que conecta

E entende de fato

Silêncio que não constrange

Mas acalenta num abraço quente de dois universos que se compartilham.

 

 

Bruna Paiva

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Eu estarei na Bienal!

 

Olá, pessoal!

Quem me acompanha nas redes sociais já sabe que, sim (!), eu vou estar na Bienal do Rio como autora esse ano. Essa é uma conquista incrível que vai ser a realização de um sonho e eu quero ver todo mundo lá!

Vamos às datas:

  • “Um Diário Para Alice” estará a venda durante todos os dias da Bienal, no estande da Coesão Independente (N110), no PAVILHÃO VERDE.
  •  Meu horário oficial de autógrafos é no dia 01/09, domingo, das 16h30 às 18h, no estande da Coesão Independente (N110), no PAVILHÃO VERDE.

Porém, estarei pela feira nos dias 31/08, 01/09 e 07/09.

Então, se você quiser me encontrar pra ganhar um abraço e um autógrafo, mas não puder naquele dia e horário, é só me procurar nesses outros dias (pode mandar mensagem nas redes sociais que a gente se encontra!).

E é claro que vai ter cobertura de tudo que eu encontrar por lá no Instagram do blog e no meu pessoal! No fim da feira, eu faço um post sobre tudo o que  aconteceu por lá!

 

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À moda brasileira

Você já se submeteu a tortura, digo, depilação íntima? Não me refiro a qualquer um dos métodos existentes para este fim, mas especificamente aquele que, inclusive, ao redor do mundo, é conhecido como “à moda brasileira” e utiliza a famosa cera quente como meio para se chegar ao fim desejado. 

Comecei a me depilar com cera quente aos 16 anos depois de muito minha mãe perguntar se eu tinha certeza daquela decisão. Ela nunca havia se submetido a tal procedimento, mas me acompanhou na primeira vez. Você pode dizer que eu era muito nova e que só estava cedendo aos padrões machistas da sociedade. E, provavelmente, era exatamente isso que eu estava fazendo, mas acabei me adaptando a essa rotina e sigo com ela até hoje.  

 Se você tem o costume de se depilar assim, sabe que existem dois tipos de estabelecimentos mais convencionais para o feito, os salões com esteticistas de bairro e as grandes franquias de empresas especializadas. Geralmente, a primeira opção é um pouco mais barata que a segunda, mas a faixa de preço varia muito de acordo com a profissional. A questão é que, de fato, são experiências bem distintas (que nem sempre justificam as diferenças de preço). 

Nas grandes franquias, o atendimento é muito mais frio e impessoal, o que pode ser extremamente constrangedor e desconfortável se levarmos em conta que, bom, a profissional não te olha nos olhos, mas tem livre acesso a uma parte de seu corpo cuja visitação é bastante restrita. Você chega, diz o que quer (de acordo com a tabela do lugar que nem sempre corresponde à forma como você conhece a parte do corpo que quer depilar), e recebe o kit de produtos descartáveis que talvez seja a melhor coisa dessas franquias, já que a esteticista abre o pacote com os instrumentos na sua frente e joga tudo no lixo assim que acaba o atendimento, você tem certeza da higiene do que é usado em você. Mas a parte boa para por aí.

 A sessão de tortura nesses lugares é muito mais desesperadora. As esteticistas provavelmente ganham pelo número de clientes que atendem e, seguindo a lógica capitalista, precisam te atender rápido para passarem para a próxima cliente e, assim, garantir uma média diária que compense no salário. Entretanto, essa lógica que já não é boa em outros contextos se torna ainda mais maquiavélica numa sala de depilação. Você é deixada na salinha para tirar a roupa e se preparar (psicologicamente) para a sessão. O tempo que a depiladora demora a voltar se justifica porque ela precisa descer uma escadinha até o inferno, onde fica a panela com a cera derretida. 

Quando ela finalmente chega, raramente se apresenta, apenas confirma o serviço a ser realizado e então começa. Ela liga um pequeno ventilador, virado para você, e, sem o menor aviso prévio, começa a te melar com a cera advinda das profundezas da casa de Satã. Quando a pele começa a se acostumar com a temperatura, graças ao bendito ventilador, ela, mais uma vez, com todo o ódio de seu coração, puxa aquela cera endurecida arrancando, junto com os pelos, uma parte de sua alma. 

 Não satisfeita, ela volta com a espátula cheia de cera para o mesmo lugar que acabou de ser maltratado. A cera, que já parecia baba do demônio, agora parece veneno escorrido das presas de um capiroto faminto. A sua pele reclama, você tenta respirar, mas antes que o ar seja completamente expulso dos pulmões, mais um pedaço de sua alma é arrancado, sem piedade. 

Nos salões de bairro, o atendimento é um pouco mais personalizado. Você marca horário pelo Whatsapp, a depiladora te conhece, nem que seja de vista. A cera, normalmente, é menos quente, apesar de o sofrimento ser bem parecido. Mas não se engane, a experiência pode ser tão bizarra quanto a das franquias, ou mais. Uma vez me depilei com a neta, de quatro anos, da esteticista assistindo galinha pintadinha e correndo dentro da saleta minúscula. Enquanto eu sofria, Mariana contava três, Mariana contava três, é um, é dois, é três! Desesperador.

A parte de se vestir, ao final da sessão de tortura, é a mais triste, pois qualquer que seja o estabelecimento, tenha você tirado a calcinha antes do procedimento ou amarrado a dita cuja com fita, é terrível lidar com o tecido tocando a pele recém torturada, digo, depilada. Tirar essa calcinha, ao chegar em casa, traz uma espécie de desespero, já que sempre vai haver alguma sobra de cera que grudou sua pele no tecido. O banho quente e repouso são a merecida recompensa. Mostrar o feito para o boy (ou girl) no mesmo dia, só se for que nem a Kelly Key “só olhar, baba, baby”.  

 

A realidade é que, a cada vez que me deito naquela maca, passo pelo mesmo processo de autorreflexão: me pergunto por que é que sigo me submetendo a tamanho sofrimento depois de tanto tempo e, em meio à vontade de chorar, me prometo que nunca mais passarei por isso. Mas sabe aquela coisa de que a mulher esquece das dores do parto antes de ter o segundo filho? Nunca pari, mas tenho certeza de que algo parecido acontece em relação à depilação. A verdade é que eu odeio pelos, o sonho da minha vida é a tal da depilação à laser que custa um rim inteiro. Seja lá onde estiverem, os pelos me incomodam e me estressam tanto que, ao início de cada mês mês, volto eu para aquela sala de tortura, descumprindo a promessa do mês anterior para logo sair linda e bela, refazendo a mesma promessa falsa de sempre.    

 

Bruna Paiva

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O monstro

Eu tenho um monstro que vive comigo. Um monstro enorme que nunca me deixa. Me segue a cada passo que eu dou. Dorme comigo, come comigo, brinca comigo. Ele vai comigo à escola, ao parquinho, à casa da vovó e até à natação, embora seja difícil flutuar na água. Às vezes fica pesado demais já que ele monta em cima de mim e eu sou obrigado a carregar o peso de nós dois juntos. 

Mamãe e papai dizem que o monstro é meu amigo imaginário e sempre perguntam pelo nome dele. Eu digo que não sei. Ele nunca me disse. Mas acho difícil que ele seja meu amigo. Amigos têm brincadeiras e conversas divertidas, mas as do monstro me deixam tão triste… Porque ele sempre parece estar certo. 

 Um dia, meu monstro me disse que eu nunca ia conseguir nadar bem como o Arthur. E, no fundo, eu sei que é verdade. Eu sou muito magrelo e o Arthur sempre nada mais rápido. O monstro também me mostrou que a Verinha não gosta de mim. Ela só brincava comigo porque a mãe dela era amiga da minha. E, depois que ele me contou, ofereci um biscoito pra ela e ela realmente não quis. Desde então parei de brincar com a Verinha. Ela deve estar bem mais feliz agora que não precisa fingir que gosta de brincar com  um pateta como eu.

Um dia, no parque, me perdi da mamãe, enquanto andava de bicicleta. Procurei por ela por muito tempo, e já estava muito nervoso quando o monstro me contou que achava que ela tinha feito de propósito. Que às vezes percebia que eu atrapalhava muito a mamãe, com toda a bagunça que fazia em casa e por isso ela tinha decidido me abandonar. Quando achei a mamãe, ela estava chorando e o monstro disse que era porque ela não queria que eu voltasse a fazer bagunça na casa. Depois daquele dia eu parei de espalhar meus brinquedos e prefiro ficar quietinho no meu quarto. 

Mamãe às vezes me pergunta se eu não quero chamar meus amigos para brincar. Mas o monstro sempre fala que eles não sentem minha falta e que eu sempre vou sobrar nas brincadeiras porque eles preferem brincar sem mim. Eles já brincavam sem mim antes de eu chegar nessa escola. Então, só passaram a brincar comigo por educação. Prefiro não atrapalhar a brincadeira deles. Levo o celular que o papai me deu para o recreio e brinco com vários joguinhos. 

Outro dia o João Pedro me chamou para jogar bola com ele e o Bernardo. Eu até gosto de jogar bola. Mas tenho andado tão cansado de carregar o monstro… O monstro diz que eu só tenho a ele. Mas às vezes eu sinto que ele pega pra ele toda a minha energia. 

Eu não gosto do monstro. Mas também não sei como mandar ele embora. Sempre que eu tento ignorá-lo, ele grita mais alto, ele mostra que sempre tem razão e que ninguém além dele está comigo, que se com ele eu já sou ruim, sem ele, pior ainda. 

Desde que ele chegou, e eu não lembro quando foi, tudo começou a ficar esquisito. Todas as coisas que eu gostava de fazer ficaram difíceis e penosas. Todas as pessoas que eu amava ter por perto passaram a parecer incomodadas com a minha presença. E até eu passei a me sentir esquisito, pesado, feio e incapaz de tudo. 

Às vezes eu só queria que o monstro fosse embora da mesma forma que chegou, sem que eu percebesse. Mas, quanto mais eu penso nisso, mais ele se afunda em  mim. O monstro diz que agora somos um só. Eu sinto saudade de quando eu era só eu. 

 

Bruna Paiva

 

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Meta sua colher

 

“Em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. Eu tinha uns oito anos, ou menos, quando ouvi essa frase pela primeira vez. Os vizinhos gritavam desesperados, e os barulhos de vidro se quebrando denunciavam que a louça da casa não sobreviveria àquela briga. 

A curiosidade infantil colou nossos ouvidos à parede. As mães se apressaram para recolher suas crianças e, em segundos, a rua estava vazia. Num horário em que o comum era o ruído dos chinelo batendo no chão, e a gritaria do pique-esconde, a única coisa que se ouvia eram os berros na casa ao lado da minha, e no fundo um choro de criança.

“Não é melhor chamar a polícia?”, alguém chegou a perguntar antes da fatídica frase ser dita e cada um entrar de volta para sua bolha existencial. Até hoje, eu não sei o que aconteceu com aquele casal. Nunca mais vi, nunca mais ouvi. Mais de dez anos depois, eu revisito essa memória e me sinto angustiada. Qual era o motivo da briga? Será que ele machucou ela? Será que ela machucou ele? E a criança? 

“Casais brigam, isso é normal”, pode ser que você pense. Mas aquilo não era normal. Não foi uma discussão rotineira de um casal desgastado. Eram berros, vidro sendo estilhaçado, desespero, e em algum momento até pedidos de socorro. E ninguém fez nada. Naquela noite, entramos para jantar mais cedo. 

Entendo que as mães, inclusive a minha, agiram por instinto de proteção e medo. A coisa estava descontrolada. Não era bom ter as crianças na rua. Mas daí a ignorar completamente a realidade caótica ao lado, eu me pergunto, não era um exemplo egoísta a se dar para as crianças? Qual terá sido o desfecho da briga? E não seria diferente caso os vizinhos tivessem intervindo? 

Naquele dia eu e minhas amigas aprendemos um discurso, que eu só passei a questionar depois de uma década! Ali aprendemos a fingir que não vemos, a virar para o outro lado, a nem questionar determinadas situações. E numa ânsia de proteção, acabamos sendo ensinadas a acatar, a acreditar naquele discurso e, o pior, reproduzi-lo… 

Já ouvi dizer que, se uma mulher precisa de ajuda na rua, é melhor gritar “fogo”, já que “socorro” ninguém atende, principalmente se a briga for com o cônjuge. A nossa sociedade é tão doente assim? Não se mete a colher? Que ideia louca é essa de não poder prestar socorro a quem precisa, ou pior, a quem implora por ele? Pois meta, sim, sua colher. Porque a falta dela pode ajudar a tirar a vida de alguém. 

Eu queria ter um desfecho para a história dos meus vizinhos. Mas acho que a questão está justamente em não saber o que se deu. Em perceber a força das coisas que a gente cresce escutando e quando vira adulto tem a chance de repensar. E, principalmente, esperar que o incômodo gerado por essa lembrança se reflita numa postura diferente da que me foi ensinada. 

Bruna Paiva

 

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Era isso, então?

 

A mente anestesiada 

não se ocupa além da tormenta. 

Dor demais não dá poema.

Era isso então?

Trago fundo toda a passividade 

do que não virou palavra

porque não se tem tempo pra isso.

Sou mulher e

Talvez adolescências já não caibam.

Cabeça atormentada

O rosto indiferente

Vivendo por inércia sem espaço para ser. 

 

Bruna Paiva

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Cinematógrafo

As letras no livro em minhas mãos desfocam até virarem um borrão dentro das margens. É a terceira vez que tento ler esse parágrafo e, novamente, as palavras perfiladas não me dizem nada. Minha mente vagueia por outros assuntos. A imagem que eu nunca vi se instala no meu cinematógrafo interno.

Crio, recrio, rememoro, regurgito e a ânsia de vômito me sobe até a garganta enquanto seu corpo é tocado por ela. As cenas mais diversas vêm e vão, e ao mesmo tempo em que alimento cada uma delas, eu só queria esfregar meu cérebro com água sanitária, como um assassino faz com o chão sujo de sangue.

Imagino sua boca, escorregando pelas curvas dela como faz com as minhas. As mãos quentes sendo usadas para arrepiar a pele que não me pertence. A intimidade, o carinho, o desejo. Te imagino deitado puxando o corpo dela para perto. Enfiando sua mão pelos cabelos dela e brincando distraído. Será que olharia para ela do mesmo jeito que olha pra mim?

Que sentido faz esse tipo de questionamento? É certo que nenhum. Da mesma forma que criar essa realidade na cabeça só serve para me desestabilizar. Ainda assim, é inevitável imaginar que no passado você foi dela.Porque de fato o foi.

Tento retornar para a história que alguém escreveu e agora se encontra em minhas mãos. Mas a que eu crio sobre vocês, na cabeça, é daquelas que aprisiona o espectador. É como me sinto, obcecada por uma versão sua que desconheço, mas invento. Uma versão sobre a qual não tenho o menor controle, apesar de minha criação.

Aperto os olhos com força e, apesar de saber exatamente por que esses devaneios apareceram, percebo, enquanto uma lágrima escorre, que não será tão fácil me livrar deles.

 

Bruna Paiva

 

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Sol

Esbarro nos teus olhos, sem querer.
Esse reduto de hipnose que me arranca do tempo presente.
Viajo para a sua dimensão, onde você faz de mim o Sol.
Da sua e da minha vida.
Não é injusto?
Doar-se para alguém que te ilumina somente sob a condição de que lhe gire ao entorno?
Caso se esgotem as rotações,
você desmonta.
Mas eu…
Eu continuo brilhando.

Bruna Paiva

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