Ele não existe de verdade

Imagem: Reprodução

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Pode parecer doentio e solitário. Quem nunca o foi? Sei que é estranho para quem olha de fora. E que nunca vou deixar de ouvir “mas ele nem sequer existe de verdade”. Esse é um daqueles sentimentos que só entende quem já teve. É preciso passar pela experiência de se apegar a um personagem para compreender.

Quando você começa um livro, série, filme, ou qualquer outro tipo de estória, não tem ideia do que te espera. Algumas são boas outras não. E tem aquelas que te conquistam por quem faz parte dela.  Nessas, devagar, sem que você perceba de cara, os personagens passam a fazer parte da sua vida.

Você ama estar com eles, torcer, ouvir o que eles têm para contar. Sempre há aquele por quem você daria tudo para que saísse do plano da ficção e pudesse ser seu amigo. De certa forma, é isso que eles se tornam. Amigos por quem você zela e tem um carinho especial. Com quem você gosta de estar e quer por perto a todo o momento.

Não tem essa de “ele nem sequer existe de verdade”. Naquela estória ele é mais do que real. E, mesmo que do outro lado da tela, ou da página, faz parte da sua vida. Confia em você para contar como se sente e está sempre lá quando você precisa esquecer seus problemas.

Sempre me apeguei a personagens e estórias. E, confesso, por vezes, prefiro eles à “vida real”.  Acontece que, aquelas pessoas por quem você desenvolveu um carinho enorme, com quem você aprendeu a conviver e que você ama ter por perto, elas já têm seus destinos traçados. O máximo que você pode fazer é ser mero espectador.

Quando um personagem querido morre, acredite, dói como perder um amigo próximo. Alguém que você amava e que agora se foi. Você sofre, chora e o luto é tão real quanto qualquer outro. A diferença é que ninguém respeita, afinal, era só um personagem. Mas você sabe o quanto aquele “só um personagem” vai fazer falta. Você não tem a oportunidade de dizer adeus para aquele amigo a quem acompanhou até o fim. A dor é grande porque a única coisa a fazer é aceitar o ocorrido e continuar a estória ainda com lágrimas nos olhos.

Se você nunca passou por isso, pode estar achando tudo uma grande baboseira. Mas experimente conhecer alguém como Sammy, Fred, Alasca, Sirius, Finnick, Dora, Krystal, Lexie, George, Lupin, Mark, Dobby e tantos outros. Existem milhares de personagens que te darão angustia e de deixarão de ressaca literária, depressão-pós-fim, chame como quiser.

Dê uma chance de se jogar de cabeça numa estória que te cative. Apaixone-se, identifique-se. Depois, volte aqui e releia esse texto. Te garanto que você vai entender o sentimento que me fez ir dormir chorando e acordar ainda para baixo, precisando botar para fora a angústia de dentro do peito.

Bruna Paiva

 

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