Meu primeiro prêmio literário!

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Com o meu pai no STRIX

Ainda não tenho ideia de como descrever o que estou sentindo. No fundo, fiquei tão chocada que até as palavras, que costumam ser minhas amigas, fugiram.

Já contei aqui no blog como foi difícil fazer minha estreia no terror, na antologia King Edgar Hotel pela Editora Andross. Alguns dias depois do lançamento do livro, no evento Livros Em Pauta, tive a grande surpresa de ser indicada à premiação de melhor conto da coletânea junto a outros quatro colegas. Meu pai, participando de outra antologia, também foi indicado.

Os premiados do STRIX

Os premiados do STRIX

No último sábado(04-07), novamente botamos o carro na estrada rumo a São Paulo para assistir à premiação do STRIX. Estar no evento como uma das finalistas já foi fantástico. Me senti realmente no Oscar, com direito a tapete vermelho e tudo. Entre os anúncios de vencedor em cada antologia, era cantada uma música relacionada ao tema. A cantora do evento foi a Paola Giometti, organizadora da antologia Sede, que me surpreendeu com a linda voz.

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Com o Alfer Medeiros, um dos organizadores do King Edgar Hotel

O Strix teve uma estrutura incrível. Além da música ao vivo e do tapete vermelho, teve cobertura ao vivo na internet. E o telão mostrava a foto de cada candidato enquanto o organizador resumia o conto.

Mas, quando o Alfer Medeiros leu meu nome no envelope vencedor, minhas pernas bambearam. Tive certeza de que repetiria o tombo de Jennifer Lawrence ao subir as escadas. Meu pai, na antologia Sede, também teve seu conto “O Julgamento de Gregorie” como vencedor. Voltamos para o Rio com duas corujinhas douradas!

Nunca tinha ganhado nada pelo que escrevo. Estou MUITO feliz pela coruja que agora me olha da estante. Sou absurdamente grata a todos os que me apoiam no meu sonho e incentivam meu trabalho. Agradeço também a Editora Andross pelo carinho e cuidado, desde os organizadores até a finalização do livro e os dois eventos. Foi tudo lindo!

Muito obrigada.

Bruna Paiva

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King Edgar Hotel: o livro de horror onde os meus medos se revelam

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Entre os amigos e escritores Lara Luft e Alfer Medeiros

 

Quando recebi um e-mail dos organizadores Lara Luft e Alfer Medeiros me convidando para participar de uma antologia de terror, minha primeira reação foi: “é claro que não vou participar”

Sabe aquela pessoa que, a partir do momento em que vê qualquer coisa que envolva o sobrenatural, passa tempos sem conseguir ficar sozinha à noite? Prazer, eu.

Por aí dá para entender o porquê de eu não querer participar da antologia, né? Estava planejando participar do livro que reuniria contos de amor… Entretanto, um pequeno detalhe me fez pensar melhor. A coletânea de terror teria apenas autores veteranos da Editora Andross. E eu havia sido convidada.

Juro que esse foi o meu maior incentivo naquele momento. Não queria ser “a excluída” do grupo dos veteranos simplesmente porque “terror não é a minha praia”. Mandei um e-mail explicando que, apesar de não me dar muito bem com o gênero, ia me aventurar na antologia King Edgar Hotel. A resposta que recebi foi ainda mais incentivadora. Alfer me disse: “é nos desafios que crescemos”.

Acho que participar dessa antologia realmente foi um dos maiores desafios que já tive que enfrentar. Como escrever tendo medo do que você cria? Foi muito difícil. Para vocês terem ideia, não conseguia tocar no conto depois das 19h ou se estivesse sozinha em casa.

Mas no fim compensou. Depois de muitas versões, revisões e incontáveis releituras, fiquei satisfeita e mandei o conto para os organizadores. Fui aceita! E tenho certeza que aprendi muito com a experiência.

No dia 30/05  estive em São Paulo na 5ª edição do Livros Em Pauta,  para o lançamento da antologia. E no evento eu confirmei que havia feito a coisa certa. Amei o livro, ficou lindo! O clima entre os participantes do King Edgar Hotel era incrível. Além de tudo, fui surpreendida pelos elogios de Alfer ao meu conto, ele me deu os parabéns pela “excelente estreia no horror”!

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Família reunida no Livros em Pauta

Por causa da minha enrolação com o conto de terror, não consegui participar na antologia romântica, organizada pelo amigo Leandro Schulai. E ele não entendeu nada quando me viu na coletânea de horror, mas deu parabéns e prometeu ler meu conto.

O evento foi muito legal e eu amei participar mais uma vez. Muito bom  encontrar dezenas de pessoas dando seus primeiros passos na carreira literária, e também poder interagir com escritores mais experientes. Encontrei o pessoal antigo, conheci gente nova e me senti muito mais em casa do que no ano passado, quando participei pela primeira vez publicando contos em outras duas coletâneas.

Na reunião com os autores, o Edson Rossato, dono da Editora Andross, aproveitou a 5ª edição do evento para anunciar algumas novidades como um prêmio literário! Todos os contos de cada antologia vão concorrer ao prêmio STRIX e eu tenho certeza que a premiação ao estilo do Oscar vai ser muito legal.  Tem uma estatueta linda para os primeiros colocados. Além do prêmio, cujos vencedores serão revelados em julho, ele anunciou que a partir de agora a Andross também vai fazer publicações independentes de autores solo.

O King Edgar Hotel me deu vontade de ler (e quem sabe escrever) mais coisas do gênero, estou devorando o livro e adorando os contos. A antologia está linda e muito assustadora! Quem quiser um exemplar autografado, pode comprar diretamente comigo ou solicitar pelo e-mail brunapaiva@adolescentedemais.com.br . O livro custa R$29,90 mais o valor do frete.

UM POUCO MAIS SOBRE O KING EDGAR HOTEL

A propbrunaosta do King Edgar Hotel era usar um hotel macabro como pano de fundo para contos de horror.  Cada um de seus quartos serviria de ambiente para um conto, histórias diferentes no mesmo lugar.  Mas o resultado ficou ainda melhor do que isso. O trabalho de cross over feito no livro é sensacional. Muitos dos contos se interligam e há personagens fixos  e ambientes comuns  a todas as histórias.  O leitor se sente em um ambiente único enquanto passeia pelas dezenas de contos.

A antologia tem 510 páginas e traz cerca de 80 contos. O meu conto se passa no quarto 39 e se chama “A bonequinha de porcelana”. Nele, uma publicitária perde o vôo de volta para casa e vai parar no King Edgar Hotel por intermédio da Companhia Aérea. Ao tentar descansar em seu quarto, ela descobre que não está sozinha. Dá medo só de lembrar…

Bruna Paiva

Adeus, amor, pra mim já deu

escrevendo-cartaNa calçada em frente ao prédio, o corpo era analisado pela polícia. O jovem homem não sobrevivera ao impacto. À sua volta, uma poça de sangue contrastava com a pele clara sobre o asfalto. Em uma das mãos, o punho semicerrado ainda guardava uma foto. Uma foto de si mesmo abraçado a uma bonita jovem que, segundo curiosos que se aglomeravam no local, seria sua namorada.

Chocados, os vizinhos não conseguiam entender o que acontecera. Às três horas da madrugada ouviram um barulho muito forte e logo depois os gritos do porteiro. Ao descerem, se depararam com a cena. Especulavam sobre qual seria o motivo de um possível suicídio para aquele homem que sempre pareceu tão feliz ao lado de sua companheira.

E a mulher, onde estaria àquela hora da madrugada? Se o jovem casal nunca se desgrudava, por que ela não se encontrava no meio da aglomeração? Estaria bem? No apartamento? Teria o homem de fato se jogado do oitavo andar? As dúvidas eram muitas entre as testemunhas daquela tragédia.

A perícia chegou e então subiram até o 802, apartamento do casal. Ao entrar no pequeno quarto e sala, encontraram uma espécie de ritual de despedida. Velas acesas por toda parte, alguns móveis fora do lugar e gavetas reviradas. Nas paredes, muitas fotos. Imagens de um casal de adolescentes que parecia ter crescido junto. Centenas de fotos exibindo a felicidade dos dois, ou apenas exaltando a beleza da jovem, cobriam toda a extensão das paredes da sala e corredores.

No painel principal da sala, as fotos unidas formavam uma mensagem:

Adeus para sempre.
Do seu eterno amor.

Ao lado daquela despedida, na outra parede, a janela escancarada e um banco em sua base  compunham o ambiente. Não havia mais ninguém no apartamento. Porém, os policiais continuavam
procurando pistas e verificando cada pequeno canto em cada cômodo.

Sobre a mesa da cozinha, mais velas e duas taças. Apenas uma delas parecia ter sido usada, com vinho tinto pela metade. Como se ali tivesse ocorrido um brinde solitário.

— Venham ver isso aqui — chamou o policial Eduardo.

Quando os outros chegaram ao quarto do casal, encontraram porta-retratos quebrados, porém sem fotos. Os armários estavam revirados, roupas masculinas e álbuns fotográficos haviam sido espalhados
por toda parte. As paredes brancas traziam mensagens e juras de amor eterno, escritas em tinta vermelha.

Em cima da cama desarrumada via-se um envelope. Ao lado dele, a seguinte carta:

“Oi, sei que deveria fazer isso pessoalmente, mas você sabe que eu sempre me expressei melhor escrevendo. Falar não é muito a minha praia. Você me conhece bem.

Quando estiver lendo esta carta eu pretendo já estar bem longe de casa. De preferência onde você não possa me encontrar. Creio que a nossa relação foi tão transtornada para você quanto foi para mim. Nos últimos tempos eu te temia mais do que amava.

Ok, não dá para ser tão hipócrita e alegar que foi tudo completamente ruim. Você foi meu primeiro amor. O primeiro cara que eu amei de verdade. Minhas primeiras experiências foram com você. Eu te amei tão intensamente…

Um amor que começou precocemente. Com quatorze anos eu já tinha certeza de que você era o homem da minha vida. E sabe, poderia ter dado certo. Poderia ter sido para sempre, como juramos
desde o início. Porque o nosso amor era lindo, uma relação bonita de dois jovens que se amavam incondicionalmente.

Só que o seu amor, em algum momento, se transformou num sentimento diferente. Uma necessidade doentia de me controlar, de me prender somente para si. Você dizia que era ciúme normal de qualquer namorado, mas o seu ciúme era diferente. Aquilo não podia ser normal. Mas eu acatava.

Eu cedia e fazia do jeito que você queria, porque sempre te amei demais. Foi então que, sem me dar conta, comecei a abrir mão da minha liberdade. Troquei tudo e todos de quem eu gostava por você. Meus amigos foram banidos de vez da minha vida…

Ainda revivo a dor que senti em seu primeiro grande escândalo. O primeiro de outros incontáveis. O fatídico dia em que você se descontrolou porque eu dançava com meu primo na festa de casamento da minha irmã. Todos os convidados pararam para assistir ao circo que você armou. E ali, comecei a romper com a minha família também. Briguei com todo mundo te defendendo. O meu primo, eu nunca mais vi. E a minha irmã não fala comigo até hoje. Diz que eu acabei com a festa do casamento dela. E quer saber? Ela não tá errada.

Mas mesmo assim, mesmo com todos os escândalos e vergonhas que você me fazia passar, eu te amava. E te amava demais. A gente vivia tanta coisa boa… Eu morria de medo de perder aquilo que tínhamos. E hoje percebo que você sabia disso. Sabia e se aproveitava do meu medo, do meu amor, para me manipular. Meu Deus, como fui idiota.

Quantas vezes eu te pedi para confiar em mim? Quantas vezes eu pedi para que tratasse sua doença? Só que você nunca me ouviu. Nunca sequer tentou mudar por mim. Enquanto eu sempre mudava tudo por você. Só que chegou uma hora em que as coisas ruins se sobrepuseram às boas.

O que você fez ontem foi pior do que qualquer outra coisa que você já tenha feito antes. Ser trancada em um quarto, mantida em cárcere privado e impedida de atender a um chamado do meu próprio pai é realmente demais para mim.

Eu só queria me encontrar com o meu pai e você me tratou como uma prisioneira. Agrediu-me física, moral e verbalmente por um motivo tão estúpido. Não foi por esse cara violento e imprevisível que eu me apaixonei. E que amor é esse que você diz que sente? Que amor doentio é esse que constituiu nossa relação?

Deve ter percebido que uso o passado para falar da nossa relação. E também deve ter percebido que foi proposital. Não somos mais tão novos, e eu não quero mais me permitir entender e aturar o que aturava antes.Quero ter direito a ter os meus amigos de volta. Falar com eles e abraçá-los na hora em que eu bem entender. Quero voltar a ter uma relação saudável com a minha irmã, voltar a falar com o meu primo… Quero sair na rua sem me preocupar com o que você vai pensar. Gastar meu dinheiro com o que eu quiser.

Cansei dos seus ataques de histeria a cada oi masculino que eu recebo. Cansei de seus escândalos. Cansei de passar vergonha na rua por sua causa. Cansei de abaixar a cabeça para todas as suas babaquices. E se te interessa, já tirei meus shorts e saias curtas do fundo da gaveta. Não quero mais ter você para controlar o que visto, o que falo, o que faço e o que penso.

Já voltei a usar o batom vermelho e chamativo que você me proibia. E meus olhos estão bem marcados do jeito que você não me deixava usar. Meu piercing está de volta ao nariz. E meu cabelo? Vou fazer aquele corte lindo que você, careta, sempre achou ridículo.

Não dá mais pra mim. Eu não quero e não consigo mais abdicar de tudo do que gosto e sou por você. E acho que nem te amo mais tanto assim. De agora em diante você não vai mais fuxicar minhas mensagens e cada passo que eu dou nas redes sociais. Nem mexer na minha bolsa ou no meu armário às escondidas.

Minhas chaves de casa estão na mesa de cabeceira. Estou indo embora e levando comigo os meus pertences, minhas lembranças, meus arrependimentos e principalmente a minha vida. Se me permitir uma primeira e última exigência, não me procure mais. Não procure saber onde estou. Deixe-me viver minha vida em paz.

E quer saber? Viva a sua também. Vá se tratar, arranje outra pessoa, alguém que não se incomode com seus defeitos. Alguém que, quem sabe, até goste deles. Que não se importe com você controlando cada segundo da vida dela. Porque, como você mesmo dizia, pra mim já deu.

Adeus para sempre.
Do seu ex-amor.”

 

Bruna Paiva

*Texto originalmente publicado no livro “Amor nas Entrelinhas”, da Editora Andross, em Agosto de 2014.

 

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Manhã de Autógrafos e Matéria sobre o Blog no Jornal!

P1190204 ACORDEI COM MINHA FOTO NO JORNAL! Neste domingo (24/08) o jornal Meia Hora publicou uma matéria falando sobre o Adolescente Demais e anunciando a minha manhã de autógrafos, no Palácio do Catete. Na verdade, foi um encontro entre amigos, onde autografei os dois livros da Editora Andross em que publiquei meus primeiros contos.

Na matéria, da Karina Fernandes, ela conta um pouco da história do blog, como tudo começou, como estão as coisas agora e também fala sobre os meus livros. Foi muito legal ver o blog e meu trabalho virando notícia em um jornal de grande circulação.

O encontro foi super bacana. Adorei dar mais autógrafos, distribuir meus marcadores e ouvir gente elogiando meus textos… Queria deixar um super beijo aos amigos que compareceram e a todos que frequentam o blog e curtem os meus textos. Sentir o apoio de quem gosta da gente é maravilhoso nessas horas…

Beijos

Bruna Paiva

 

Quem não pôde ir,confira como foi nas fotos abaixo!

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