O palco salvou a minha vida

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No palco eu me sinto livre. Não me importa se atuo, danço ou faço os dois ao mesmo tempo. Ao colocar os pés num palco, sinto uma energia que refresca o rosto e deixa a boca doce. O cheiro de laqué e cortina velha revigora a alma de um jeito que só os artistas entendem. Felicidade que vem de dentro. Felicidade que vem da arte.

Sinto-me à vontade para ser quem sou. E experimentar tudo aquilo que nunca fui. A vibração que vem da plateia e a luz esquentando o meu rosto me encorajam a transformar arte em vida. É onde me sinto mais viva do que o normal. Brilho nos olhos, coração sambando, estômago frio e a adrenalina brincando da cabeça aos pés. Arte correndo nas veias.

Alguns dizem que fui picada pelos “bichinhos do teatro”. Eu prefiro acreditar que já tinha isso na alma. Adormecido, o amor pela arte sempre esteve ali. Até o momento em que, de fato, pisei num palco e experimentei a intensidade de ser artista.

O teatro mudou a minha vida. A dança mudou a minha vida. Libertou-me das vergonhas de ser exatamente quem eu quero ser. De ficar presa e conformada com o mundo; de afogar em minhas próprias mágoas. Livrou-me da condenação de ser igual a todos os outros.

Bruna Paiva

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Você paga pela arte que consome?

wp-1476189581117.jpg“Vocês já viram aquela comédia romântica linda?”

“Eu queria ter visto, mas acho que já saiu de cartaz.”

“Ah, não tem problema! Já tem pra baixar na internet.”

“É que eu não baixo filme”

“Você não sabe? É fácil! Tem vários programas, e tem sites para ver online também”

“Não, é que eu não assisto filmes sem pagar por eles”

É nesse momento que recebo olhares claramente questionando de que planeta eu venho. É uma questão simples na minha cabeça, um princípio que respeito muito: eu pago pela arte que consumo. Seja ela cinema, teatro, literatura, música, ou qualquer outro tipo de manifestação cultural. Se há um custo para que eu possa usufruir dela, eu faço questão de não o driblar.

“Você paga para escutar música?” Sempre que é preciso.

“E se você quiser assistir a um filme que não está disponível na Netflix, ou outras redes pagas?” Eu não assisto. Ou compro o DVD.

“Mas e livro? Você adora ler, impossível nunca ter baixado um pdf. Livro é caro!” Só baixo o que é de Domínio Público. O resto eu compro, quando tenho dinheiro para isso.

Toda vez em que eu entro numa discussão sobre a importância de respeitar os direitos autorais da arte, acabo saindo como a anormal do grupo, ou “a maluca que tem dinheiro pra rasgar”. É engraçado como esse é uma visão completamente distorcida da realidade.

“Então, você acha que, se eu não tenho dinheiro para acessar uma arte eu não posso tentar outros meios de chegar até ela? ” Eu ouvi uma vez. Sinceramente? Se seus “outros meios” forem ilegais, eu realmente acho que você não pode. Existem diversas maneiras de chegar à arte sem precisar roubar. E, como roubo, leia de DVD pirata no Camelódromo às músicas que você baixa no 4shared.

Quando eu gosto de um artista eu quero que, mais do que sucesso, ele receba o merecido retorno por seu trabalho. Chegar à arte dele de maneira ilegal só contribui para seu fracasso. Não quer pagar pelo livro? Peça emprestado a um amigo, vá a uma biblioteca. Filmes? Eu acho que a Netflix tem um preço justo se considerarmos a quantidade de conteúdo disponível. E existem outras plataformas para isso também. Música? O Spotify custa 15 reais e dá direito a 5 contas. Se dividir com a família ou amigos, dá 3 reais para cada um, para ouvir quanta música você quiser. E o serviço gratuito também é bem funcional, se você ignora os anúncios.

Mas as pessoas acham que não precisam pagar por arte. Que é obrigação do artista disponibilizar seu conteúdo gratuitamente para quem “não tem dinheiro para gastar nisso”. O que todo mundo esquece é que o artista também precisa pagar as contas. Se você for à sorveteria e disser que gosta muito do sorvete deles, “mas não tem dinheiro para gastar nisso” o sorveteiro vai dizer “sinto muito”. Ele não vai te dar o sorvete de graça. Porque o mundo não é assim.

A gente precisa, sim, pagar pelo que consome. E a arte, diferente do que muitos pensam, não tem que ser gratuita. “Mas quando eu pago pelo filme eu estou enriquecendo a produtora, e não o artista”. E quando você não paga por ele, o artista não recebe nem o percentual que lhe é de direito.

Há quem diga que esse discurso exclui socialmente aqueles que “não têm dinheiro para gastar com isso”. Eu ainda acho uma conscientização importante para uma sociedade mal-acostumada. Assim como o sorveteiro, o artista não tem obrigação alguma de te dar de graça um produto que é fruto de muito trabalho.

Bruna Paiva

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Que alegria, tudo ficou bem!

Apresentacao_Bruna_059Quando a gente escolhe ser bailarina, sabe que a vida não vai ser lá tão glamorosa quanto parece. Para quem dança, o bastante nunca basta, pés esfolados são parte da rotina e a frase “não posso, tenho ensaio” se torna quase um mantra. Ainda assim, a dança vicia. A busca pela perfeição, a adrenalina correndo pelo corpo, a sensação de se estar voando, tudo isso é apaixonante.

blog2Comecei a dançar aos quatro anos de idade. Resolvi levar a dança mais a sério aos 14. Foi aí que procurei uma das mais conceituadas escolas de dança do Rio de Janeiro. No Centro de Dança Rio, evoluí pra caramba e encontrei quase uma segunda casa (na verdade, passo mais tempo por lá do que no meu lar propriamente dito). A cada dia tenho a sensação de ser um pouquinho mais bailarina de verdade.
2015 foi um ano muito difícil e extremamente pesado em todos os aspectos da minha vida. Último ano na escola, cursinho pré-vestibular, dança todo dia de 14h às 18h, indecisão na definição profissional, lesões, correria e ensaios, festivais de dança durante todo o ano, blog precisando de atenção, eventos literários…

Confesso que dei algumas (muitas) surtadas entre março e novembro. Cheguei a pensar, mais de uma vez, em largar tudo para dar conta do vestibular. E, meu Deus, ainda bem que eu desisti dessa ideia louca. Largar a dança? Onde eu estava com a cabeça?blog3

No último sábado (28-11) apresentamos o espetáculo de encerramento de 2015 no Teatro Odylo Costa Filho. Eram dois atos no espetáculo adulto: o primeiro de ballet clássico Magia Oriental, era uma festa no palácio do Sultão; o segundo, o musical Meu Casamento, inspirado em Mamma Mia da Broadway. E foi tudo tão mágico, tão incrível que eu só quero voltar para lá e viver aquele dia em looping.

Nunca havia chorado no palco. Não por pura emoção (já saí do palco chorando porque caí da pirueta, porque deu tudo errado na coreografia, bom, deixa pra lá…). Pelos ensaios, tivemos ideia de que iríamos nos emocionar. Mas da maneira que aconteceu, não mesmo. Foi simplesmente mágico, lindo, divertido. Uma delícia dançar nesse espetáculo, qualquer um via o quanto estávamos felizes em cima daquele palco. E só em pensar que ano que vem é o meu último ano, minha formatura, com minha turma mais unida do que nunca… Pois é, já voltei a chorar.Blog4

Por falar em chorar, esse foi o primeiro ano em que cantamos no musical. E que fale agora ou nunca mais aquele que não se emocionou com o nosso “Que Alegria!”. É óbvio que vou deixar um trechinho aqui no blog para vocês. Nada representa melhor o sentimento desse espetáculo do que esse vídeo.

Foi lindo, emocionante e a melhor maneira de fechar um ano tão complicado. Sim, “quase enlouquecemos”. Mas, no fim, “tudo ficou bem”. E cada ensaio, cada machucado, distensão, discussão, cada estresse, cada centavo gasto, cada lágrima derramada, cada sábado e feriado cedido para ensaios, tudo foi recompensado. Fechamos 2015 da melhor forma possível. E podem esperar porque eu e os outros 17 formandos 2016 com toda certeza “voltaremos no ano que vem”.

Bruna Paiva

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Arte e história em Porto de Galinhas

WP_20140130_045Eu amo viajar. E nas últimas férias, além de Salvador, também visitei Porto de Galinhas, em Pernambuco. A região é linda com praias e piscinas naturais maravilhosas. Mas não foram só as belezas naturais que me chamaram a atenção. Na verdade, me encantei especialmente com duas manifestações artísticas que encontrei por lá.

O primeiro tipo de arte que chamou a minha atenção estava dentro do local em que me hospedei. Na Pousada Tabapitanga, as camareiras usam toalhas para montar esculturas em cima das camas. Nos dias que fiquei por lá teve borboleta, jacaré, siri, flores, boneco e até um cisne…

As esculturas feitas de toalha me conquistaram já no primeiro momento. E eu passei o resto da estadia extremamente ansiosa para ver a novidade de cada dia. Tomava café e, quando voltava para o quarto, minha cama já estava enfeitada com um novo mimo feito pela camareira Luciana.

WP_20140129_006 (1)WP_20140130_004WP_20140131_023Ela me contou que todas as camareiras fazem  as esculturas de toalhas. Disse que quando alguém vê uma diferente na internet logo chama as outras para aprenderem a nova arte. E elas arrasam, viu? Cada escultura é mais linda que a outra, fiquei maravilhada!

O segundo ponto que atraiu a minha atenção foi a quantidade de galinhas na cidade. Calma! Não estou falando do animal galinha, nem de pessoas a quem esse adjetivo caberia… Eram esculturas, em sua maioria assinadas pelo artista local conhecido como Carcará. O que eu achei mais legal nelas foi que algumas são homenagens a artistas e ícones. Tinha galinha Michael Jackson, galinha Elvis Presley , galinha Monalisa e até galinha gueixa! Cada cantinho da cidade era decorado com uma galinha temática. Eu achei isso muito legal e fiz questão de tirar fotos com várias delas.

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Achei maneiro porque souberam aproveitar bem o fato histórico que deu nome à cidade em sua decoração.  E as galinhas, que em sua origem escondiam uma história triste, acabaram virando atração turística na região. Não entendeu qual a relação entre galinhas e história triste? Então eu explico!

Depois que aboliram a escravatura, alguns escravos ainda eram trazidos para o Brasil ilegalmente. E os que chegavam lá naquele porto vinham em navios que traziam galinhas d’angola. Os escravos eram escondidos embaixo de onde ficavam as galinhas. E quando os navios chegavam, na cidade, as pessoas falavam “tem galinha nova no porto!” e todos já sabiam que os escravos ilegais tinham chegado. Por isso o local ficou conhecido como Porto de Galinhas…

Bruna Paiva