Insônia, quarentena e BBB

Não durmo mais. Há quatro ou cinco dias eu não sei mais o que é um sono tranquilo que começa de noite e só termina no meio da manhã. Logo eu que sempre apaguei onde encostava; eu que num tempo longínquo dormia nas escadas da academia de dança entre uma aula e outra, com toda a barulheira do sapateado na sala de cima; eu que sou mestre em cair em sono profundo assim que sento no ônibus; eu que durmo no meio de todo e qualquer filme que assista; eu que não aguento 5 minutos de leitura à noite antes de dormir…

Sim, eu fui acometida pela insônia da quarentena. As noites são longas. Tudo na cama me incomoda. Tira lençol, bota lençol. Travesseiro muito alto, agora muito baixo. Dor na coluna. Vira de ladinho, ruim. De costas, ruim. Bruços, impossível. Travesseiro no meio das pernas, quando vira de posição agarra no lençol. E assim a noite passa. As pequenas cochiladas entre um incômodo e outro me trazem sonhos estranhíssimos que ou não fazem sentido nenhum ou me deixam triste.

Não é falta de exercício físico. Não é falta de trabalho. Não é falta do que fazer. Não é a situação alarmante do mundo inteiro; mas pode ser.  Não é o fato de um vizinho ter morrido de corona; mas pode ser. Não é o ódio genuíno que eu sinto pelo presidente desse país e seus apoiadores; mas pode ser que seja. Não é o confinamento e convivência de 24 horas com a família; mas pode até ser. Não é a intensidade disso tudo, que faz uma semana parecer um mês; mas será que é?

O Fantástico disse que é preciso pegar o sol da manhã para que seu corpo entenda que está de dia e produza os hormônios que bla bla bla e isso pode te ajudar a dormir a noite. Hoje acordei cedo e sentei no primeiro feixe de sol do sofá. Vitamina D deve fazer falta, realmente. Minha psicóloga aconselhou a usar máscara nos olhos. Só tenho esse novo modelo da moda, a que cobre nariz e boca. Será que é só subir um pouquinho? Dizem que o celular atrapalha também.

Mas eu acho mesmo é que o Big Brother tinha que ser transferido para as 18h. Não faz sentido ficar até onze e meia da noite com adrenalina desenfreada no sangue na esperança de que o Babu venha a ser líder; para logo depois me frustrar e precisar dormir com esse sentimento horrível. Talvez, se o Boninho fizesse logo a tal prova de quem imita melhor o Tim Maia, meu sono voltasse ao normal. Fica aqui o apelo.

 

Bruna Paiva

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Protejam-se, vai começar o BBB 14

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Gente, este texto foi escrito para o BBB 14, mas vale para todas as edições do programa…

A Globo divulgou nesta terça-feira os próximos participantes do Big Brother Brasil. E a partir de agora todos os meios de comunicação do país vão falar só disso. Não nego que já fui viciada no programa. Não perdia um dia sequer. Torcia pelas pessoas, já tive pay per view e até em casa de vidro eu já fui… É sério, já fiquei em fila e fiz a fã na edição do BBB 11. Mas há dois anos parei de dar tanta importância para esse programa.

Ok, seria muita hipocrisia se eu dissesse aqui que não vejo. Eu perco meu tempo assistindo sim. É da natureza humana querer saber da vida dos outros… Mas hoje assisto com a total consciência de que nada ali vai me acrescentar.

Até porque todo ano é a mesma coisa. Tem o gostosão que pega todo mundo, a gostosa que paga de modelete e nas festas se revela uma verdadeira vadia, os barracos por motivos imbecis, aqueles namoros vai-e-vem sem consistência nenhuma… E parece que até hoje não aprenderam que o excluído pelo grupo vai sempre ganhar fama de coitado e vencer o programa.

E é claro, os incansáveis discursos do Bial. Eu não consigo prestar atenção enquanto ele tenta filosofar… Juro que os batimentos cardíacos de quem tá no paredão chamam mais a minha atenção…  As provas são ridículas… Podiam tentar puxar pela inteligência das pessoas. Mas não, fica milionário quem conquistar o público, quem for mais forte, quem aguentar ficar mais tempo de cabeça pra baixo, ou quem encontrar mais pilhas dentro de um labirinto… Digo e repito: as provas são RIDÍCULAS. To mentindo? Em alguma edição foi diferente? Não.

É tudo sempre igual. Alguém podia contar pro Boninho que BBB já perdeu a graça. Já deu. O que eu to falando não é que “Ah, temos que parar de assistir isso porque é tudo armado” ou “vamos pagar de cultos no facebook e dizer que não assistimos Big Brother.” Isso também é ridículo. A verdade é que, mesmo sabendo que toda vez é a mesma coisa, continuamos assistindo assiduamente a cada ano… E muitas vezes deixamos de fazer coisas melhores.

Uma vez, eu estava num hotel fazenda passando as férias e, de noite, em vez de me socializar com as pessoas da minha idade, eu me trancava no quarto pra ver BBB. Até que uma noite o pessoal me chamou pra ficar com eles.  E eu não assisti TV o resto da semana.  E quer saber? Ainda tenho contato com algumas pessoas e lembro disso até hoje como uma das melhores férias da minha vida… BBB não é tão importante. Conversar, conhecer gente nova, se divertir, viver o mundo real, isso sim é de uma importância tremenda…

Eu parei para olhar o perfil dos participantes da edição que começa no próximo dia 14. E adivinha? Tem o cara bonitão que vai fazer todo mundo babar em frente a TV, tem a modelo que vai andar o dia todo de biquíni e que com certeza vai pegar o bonitão, tem o cara mais velho que vai pagar de sabe-tudo, o com cara de gente boa… Tudo como sempre, de novo.

Então, esse ano, vamos tentar não gastar nosso dinheiro com votos e pay per view. Tentar arrumar coisas pra fazer em vez de assistir aos ‘brothers’ na piscina ou dormindo o dia todo… Vamos tentar não acreditar em tudo que acontece ali. E, por fim, vamos tentar não fechar os olhos pro mundo aqui fora e não viver falando só disso… Porque BBB em excesso, como tudo na vida, faz mal.