Carta aberta às minhas “reasons why”

Você, que tirava sarro do meu corpo “magro demais”. Você que se dizia amiga e um dia foi embora sem maiores explicações. Você que riu de mim quando percebeu que eu estava me isolando. Você que deu na minha cara, me chamando de piranha, eu nem me lembro por quê. Você que continuou mentindo para mim mesmo quando viu que eu defendia a sua mentira como minha verdade. Você que iludiu uma criança apaixonada em vez de agir com a maturidade que, pela idade que tinha, lhe era cabível.

Você que me excluiu da sua festa porque eu (com 12 anos) não era das “mais gostosas da turma”. Você que nunca cansou de fazer piadas sexuais envolvendo a elasticidade que o ballet me deu. Você que me convencia de que eu era um lixo e precisava mudar para ser mais do seu jeito. Que me chantageava com os meus segredos, que mentiu para mim durante tanto tempo…

Vocês me fizeram chorar no chuveiro. Fizeram com que eu precisasse virar o travesseiro molhado se quisesse dormir, isso, é claro, quando minha cabeça me permitia algumas horas de sono. Vocês me arrancaram o apetite e, muitas vezes, o ânimo para levantar da cama. Me ensinaram a camuflar o que eu sentia e a não confiar em ninguém. Ajudaram a plantar cada sementinha de pensamento ruim contra mim mesma que já passou pela minha cabeça.

Vocês me fizeram sofrer durante toda uma vida escolar.

Eu assisti 13 Reasons Why. Em dois dias, logo que a série foi lançada. E pensei muito se realmente queria falar sobre isso, me expor a ponto de mostrar por que a história mexeu comigo. Se não era melhor só guardar para mim e deixar para lá, como sempre fiz. Mas acabei percebendo que fazer isso era justamente contrariar a mensagem da série que tanto me tocou.

Eu me enxerguei na Hannah Baker em diversas situações, dilemas e na maneira como ela se sentia em relação às pessoas com que convivia. Mas reconheço que também me enxerguei em alguns dos culpados pelo sofrimento dela.

Me comportei como um “porquê” quando ri de piadas infames e olhei torto para colegas de turma que nunca me fizeram nada. Quando achei uma boa ideia me voltar contra alguém que não conhecia por motivos infantis. Fui um “porquê” quando passei onze meses sem falar com um amigo porque preferi acreditar numa mentira. Quando julguei uma colega de turma que teve fotos íntimas vazadas e achei graça dos apelidos maldosos em vez de oferecer ajuda. Provavelmente fui um “porquê” em momentos que não gravei na memória, que só marcaram a vítima…

A maior mensagem da série é que a gente nunca sabe o que se passa na cabeça das outras pessoas, nunca sabe o impacto que nossas ações vão ter sobre alguém. Eu tenho certeza que vocês não faziam ideia do estrago que suas  “brincadeiras” me causavam. “Não faça com os outros o que não gostaria que lhe fizessem” é uma máxima que todo mundo escuta desde a primeira infância, mas poucos são os que realmente conseguem colocá-la em prática.

A gente sempre acha que não está fazendo nada de errado. Que está tudo bem, afinal, aquilo não pode ser considerado um “problema de verdade”. Mas quem somos nós para dimensionar um problema na cabeça de alguém? Não é drama. Não é mimimi. Coisas “pequenas”, “besteiras” machucam mais do que vocês imaginam.

Eu consegui passar pelas pessoas que me traumatizaram na adolescência. É claro que algumas marcas eu ainda trago comigo, ainda assim aprendi a lidar com meus fantasmas, a encarar os “porquês” que passam pela minha vida. Mas tem tanta gente que não consegue… Tantas meninas e meninos sendo submetidos a coisas absurdas simplesmente porque ninguém se preocupa com o que o outro sente.

Já vi gente falando que a série não deve ser assistida por jovens e concordo que para o adolescente em sofrimento, para quem sofre de depressão, ansiedade pode ser pesado demais, ou até perigoso. Ao mesmo tempo, suicídio é um assunto tão pouco discutido… Principalmente entre os jovens. A importância de se falar que as nossas ações podem ter um peso absurdo na vida dos outros é inquestionável. Todo mundo pode ser um porquê na vida de alguém.

Eu acredito que vocês também tenham passado por momentos difíceis na escola. Ninguém sai ileso daquela época. Mas se algum de vocês ainda acha que esse texto é só mais um drama, que eu só quero chamar atenção, recomendo que assista à série. Assista de verdade, com atenção a cada detalhe, tentando realmente entender o que levou Hannah a fazer o que fez. Espero que, ao fim do último episódio, saia tão tocado quanto eu.

Bruna Paiva

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Vídeo Novo: Precisamos falar sobre amizades abusivas!

Hoje em dia, todo mundo fala muito sobre relacionamento abusivo. Mas as pessoas normalmente focam em relações amorosas para abordar o tema. No vídeo de hoje eu trouxe o tema da amizade abusiva que é tão importante, mas ainda tão pouco discutida. Precisamos falar sobre isso, sim! Eu já passei por uma amizade assim e tenho certeza que muita gente por aí também. Se você se enxerga em alguma das situações citadas no vídeo, eu espero de coração conseguir te ajudar!

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LIDANDO COM O BABACA DA TURMA – VÍDEO NOVO NO AR!

Olá, pessoal!

O canal no Youtube voltou com toda a força e o projeto do Livro Adolescente Demais também! No vídeo de hoje eu trouxe o texto MEU NOME É VALENTE!

Quem nunca teve um valentão na turma? Um babaca de verdade, que sente a necessidade de diminuir todo mundo para poder se auto afirmar. Eu já estive numa sala dominada por um cara assim. O texto Meu Nome É Valente, foi escrito em 2013, quando eu tinha 15 anos e, sim, é baseado numa pessoa real.

No vídeo, no topo da postagem, conto também como lidei com a situação e o que eu acho das pessoas que fazem esse tipo de coisa. Espero que gostem e, caso se identifiquem com o que eu passei, eu tenha conseguido ajudar de alguma forma.

 

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Secret: a febre dos segredos revelados

 

Segredo

Secret. Você sabe do que eu estou falando? Não, não é apenas a tradução inglesa para a palavra segredo. Secret é um aplicativo no qual qualquer pessoa que tenha uma conta, pode postar mensagens anônimas.

Há três meses o secret foi lançado no Brasil. Mas, pelo menos na minha escola, só explodiu há pouco mais de uma semana. E quando eu digo “explodiu” é quase no sentido literal da palavra…

De  um dia para o outro, simplesmente não se falava em outra coisa. Às 7 da manhã de uma quinta feira, quando eu cheguei à escola, fui surpreendida por todos comentando e compartilhando o que leram no novo espalhador de segredos.

O projeto inicial do aplicativo era de que pessoas tímidas contassem com a ajuda do Secret para falar o que tinham vergonha. Porém, o anonimato tem levado a coisa para um lado bem mais complicado, pra falar a verdade, um lado sujo.

O que tem acontecido é que a plataforma virou um lugar onde todos contam ou inventam coisas sobre a vida alheia. Difamando as pessoas, contando segredos íntimos, inventando mentiras, e, o que me parece pior, espalhando fotos que não deveriam ser espalhadas. Se é que me entendem…

Entre os que me cercam, e muita gente na internet, o Secret é a nova moda. Mas a única coisa que este aplicativo tem me provocado é nojo. Tenho uma real aversão a esse espaço onde se fazem verdadeiras maldades com quem não pode se defender.

Imaginem-se no lugar de quem está tendo todos seus segredos revelados. Imaginem-se lendo algo extremamente íntimo sobre vocês em uma plataforma ao alcance de todo o mundo…

“Fulaninha fez isso, isso e isso com fulaninho” ou “ Fulaninho, enquanto você está em casa, olha o que sua namorada faz com outro”,  acompanhado de fotos. Imagens íntimas de meninas à disposição de todos.

Deve ser bem legal, não? Muito engraçado. Imagina  uma foto sua sem roupa sendo espalhada para quem quiser ver na internet.

“Ah, mas essa é a graça do app, Bruna. Quem não deve não teme e não vai parar no Secret…”.Mas que argumento babaca hein? Eu sinceramente duvido da existência de alguém que não possua segredos inconfessáveis. Segredos que cabem apenas a nós mesmas decidir se dividiremos ou não com alguém.

Existe um artigo na Constituição Brasileira que diz que é livre a manifestação de pensamento desde que não seja feita de forma anônima. Mas o problema não se resume a infringir uma lei federal. O que me assusta é a falta de caráter. Falta de respeito para com o próximo. Isso sem falar na falta de responsabilidade, é claro.

Quantas meninas já acabaram com a própria vida depois de seus segredos pararem na internet? Quantas não aguentaram a barra de ter fotos íntimas espalhadas por aí? Se você nunca soube de nada parecido, faça uma busca sobre o caso da brasileira Júlia Rebeca ou o da canadense Amanda Todd. São apenas dois exemplos do que essa “brincadeira” pode causar.

Na boa? Isso não tem graça nenhuma. Não é engraçado quando só um ri. E é menos engraçado ainda quando para muitos rirem um  precisa sofrer… E, sinceramente? Ninguém tem direito de espalhar segredos alheios porque julga que as atitudes das outras pessoas são erradas.

Cada um faz o que quer de sua própria vida. E os outros não têm nada a ver com isso. Portanto, antes de postar qualquer coisa sobre alguém no Secret, Whatsapp, Facebook, Twitter, enfim, para o mundo, pense. Pense duas vezes, três, quatro e de preferência, depois de pensar pela décima vez, guarde o segredo para você…

Bruna Paiva

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O tempo passa, as coisas mudam…

tumblr_le29985tcZ1qdvfsno1_500Ela sempre se sentiu um patinho feio. Aos 12 anos já era zoada na turma por não ter um corpo tão desenvolvido quanto o das outras garotas. Cada vez que alguém zombava de seu cabelo ou aparelho dentário ela tinha vontade de sumir.

As garotas cochichavam e riam quando ela passava. Algumas se aproximavam, fingiam ser amigas e depois juntavam-se às risadas. Aquelas eram as que mais a machucavam. Os garotos a olhavam para depois caírem na gargalhada. O menino por quem ela era apaixonada a desprezou na frente de todos.

Mas o tempo passou. Ela acabou saindo da escola de infância. Os anos correram e ela cresceu. Mas os sentimentos em relação àquela época não mudam.

Ela agora tem 22 anos e está se formando na faculdade de psicologia. Cresceu e virou mulher no tempo certo. O cabelo melhorou, o corpo se moldou em bonitas curvas e não precisa mais do aparelho dentário. Está linda e chama atenção por onde passa. Arrumou até um namorado. Ele tem 25, é lindo e tem planos de pedi-la em casamento.

Hoje à noite, haverá um reencontro daquela turma de dez anos atrás. Ela pensou bastante e resolveu que iria. Chegou ao local marcado, ao lado de seu namorado, e ao ver aquelas pessoas lembrou-se das zoações e do sofrimento na infância. Mas não deixou transparecer. Continuou sorrindo, de cabeça erguida, andando, cumprimentando e apresentando, a todos, o seu companheiro.

Durante a festa, percebeu que, como há 10 anos, ela ainda era motivo de comentário entre aquelas pessoas. Mas dessa vez, era um pouco diferente.

As garotas ainda cochichavam. Mas agora, elas queriam saber por que não eram como ela. Queriam suas curvas, seu corpo, seu cabelo… Os meninos que gargalhavam agora estavam babando. E o garoto por quem ela foi apaixonada, o que a desprezou, bom… acho que ele ficou meio arrependido.

Lá pela metade da festa, ela foi até o banheiro retocar a maquiagem. Por lá, encontrou uma ex-colega de turma. Uma das que fingia ser sua amiga para depois cochichar com as outras. A garota, se olhava no espelho, e disse enquanto nossa protagonista retocava o batom: “Nossa amiga, como você mudou!”

Ela se privou de maiores comentários, manteve a elegância sem conter a ironia dizendo: “ Talvez eu tenha mudado um pouco. Mas estou vendo que você continua a mesma.”

Depois do fim da festa, quando o namorado a deixou em casa, ela se sentia feliz. Como nunca havia se sentido ao lado daquelas pessoas. Sentia que tinha conseguido se livrar de tudo o que a atormentava quando criança. E sentia que aquela noite tinha sido uma vingança perfeita contra tudo o que lhe fizeram dez anos antes.

Bruna Paiva

“Carrie a estranha” – ela está nas nossas salas de aula.

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Recentemente tomei coragem para assistir ao filme Carrie- A Estranha.  Digo que tomei coragem porque sempre fui medrosa para assistir a filmes de terror sem ficar morrendo de medo por anos. Meu pai, que é fã do Stephen King e já tinha visto a primeira adaptação do livro do autor para as telonas, queria ver a nova versão e resolvi acompanhá-lo. O filme de terror que achei que me daria medo, na verdade mexeu comigo. Percebi que sempre houve pelo menos uma Carrie por ano na minha sala de aula. E que, com certeza, há uma na sua também. Duvida?

O ser humano sabe como ser cruel, e era isso o que faziam com Carrie. Se você começar a perceber, com certeza existe ou já existiu uma Carrie na sua sala. Aquela menina ou aquele menino que não se entrosa muito com a turma e por isso vira piada nos corredores. Já parou para pensar que ele ou ela pode ser uma pessoa maravilhosa se você tentar se aproximar?

A história de Stephen King, escrita em 1974, trata de um tema bastante atual: bullying. A menina Carrie White foi fechada em seu próprio mundo pela mãe que é uma fanática religiosa. Por isso, é excluída pelos colegas de classe. Logo no início do filme, enquanto toma banho no vestiário do colégio depois de uma aula de Educação Física, ela tem sua primeira menstruação e fica desesperada porque não fazia ideia do que era aquilo.

A falta de informação de Carrie logo vira motivo de piadas entre os colegas de classe. Chris Hargensen, a patricinha da turma, filma a situação da colega e faz com que o vídeo vá parar na internet. Por causa dessa maldade, Chris é proibida de ir ao baile de formatura, fica indignada e resolve se vingar. No baile, dá um jeito de humilhar Carrie na frente de todos os convidados. O que ninguém sabia é que Carrie White possuía poderes telecinéticos. Depois de ser humilhada ela se vinga de todos os colegas que lhe fizeram mal, usando seu poder.

Para a minha surpresa, o filme não me deixou nem um pouco com medo. Pelo contrário, achei a história fascinante e acabei percebendo que, na verdade, Carrie não era estranha. Ela só era tímida e diferente por causa da influência da mãe fanática. Ela não era feia, não era chata, irritante… Mas uma menina linda que gostava de viver como qualquer adolescente. O problema não estava em Carrie. Ela sofria exatamente com a mesma coisa que muitas crianças e adolescentes sofrem hoje: a falta de sensibilidade vinda das pessoas ao seu redor.

O bullying não está só na violência física ou psicológica. Mas também no simples fato de se ignorar a existência de uma pessoa que convive com você. Excluir um colega de classe das reuniões e passeios da turma por falta de interesse em conhecê-lo também é maldade. O que poderia ter acontecido com Carrie se não tivesse passado a vida sendo zoada pelos colegas de turma? Talvez nunca tivesse usado seus poderes para o mal… E se alguém tivesse tentado compreendê-la antes poderia ter evitado a morte de muitos.

A conclusão a que chego é a seguinte: Carrie não era estranha porque não existe um padrão que defina o que é estranho e o que é normal. A definição de estranho no dicionário é “que é pouco comum”. Ninguém pode definir o certo e o errado no jeito de ser. O ideal é aderir e conviver com as diferenças. Porque isso sim é diversidade. Então, na volta às aulas, preste mais atenção na sua sala. Pode haver uma Carrie sentada perto de você…