Só mais uma pra conta

O mundo não acabou. A vida não deu stop. O ar continua invadindo meus pulmões. Meus órgãos não desintegraram. O chão segue firme sob meus pés. A música no bar nem mesmo baixou de volume.

Mas dessa vez eu não fui surpreendida pela falta de mudança exterior. Sabia que não era o fim de nada além de mais um “nós” que nem era tão plural assim. Dessa vez, não chegou a doer. No máximo um incômodo que perturba um pouco, mas logo passa. Afinal, não foi nada de extraordinário, nada fora do costume.

Só mais um punhado de expectativas quebradas. Mais uma vez em que senti demais por quem sentia de menos. Talvez a culpa seja mesmo minha por me entregar demais, esperar demais. Mas que posso fazer se é só desse jeito que sei sentir?

Pelo menos, de certa forma, já aprendi a lidar com as pequenas decepções que me assolam de vez em quando. A velha receita sempre funciona: focar em outras coisas, encontrar um bom livro, sair com uns amigos e achar motivos para rir até machucar a barriga. E a dor que não for física a gente transforma em arte.

Bruna Paiva

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O que deu errado no mundo?

Quando uma pessoa resolve se matar, algo está errado no mundo. Tão errado que fez alguém se convencer de que o mais acertado a fazer era tirar a própria vida. Triste. Devastador.

Quando alguém decide que no momento de seu suicídio vai levar outras pessoas, desavisadas, consigo, algo está muito errado no mundo. Egoísta. Imperdoável. Calamitoso. A prova de que a raça humana não entendeu nada sobre a vida, que nossa racionalidade é absolutamente questionável.

Quando uma pessoa resolve explodir uma bomba num estádio lotado de crianças e adolescentes sonhadores, que contaram os dias para assistir à apresentação da artista que admiram, algo está catastroficamente errado no mundo.

Se a parcela mais sonhadora da humanidade tem sua esperança surrupiada, que fazemos nós que já estávamos enojados há tempos? Se não se pode ser criança em paz, se divertir num evento com que tanto se sonhou, se não podemos acordar sem medo do que nos espera, sair na rua sem a tensão de que algo terrível pode acontecer a qualquer momento, para onde mais se anda? O que esperar de um futuro sem refúgio?

Se vinte e duas vidas roubadas num momento de lazer, se um ataque terrorista num estádio lotado de crianças é só mais uma tragédia para a estatística. Se o mal está tão banalizado que perdemos a capacidade de reagir a esse tipo de fatalidade, de ir além do simplesmente se chocar e passar à próxima notícia, algo está terrível e, quiçá, irremediavelmente errado no mundo.

Bruna Paiva

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Medo de ser humano

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Tenho medo de sentar no ônibus que preciso pegar todos os dias e ser assaltada. Tenho medo de estar voltando para casa de noite, sozinha, e ser estuprada. Tenho medo enquanto me divirto. Medo de não conseguir proteger quem eu amo numa situação extrema. De estar dormindo e não ouvir alguém invadir a casa.

Tenho medo de brigas no trânsito, e de desentendimentos bobos com qualquer um que eu não conheça bem. Medo de que meu pai não volte para casa quando sai para passear com o cachorro. De que alguém cisme com meu ídolo ao ponto de atacá-lo. Tenho medo de engarrafamentos em vias expressas sem policiamento. Tenho medo de passar perto da própria polícia. Medo de deixar o medo de lado por cinco minutos. De piscar e o mundo desabar.

 Tenho medo quando o metrô lotado para antes da estação. Tenho medo de estar me divertindo no meio de uma multidão. De que alguém ache uma boa ideia estourar uma bomba, ou abrir fogo contra as pessoas, enquanto curto o show do artista que eu gosto, ou enquanto estou na sala de aula. Procuro distância de tudo o que me parece ameaçador. Medo de cada um que cruze o meu caminho. E apesar de abominá-los, eu tenho medos xenofóbicos e preconceituosos.

Tenho medo de um mundo ameaçado pelo ódio, caos e terror. Medo da minha impotência, da minha insignificância. Tenho medo de não ter controle, medo do inesperado. Tenho medo de morrer, ou perder quem eu amo. O tempo inteiro. Tenho medo por ser mulher, medo por ser jovem, medo de ser quem eu sou e de ser mal interpretada. Tenho medo de ser humana. Medo dos seres humanos.

Bruna Paiva

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Se o vagão é feminino, por que os homens continuam entrando?

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Todos os dias, para chegar à minha universidade, eu preciso pegar o metrô. Entro na estação por volta das 17:40. Sempre me posiciono atrás de uma espalhafatosa faixa rosa-choque, colocada na plataforma para indicar que o segundo vagão é feminino em horários de pico (dias de semana das 6h às 9h e das 17h às 20h). Há seis meses, não houve ainda um dia em que eu não tenha fechado a cara ao me deparar com o interior do vagão: cheio de homens, em sua maioria sentados.

Em algumas estações, normalmente no centro da cidade, os fiscais entram no vagão e soltam a frase decorada “pessoal, só para lembrar que, nesse horário, esse vagão é feminino. Vocês podem ir para todos os outros”. A maioria dos homens fica sem graça e muda de vagão, mas sempre tem aquele percentual que finge que não escuta e continua onde está. E ainda os que escutam e optam por descumprir a lei de forma deliberada mesmo.

Na semana passada, uma moça entrou falando bem alto “Vagão de mulher, vagão de mulher. Por favor, gente, a essa hora esse vagão é de mulher”. Um cara se levantou e ofereceu seu lugar. Ela agradeceu, mas disse que não queria sentar, só desejava que os homens fossem para outro vagão. O cara olhou-a de cima a baixo, sentou novamente e retomou a conversa com o amigo.

wp-1465300308226.jpgSei que alguns homens entram sem nem perceber. Mas outros, muitas vezes encaram os adesivos cor de rosa no interior do vagão e escolhem ignorar, voltando a atenção para seus celulares. Muitos utilizam do mesmo argumento: “Mas eu não sou o único homem aqui”. Querido, se você não aprendeu até hoje, deixa eu te ensinar: o erro dos outros não é justificativa para o seu.

Você pode pensar “mas qual o problema se você pega o sentido em que o metrô nem está tão cheio?”. O problema é que há dez anos e dois meses foi sancionada uma lei estadual aqui no Rio de Janeiro que, em seu artigo segundo, dava 30 dias como tempo de adaptação. Veja bem, TRINTA DIAS, e há DEZ ANOS ainda tem (MUITA) gente que não respeita essa lei. Às vezes os homens acham que sair do vagão feminino é fazer um favor às mulheres. Aprendam: NÃO é favor, é uma questão de respeito à lei. Nós temos o direito de andar no metrô cheio sem precisarmos nos preocupar com assédio.wp-1465300301719.png

O que eu vejo todos os dias no metrô é o retrato das faltas da nossa sociedade. Falta de educação, falta de respeito ao próximo, e, não dá para deixar de citar a falta de luta pelos nossos direitos.

No dia em que aquela moça pediu que os homens se retirassem, só eu e mais duas mulheres manifestamos apoio a ela. E, confesso, se ela não tivesse falado nada, eu teria continuado calada, com coragem apenas para encarar os homens com cara feia e desviar o olhar logo que eles percebessem.

Todos os dias o cenário é o mesmo e o incômodo também. Dá para sentir como várias mulheres ficam irritadas, assim como eu, quando o vagão está cheio de homens. Mas ninguém fala nada. A gente não se pronuncia por medo, covardia ou mesmo por pensar que “se eu falar não vai mudar nada”. Mas se a gente resolver se unir para reivindicar um direito que é nosso, te garanto que muda.

Se você é mulher e se incomoda com os homens no vagão feminino, reclame. Fale com os fiscais que ficam na plataforma. Mande mensagens para o metrô Rio, o twitter deles é @Metro_Rio, enche o saco deles, fala o número do carro e a estação, eles respondem. E pra quem anda de trem, pode mandar para a  Supervia: @SuperVia_trens. Peça, educadamente, para os homens se retirarem do vagão. Se manifeste na internet. Faça a sua parte. Só não fique muda, porque aí, minha amiga, realmente nada muda.

Bruna Paiva

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Um adeus que eu não quero dar

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Odeio dilemas. Não saber o que fazer, o que falar, o que sentir. Entretanto, estou num ano em que um dilema é parte integrante da minha vida. Seis meses. Em seis meses tudo muda. Em seis meses darei adeus a um lugar de que muita gente reclama de ter que frequentar. Você já reclamou, e eu? Prefiro nem comentar… Estou falando da escola.

Aliás, no início deste ano, reclamação era meu nome do meio. Chega uma hora em que escola satura. Ainda mais quando você já sabe o que quer fazer da sua vida. Juro que, em março, a cada aula de química, física e matemática eu tinha vontade de me jogar do prédio.

Mas a ficha caiu. Para falar a verdade, ela despencou. Olhei de um lado para o outro daquele lugar em que passei toda a minha adolescência e percebi que daqui a seis meses vai ser a hora de dar adeus. Pela primeira vez na vida não vi isso com bons olhos. Qual é, quem nunca quis se livrar da escola de uma vez por todas? Eu sempre!

Mas de repente o desejo era o contrário. Apesar de eu ainda querer me jogar pela janela quando os números aparecem no quadro negro, queria que os próximos seis meses, passassem menos rápido do que os seis que já foram. Venho tentando preparar meu psicológico para o último dia de aula. Mas a cada vez que penso que vai acabar, as lembranças vêm e trazem as lágrimas. Sim, sofro por antecipação.

Pode parecer besteira para quem não vê a hora de sair de lá. Mas quem já passou por isso provavelmente me entende. Nunca mais vou ver todas aquelas pessoas reunidas novamente. Vou acordar de manhã e não precisarei do uniforme azul. Não vai mais ter o Seu Zé me dando bom dia, enquanto eu entro com cara de sono pelo portão. O pátio, onde várias das lembranças de minha adolescência vivem, será apenas mais uma recordação.

A fila sufocante da cantina, provavelmente vai ser substituída por vários outros sufocos. Os amigos vão ser vistos com menos frequência e não vai mais ter miniolimpíada. Aquele medo de ir para o SOE se fizesse besteira e as bagunças no intervalo entre as aulas. Nem vou mais ter que reclamar de tantos números e fórmulas.  Ah vai, no fundo era legal quando eu conseguia entender matemática.

A escola é um dos poucos lugares que você frequenta por um tempo e nunca mais pode voltar; não na mesma situação, não no mesmo clima. Sempre debochei das pessoas que diziam “não reclame dela, um dia você vai sentir saudades”, hoje me vejo bem do outro lado da situação. Estou com saudades pelo que nem aconteceu ainda. Esperado que os dois últimos trimestres passem bem devagarzinho para que eu possa me despedir.

É maravilhoso encerrar uma etapa da minha vida. Ao mesmo tempo, vai ser incrivelmente difícil dar um passo a frente e jogar o capelo para o alto sem deixar que as lágrimas de saudade estejam presentes.

Bruna Paiva

 

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Quando o tempo para

Tempo

Desculpe-me meu caro Agenor, a música é linda, mas acho que você se equivocou. O tempo para sim. E são justamente os momentos em que o sentimos parar aqueles que devem marcar o calendário da vida.

Eu conto a vida por esses marcos, e minha folhinha é cheia deles. O dia em que perdi os sentidos ao encontrar meu ídolo, o dia em que levei o fora de um amigo porque confundi as coisas, o primeiro beijo no cinema…

O primeiro encontro com um cara especial. O abraço de perdão de um amigo com quem fiquei brigada quase um ano. O dia em que minha turma ganhou o concurso de dança do colégio. O dia em que ficamos em segundo lugar e saímos de lá indignados com o júri.

A perda de alguém muito especial, os aplausos escutados de cima do palco. Um pedido de namoro inusitado, um término inesperado. A discussão com um professor na escola, aquela nota dez que você precisava. A frustração de não passar numa prova para a qual você tanto se dedicou.

A festa surpresa que organizaram para mim quando eu nem queria comemorar aniversário. A notícia da reprovação do meu melhor amigo, filmes inesquecíveis, brigas inesquecíveis, beijos inesquecíveis. Em cada um desses momentos, e em muitos outros, o tempo parou.

Ele pode até ter continuado a passar para Cazuza e pro resto do mundo, mas para mim esteve completamente parado. E quando fecho os olhos ainda posso reviver cada um desses momentos com efeito de câmera lenta.

Meu calendário da vida é repleto dessas lembranças. Experiências que não voltam e das quais eu não me arrependo de ter vivido. Conto a minha existência por elas, e não por datas e dias da semana.

Porque, no fim das contas, o que fica da vida é só esse calendário de memórias. São os momentos em que o tempo parou.

Bruna Paiva

O que você vai ser quando crescer?

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Todo mundo tem uma válvula de escape, algo que faz você relaxar e libera endorfina pro seu corpo seja lá qual for a circunstância. Bom, eu sempre tive duas: a dança e a escrita. As duas sempre se completaram no que diz respeito a me desestressar, consolar e me dar paz.

Posso estar passando pelo pior dia da minha vida. Mas se tiver uma caneta e papel na minha mão, o dia nem parece mais tão ruim assim. E quando coloco uma sapatilha e aperto o play, os problemas simplesmente desaparecem naquele momento.

A questão é que, quando você chega numa certa idade, o mundo se vira para você e diz “escolha uma coisa para fazer pro resto da sua vida”. Uma?! Como assim? Desde sempre eu concilio as duas e agora preciso escolher?

Engraçado como esse mundo não entende essa vida dupla. E te enlouquece nessa pressão de querer saber “o que você vai ser quando crescer”. Eu sempre respondi “grande” quando isso me era perguntado na infância. E acho que realmente devemos ser grandes seja lá no que formos fazer…

É estranho o sentimento de precisar largar um sonho para viver outro. Escolher entre as duas coisas mais importantes na sua vida? É como pedir para uma mãe escolher entre seus dois filhos. Não dá, entende?

Por algum tempo sofri realmente tentando escolher entre as duas. E digo sofri porque, como já disse, não consigo ver minha vida sem a dança e muito menos sem escrever.

Largar a dança e me tornar apenas uma escritora? Lógico que seria feliz, mas não estaria completa. Me preparo para a dança desde os 3 anos de idade. Simplesmente desistir, jogar fora o trabalho de uma vida, é isso? Não mesmo.

Então viveria de dança? Largar o blog, parar de escrever, desistir do sonho de ser escritora? Era isso,então? Não, não mesmo. Não podia ser.

Até que um dia eu simplesmente parei de me pressionar em relação a isso. Não precisava escolher. Como eu li uma vez e adotei para a minha vida, ninguém “tem que” nada. As pessoas devem fazer o que lhes faz bem.

Se me faria tão mal escolher entre os dois caminhos para o meu futuro, por que não conciliá-los? Bom, é impossível? Tem uma frase de Walt Disney da qual eu gosto muito e com a qual eu me identifico: “ Gosto do impossível porque lá a concorrência é menor.”

A vida é assim. As pessoas julgam tudo impossível. E quem tenta ou consegue sair do padrão do “normal” é sempre tido como errado. Não vejo razão para “ter que” escolher entre as duas coisas que mais amo. E talvez porque realmente não haja problema nenhum em seguir dois sonhos.

Pode até ser que, algum dia , uma carreira acabe atrapalhando a outra. E quem sabe eu até acabe optando por apenas uma delas. Mas, pelo menos, não vou olhar pra trás e me arrepender de ter julgado impossível algo que talvez eu conseguisse ter feito…

Bruna Paiva

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Aquela que morre de saudades de você…

Imagem: Reprodução

Imagem: Reprodução

Ei, oi, lembra de mim? Eu sou aquela que te deu colo quando foi preciso. Que estava sempre do seu lado. E que passava horas no telefone com você. Aquela a quem você confiou seus segredos, lembra?

Sou aquela que você fazia rir em todos os momentos. Aquela que você ajudou pra caramba, a propósito. Sou aquela que te defendeu de todo mundo, até mesmo quando você tava errado. E aquela por quem, eu sei, você fez o mesmo.

É, também fui aquela que vacilou feio com você. Aquela que quebrou sua confiança uma vez… talvez duas. Acho que você se lembra. Sou aquela que desesperada te pediu desculpas com medo de te perder. Aquela a quem você perdoou, talvez com o mesmo medo de perder…

Mas também sou aquela com quem você nunca mais foi o mesmo. Ah vai, você mudou. E eu não te culpo por isso. No fundo foi só o que eu plantei… Mas seria meio hipócrita dizer que eu não sinto falta.

Antes que eu começasse a estragar tudo, você foi uma das melhores pessoas que já passou pela minha vida. E nos últimos tempos tenho acreditado que o destino te colocou nela justamente por isso.

Você chegou num dos momentos mais difíceis. Estava tudo complicado e você me ajudou a descontrair. Acho que precisava da sua ajuda para lidar com o que, sozinha, eu não conseguiria nunca.

Do jeito que você é deve estar achando tudo isso a maior bobagem. Mas tenta me levar a sério dessa vez, ok? Realmente acredito no que estou dizendo. E queria te agradecer. Obrigada de coração, por tudo.

Sei que você se lembra. E sei que também fui importante pra  você. Só queria que soubesse que ainda sinto sua falta…

E,se depois de ler isso, bater em você a mesma saudade que bateu em mim, sei lá, me liga. Dá um jeito de tudo voltar a ser como era antes entre a gente… Porque eu não queria que você fosse só alguém passageiro na minha vida.

Bruna Paiva

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O tempo passa, as coisas mudam…

tumblr_le29985tcZ1qdvfsno1_500Ela sempre se sentiu um patinho feio. Aos 12 anos já era zoada na turma por não ter um corpo tão desenvolvido quanto o das outras garotas. Cada vez que alguém zombava de seu cabelo ou aparelho dentário ela tinha vontade de sumir.

As garotas cochichavam e riam quando ela passava. Algumas se aproximavam, fingiam ser amigas e depois juntavam-se às risadas. Aquelas eram as que mais a machucavam. Os garotos a olhavam para depois caírem na gargalhada. O menino por quem ela era apaixonada a desprezou na frente de todos.

Mas o tempo passou. Ela acabou saindo da escola de infância. Os anos correram e ela cresceu. Mas os sentimentos em relação àquela época não mudam.

Ela agora tem 22 anos e está se formando na faculdade de psicologia. Cresceu e virou mulher no tempo certo. O cabelo melhorou, o corpo se moldou em bonitas curvas e não precisa mais do aparelho dentário. Está linda e chama atenção por onde passa. Arrumou até um namorado. Ele tem 25, é lindo e tem planos de pedi-la em casamento.

Hoje à noite, haverá um reencontro daquela turma de dez anos atrás. Ela pensou bastante e resolveu que iria. Chegou ao local marcado, ao lado de seu namorado, e ao ver aquelas pessoas lembrou-se das zoações e do sofrimento na infância. Mas não deixou transparecer. Continuou sorrindo, de cabeça erguida, andando, cumprimentando e apresentando, a todos, o seu companheiro.

Durante a festa, percebeu que, como há 10 anos, ela ainda era motivo de comentário entre aquelas pessoas. Mas dessa vez, era um pouco diferente.

As garotas ainda cochichavam. Mas agora, elas queriam saber por que não eram como ela. Queriam suas curvas, seu corpo, seu cabelo… Os meninos que gargalhavam agora estavam babando. E o garoto por quem ela foi apaixonada, o que a desprezou, bom… acho que ele ficou meio arrependido.

Lá pela metade da festa, ela foi até o banheiro retocar a maquiagem. Por lá, encontrou uma ex-colega de turma. Uma das que fingia ser sua amiga para depois cochichar com as outras. A garota, se olhava no espelho, e disse enquanto nossa protagonista retocava o batom: “Nossa amiga, como você mudou!”

Ela se privou de maiores comentários, manteve a elegância sem conter a ironia dizendo: “ Talvez eu tenha mudado um pouco. Mas estou vendo que você continua a mesma.”

Depois do fim da festa, quando o namorado a deixou em casa, ela se sentia feliz. Como nunca havia se sentido ao lado daquelas pessoas. Sentia que tinha conseguido se livrar de tudo o que a atormentava quando criança. E sentia que aquela noite tinha sido uma vingança perfeita contra tudo o que lhe fizeram dez anos antes.

Bruna Paiva