Sozinha na Guatemala: um relato

Em 2017 li um livro chamado “O país das mulheres” e ele marcou o que seria uma grande mudança na minha vida. Era o início do meu interesse pelo feminismo, talvez do meu próprio entendimento como mulher na sociedade. O livro, que é ótimo e foi resenhado aqui no blog, citava brevemente uma poeta da Guatemala a quem eu resolvi procurar e transformei numa pequena obsessão que, mais tarde, virou objeto de pesquisa quando decidi fazer mestrado.

Foi assim que, em julho de 2022, eu fui parar sozinha na Guatemala. Desde o início da pesquisa eu sabia que, se quisesse encontrar boa parte do que precisava para o trabalho, seria necessário viajar para aquele pequeno país da América Central. Isso porque, além de não existirem traduções da obra de Ana María Rodas no Brasil, eu sou a primeira brasileira pesquisando a autora. Por isso, é muito difícil encontrar material crítico e jornalístico por aqui.

No fim do ano passado, conversando com a minha orientadora e tentando entender como se daria essa viagem, surgiu a oportunidade de um congresso internacional de literatura latina bem na Cidade da Guatemala. Juntamos o útil ao agradável.

Planejar a viagem foi gostoso, mas também tenso. Eu viajaria sozinha para fora do país pela primeira vez na vida. Um milhão de medos passaram na minha cabeça. A maioria deles envolviam o fato de ser uma mulher viajando sozinha. A gente precisa de coragem para se enfiar numa dessas…

Fui com medo (vários deles), mas fui. Na semana anterior à viagem, tive a notícia de que muito provavelmente não conseguiria contato com a autora que pesquiso. Aquilo me desanimou de cara. Querendo ou não, era o meu maior objetivo pessoal com a viagem. Eu podia seguir a pesquisa sem aquela entrevista, mas eu sei que pessoalmente voltaria frustrada.

Foram horas de avião e aeroportos para chegar lá já passando perrengue com a imigração e mal-entendidos no hotel. No primeiro dia fui dormir chorando e morrendo de fome e saudade de casa.  Mas passou. Fiz o que precisava fazer e segui para a semana mais intensa do meu ano.

Conheci uma cidade colonial que foi destruída por um terremoto no século XVIII, vi um vulcão, visitei bibliotecas, livrarias, arquivos de jornais, museus… Em alguns momentos, me sentia muito sozinha, tinha pena de estar vivendo tudo aquilo sem compartilhar com meu namorado, minha mãe, uma amiga, ou seja lá quem fosse. Mas no fim do dia eu sempre ligava para casa, contava tudo o que estava vivendo e isso amenizava a saudade.

Não consegui entrar no fuso e acabava indo dormir junto com o Brasil, o que fazia com que eu acordasse com o céu ainda escuro e dormisse muito mal. Também tive problemas com a comida que, além de diferente, era muito cara. O custo de vida na Guatemala não é barato e muitas vezes a estudante aqui precisava se contentar com um big mac (sem batata e refri) que por si só já era um absurdo. É claro que em algum momento da semana a conta da má alimentação chegou pesada, fazendo eu passar muito mal.

Viajar sozinha tem suas dificuldades, mas também faz a gente se sentir o máximo. Faz a gente perceber que se basta e que consegue tomar conta de si mesma por mais que os obstáculos apareçam de vez em quando. Também faz a gente dar mais valor para as companhias que temos sempre do nosso lado, para os momentos bobos com as pessoas que a gente ama.

O congresso em si não foi lá essas coisas. É irônico ter sido vítima de machismo enquanto apresentava um trabalho essencialmente feminista. É claro que isso dá uma abalada, mas no fim o sentimento se transformou em gás para mostrar que meu trabalho é necessário, que é preciso que cada vez mais mulheres se coloquem em posições importantes para falar de outras mulheres e levantar as bandeiras de feminismos diversos. Toda mulher passa por isso, e não vai ser a última vez. É aprendizado também.

Entrevistar as críticas especialistas na poeta que estudo foi providencial, me deu certeza de que o trabalho é relevante e de que há muito a ser dito. E quando um colega querido, que já muito me havia ajudado, conseguiu marcar meu encontro com Ana María Rodas, eu senti que voltaria para casa com a missão cumprida. E foi o que aconteceu.

Ana María Rodas e eu

Na quinta-feira (21/07), passei a tarde na casa de Ana María Rodas e fui recebida da melhor maneira possível. Ela me contou sobre sua infância com o incentivo à leitura da mãe, que lia diversos livros para ela e os irmãos. E também das peripécias de uma menina que já pequena se deu conta da diferença com que os meninos e meninas eram tratados e guardou aquele sentimento esquisito até que transbordasse em um livro de “Poemas de la Izquierda Erótica”.

Quando cheguei ao hotel naquele dia, com o sentimento de que havia conseguido fazer tudo a que me propus quando saí do meu país, estava extremamente feliz, apesar do cansaço que, depois de tudo, chegava com violência.

A sexta-feira, último dia de viagem, foi o meu dia compensatório. Fui a um bairro chiquérrimo (e caríssimo) e me permiti apenas passear, sentar em um restaurante, aproveitar uma refeição gostosa e fazer fotos belíssimas. Passei também em um mercado de artesanatos e trouxe presentes para a família. Terminei aquele dia arrumando minha mala e assistindo a Turma da Mônica no hotel.  

A volta foi muito cansativa, com uma maratona de aviões e 8 horas intermináveis no aeroporto da Colômbia. Mas no fim valeu à pena.

Essa viagem foi a maior aventura da minha vida antes mesmo da decolagem. Mas eu faria tudo de novo, apesar de cada percalço. Foi uma semana completamente transformadora e eu acredito que é uma experiência pela qual todas nós deveríamos passar um dia. Se você é mulher e tem medo de viajar por si só, acredite, é algo que muda sua visão sobre você mesma. Junte os caquinhos do seu medo, agarre-os e vá com eles mesmo…

Guatemala, muito obrigada por essa semana.

Bruna Paiva

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga  @BruPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga  @BrunaPaivaC no Instagram e no Tik Tok

Síndrome de Branca de Neve

 

Dia desses lembrei de um episódio da minha infância que me fez pensar muito sobre a forma como a sociedade cria suas meninas. Mais de uma década atrás eu passava por isso, mas só hoje a lembrança me fez refletir de maneira crítica sobre o significado daquilo.

Eu não tinha mais de dez anos de idade quando fui a uma festa de quinze anos pela primeira vez. O aniversário era da irmã de uma amiguinha minha, nossas famílias eram próximas, então o convite foi natural. Lembro da roupa que estava vestindo, um vestido cinza com a saia super rodada e um bolerinho branco (sim, o bolerinho estava na moda. Estou cada vez mais velha.), uma gracinha de criança, parecia uma princesa.

A festa era no Alto da Boa Vista, um bairro caríssimo no Rio de Janeiro, cheio de mansões que funcionam como casas de festa. Lembro de uma festa extremamente produzida, com várias estações e um roteiro super ensaiado. Na primeira estação da festa, houve uma cerimônia religiosa. E é aqui que começa esse episódio que foi tão marcante na minha infância, mas que até hoje eu nunca compartilhei com ninguém.

Logo atrás de mim e minha família estava um menino que, na minha memória, me parece um homem bem crescido, mas, como os fatos a seguir mostrarão, devia ter entre 14 e 17 anos. O menino vestia um terno simples e tinha ares de príncipe encantado. Tinha um cabelo brilhante, um sorriso bonito e, de acordo com a visão da Bruna de 9 ou 10 anos, um charme incomparável. Ali, naquele momento, me apaixonei perdidamente e, como não o conhecia, na minha cabeça seu nome passou a ser: meu príncipe.

Durante todo o resto da festa, acompanhei cada movimento do meu príncipe pelo salão. Observei-o de longe, sonhando, criando expectativas e alimentando a certeza de que aquele menino era minha suposta alma gêmea. Em momento nenhum externei isso para ninguém que me acompanhava na festa. Aquele foi um episódio silencioso da minha infância. Uma experiência de paixão platônica repentina que pareceu muito clara na minha cabeça durante aquela noite. E talvez nem tivesse me marcado tanto se o desenrolar da história não fosse tão traumático:

Em determinado momento da festa, perdi meu príncipe de vista. Não conseguia encontrá-lo em nenhum canto do salão. E então começou o cerimonial. Homenagem vai, homenagem vem, foi chegada a hora da valsa da debutante. E o que aconteceu a partir daqui acabou com a minha noite. Anunciado pela cerimonialista com toda a pompa e circunstância, desce de uma escada que dava para a pista de dança o príncipe da debutante (não lembro mais o nome, mas chamaremos de Felipe). O príncipe Felipe agora vestia um smoking e trazia um buquê de rosas vermelhas para a aniversariante, que aceitou e dançou uma valsa com o menino que até aquele momento era o MEU príncipe encantado. Meu mundo caiu e a festa deixou de ser tão divertida.

Apesar de hoje achar essa história engraçada, revisitar essa memória me fez querer entender de onde vem isso. De onde vem esse impulso que faz uma criança de dez anos olhar para o primeiro garoto bonito e mais velho que vê pela frente e decidir que ele é seu príncipe encantado? De que forma essa cultura impacta a vida das pessoas e, principalmente, das mulheres em formação? Porque eu pelo menos posso garantir que, na minha vida, esse não foi o último episódio de endeusamento de um homem que eu mal conhecia seguido por uma decepção cortante.

Por mais que eu me esforce, não consigo encontrar, pelo menos em mim, uma fonte específica para essa questão. Me parece algo tão bem formulado que se entranha na gente e nos faz acreditar que é um instinto natural. Mas será? Porque eu sempre assisti aos filmes de princesas, mas também sempre achei o Peter Pan mais legal. Eu sempre vi Sítio do Pica Pau Amarelo e gostava mais da atrevida Emília que da romântica Narizinho, mas também sempre tive uma queda pelo Pedrinho. E de onde veio isso?

Meus pais nunca me negaram um brinquedo “de menino”, mas eu tinha vergonha de pedir o lava-jato da hot wheels. E de onde vem isso? Na minha infância as leis contra publicidade infantil não eram ainda tão rígidas, mas será que é só isso? Será que é possível rastrear verdadeiramente o que faz com que mulheres (crianças, adolescentes e adultas) acabem depositando em homens a esperança de um salvamento? Essa síndrome de Branca de Neve é implantada na gente tão cedo que eu, aos 22 anos, ainda não entendo bem  que me levou ao episódio daquela noite e tantos outros dali em diante.

 

Bruna Paiva

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BruPaivac no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Sobre homens e bebês

 

Quantas pessoas você conhece que foram abandonadas pelo pai, seja física ou afetivamente?

Uma das coisas que eu mais estranhei quando estive na França foram os homens com seus bebês. Pais nas ruas com suas crianças, de todas as idades, às vezes mais de uma. Andando de bicicleta, brincando nas pracinhas, passando nos mercados… Pais sozinhos com suas crianças pelas ruas parisienses. Quando se via um casal hétero com sua criança, na maioria dos casos, era o pai quem empurrava o carrinho.

Tudo bem, não é que não exista tal cenário no Brasil. Eu mesma tive e tenho um pai maravilhoso, que esteve presente em todos os momentos importantes da minha vida. Mas, convenhamos, essa não é uma realidade majoritária no país. Em 2013, segundo o Huffpost Brasil e o Instituto Brasileiro de Direito de Família, 5,5 milhões de crianças brasileiras sequer tinham o nome do pai em sua certidão de nascimento.

Se você vai a um shopping, a um parque, a um restaurante, aqui no Brasil, é muito mais provável que encontre um número muito maior de mães sozinhas com suas crianças do que pais. O que me chamava atenção na França era justamente que, pelo menos nas ruas, ficava muito claro que essa realidade lá é bem diferente. Passei 10 dias em Paris e confesso que não houve um em que eu tenha deixado de reparar nessa questão. A cada vez que eu pisava na rua lá estava um pai com sua criança, da maneira mais natural e rotineira possível. Não parecia ser nada extraordinário por lá. Apenas pais, fazendo sua obrigação de pais.

Lembro inclusive de ter me sentido mal por aquela questão me chamar tanta atenção. Afinal, é exatamente naquilo que eu acredito. Pais e mães com funções semelhantes, criando os filhos em conjunto, como é a obrigação de quem coloca um filho no mundo. Mas a quantidade era o que me assustava. Porque não, não é o que vemos por aqui.

Não estou assumindo aqui uma postura de “tudo é melhor fora do Brasil”, até porque não acredito nisso. Amo meu país, apesar dos pesares, e ainda acredito no potencial de crescimento que temos aqui. Assim como, durante minha estadia na França, certos aspectos culturais também me incomodaram. Mas esse foi um aspecto que eu invejei, algo que eu não pude deixar de observar a todo o tempo.

A barreira linguística ainda me impede de investigar a fundo a questão na França. Ainda assim, acredito que a situação econômica do país e a menor desigualdade social, sejam grandes responsáveis pelo que eu observei nas ruas por lá. Mas isso é só um palpite meu. Não achei nenhum artigo sobre o assunto e, como não entendo francês, a coisa fica ainda mais dificultada. Inclusive, se você conhecer algum dado sobre a paternidade na França, algum artigo traduzido, seja para o português, para o inglês ou mesmo para o espanhol, me mande! É algo que muito me interessou e eu gostaria de saber mais.

Seja lá qual for a causa dessa paternidade mais presente e responsável, espero que um dia ainda durante minha vida o meu país chegue lá também. Que um dia eu saia na rua e veja pais e mães em quantidades semelhantes cuidando de seus filhos. Sei que estamos caminhando para isso, pelo menos na minha humilde bolha social. Mas espero que um dia a população como um todo consiga reverter nossas estatísticas.

 

Bruna Paiva

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BruPaivac no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

5 livros para ler se você é feminista

Com 18 anos me descobri feminista. Na realidade, eu já era, sempre fui, só não sabia bem do que se tratava. Aos 18 percebi que aqueles ideais que eu sempre defendi eram fundamentos da ideologia feminista. Que assim fosse, se é preciso dar nome aos bois.

A representação feminina sempre esteve muito presente nos livros que marcaram minha adolescência. Hermione Granger, Katniss Everdeen, America Singer, Alasca Young e, vá lá, até mesmo Crepúsculo, apesar da protagonista meio sem sal, tinha personagens como Alice, Rosalie e Leah. Depois que percebi a importância de personagens desse tipo, passei a procurar, mais conscientemente, livros que me colocassem em contato com elas.

Por isso, no post de hoje, trouxe uma pequena lista de 5 títulos que você deveria procurar se você também é feminista. Os 5 foram escritos por mulheres e cada um traz um recorte de representação da mulher no texto. Dois são de não-ficção, um de contos e dois romances, todos textos deliciosos de se ler. Espero que gostem e vou adorar saber as recomendações de vocês.

 

  • Um teto todo seu – Virgínia Woolf

Acho que já falei desse livro por aqui. Nesse ensaio ficcional, Virgínia Woolf fala sobre o lugar da mulher na literatura (nos anos 20) e as dificuldades que uma mulher enfrentava ao decidir-se por essa carreira. Para Virgínia, uma mulher que quer ser escritora precisa apenas de dinheiro, tempo e um teto todo seu.

 

  • A via crucis do corpo – Clarice Lispector

Eu tive esse livro na estante por muito tempo sem nunca mexer. Quando resolvi ler, foi uma grata surpresa. Clarice, com sua escrita irônica e deliciosa, nos apresenta um livro com 13 contos. São 13 narrativas sobre mulheres, corpo, sexo, libertação e libido. São textos incríveis que colocam a mulher como protagonista de assuntos corpóreos. Terminei de ler mais uma vez encantada com o trabalho dessa autora sensacional.

 

  • O país das mulheres – Gioconda Belli

Outro caso de um livro que viveu por muito tempo encostado na estante até ter a chance de me surpreender. Essa história é uma distopia. A autora nicaraguense nos leva para um país em que as mulheres tomaram o poder. O Partido da Esquerda Erótica não permite que nenhum homem ocupe cargos públicos. É uma retratação histórica, justifica a presidente. Essa história controversa me tirou da zona de conforto justamente porque nos bota para pensar sobre extremismos. Muitas passagens do livro são incríveis, muitas me incomodaram, mas a história, que começa com um atentado à presidente, é maravilhosa e rende muita discussão.

 

 

  • Girlboss – Sophia Amoruso

Uma mulher que começou a revender roupas usadas pelo e-bay e, pouco tempo depois, se tornou uma das maiores CEOs de moda de seu país. A história de Sophia Amoruso é sensacional. Numa espécie de mistura entre autobiografia e manual de autoajuda, a CEO da Nasty Gal conta como se tornou tão poderosa e incentiva as Girlbosses em potencial a seguirem seus sonhos e batalharem para chegarem onde querem. Se você assistiu à série, esqueça, ela não faz jus ao livro incrível que Sophia escreveu.

 

  • Orgulho e preconceito – Jane Austen

Jane Austen escreveu Orgulho e Preconceito no século XIX, mas sua personagem Elizabeth Bennet não se rendia às regras sociais da época. Elizabeth era dona de si e fazia o que queria, o que sonhava, sem se curvar às vontades alheias. A história, que inspira a novela Orgulho e Paixão, é atemporal e apaixonante.

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Dois canais de mulheres maravilhosas, que eu conheci nesse início de ano!

Gente linda da minha vida! Férias é aquela época que a gente tem tempo para assistir as séries atrasadas pelo fim de período, ler o que não deu tempo no último ano e, claro, descobrir coisas novas nesse maravilhoso mundo da internet. Em duas semanas de 2018 eu conheci duas mulheres sensacionais que produzem um conteúdo maravilhoso para o Youtube, e, como tudo que é bom tem que ser disseminado por aí, é claro que eu precisava compartilhar com vocês!

 

Canal Me Poupe! – por Nathália Arcuri

Você quer educação financeira, @? Porque com a Nathália é isso que você vai ter. O canal Me Poupe é maravilhoso para quem quer aprender a organizar seu próprio dinheiro, economizar, investir, realizar sonhos… É um vídeo melhor do que outro esclarecendo vários assuntos de forma divertida e muuito didática. É incrível e eu simplesmente não consigo parar de assistir.

 

Canal Sobre Elas – por Emy Lobo

Eu descobri o canal da Emy pelo Instagram, e quando percebi sobre o que se tratava, fiquei apaixonada e comecei a assistir um vídeo atrás do outro. O canal Sobre Elas é pequeno, está começando, mas já tem um conteúdo incrível. É empoderamento puro trazendo informações sobre teoria feminista, documentários sobre machismo e o incrível projeto #Sobremachismonoaudiovisual. É maravilhoso, se você começar, não vai conseguir parar nunca mais!

 

Já conhecia algum dos dois canais? Conhece algum outro que eu iria amar? Conta pra mim! Adoro ler as sugestões de vocês!

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Girl Power: 10 filmes sobre mulheres incríveis!

Oi, gente. No post de hoje, eu trouxe 10 filmes que eu adoro e trazem histórias de mulheres incríveis. São filmes ótimos para aqueles dias em que a gente precisa de um bom exemplo de empoderamento feminino. Girl Power minha gente!

  • Bad Moms (Perfeita é a mãe)

Esse filme é muito divertido, e, pra quem é mãe, deve ser libertador. Amy é uma mulher que parece ter uma vida perfeita, casamento, filhos, trabalho, tudo sobre controle. Mas um dia ela simplesmente se vê cansada daquela rotina toda e, na companhia de mais duas amigas,   resolve ser uma “bad mom”, porque, afinal, ninguém consegue ser perfeita o tempo inteiro.

 

  • Operações Especiais

Essa produção nacional é simplesmente incrível. A protagonista, vivida pela maravilhosa Cléo Pires, é uma jovem formada em hotelaria que, depois de presenciar um crime, resolve entrar para a polícia. Dentro da equipe, ela é a única mulher e acaba sendo subestimada pelos colegas. Mas, apesar de todo o preconceito, ela se mostra uma profissional muito competente e acaba se tornando essencial nas operações.

 

  • O sorriso de Monalisa

Aquele tipo de filme transformador, sabe? Uma professora de História da Arte recém-formada é contratada para lecionar numa das melhores escolas só para meninas do país. Katherine Watson é uma mulher extremamente livre e se vê numa saia justa quando percebe que a maioria das meninas na escola olham para o casamento como sua única possibilidade de futuro. O trabalho que ela faz com as alunas, mostrando que elas podem ser qualquer coisa que quiserem, é maravilhoso.

 

  • Legalmente Loira

Esse é um clássico, né? Quem nunca assistiu e se envolveu com a história de Elle Woods? A loirinha vai pra faculdade atrás do namorado (que é um idiota e largou a menina) e, apesar dos preconceitos vindos de absolutamente todos os lados, acaba se destacando entre os colegas. Não tem como não torcer pela menina.

 

  • Nise- o coração da loucura

Mais um nacional incrível. Nise é protagonizado pela Glória Pires e conta a história real da psiquiatra Nise da Silveira. O trabalho que a médica faz com os internos mais “problemáticos” passa das barreiras dos preconceitos. A história é muito inspiradora. E, meu Deus, QUE MULHER. Um exemplo de força e determinação.

 

  • Joy

A história da moça que tem uma vida pessoal extremamente complicada, mas ideias brilhantes é incrível. A protagonista, vivida pela musa Jennifer Lawrence,  batalhou muito para conseguir ser uma mulher poderosíssima graças às suas invenções.

 

  • O Diabo veste Prada

Outro clássico maravilhoso! Só de pensar nele eu já começo a cantar Suddenly I See. Andy é uma moça cheia de sonhos para sua carreira jornalística. Mas nas mãos de sua chefe, Miranda Priestly a menina sofre e muito. A vida dela vira completamente de cabeça para baixo e ela acaba colocando a própria confiança à prova. Mas é claro que ela consegue dar a volta por cima e surpreender inclusive a chefe doida.

 

  • Jogos Vorazes

Quer mulher mais empoderada que Katniss Everdeen? A menina se voluntaria para tomar o lugar da irmã num reality show mortal e ainda revoluciona o país inteiro.  Fora que enfrenta todo mundo que sempre a subestimou, né? E mostra que ela pode conseguir o que quiser fazendo as coisas do jeito dela.

 

  • Orgulho e Preconceito

O filme baseado no romance de Jane Austen (que inclusive é o livro que eu estou lendo no momento) é uma graça. Elizabeth Benett é a segunda de uma família de cinco irmãs, mas diferente delas, a menina não quer que sua vida se resuma a um casamento. Ela recusa um casamento sem amor com um primo que só a quer por interesse e, cada vez mais, seus encontros com o enigmático Mr. Darcy aumentam. Apesar de ser uma história de amor, A força e a personalidade forte de Elizabeth são INCRÍVEIS.

 

  • Histórias Cruzadas

Esse filme é MARAVILHOSO. E tem um monte de mulheres incríveis. Uma jornalista resolve escrever um livro sobre as mulheres negras da cidade que largam suas vidas pessoais para trabalhar nas casas da elite e cuidar dos filhos dos ricos. É uma história divertida e emocionante.

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

A diferença entre assédio e elogio

Cena: Menina, 17 anos, saindo do prédio num dia de calor do Rio de Janeiro. A rua é uma ladeira pouco movimentada na zona norte carioca. Ela está indo para o pré-vestibular, mochila nas costas, sol na cabeça, vai pegar um ônibus na rua transversal. Eis que o táxi descendo a ladeira diminui a velocidade até quase se igualar ao ritmo dela. O trabalhador no volante escancara a janela, mete a cabeça para fora e grita “tá de parabéns, hein, gostosa”. Ela revira o olho, mas ignora. Ele repete e ela precisa respirar fundo para não responder. E então, escuta um barulho alto. Quando olha para trás, vê que, prestando tanta atenção nela, o taxista esqueceu de olhar para a rua e acabou batendo no carro parado na frente. Ela ri bastante, o cara fica puto.

A história acima aconteceu com uma amiga minha. Ela postou no Twitter e eu achei bem engraçado. Acontece que, quando passei adiante, ouvi muito os seguintes argumentos: “você tá achando engraçado? É o instrumento de trabalho do cara”, “ele tava só elogiando a garota, não fez nada demais”, “o cara faz um elogio e vocês desejam o mal dele?”, “ele deve ter levado o maior prejuízo e ela ainda riu na cara dele?”.

De fato, é o instrumento de trabalho do cara. E certamente ele teve um prejuízo. Mas, queridos, eu acredito bastante em carma. O que você faz nessa vida, seja bom ou ruim, volta. De uma forma ou de outra, volta. E para aqueles que ainda têm uma certa dificuldade em diferenciar elogio de assédio, deixa eu tentar ser bem clara e didática.

Se você quiser elogiar uma mulher desconhecida na rua, aqui vai um tutorial. Chegue desarmado, sem essa tua marra de quem acha que come todo mundo mesmo. Olha no olho dela enquanto fala. Diz que ela é bonita, que gostou do jeito que ela se veste, que o perfume é bom, que ela tem um sorriso lindo, fala para ela o que chamou a sua atenção. Mas, antes de falar, pense dez vezes se o que você pretende dizer pode soar ofensivo. Não encosta nela enquanto fala a não ser que ela te dê liberdade para isso. (E, não, a roupa dela não é código para você saber se pode ou não pôr sua mão ali)

Se você chegou numa boa, foi simpático, elogiou a menina de verdade e esperou a reação dela sem pressão, você tem alguma chance de ela te achar legal e te dar uma atenção. Mas se ela disser não, querido, paciência, a vida é assim mesmo.

Quando você grita “e aí, gostosa”, “princesa”, “ô, lá em casa”, ou coisas do gênero para qualquer uma na rua, isso NÃO É um elogio. Você está sendo escroto, babaca, machista e imbecil, no mínimo. Esse tipo de coisa ofende. Não porque a gente não se ache gostosa, pelo contrário. Mas porque a gente se sente exposta, nua, suja e impotente. Parece que você é um pedaço de carne no açougue à disposição de quem quiser levar. E ofende porque a gente sabe que é muito mais do que isso; e queremos ser vistas e tratadas com respeito.

Você não tem o direito de assediar ninguém na rua só porque acha que tá tudo bem. Porque pra você pode até estar tudo ótimo. Mas para a gente não fica. Surgem um milhão de questões na cabeça. Dúvidas sobre o nosso valor e capacidade de chegar onde queremos.

Muita gente tenta educar homens falando “podia ser a sua mãe, sua filha ou sua irmã”. Mas a verdade é que o assédio não é errado porque você tem uma mãe, filha ou irmã. O assédio é terrível porque nós somos seres humanos; tão capazes quanto vocês. E merecemos respeito e liberdade para viver em paz, assim como vocês.

Bruna Paiva

 

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Uma playlist bem GIRL POWER para você se sentir maravilhosa

 

Imagem: Pixabay

Outro dia eu, em plena TPM, estava me sentindo meio mal e resolvi apelar para um dos melhores remédios do universo: música. Mas eu não queria ouvir qualquer coisa, precisava de algo que me jogasse pra cima sem diminuir ninguém. A maior parte das listas que eu achei tinham músicas ótimas, mas muitas, apesar de serem cantadas por mulheres sensacionais, falavam sobre homens; e não era aquilo que eu queria no momento.

Como não encontrei bem o que estava procurando, resolvi montar eu mesma uma playlist que me agradasse. Acabei fazendo uma lista de músicas empoderadoras cantadas por mulheres; de preferência falando sobre como nós somos incríveis, e não sobre homens que nós não queremos mais.

Eu amei o resultado e tenho escutado tanto essa playlist que resolvi compartilhar com vocês. A Playlist é pública no Spotify, e eu também criei uma lista de reprodução no Youtube para vocês terem as duas opções. Espero que gostem e se sintam incríveis escutando!

Clique aqui para entrar na Playlist pelo Spotify!

Youtube:

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Onde o feminismo se aplica na sua vida?

Imagem: Pixabay

Dia desses ouvi um estranho na rua discursando sobre como o feminismo é desnecessário, radical e só quer fazer com que mulheres tenham mais direitos que homens. Eu não me meti na conversa em parte porque não tinha energia para aquilo no momento, parte pela boa educação que meus pais me deram. Acontece, que o que aquele estranho não sabia era que logo ao seu lado, havia alguém se sentindo poderosamente feminista naquele dia.

O feminismo está na luta, na militância? Está, sim. E ainda bem que existem mulheres incríveis dispostas a dar a cara a tapa por todas as outras. Mas o feminismo também está presente em coisas pequenas, do dia a dia.

Naquela tarde, eu vesti a roupa que eu quis, me arrumei toda, olhei no espelho e pensei “meu Deus, que mulherão da porra”. Depois eu saí, sozinha, com o meu dinheiro, encontrei com uma amiga e me diverti a tarde inteira sem dar satisfação para ninguém. Fizemos o que tivemos vontade e depois voltamos para casa. Coisa boba, nada demais, mas eu voltei no metrô (o mesmo em que encontrei o distinto senhor do início do texto) me sentindo incrivelmente livre e feliz.

E o feminismo está aí, em me olhar no espelho, vestindo a roupa que eu gosto, achar ótimo e sair sem dar atenção para o que qualquer um acha do jeito que me visto. No prazer de ter o meu próprio dinheiro e fazer dele o que eu bem entendo. Na segurança em afirmar que um relacionamento, hoje, está longe de ser prioridade na minha vida. O feminismo está nos planos e objetivos que eu traço para mim. No entendimento de que eu sou a pessoa mais importante da minha vida, mesmo. No fato de que agora eu estou postando esse texto e falando sobre esse assunto num espaço que é meu e ninguém tem nada com isso.

O feminismo está na liberdade. Em, finalmente, poder afirmar sem medo que sou apaixonada por mim. Em ponderar as situações e tomar, eu mesma, as decisões importantes da minha vida. O feminismo está na minha avó, que vai me matar quando ler isso, mas, sem tomar consciência, é um dos maiores exemplos feministas da minha vida. Uma mulher que criou três filhos sozinha, que apanhou muito da vida e que hoje, aos 71 anos, é livre, ativa e faz de si o que bem entende.

O feminismo é fundamental e nos permite tomar as rédeas de nossas próprias vidas. Nos faz entender que somos capazes de qualquer coisa. Nos permite acreditar em nós mesmas. E talvez isso incomode; mulheres se unindo, se espelhando umas nas outras para chegarem aonde tiverem vontade. E justamente porque ainda incomoda é que precisamos mais dele. Por causa do feminismo, hoje, eu sei exatamente o que quero da minha vida e luto por isso. Porque eu sei que posso e consigo.

Bruna Paiva

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Dona de si

woman-1208328_640.jpgEla anda descalça pelos corredores da faculdade e não se incomoda se a blusa estiver amarrotada. Ela ama moda e veste tudo o que acha bonito, mas, quando a preguiça é maior, ela corre para as combinações de sempre. Ela usa tênis com qualquer meia e só passa maquiagem quando está com paciência.

Ela dá um nó no cabelo bagunçado, sem pentear, e sai de casa numa boa. No fone de ouvido, escuta de Beatles a Molejo. Adora livros densos, mas se derrete com os romances adolescentes. Ela come de tudo o que gosta e uma vez por dia dá uma volta no quarteirão com o cachorro. De vez em quando ela pega a bicicleta e pedala pela cidade. Ela assiste a filmes de ação, comédia, romance e terror.

Ela não bota dificuldade em nada. Não se priva do que quer. Se está louca para ir à praia, dá um jeito e vai. Quer sair para beber? Chama as amigas. E, se ninguém for, ela vai sozinha mesmo. Ela sai com quem tiver vontade e faz o que estiver a fim. Até sonha em encontrar um amor, mas não se prende a ninguém por pura carência.

Paga as próprias contas e ama viajar. Ela não tem vergonha de nada. Faz tudo o que quer na vida e não esconde isso de ninguém. Não dá a mínima atenção aos julgamentos vindos de gente que no fundo queria ser como ela.

Ela é livre, dona de si. É quem manda no próprio corpo, nas próprias vontades, na própria vida. Ela queria que todas as outras mulheres pudessem sentir a liberdade de ser assim: escritora do próprio destino.

Bruna Paiva

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE