História viva

O centro da cidade tem uma áurea meio mágica que consegue me  levar quase a outra dimensão. Por mais que eu já conheça, que ame aquele lugar, sempre vem a mesma sensação: me sinto como Harry Potter entrando em Hogwarts pela primeira vez. É um encantamento sem igual a cada prédio que eu nunca havia reparado e um sentimento nostálgico ao passar de novo por alguns de seus cantinhos, tantas vezes cenários de minhas lembranças preferidas…

Meu primeiro encontro com o ídolo que eu tanto amo se deu no retorno do Cine Odeon, bem no meio da Cinelândia. Na estação de metrô, o dia divertido de carnaval com meu primo que terminou num perrengue naquelas escadarias.  Na rua de trás, a mais mágica livraria do Rio de Janeiro. A Cultura da Senador Dantas é sem dúvida meu lugar preferido por ali.

Mudando de calçada e seguindo até o fim, você chega no prédio mais imponente do Centro. O Theatro Municipal é magia pura para qualquer bailarina. Tantos espetáculos sensacionais eu já assisti ali…

Do outro lado, as ruas de comércio, onde todo ano cumpro a tradição de compras com a minha mãe e minha avó. Na Rio Branco, vi o Papa Francisco passar na JMJ. Às proximidades da Candelária me lembram o passeio incrível no início da faculdade. CCBB tem gostinho de infância e Praça Mauá dá saudade da Olimpíada.

O Centro é repleto de história, seja da minha vida, da minha cidade ou do meu país. E talvez seja justamente esse tanto de história que proporciona aquele ar diferenciado, que, mesmo no meio daquela correria, do formigueiro de gente, me hipnotiza. É história viva, que quer ser contada, que quer ser vivida.

Bruna Paiva

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1808- uma aula de História esclarecedora

Livro_1808_Edicao_Especial_9788542203318_1469360Você presta atenção às suas aulas de história? Eu vou confessar que nunca foi minha matéria preferida. Entretanto, desde que comecei a prestar mais atenção às aulas, passei a gostar mais de estudar o passado. É quase como ler um romance, a diferença é que a história é real e tem o mundo de hoje como consequência.

Esse interesse pela disciplina me levou ao livro 1808, de Laurentino Gomes. A obra é uma aula de história completa sobre a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil. Eu amei o livro.

Além de contar o que aconteceu no ano de 1808 de uma forma muito mais divertida que as aulas da escola, o livro é esclarecedor. Digo isto porque quem lê percebe que o país não mudou quase nada no que diz respeito a questões sociais e culturais.

Sempre ouvi dizer que a corrupção está nas raízes dos brasileiros, e agora percebo que infelizmente é a verdade sem tirar nem pôr. Os brasileiros lidam, suportam, fingem que não veem e praticam a corrupção desde o início do país. Ninguém faz nada sobre isso desde aquela época.

O jeitinho brasileiro? Adivinhem. Começou por lá também. Aliás, veio dos próprios portugueses que concediam privilégios políticos em troca de favores, desviavam dinheiro, entre outras maneiras de se corromper. O povo brasileiro nasceu no meio dessa loucura. Não é difícil perceber a plena ligação do passado com o presente.

A falta de educação que hoje presenciamos por aí, também não fica atrás. Em 1808 ninguém praticava higiene, bons modos ou respeito pelos outros. Pessoas comiam sem talheres e isso era encarado com normalidade. O rei D. João, que possui um histórico pífio de banhos em toda sua estadia no Brasil, foi diversas vezes flagrado defecando nos jardins do palácio, onde hoje temos a Quinta da Boa Vista. Já estendeu sua toalha naquele chão para um piquenique? Pois é, tive a mesma sensação.

A parte mais tocante do livro, que ganhou o Prêmio Jabuti, é a que trata da escravidão. A injustiça humana é algo que me revolta demais. Não consigo ler nada sobre nazismo sem cair em lágrimas. A escravidão tem o mesmo efeito. Um livro que era para ser informativo, me fez chorar com as descrições reais de condições desumanas com que pessoas eram tratadas quando feitas de escravos.

O livro, que foi resultado de uma pesquisa gigante do autor(incluindo consultas a bibliotecas de Portugal e outros países),  éIMG-20150906-WA0027 maravilhoso e tem mais duas sequências: 1822, que se passa durante o processo de  independência do país, e 1889, que conta a proclamação da República. Encontrei com o autor na Bienal do Livro, como já contei aqui pra vocês, e ele foi super simpático comigo.

Também na Bienal, encontrei uma versão dos livros voltada para o público infantil. Repletos de ilustrações, é uma ótima ideia para fazer as crianças se interessarem pela história do país.

Na versão original, a leitura é pesada, mas essencial para quem vive no Brasil de 2015. Principalmente aqueles que amam falar de política sem ter muitos argumentos.

Engraçado perceber que 207 anos depois as pessoas continuam acatando algumas imposições do governo e injustiças sociais sem questionar ou lutar mais por seus direitos. Ao ler 1808, percebi que Cazuza tinha razão: vivemos num museu de grandes novidades.

Bruna Paiva

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