27 de setembro

Saí de casa pro trabalho hoje e dei de cara com dezenas de crianças na rua. Grupinhos com mochilas, mães e garrafinhas d’água caminhando meio sem rumo mas com objetivo certo: doces. A saudade da infância bateu tão forte que eu não aguentei.
Cresci e vivo até hoje no subúrbio carioca. Por aqui, 27 de setembro é lei: dia de São Cosme e Damião, dia de ir às ruas. As colegas que se mudavam sempre diziam que, na zona sul e na barra, a magia mal existia.
Cosme e Damião era o único dia em que minha mãe me deixava matar aula. Menos quando a escola marcava prova justamente no dia 27. Maldade pura, eu sempre acreditei.
Passávamos o dia inteirinho caminhando por todas as ruas do meu bairro e dos adjacentes. Todas as crianças da vila iam juntas. Era mais legal com os amigos. A gente levava mochilas e de vez em quando passava em casa pra diminuir o peso e pegar mais água. As mães às vezes revezavam o turno porque, diferente de nós, elas cansavam de andar pra lá e pra cá o dia todo. Tinha até mãe evangélica que fingia que não via e deixava o filho ir correr atrás do doce com os amigos. O bom era a bagunça.
Era o dia em que todas as crianças da região se encontravam nas ruas, independente da escola em que estudavam ou da classe social. Todo mundo lutando pelo mesmo objetivo: o tal do saquinho de doces.
O meu preferido era o de papel. Já na minha época quase extinto. Eu ganhava e já metia o olho lá dentro pra ver se tinha doce de amendoim, o que eu mais gostava e que acabava mais rápido lá em casa.
No fim do dia era hora de ganhar os doces dos vizinhos da vila (sempre os últimos porque já guardavam pras crianças de lá) e contar os saquinhos. A graça era ver; quem conseguiu mais. Eu e meu irmão sempre ganhávamos porque juntávamos os nossos (levemente trapaceiros, mas pelo menos a gente realmente dividia tudo hahah).
Com o tempo a ostentação foi diminuindo. Em parte pelas crises econômicas que dimiuíram a oferta de doces na vizinhança, mas também pela tristeza do fim da infância.
No inicio da adolescência, os dias 27 de setembro eram quando eu me vestia da maneira mais infantil que eu conseguia. Mas uma hora parou de colar (kkkk). A cada ano eu ganhava menos saquinhos. E hoje eu só tenho saudades…
Bruna Paiva
Ps: Texto escrito em 2019 e publicado em meu Facebook antes da pandemia do coronavirus. Não provoquem agolomerações!

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10 séries que marcaram a minha infância!

Hoje é dia das crianças e quem não tem saudades dessa fase? Nesse 12 de outubro resolvi relembrar com vocês as séries que mais marcaram a minha infância. Aquelas que a gente não perdia um capítulo, sabe? Tenho certeza de que quem foi criança junto comigo também assistia a alguma dessas e deve morrer de saudades. Como recordar é viver, aí estão:

  • Teletubies 

Acho que todo mundo que nasceu na década de 90 assistiu Teletubies incansavelmente quando pequeno. Eu fazia minha mãe gravar os episódios para que eu assistisse milhares de vezes seguidas. Odiava a “hora de dar tchau” e até hoje me pego cantando a musiquinha de abertura…

  • Sítio do Pica-Pau Amarelo   

Acho que essa foi uma das fases mais legais da minha infância. Quando a Emília era interpretada pela Isabelle Drummond e eu queria porque queria ser a Narizinho. Lembro de alguns episódios até hoje. Eu chegava da escola e já corria para assistir ao Sítio. Não podia perder um minuto. Acho um crime terem acabado com a série. Nunca li o livro que deu origem ao seriado, mas é um dos que eu sou louca para ter na minha estante… Volta e meia ainda assisto às reprises no canal Viva.

 

  • Carinha de Anjo 

Essa novela era meu xodó. Eu amava a Dulce Maria e assistia todo santo dia. De noite, ai de quem não me deixasse colocar a TV no SBT. Até hoje guardo com carinho a boneca inspirada na personagem, que ganhei justamente em um 12 de outubro.

 

  • O clube das Winx   

    “Winx, quando damos nossas mãos nos tornamos poderosas porque juntas somos in-vem-cí-veis” Sim, eu lembro a música, eu canto a música e eu ainda quero ser a Bloom e a Stela. O clube das Winx passava todo santo dia às três da tarde no Cartoon Network. E bom, acho que já deu para notar que eu estava sempre em frente à TV.  Aliás, a série está no Netflix e, sim, eu ainda assisto.

 

  • Alegrifes e Rabujos

Quando eu descobri que o Netflix tinha Alegrifes e Rabujos eu quase surtei. Assisti ao primeiro capítulo e chorei. Primeiro porque eu achei meio bobinho e acabei ferindo um pouco a magia daquela época. Depois por nostalgia. Eu AMAVA essa série. Passava no SBT e eu não perdia um episódio. Não tenho coragem de doar a boneca da Sofia, que eu guardo no fundo do baú… Completei o álbum de figurinhas e era apaixonada pelo Alcachofra. E a abertura era VIDA! “A-legrifes e Rabujos, A-legrifes e Rabujos…”

 

  • Kennan e Kell 

“Quem ama refrigerante de laranja?”

“O Kell ama refrigerante de laranja”

“Ama mesmo?”

“Uhum, eu amo, eu amo, eu amo, eu amo “

E quem não amava esses dois? Até hoje quando passa no Nick at Night eu paro para assistir!

 

  • Floribella  

Quem não se apaixonou por Flor e companhia? Eu simplesmente amava. Sabia todas as coreografias e até hoje sei cantar a maioria das músicas. Fiz minha mãe comprar o bamba da sorte e me achava com aquele tênis todo colorido. Lembro de uma vez que meus pais tentaram me levar ao show na Barra, mas quando chegamos os ingressos estavam esgotados. Chorei pra caramba naquele dia. Recentemente, o Netflix disponibilizou Floribella. Assim que tiver um tempinho, quero tirar um dia para assistir e matar as saudades dessa época…

 

 

  • Rebelde 

Eu queria ser Roberta Rey e era completamente apaixonada por Diego Bustamante. Rebelde foi uma das melhores séries que eu assisti quando pequena. Eu amava e sonhava em estudar no Elite Way. Voltei a assistir Rebelde no Netflix e a magia foi a mesma, a série é incrível! Um dos traumas da minha infância é nunca ter ido a um show do RBD no Brasil. Mesmo assim, tenho os DVDs e ainda canto e danço na frente da TV como quando tinha 8 anos.

 

  • Drake & Josh 

Diferente de muita gente da minha idade, eu não assistia muito à Disney quando pequena. Gostava mais da Nickelodeon. Drake e Josh foi uma das que eu mais assisti. Amava os episódios da vida dos irmãos e as travessuras da caçula Megan. Eu via junto com meu irmão e a gente se identificava com as brigas dos irmãos da TV. Até hoje quando passa eu paro para assistir.

 

  • Zoey 101 

Por último, mas não menos importante. Zoey 101. Essa série, junto com Rebelde, me fez sonhar em estudar num colégio interno. Queria ser como a Zoey. A vida no Pacific Coast Academy parecia perfeita e eu era louca para fazer parte da turma de Zoey, Dana, Chase, Michael e Nicolle.

 

Efeito Peter Pan

 

peterpan— Mamãe, eu não quero crescer. – Havíamos acabado de assistir ao conto de fadas de Peter Pan. E eu fiquei sem saber o que dizer quando minha filha, na inocência de seus 4 anos, me veio choramingando. Tentei dizer que crescer seria muito legal e que ela poderia fazer milhares de coisas que não podia sendo criança. Mas não acho que consegui convencê-la de que crescer era bom.

Talvez porque nem eu mesma acredite nisso. Talvez porque eu não tenha gostado muito de crescer. Se pudesse correria à Terra do Nunca de Peter, sem pensar duas vezes. É claro que crescer tem seu lado bom, um lado ótimo por sinal. Se eu não tivesse deixado a infância para trás, minha pequena não estaria aqui ao meu lado.

Mas como enganar a garotinha que eu mais amo nesse mundo dizendo que ser adulto é tudo de bom? Queria poder deixá-la ser criança para sempre. Guardá-la sob meus cuidados sem que ela precisasse passar por qualquer dificuldade.

Queria que ela não se decepcionasse tanto como eu precisei para amadurecer e perceber que nem tudo na vida é como em um conto de fadas. Meu maior desejo é de que ela não sofra. Que não pare para pensar o quanto estava certa quando dizia que não queria crescer.

Tudo o que eu puder fazer para protegê-la dos maus bocados da vida eu vou fazer. Mas sei que não posso evitar que ela se machuque. Minha mãe não conseguiu evitar que acontecesse comigo… Meu bebê vai crescer assim como eu cresci e como todos temos que crescer…

Vai passar por obstáculos, vai chorar, se magoar… Mas com certeza também vai passar por muitas coisas boas. Vai ser muito feliz mesmo com as responsabilidades da vida adulta. Vai levar seu sorriso lindo e sua alegria contagiante para onde quer que ela passe.

E um dia, ela se perguntará novamente porque é que não se pode permanecer para sempre criança, como na história de Peter Pan. E talvez venha mais uma vez procurar sua velha mãe em busca de respostas que eu não saberei dar.

E se um dia isso voltar a acontecer, a acolherei em meus braços e farei de tudo para que se sinta segura enquanto assistimos a mais um filme da Disney.

Bruna Paiva