Existe vida sem Whatsapp?

whatsappOntem, ao chegar da minha colação de grau, abri o Facebook e me deparei com o assunto do momento: a pausa no Whatsapp. Não fazia ideia do porquê do alvoroço que se estendia ao Twitter e todos os sites de notícia. Foi um dia corrido e não tive tempo de abrir a internet antes. Em cinco minutos descobri o que causava tanto reboliço nas redes sociais. Por uma ação judicial, o Whatsapp seria bloqueado durante 48h em todo o Brasil (o que não se concretizou, a agitação foi tanta, que em 12 o aplicativo já havia sido liberado).

Quero deixar bem claro que não concordo com a “punição” determinada pela justiça brasileira. Até porque, o bloqueio do aplicativo, às vésperas da minha festa de formatura, quando ainda preciso resolver algumas coisas à distância, também me prejudicou. Por mais que fosse uma investigação importante, é de praxe para a empresa não quebrar o sigilo de seus clientes. Não acho correto os usuários, que nada têm a ver com a questão política, saírem no prejuízo. Entretanto, fiquei realmente assustada com o completo desespero que vi entre meus amigos e dentro de minha casa.

Para começar, há três anos ninguém usava Whatsapp. Não seria tão difícil assim voltar para o SMS ou o Messenger do Facebook, que é mega funcional; ou mesmo o extinto MSN, que eu amava e ainda acho um crime que tenhamos abandonado. Ah, existe uma coisa chamada telefone, a principal função do seu celular inclusive, dá para se comunicar por lá também. E outra: seriam só 48 horas. Talvez seja difícil de aceitar, mas acreditem, existe vida além da tela do celular.

Será que realmente é preciso tamanha inquietação por dois dias sem um aplicativo que nem estava em nossas vidas há quatro anos? Depois de algumas horas sem nenhuma notificação de Whatsapp, alguns pensamentos me vieram.

Lembrei que, quando eu era pequena, fazia minha mãe comprar cartões de Natal para entregar aos meus amigos, e sempre recebia um monte deles também. Sinceramente, não me lembro do último cartão de “Feliz Natal e um próspero Ano Novo” que recebi. Tenho esses papeis guardados e sinto falta desse carinho físico. O contato virtual é legal, mas não se compara a uma cartinha com a letra da pessoa. Ou a um abraço daquele amigo que você não vê há tempos.

O mesmo acontece no seu aniversário. Quantas pessoas te mandam cartões desejando coisas boas no seu aniversário? Nenhuma? Bem-vindo ao time. Hoje em dia, poucas pessoas me ligam no meu aniversário. Mas é claro que chovem “Parabéééns, tudo de melhor na sua vida. Bjs”. É claro que eu amo receber recadinhos de aniversário no Facebook, Whatsapp, Twitter, mas nem se compara a emoção de atender o telefone e ouvir a voz de alguém especial te desejando os parabéns.

É engraçado como os grupos estão sempre lotados de mensagens, mas quando é para se reunir na vida real, criamos mil dificuldades. Parem e pensem, pessoal, será que 48 horas sem esse aplicativo seriam realmente tão sacrificantes? E se o Whatsapp ou as redes sociais acabassem pra sempre, sua vida iria junto? Será que realmente precisamos de tanto desespero por um recurso que, repito, há quatro anos não nos fazia falta?

Se as coisas continuarem nesse rumo, eu realmente tenho medo do que pode acontecer se um dia essa “vida” virtual vier abaixo…

Bruna Paiva

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Meu IPhone, minha vida

Imagem: Reprodução

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Estou pra ver um adolescente que não goste de ter o mundo nas mãos como o século XXI tem nos proporcionado. De repente, todos os artefatos que meus pais viram começar, cada um com sua função, foram substituídos por um único e pequeno aparelho.

Os Smartphones estão nas mãos de todos, e a invenção da minha época contagia também as gerações anteriores. Minha avó de 69 anos não larga o aparelho desde que descobriu que pode perguntar o que quiser pra ele e obterá sua resposta clara e rapidamente.

Há algum tempo, eu achei um saco quando meus pais resolveram que era absolutamente proibido usar o celular à mesa, durante as refeições. Mas juro que de um tempo para cá tenho começado a entendê-los.

Já tentou conversar com alguém que não tira o olho do telefone? É insuportável. Ok, ok, não sejamos hipócritas, Bruna… É óbvio que já fiz e ainda faço muito isso. Mas o que andei percebendo é que minha geração carrega consigo uma síndrome do “meu Iphone, minha vida”.

E essa frase é literal. Duvida? Pergunte a jovens entre 12 e 25 anos (a faixa etária é maior, mas vamos nos restringir a essa) qual a importância que o celular tem em suas vidas. Eu garanto que, pensando muito pequeno, pelo menos 80%das respostas (e eu me incluo no percentual) serão “minha vida está aqui dentro”. Você com certeza já ouviu, ou pronunciou, essa frase.

O que me preocupa é que as pessoas realmente acreditam que sua vida está toda dentro do smartphone. Caramba, eu também sou louca por tecnologia, twitter é meu maior vício, snapchat, nem se fala, whatsapp é 24 horas e, quando eu não tenho o que fazer, passo horas no Youtube. Mas realmente acho que vale muito mais a pena sair com seus amigos pra jogar conversa fora do que fazer isso por mensagem de texto.

Minha mãe vive falando que minha geração não sabe dar telefonema. E é verdade. Preferimos escrever pequenas mensagens e esperar horas até sermos respondidos a ligar e ter a resposta imediata.

Olho no olho não tem preço e conversa virtual não substitui convivência. O melhor momento de um passeio ou um encontro não pode ser aquele em que a gente resolve tirar uma “selfie” para postar.

É ótimo saber que o mundo hoje cabe no bolso da minha calça jeans. Mas também seria legal poder conversar com um amigo sem que ele cheque o que há de novo na internet a cada cinco minutos.

Não é possível que tenhamos regredido tanto a ponto de realmente acreditar que nossas vidas estão dentro de nossos celulares. Se o “meu Iphone, minha vida” é o presente da minha geração, eu sinceramente tenho medo do que ainda vem por aí…

Bruna Paiva

 

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