A juventude “perdida” que ainda vai mudar o mundo

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“Essa sociedade está muito alienada!”

“Demais! Fora que as pessoas não conseguem ter empatia umas pelas outras. Sabe? Ninguém se coloca no lugar do outro.”

Foi esse primeiro diálogo que me fez levantar os olhos do livro que estava lendo. Numa das estações de metrô do Centro do Rio de Janeiro, entrou um trio de meninas, com no máximo 14 anos cada uma. As três vestiam calças jeans e a camisa de um colégio de Ensino Médio técnico e público. Mochilas, aparentemente pesadas, nos ombros e cansaço estampado nos rostos.

As três estavam numa discussão política super engajada. Defendiam o direito de cada um ser o que quiser e o dever de respeitar os outros. Discutiam um caso de injustiça que acontecera na escola com algum professor. Não entendi direito o problema, algo sobre a facilidade que as pessoas têm de julgar os outros de forma precipitada, baseadas em boatos sem se aprofundarem no assunto. Mas não consegui mais voltar para minha leitura.

Prestei atenção à conversa mesmo, mania feia, eu sei, mas não consigo viver sem observar tudo à minha volta. Não consegui parar de sorrir enquanto elas permaneceram ali dentro. Em tempos de um mundo tão louco e cruel, talvez a juventude não esteja perdida como muito se pensa e se fala por aí. As novas gerações se mostram cada vez mais engajadas, mais preocupadas em se colocar no lugar do outro e lutar por seus direitos.

É lindo ver meninas tão jovens já tão conscientes e discutindo assuntos importantes. Saí do metrô, naquele dia, feliz. Sorrindo e com uma esperança batendo forte no peito. Todo mundo tem o direito de ser e acreditar naquilo que quiser. E eu acredito, com todo o coração, que os jovens são capazes de mudar o mundo. Que a minha geração e as mais novas estão a cada dia mais conscientes, mais preocupadas em concertar o que está errado para que esse planeta vire, sim, um lugar melhor a cada segundo.

Bruna Paiva

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Vazio Literário no Salão de Livros para Crianças e Jovens FNLIJ 2015

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De um lado, cerca de 10 jovens leitores acompanhavam a narração de Alice no Pais das Maravilhas, conduzida pelo jornalista Pedro Bial. Na outra extremidade do evento, o incansável Ziraldo contava as aventuras de seus personagens para pouco mais de 15 crianças. E essas foram as duas maiores concentrações de pessoas que vi no último domingo (21/06), ao visitar o 17º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no Rio de Janeiro. Um cenário triste que me deixou com um vazio literário no peito pelo resto do meu dia de folga.

Vazio porque sei que a geração de jovens de hoje lê muito mais do que a minha. Vazio porque vi nos olhos de meus filhos a mesma decepção que eu não consegui disfarçar. Vazio porque, pelo desânimo que percebi nos livreiros, distribuidores e editores que participavam do evento, fiquei com receio de não haver uma 18ª edição. E vazio ainda maior porque ao meu lado estava uma adolescente, dona deste blog, que sonha em viver profissionalmente de literatura.

Lembro-me de ter levado meus dois filhos ainda bebês aos seus primeiros salões de livros. Eles não sabiam ler, mas se encantavam com as cores, com os formatos e desenhos dos livros infantis. Nós nos amontoávamos nas almofadas, nos pufes dos espaços de leituras e eu e a minha mulher  contávamos histórias. Interpretávamos, gesticulávamos e fazíamos vozes de vários personagens para eles. Deixávamos que segurassem os livros, que sentissem aquele universo. Acreditávamos e acreditamos ser importante para as crianças fantasiar, viajar por estórias e histórias.

Mas aquele ainda era o maravilhoso e exclusivo mundo dos livros impressos. Crianças não nasciam com tablets e smart phones em punho. Os tempos mudaram e as feiras literárias precisam se atualizar também. Um salão literário para crianças e adolescentes não pode ignorar novos autores, os blogueiros e os youtubers. São essas as novas referências  que têm arrebanhado cada vez mais a atenção dos nossos jovens e ajudado a formar novos leitores e formadores de opinião.

Alguém duvida que a presença de fenômenos jovens como Bruna Vieira, Felipe Neto ou Christian Figueiredo (todos tb autores de livros) arrebanharia muito mais jovens leitores do que eventos como 150 anos de Alice no Pais das Maravilhas ou 120 anos de Maba Tahan? Não defendo de forma alguma que não se cultuem ou valorizem os clássicos. Mas é preciso mesclar o tradicional com o novo para se atingir as novas gerações. Você atrai oferecendo o que eles gostam e aí aproveita a presença deles para  apresentar-lhes  um cardápio mais amplo.

Ao lado da feira de livros havia um encontro de Anime e Cosplay. Estava lotado de jovens e seus pais. E olha que a entrada custava R$ 25, enquanto a da feira literária custava apenas R$ 5. Será então que os jovens não querem mesmo mais saber de livros? Sinceramente não acredito nisso. Basta olhar para o crescimento da Amazon Brasil e de sites de leituras como Wattpad e Widbook. Basta ver a multidão que a Bienal do livro atrai ao mesclar os clássicos com as novas tendências, o analógico com o digital.

O que parece estar mais do que provado depois deste 17º Salão FNLIJ é que não há mais espaço para a velha fórmula de se expor os livros em uma estante e esperar que os leitores simplesmente apareçam. Vivemos no mundo dos mil estímulos. Os livros estáticos mantêm seu charme, mas nunca sofreram tanta concorrência. E para captarmos a atenção dos leitores é preciso interagir com esse novo mundo e sus novos estímulos.

Portanto, para o próximo salão, convidem os autores queridinhos dos adolescentes, convidem blogueiros, youtubers, viners…Coloquem uma bandinha jovem tocando e personagens andando pelos corredores…Convoquem os estudantes dentro das escolas (as pariculares tb) para concursos, antologias. Instalem uma espaçonave na entrada do salão, deixem os cosplayers entrarem… Façam alguma coisa ou tudo isso ao mesmo tempo. Mas pelo amor de Deus não me deixem sentir esse vazio literário mais uma vez.

JM Costa

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