O mundo acaba hoje

Ela não se importa que o mundo acabe se puder continuar dançando.

Está sozinha e nunca se sentiu tão bem acompanhada.

Não pediu permissão nem avisou a ninguém que estaria ali.

E finalmente sente-se livre.

Para sorrir

Respirar

Ser quem ela é.

Ela se sente mais leve; despida de toda carga acumulada no último ano.

E dança.

Sem mais nada em mente ela dança.

O olhar tenso de um rapaz de poullover negro é sua última visão. E então o mundo acaba.

Mas ela está dançando.

 

Bruna Paiva

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Dona de si

woman-1208328_640.jpgEla anda descalça pelos corredores da faculdade e não se incomoda se a blusa estiver amarrotada. Ela ama moda e veste tudo o que acha bonito, mas, quando a preguiça é maior, ela corre para as combinações de sempre. Ela usa tênis com qualquer meia e só passa maquiagem quando está com paciência.

Ela dá um nó no cabelo bagunçado, sem pentear, e sai de casa numa boa. No fone de ouvido, escuta de Beatles a Molejo. Adora livros densos, mas se derrete com os romances adolescentes. Ela come de tudo o que gosta e uma vez por dia dá uma volta no quarteirão com o cachorro. De vez em quando ela pega a bicicleta e pedala pela cidade. Ela assiste a filmes de ação, comédia, romance e terror.

Ela não bota dificuldade em nada. Não se priva do que quer. Se está louca para ir à praia, dá um jeito e vai. Quer sair para beber? Chama as amigas. E, se ninguém for, ela vai sozinha mesmo. Ela sai com quem tiver vontade e faz o que estiver a fim. Até sonha em encontrar um amor, mas não se prende a ninguém por pura carência.

Paga as próprias contas e ama viajar. Ela não tem vergonha de nada. Faz tudo o que quer na vida e não esconde isso de ninguém. Não dá a mínima atenção aos julgamentos vindos de gente que no fundo queria ser como ela.

Ela é livre, dona de si. É quem manda no próprio corpo, nas próprias vontades, na própria vida. Ela queria que todas as outras mulheres pudessem sentir a liberdade de ser assim: escritora do próprio destino.

Bruna Paiva

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