Tudo velho, de novo

Lugar há muito conhecido. Sentimentos assustadoramente familiares. Mais uma vez perdida, apavorada. Sozinha, um peixe fora d’água. Tudo de novo.

Por mais que não seja mais realidade, que não haja razão para se preocupar e que o acolhimento seja certeza agora, o mundo inteiro se resume àqueles corredores. A insegurança e a sensação de estar novamente presa ali tomam conta do meu corpo. Volto a andar com os olhos baixos, fragilizada.

Respiro fundo mas o ar não obedece. Lembranças demais por toda parte, e nenhuma das memórias agradáveis resolve dar as caras. A repetição daquela velha rotina me faz perceber o quanto fui marcada. Muito mais do que imaginava.

A rapidez com que os sentimentos me tomam faz tudo em volta se mover devagar, enxergo alguns de meus maiores fantasmas e é quase impossível convencer minha mente de que eles não estão ali. Me sinto pequena, cada vez menor. Quero colo, meu quarto, minha cama. De novo. O impulso é de correr para o banheiro e chorar, como tantas vezes fiz. Mas não vou.

Volto a respirar reafirmando que está tudo bem e que minha realidade é outra agora. Mas só consigo sentir o alívio de fato quando finalmente boto os pés fora do lugar em que estudei durante a vida inteira…

Bruna Paiva

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Medo de ser humano

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Tenho medo de sentar no ônibus que preciso pegar todos os dias e ser assaltada. Tenho medo de estar voltando para casa de noite, sozinha, e ser estuprada. Tenho medo enquanto me divirto. Medo de não conseguir proteger quem eu amo numa situação extrema. De estar dormindo e não ouvir alguém invadir a casa.

Tenho medo de brigas no trânsito, e de desentendimentos bobos com qualquer um que eu não conheça bem. Medo de que meu pai não volte para casa quando sai para passear com o cachorro. De que alguém cisme com meu ídolo ao ponto de atacá-lo. Tenho medo de engarrafamentos em vias expressas sem policiamento. Tenho medo de passar perto da própria polícia. Medo de deixar o medo de lado por cinco minutos. De piscar e o mundo desabar.

 Tenho medo quando o metrô lotado para antes da estação. Tenho medo de estar me divertindo no meio de uma multidão. De que alguém ache uma boa ideia estourar uma bomba, ou abrir fogo contra as pessoas, enquanto curto o show do artista que eu gosto, ou enquanto estou na sala de aula. Procuro distância de tudo o que me parece ameaçador. Medo de cada um que cruze o meu caminho. E apesar de abominá-los, eu tenho medos xenofóbicos e preconceituosos.

Tenho medo de um mundo ameaçado pelo ódio, caos e terror. Medo da minha impotência, da minha insignificância. Tenho medo de não ter controle, medo do inesperado. Tenho medo de morrer, ou perder quem eu amo. O tempo inteiro. Tenho medo por ser mulher, medo por ser jovem, medo de ser quem eu sou e de ser mal interpretada. Tenho medo de ser humana. Medo dos seres humanos.

Bruna Paiva

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