Meninas e meninos

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Enquanto as novelas tentam escalar audiência com beijo gay, traições e sexo desenfreado, os pais de meninas continuam ouvindo as mesmas piadas do século passado. Basta nascer um bebê do sexo feminino para alguém próximo ao pai soltar a piada pronta de sempre: “aêeeee vai passar de consumidor a fornecedor”. Como se aquela recém-nascida estivesse fadada a ser abatida dali a alguns anos.

A menina vai crescer, vai namorar e vai acabar dando pra alguém? É claro que vai. E tomara que sim. Ou será que ainda temos pais querendo que suas filhas sejam desvirginadas na noite de núpcias?

As meninas de hoje não são menos românticas, menos carinhosas ou menos fiéis porque não casam virgens. Pelo contrário. Elas são mais seguras, mais resolvidas e menos suscetíveis a virarem fantoche nas mãos de algum babaca.

Que beijem, que amem, que se apaixonem e se decepcionem. Que vivam e se experimentem. Que acima de tudo aprendam a se valorizar e a não se deixarem manipular. Que nossas meninas desabrochem e se realizem como mulheres em todos os campos que escolherem atuar.

E que nossos meninos aprendam cada vez mais cedo a importância que elas têm em suas vidas. Fomos todos gerados no ventre de uma menina. E é sempre ali, em seus braços, que quando amamos uma mulher nos sentimos completos e protegidos.

JM Costa

Meu irmão deu pra me vigiar!

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Recentemente, meu digníssimo irmão mais novo passou a estudar no mesmo colégio que eu. E outro dia chegou em casa com esta:

— Pai, a Bruna vive se agarrando com um monte de meninos no recreio da escola.

— Eu o que?!

—É pai, ela vive agarrada com um monte de homem lá na escola.

—Como assim, filho?

—Como assim digo eu! Tá maluco moleque? Que monte de homem é esse que eu agarro?!

—Eu vi você abraçando um monte de menino hoje no recreio. Uns garotos do Ensino Médio. Deixa de ser sonsa.

— Eu não sou sonsa. Eu abraço os meus amigos. Mas não vivo agarrada com ninguém. Pai você vai deixar essa criança achar que pode tomar conta da minha vida agora?

E aí veio a resposta de meu querido pai que me deixou mais irritada do que eu já estava:

—Tá certo filhão. Tem que tomar conta da sua irmã mesmo. Pra ver quem é que ela fica abraçando no recreio.

Então eu lhes pergunto: COMO ASSIM? Agora meu irmão quer ficar me vigiando enquanto falo com meus amigos. E meu pai ainda incentiva. Vê se pode? Não que eu tenha nada para esconder. Só acho que dizer que não existe amizade sem segundas intenções entre sexos opostos é um pensamento absurdamente machista.

Quer dizer então que  se eu abraço meus amigos como forma de carinho e amizade eu estou me comportando de maneira errada para uma menina? Oi, em que século a gente está mesmo? Vamos deixar o machismo de lado? Minha gente, esse tipo de pensamento, pra mim, só pode ser definido de uma forma: retrocesso.

Meu irmão ainda se encontra naquela fase onde meninos e meninas se odeiam e só se juntam para medir forças. Mas a hora da vingança ainda está por vir. Daqui a uns anos quero ver se ele não vai estar, como ele mesmo diz, “se agarrando” com um monte de meninas na escola. Como ele é homem, ninguém vai ver problema nenhum nisso. Mas as meninas vão estar loucas pra saber coisas que só a irmã mais velha sabe. E aí, ele que me espere…

Bruna Paiva