5 livros para ler se você é feminista

Com 18 anos me descobri feminista. Na realidade, eu já era, sempre fui, só não sabia bem do que se tratava. Aos 18 percebi que aqueles ideais que eu sempre defendi eram fundamentos da ideologia feminista. Que assim fosse, se é preciso dar nome aos bois.

A representação feminina sempre esteve muito presente nos livros que marcaram minha adolescência. Hermione Granger, Katniss Everdeen, America Singer, Alasca Young e, vá lá, até mesmo Crepúsculo, apesar da protagonista meio sem sal, tinha personagens como Alice, Rosalie e Leah. Depois que percebi a importância de personagens desse tipo, passei a procurar, mais conscientemente, livros que me colocassem em contato com elas.

Por isso, no post de hoje, trouxe uma pequena lista de 5 títulos que você deveria procurar se você também é feminista. Os 5 foram escritos por mulheres e cada um traz um recorte de representação da mulher no texto. Dois são de não-ficção, um de contos e dois romances, todos textos deliciosos de se ler. Espero que gostem e vou adorar saber as recomendações de vocês.

 

  • Um teto todo seu – Virgínia Woolf

Acho que já falei desse livro por aqui. Nesse ensaio ficcional, Virgínia Woolf fala sobre o lugar da mulher na literatura (nos anos 20) e as dificuldades que uma mulher enfrentava ao decidir-se por essa carreira. Para Virgínia, uma mulher que quer ser escritora precisa apenas de dinheiro, tempo e um teto todo seu.

 

  • A via crucis do corpo – Clarice Lispector

Eu tive esse livro na estante por muito tempo sem nunca mexer. Quando resolvi ler, foi uma grata surpresa. Clarice, com sua escrita irônica e deliciosa, nos apresenta um livro com 13 contos. São 13 narrativas sobre mulheres, corpo, sexo, libertação e libido. São textos incríveis que colocam a mulher como protagonista de assuntos corpóreos. Terminei de ler mais uma vez encantada com o trabalho dessa autora sensacional.

 

  • O país das mulheres – Gioconda Belli

Outro caso de um livro que viveu por muito tempo encostado na estante até ter a chance de me surpreender. Essa história é uma distopia. A autora nicaraguense nos leva para um país em que as mulheres tomaram o poder. O Partido da Esquerda Erótica não permite que nenhum homem ocupe cargos públicos. É uma retratação histórica, justifica a presidente. Essa história controversa me tirou da zona de conforto justamente porque nos bota para pensar sobre extremismos. Muitas passagens do livro são incríveis, muitas me incomodaram, mas a história, que começa com um atentado à presidente, é maravilhosa e rende muita discussão.

 

 

  • Girlboss – Sophia Amoruso

Uma mulher que começou a revender roupas usadas pelo e-bay e, pouco tempo depois, se tornou uma das maiores CEOs de moda de seu país. A história de Sophia Amoruso é sensacional. Numa espécie de mistura entre autobiografia e manual de autoajuda, a CEO da Nasty Gal conta como se tornou tão poderosa e incentiva as Girlbosses em potencial a seguirem seus sonhos e batalharem para chegarem onde querem. Se você assistiu à série, esqueça, ela não faz jus ao livro incrível que Sophia escreveu.

 

  • Orgulho e preconceito – Jane Austen

Jane Austen escreveu Orgulho e Preconceito no século XIX, mas sua personagem Elizabeth Bennet não se rendia às regras sociais da época. Elizabeth era dona de si e fazia o que queria, o que sonhava, sem se curvar às vontades alheias. A história, que inspira a novela Orgulho e Paixão, é atemporal e apaixonante.

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Dois canais de mulheres maravilhosas, que eu conheci nesse início de ano!

Gente linda da minha vida! Férias é aquela época que a gente tem tempo para assistir as séries atrasadas pelo fim de período, ler o que não deu tempo no último ano e, claro, descobrir coisas novas nesse maravilhoso mundo da internet. Em duas semanas de 2018 eu conheci duas mulheres sensacionais que produzem um conteúdo maravilhoso para o Youtube, e, como tudo que é bom tem que ser disseminado por aí, é claro que eu precisava compartilhar com vocês!

 

Canal Me Poupe! – por Nathália Arcuri

Você quer educação financeira, @? Porque com a Nathália é isso que você vai ter. O canal Me Poupe é maravilhoso para quem quer aprender a organizar seu próprio dinheiro, economizar, investir, realizar sonhos… É um vídeo melhor do que outro esclarecendo vários assuntos de forma divertida e muuito didática. É incrível e eu simplesmente não consigo parar de assistir.

 

Canal Sobre Elas – por Emy Lobo

Eu descobri o canal da Emy pelo Instagram, e quando percebi sobre o que se tratava, fiquei apaixonada e comecei a assistir um vídeo atrás do outro. O canal Sobre Elas é pequeno, está começando, mas já tem um conteúdo incrível. É empoderamento puro trazendo informações sobre teoria feminista, documentários sobre machismo e o incrível projeto #Sobremachismonoaudiovisual. É maravilhoso, se você começar, não vai conseguir parar nunca mais!

 

Já conhecia algum dos dois canais? Conhece algum outro que eu iria amar? Conta pra mim! Adoro ler as sugestões de vocês!

 

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5 autoras incríveis para conhecer no Wattpad

Quem acompanha o blog sabe que, desde a época em que lancei Um Diário Para Alice, uso bastante o Wattpad.

Pra quem não conhece, o Wattpad é uma plataforma sensacional onde a gente pode postar livros e histórias inéditas e ainda interagir com os leitores. É uma experiência ótima tanto para quem escreve quanto para quem lê. Mas como há um volume muito grande de obras lá dentro, às vezes a gente fica meio perdida sem saber por onde começar.

Por isso, hoje eu trouxe uma lista com dica de 5 autoras para ler no Wattpad. São meninas incríveis, com ótimas histórias para contar. Além delas, é claro, o meu Um Diário Para Alice também está disponível lá para quem ainda não conhece!

Eu conheci a Maíra no evento Mulheres Que Escrevem, em agosto. Amei a forma como ela se colocou no debate e acabei procurando pelo livro que ela comentou que estava postando no Wattpad.

“Quase sem querer” conta a história de Liana, uma adolescente que perdeu o pai num acidente há alguns anos e que agora, morando com a mãe tem uma vida bem normal e monótona. Tudo muda quando de repente a mãe dela resolve se mudar para a casa do novo namorado, levando a filha. Liana muda de casa, cidade, escola, rotina e ainda odeia o filho do novo padrasto. A menina passa a se sentir extremamente deslocada e precisa lidar com toda a confusão em sua mente.

Eu amei a forma como a Maíra constrói a personagem. Uma menina de 16 anos extremamente forte, feminista e que sonha alto. O texto é uma delícia de ler e eu acompanho de verdade. Doida para saber onde vai dar essa história.

A Maíra também escreve no Medium e mantém o blog www.mairacomacento.com.br

 

 

A Clara tem uma longa estrada, no Wattpad e fora dele. Mocassins e All Stars foi seu primeiro livro físico publicado e desde então ela já publicou 8 obras no Wattpad entre contos e livros de ficção adolescente. Todos têm premissas incríveis e um texto gostoso de ler, fora que ela foi vencedora do Prêmio Wattys 2015 e do de 2016.

Clara mantém o site www.clarasavelli.com e é mega ativa nas redes sociais!

 

A Thaís é minha amiga. Nós fazemos faculdade juntas desde o ano passado, mas demoramos um bom tempo para descobrir que a gente tinha trajetórias parecidas. A Thaís tem um conto publicado pela mesma editora que eu, a Andross, e mantém a série Renegados no Wattpad.

Renegados é uma ficção científica distópica incrível que conta a história de Daniel, um jovem que não quer ceder suas memórias como preço do alistamento obrigatório à Militância, e Mariane, que perdeu os pais para os Militantes e agora se vê diante do dilema de ser obrigada a se tornar uma. A Thaís escreve super bem e a gente fica ansiosa querendo saber o que vai acontecer com os personagens.

Thaís também já tem publicado pela Multifoco o livro Shine Moon e mantém o blog rascunhosaraujo.blogspot.com.br

 

 

A Lycia Barros já é escritora há um bom tempo e tem 11 livros publicados, inclusive por grandes editoras. O seu primeiro romance está sendo adaptado para o cinema. No Wattpad ela tem quatro histórias publicadas, sendo algumas somente para degustação. Eu conheci pelo livro “Perdido sem você”, que traz uma história que diverte e ao mesmo tempo é bastante sensível. Dante é um menino que sempre foi super focado e espiritualizado. Mas as coisas começam a se abalar quando sua banda passa a fazer muito sucesso no país inteiro.

Lycia mantém o site www.lyciabarros.com e é super ativa em suas redes sociais.

 

A Mariana eu conheci pelo livro “Orleans”  que traz a história de uma jovem que trabalha numa livraria e tem um cliente que, pelo interesse constante nas obras de Shakespear, chama de Próspero. É uma história leve, divertida e que dá vontade de não parar de ler.

A Mariana já tem outros livros físicos publicados e mantém a página dela no Facebook https://www.facebook.com/autoraMarianaCamara

 

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Se o vagão é feminino, por que os homens continuam entrando?

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Todos os dias, para chegar à minha universidade, eu preciso pegar o metrô. Entro na estação por volta das 17:40. Sempre me posiciono atrás de uma espalhafatosa faixa rosa-choque, colocada na plataforma para indicar que o segundo vagão é feminino em horários de pico (dias de semana das 6h às 9h e das 17h às 20h). Há seis meses, não houve ainda um dia em que eu não tenha fechado a cara ao me deparar com o interior do vagão: cheio de homens, em sua maioria sentados.

Em algumas estações, normalmente no centro da cidade, os fiscais entram no vagão e soltam a frase decorada “pessoal, só para lembrar que, nesse horário, esse vagão é feminino. Vocês podem ir para todos os outros”. A maioria dos homens fica sem graça e muda de vagão, mas sempre tem aquele percentual que finge que não escuta e continua onde está. E ainda os que escutam e optam por descumprir a lei de forma deliberada mesmo.

Na semana passada, uma moça entrou falando bem alto “Vagão de mulher, vagão de mulher. Por favor, gente, a essa hora esse vagão é de mulher”. Um cara se levantou e ofereceu seu lugar. Ela agradeceu, mas disse que não queria sentar, só desejava que os homens fossem para outro vagão. O cara olhou-a de cima a baixo, sentou novamente e retomou a conversa com o amigo.

wp-1465300308226.jpgSei que alguns homens entram sem nem perceber. Mas outros, muitas vezes encaram os adesivos cor de rosa no interior do vagão e escolhem ignorar, voltando a atenção para seus celulares. Muitos utilizam do mesmo argumento: “Mas eu não sou o único homem aqui”. Querido, se você não aprendeu até hoje, deixa eu te ensinar: o erro dos outros não é justificativa para o seu.

Você pode pensar “mas qual o problema se você pega o sentido em que o metrô nem está tão cheio?”. O problema é que há dez anos e dois meses foi sancionada uma lei estadual aqui no Rio de Janeiro que, em seu artigo segundo, dava 30 dias como tempo de adaptação. Veja bem, TRINTA DIAS, e há DEZ ANOS ainda tem (MUITA) gente que não respeita essa lei. Às vezes os homens acham que sair do vagão feminino é fazer um favor às mulheres. Aprendam: NÃO é favor, é uma questão de respeito à lei. Nós temos o direito de andar no metrô cheio sem precisarmos nos preocupar com assédio.wp-1465300301719.png

O que eu vejo todos os dias no metrô é o retrato das faltas da nossa sociedade. Falta de educação, falta de respeito ao próximo, e, não dá para deixar de citar a falta de luta pelos nossos direitos.

No dia em que aquela moça pediu que os homens se retirassem, só eu e mais duas mulheres manifestamos apoio a ela. E, confesso, se ela não tivesse falado nada, eu teria continuado calada, com coragem apenas para encarar os homens com cara feia e desviar o olhar logo que eles percebessem.

Todos os dias o cenário é o mesmo e o incômodo também. Dá para sentir como várias mulheres ficam irritadas, assim como eu, quando o vagão está cheio de homens. Mas ninguém fala nada. A gente não se pronuncia por medo, covardia ou mesmo por pensar que “se eu falar não vai mudar nada”. Mas se a gente resolver se unir para reivindicar um direito que é nosso, te garanto que muda.

Se você é mulher e se incomoda com os homens no vagão feminino, reclame. Fale com os fiscais que ficam na plataforma. Mande mensagens para o metrô Rio, o twitter deles é @Metro_Rio, enche o saco deles, fala o número do carro e a estação, eles respondem. E pra quem anda de trem, pode mandar para a  Supervia: @SuperVia_trens. Peça, educadamente, para os homens se retirarem do vagão. Se manifeste na internet. Faça a sua parte. Só não fique muda, porque aí, minha amiga, realmente nada muda.

Bruna Paiva

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