Podia ser você

Você seria a pessoa perfeita. Tem quase tudo que eu sempre sonhei encontrar em alguém. É interessante, divertido, engraçado. Você me respeita e defende ideais parecidos com os meus. Você me admira como artista e como mulher e faz questão de enaltecer isso toda vez que fala comigo. Você me faz sentir bem, esquecer um pouco dos problemas e sorrir de vez em quando. A gente podia ser um casal sensacional.

Mas falta alguma coisa. Me peguei obrigando minha cabeça a se apaixonar por você. Eu te juro que fiz muita força para conseguir te enxergar com outros olhos. Mas não fui capaz. Eu olho para você e consigo imaginar um futuro, com uma relação estruturada, família e tudo mais, mas sempre com um vazio.

Falta paixão, tesão. Falta frio na barriga, ansiedade e coração batendo forte do teu lado. Falta eu ficar desconsertada e pensar em você o dia inteiro. Falta eu olhar para você como a melhor coisa que me aconteceu. E eu não sei sustentar um relacionamento sem tudo isso. Porque me soa mentiroso.

E não é como se todo esse sentimento que eu almejo fosse fruto de um ideal fantasioso. Eu já conheci pessoas legais, que me pareciam tão certos quanto você e por quem eu fui capaz de me apaixonar a cada detalhe. Mas é o tipo de coisa sobre o qual eu não tenho o menor controle. Acontece devagar e de repente. E com você não aconteceu.

Me percebi tentando convencer a mim mesma de que, por falta de opção, era você a minha melhor chance de viver uma história de amor. Mas isso é torto demais para eu permitir que comece. É injusto. Com você e comigo. Eu prefiro esperar, deixar o tempo agir. Assim, você pode viver a sua vida, encontrar alguém que te ame de verdade. E, quem sabe eu também encontre alguém incrível que consiga me despertar todo o sentimento que eu gostaria de ter tido por você.

Bruna Paiva

 

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Presa a você

Primeiro vieram as noites molhadas. As noites em que eu ia dormir com o nariz entupido e a cabeça latejando por causa das lágrimas. Nelas, eu abafava meus soluços no travesseiro encharcado. Não me lembro a que horas pegava no sono. Só lembro de acordar pensando em você.

Abria os olhos inchados e mal me movia encarando o teto. A comida no prato quase sempre ia inteira para o lixo. A fome foi a primeira a sumir.

Em algum momento, as noites de pranto começaram a se alternar com as de exaustão total. Meu corpo implorava por uma noite bem dormida. Mas elas também desapareceram. Quando minhas lágrimas secaram, as madrugadas em claro começaram a me visitar trazendo devaneios que nunca haviam dado as caras. Então começou a dor.

A pior dor que se pode sentir não é física. Provoca um vazio no fundo da alma que, vez ou outra, berra pela falta de alguém. Faz qualquer um clamar por algo doce como a dor de uma facada.

As noites de insônia em que eu fitava o teto do meu quarto despertaram esse vazio. A dor crescia junto com minhas olheiras. A fome não reaparecera. Comia só para me manter de pé e, ainda assim, estava a cada dia mais magra.

As lembranças espalhadas na internet e em meus arquivos pessoais não ajudavam em nada além de cavar mais fundo o buraco em minha alma. De certa forma, eu me culpava. Ninguém me obrigou a me entregar tanto.

Em poucas semanas, a insônia deu lugar às lembranças durante o sono. Me debatia enquanto dormia e acordava ofegante no meio da noite. Destruída, humilhada, com raiva de mim, de você, do mundo.

E, quando chegou a nossa data, eu chorei. Mais do que nas noites molhadas. Mais do que quando te assisti partir. Chorei pela impotência, pelo tempo, por não conseguir me recompor. Chorei pelo futuro inexistente de que eu ainda tinha saudades. Chorei porque precisava parar de sonhar. Chorei porque apesar de tudo eu ainda te amo e esse amor é a minha maior prisão.

Bruna Paiva

 

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À distância

Eu tenho saudades de acordar com o braço dormente debaixo da sua cabeça. Saudades do teu cheiro, da sua mania de andar pela casa vestindo só calcinha por baixo de uma camiseta minha. Saudade de você se arrumando enquanto eu te apressava impaciente para sair de casa. Saudades de você implicando com o meu jeito de lavar louça à prestação. Do jeito como você canta feito louca enquanto dirige e como sempre dorme quando sou eu no volante.

Saudade do jeito que você corre os dedos pelas veias do meu braço, com a cabeça encostada no meu ombro. E de sempre brigar contigo quando deixa meu computador descarregar completamente. Saudade até daquele filme do Heath Ledger que você me faz assistir e decorar as falas só porque você ama. De ver seu sorriso infantil quando te beijo de surpresa.

Saudade de estar pertinho de você. De te abraçar nos momentos ruins e comemorar as suas conquistas. Sinto falta de poder te ver a qualquer hora… Pela tela do computador, às vezes a distância parece ser ainda maior. Há dias em que eu me questiono se fizemos a escolha certa. Nos separamos para seguir nossos sonhos, é verdade. Você de um lado do continente e eu do outro. Mas eu sinto falta de quando morávamos naquela cidadezinha em que todo mundo sabia tudo da vida dos outros. Aqui é tão enorme, e as pessoas nem se falam muito.

Às vezes tenho saudade até do medo que eu tinha do seu pai no início do nosso namoro. Quando a gente tinha que sair escondido. Acho que aquela época só contribuiu para nos apaixonarmos mais. Outro dia eu conversei com o Padre Paulo (acredita que ele está no Facebook?). Ele disse que a gente faz um casal lindo e que ele topa celebrar nosso casamento quando a gente voltar.

Eu sei que ainda faltam alguns anos. Mas, nos dias ruins, minha energia para sair de casa e seguir em frente é saber que quando, finalmente, estivermos formados vamos poder construir tudo o que sempre sonhamos. E não importa se aqui, aí, na nossa cidade ou em outro canto do mundo. Com você, eu não preciso de mais nada.

Falta pouco, meu amor. Cinco anos passam rapidinho. Um dia a gente ainda vai olhar para trás e pensar “foi muito louco, mas passou”.  Acordei no meio da noite morrendo de saudades suas, olhei as horas e vi que você já deve estar saindo para a aula. Que seu dia seja abençoado e que você não esqueça nunca que eu te amo.

Com amor,

Matheus.

 

Bruna Paiva

 

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A resposta nunca foi sim

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Não. Eu sinto muito por ter precisado dizer não. Eu não esperava ter que responder isso tão cedo e peço desculpas se te fiz sentir humilhado. Mas eu não podia casar com você. Não podia porque eu não te amo, nem perto disso.

Nunca pensei que as coisas fossem chegar a esse nível. Eu fiquei com você, na primeira vez, por carência. Você conseguia suprir a necessidade que eu tinha. Saímos mais uma vez, e outra, e mais uma. Você gostava de mim e eu fui ficando naquela relação.

Sempre soube que o que você sentia era de verdade.  Sempre soube que o certo era não te iludir, acabar com aquilo antes de te magoar. Mas acabei me acomodando. Era mais fácil ter alguém, estar do lado de um cara que gostava de mim. Apesar de até te achar meio chato, de não sentir nada por você, eu continuava ali porque não queria que aquela carência voltasse a me incomodar.

Eu te usei. Sei que provavelmente isso me torna uma pessoa horrível. E que você tem todos os motivos do mundo para me odiar. Mas, se serve de consolo, cheguei a cogitar acabar com tudo diversas vezes. O que me impedia era o medo de ficar sozinha. Dava uma certa preguiça pensar em voltar para a vida de solteira.

Ainda assim, quando você ajoelhou, segurando aquele anel, na frente da minha família (aliás, por que fazer isso no meu aniversário?), eu não consegui me imaginar presa a você para o resto da vida. Assinar papéis, morar junto, construir uma família com um cara de quem eu nem gosto é demais até para mim.

Me desculpe por tudo isso. Mas, acredite, é melhor dessa forma. Para você e para mim.

 

Bruna Paiva

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Borboletas no estômago

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Na primeira vez em que senti aquilo no estômago não fazia ideia do que significava. Era um enjoo constante que me tirava o apetite por completo. Não conseguia comer nem metade do que botava no prato. Junto com o estômago, meu coração se comportava de maneira estranha e respirar também ficava mais difícil. Aquela confusão dentro de mim aumentava toda vez que ele falava comigo, pessoal ou virtualmente, toda vez que sentia seu perfume, ou o via passar de longe.

O tempo passou e quando olho para trás percebo que é assim que se descreve alguém apaixonado. Para a concepção geral, era amor o que eu sentia. Aquele enjoo inesgotável que me fez perder peso sem entender o porquê é chamado de borboletas. Acontece que isso não faz o menor sentido. Borboletas são bonitas, livres e cheias de vida. E, enquanto ele esteve na minha vida, eu deixei de ser tudo isso.

Aquela sensação confusa que misturava falta de ar, dor de barriga e coração acelerado me fazia mal. Não consegui me livrar daquilo durante muito tempo. Nem mesmo enquanto dormia, já que, além de brincar com o que eu sentia, ele teimava em aparecer nos meus sonhos.

Quanto mais eu o idealizava ao meu lado, mais sofria por não poder tê-lo de verdade e mais sentia o descontrole dos órgãos dentro de mim. Cassei minha própria liberdade e passei a viver em função dele. Sabotava tudo que não o envolvia sem perceber que estava acabando com o que existia de mim em mim mesma.

Depois de algum tempo e muito sofrimento, as tais borboletas morreram. Desde então nunca me permiti prendê-las aqui dentro. Quando, vez ou outra, elas resolvem fazer uma visita obrigo-me a manter o controle dos meus sentimentos. Deixo-as livres para saírem dali, sem permitir que causem toda aquela confusão. Assim, as borboletas podem enfeitar o mundo com sua beleza, liberdade e vontade de viver, em vez de ficarem presas dentro de mim. E eu posso fazer o mesmo.

Bruna Paiva

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Amor e amizade

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Ele é meu melhor amigo. Há uma vida inteira. Ouviu meus lamentos sobre a primeira paixão. Correu para mim chorando quando a menstruação da primeira namorada dele resolveu atrasar. Esteve comigo durante a separação dos meus pais. E levou-me ao cinema para ver o filme ruim do meu ator favorito. Ele me arrastou para festas quando eu estava triste. E fez questão da minha presença quando sabia que ia ler “Reprovado” em seu boletim.

Ele me carregou no colo quando eu quebrei o salto voltando da balada. E me chamou quando pegou uma gripe braba sem os pais em casa. Ele me apresentou o meu namorado. E fez questão de aterrorizar a vida de todos aqueles que me machucaram. Ele me defendeu de acusações infundadas. E esteve do meu lado quando eu fiz merda e precisei de cobertura.

Ele pediu minha opinião quando saiu da casa dos pais e precisava decorar o apartamento novo. Já fingiu que estava comigo para botar ciúme no meu ex. E na ex dele.  Ensinou-me a jogar videogame e a tomar cerveja. Ele aprendeu a trançar meu cabelo, e faz isso melhor do que eu. Passa Natais com a minha família e toda virada de ano faz questão de estar comigo. Me apresentou cada namorada ou pretendente para minha aprovação.

Você chegou agora. Há o quê? Dois? Três meses? E já quer se sentar na janela, meu amor? Tá certo, você é a namorada. Mas antes disso, ele pediu minha opinião. E sabe o que eu disse? Que você parecia uma garota legal. Que ele devia investir. E adivinha? Agora vocês estão juntos. Eu entendo que nossa amizade possa despertar ciúmes. Afinal, somos quase um só.

Mas, não, querida. Eu não sou apaixonada por ele. Nunca fui. Nem mesmo quando a gente tentou ficar junto já que todo mundo dizia que tínhamos sido feitos um para o outro. Aquilo não durou uma semana. Era muito estranho. Ele é meu irmão. Minha pessoa preferida em todo o mundo. A outra face de mim.

Tentar separar a gente só te enfraquece. Entenda que nós duas não somos rivais. E enquanto você fizer bem para ele terá o meu apoio.  Não o obrigue a escolher entre amor e amizade.

Bruna Paiva

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Verdade ou consequêcia

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Sabe, ainda lembro do que passou na minha cabeça quando te conheci.   “Bonitinho, mas muito bobo e, meu Deus, como é metido.” Tinha um rolo com uma menina mais velha e parecia nem perceber minha existência. Mas um dia você se aproximou. Conversamos por horas e, confesso, comecei a te olhar de um jeito diferente.

No fundo, você não era metido e eu não era a garota estranha que você pensou. Tinha histórias para contar e também gostava do meu escritor favorito. Zoou meu gosto musical e me fez gargalhar quando imitou o meu ídolo cantando.

Eu era de humanas, você de exatas. Continuei odiando os números. Mas passei a ver a física com outros olhos. Sua paixão pelo que fazia era comovente.

Fui apresentada a seus amigos e as minhas amigas amaram te conhecer. No meu aniversário, eu juro que não esperava o que armaram para mim. Um fim de semana na minha praia preferida. Foi incrível, foi perfeito. Uma das melhores lembranças daquela época.

Não lembro como aconteceu. Um dia olhei para o lado enquanto conversávamos e me percebi completamente apaixonada por aquele menino bonito, bobo, mas nem um pouco metido.  Resolvi sentir calada. Não queria estragar nossa amizade. Se o sentimento não fosse recíproco, eu não suportaria que você se afastasse.

Passei meses louca por você. Mas continuei agindo apenas como uma boa amiga. Aquilo me matava por dentro. Te tinha sempre por perto, porém nunca da forma que eu queria.

Você me conhecia. Percebeu que havia algo estranho. Quando perguntou se estava tudo bem, pedindo que eu confiasse em você, não consegui mais segurar. Te disse tudo o que sentia, com lágrimas descendo no rosto e soluços subindo no peito. Você escutou tudo com seriedade e esperou que eu terminasse de falar. E então me beijou, para depois dizer que esperava por esse momento desde nossa primeira conversa.

Como casal, conseguimos nos entender ainda melhor do que como amigos. Éramos um só. Ninguém pensava na Júlia sem o Daniel ou vice-versa. Nos amávamos tanto que mal podíamos conter nossos planos. Viagens, festas, família, negócios…

Depois de tantos anos juntos, eu (e todo mundo que nos conhecia) achava que íamos nos casar. Sei que também era a sua vontade. Mas então você ganhou aquela oportunidade. Físico reconhecido no Brasil convidado a estudar na Europa.

Você ainda era novo, não podia perder aquela chance. Quis me levar junto, mas minha profissão não permitia. Atriz em cartaz no teatro e com filmagens de cinema me prendendo no país. Confesso que não queria que você fosse, pensamento egoísta. Mas não disse nada porque sabia que era importante para sua carreira.

O dia chegou e nossa despedida foi estranha. Me lembrei de tudo o que passamos e como eu nem imaginava que me tornaria tão dependente de te ter comigo. Você entrou naquele avião prometendo que nada mudaria entre nós. Afirmei aquilo para mim mesma, mas no fundo eu sabia que seria difícil com um oceano nos separando.

No primeiro ano funcionou. Nos falávamos todos os dias, da maneira que o fuso-horário permitisse. Você voltou para o Natal e a saudade era tanta que só aquela semana não foi suficiente. Ainda assim, você precisou voltar para sua física. E eu para meu filme que, àquela altura, já estava próximo de estrear.

Nas primeiras semanas depois daquele Natal, a distância começou a balançar nossa relação. Era desgastante, e não tínhamos muito tempo um para o outro. Começamos a nos afastar gradualmente. O tempo curto passou a ser um grande vilão.

E foi então que eu fiz a maior burrada da minha vida. Para promover o filme, aceitei assumir um romance com meu colega de trabalho. Ideia do diretor que logo fez meu nome ir parar nos maiores sites de fofoca. Ainda mais com a notícia de uma gravidez.

Não imagino o tamanho da sua dor quando soube. Mas ainda me lembro de cada palavra que usou contra mim. Todas se cravaram no meu peito como estacas. O pior de tudo foi não poder discordar de você. Estava com raiva de mim, com razão.

Eu só não te contei que era tudo mentira. Nem que a criança em meu ventre era fruto do nosso amor. Afinal, meu novo romance era pura fachada. Não te contei porque quis te poupar. Não era justo que desistisse do seu sonho por mim. Hoje percebo que também fui injusta. Você tinha o direito de saber.

Meu namorado de fachada assumiu nossa criança quando lhe contei parte da história, dizendo que o pai era um ex-namorado. Ainda que achasse aquilo uma grande loucura. Ele era um cara legal. Acabamos nos entendendo e formando uma família, embora eu nunca o tenha amado. Ficamos juntos e educamos nossa filha. Ele se tornou um pai incrível. Mas não chega perto do que eu sei que você seria.

Sei que provavelmente me odeia. Mas logo hoje, na data de nosso primeiro beijo, nossa menina completa 15 anos. E eu não aguento mais mentir sobre a paternidade dela.

Moramos só nós duas num apartamento maior que o necessário. O “pai” dela e eu nos separamos há 10 anos. Não se mantém uma relação formada por mentira durante tanto tempo. Mas ele ama nossa Maria Clara. É linda a relação dos dois.

A única que sabia de tudo era minha mãe, que morreu há cinco meses. No funeral dela, eu só queria o seu abraço, o seu apoio. Mas quem cuidou de mim foi nossa filha. Ela é o único atenuante de minha infelicidade.

Soube que está na cidade. Visitando sua mãe junto à família que formou na França. Seus filhos são lindos, sua mulher ainda mais. E eu só queria que eles não existissem. Queria poder fazer tudo diferente. Voltar no tempo e ir com você para a Europa. Queria nossos sonhos, nossos planos, tudo realizado.

A verdade é que eu te amo. Depois de todo esse tempo, não deixei de te amar um segundo sequer. Quinze anos se passaram e eu não aprendi a viver sem você. Ainda te escrevo uma carta por dia e não suporto ver que você seguiu a sua vida porque eu fui burra demais para te manter na minha.

Bruna Paiva

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Choro, risos e confissões – 1 mês de Adolescente Demais no YouTube!

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Sou tímida, não sei contar piadas, não dou gritinhos de guerra, tenho vergonha da câmera e não estou a fim de pagar mico pra divertir os outros! Essa sempre foi minha defesa para não gravar vídeos, apesar da vontade que também sempre esteve presente. Até que comecei a rever meus conceitos à medida que o projeto do livro Adolescente Demais amadurecia em minha cabeça. E assim, aos poucos, a ideia de usar meus próprios textos para falar sobre experiências e situações que todos vivemos na adolescência começou a fazer sentido para mim.

Não precisaria criar uma personagem, nem inventar roteiros mirabolantes e nem forçar a barra pra me expor em busca de audiência. Seria apenas eu, de cara limpa, abrindo meu coração. E foi assim que, há um mês, o projeto “Adolescente Demais, O Livro” nasceu no YouTube. É claro que antes de ir ao ar, muitos vídeos-teste foram gravados e eu cheguei a pensar em desistir por não gostar de me ver na tela. Mas aos poucos fui relaxando, sentindo-me mais à vontade com o que estava acontecendo e acabei gostando da coisa.

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Uma vez por semana, sento-me em meu quarto, releio um dos milhares de textos que escrevi entre meus 13 e 17 anos e aperto o play da câmera. Conto coisas que ninguém nunca soube sobre minhas inspirações e remexo na memória os momentos que me levaram aos textos. Nada é ensaiado. Deixo os sentimentos aflorarem e simplesmente vou falando. Foi assim que chorei no vídeo “Adeus à Escola”, que dancei no vídeo inspirado pelo texto “Sem olhar pra trás”, que imitei “Carrrie a Estranha” e que, meu Deus, falei da minha primeira paixão não correspondida em “Coração Quebrado”.

Gostaria de aproveitar esse feriado prolongado de Páscoa, quando normalmente as famílias se reúnem, para convidar todo mundo a assistir os vídeos e ler os textos que os inspiraram. Aproveito para agradecer aos que já estão acompanhando no canal do YouTube (onde os vídeos são postados semanalmente) e na minha página do Wattpad (onde além dos vídeos tb são postados os textos que me serviram de inspiração).

Beijos da Bru!

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No meio do caminho tinha uma ex

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Era o homem perfeito. Beijo gostoso, sexo gostoso, simpático, bem-humorado, cheiroso. Altruísta, amante de arte. Tinha bom gosto, vestia-se bem, cozinhava bem. Era tudo o que toda mulher já sonhou um dia. Tão perfeito, que seu único defeito nem mesmo estava nele.

Quem nunca foi ex? Eu sou ex, você é ex e quem não foi um dia será. O mal da ex em questão era a ilusão de ainda fazer parte da vida dele. Tudo causado pela pequena mentira que se conta ao fim dos relacionamentos: “Seremos amigos”. Veja bem, não há problema em conviver e se dar bem com seu ex-namorado. É saudável . Tornar-se amiga do ex não é tão fácil, mas também é possível, aceitável.

O problema é quando a ex-namorada liga todas os dias desejando boa noite. Quando a ex resolve discutir com a atual sobre o que dar de presente no dia dos namorados. Quando a ex-namorada continua organizando a agenda de compromissos dele e chama a irmã dele de “cunhadinha”. Quando a mãe dele chama a ex de nora e a atual pelo nome.

Ele era o homem perfeito. É compreensível a vontade dela de continuar por perto. Mas não sou evoluída o bastante para achar admissível que ele o permita. Mesmo que por consequência de ser tão perfeito, altruísta e se preocupar com o bem estar de alguém que um dia já o fez feliz.

Ele era o homem perfeito, o caminho ideal para a felicidade, eu sei. Mas acontece, minha amiga, que tinha uma ex no meio desse caminho.

Bruna Paiva

 

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DESILUSÃO NO PRIMEIRO AMOR – VIDEO NOVO NO AR!

Quem nunca teve um amor não correspondido? Quem já se deixou iludir em nome de uma grande paixão? Pois é, gente. Comigo aconteceu pela primeira vez aos 13 anos e é sobre isso que falo no vídeo desta semana. O tema gira em torno do texto “Obrigada por quebrar meu coração”, que escrevi e publiquei aqui no blog em 2014.

Aproveito pra convidar todo mundo a  participar do projeto do livro Adolescente Demais assistindo ao vídeo de apresentação e  me visitando na plataforma Wattpad. Não se esqueçam de divulgar para os amigos e de deixar a opinião de vocês. É a partir da participação do público que irei selecionar os textos e temas que farão parte da edição física do livro Adolescente Demais.
Ansiosa pelos comentários, visita e likes de todos vcs por lá!
Bjs da Bru!

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