Sobre homens e bebês

 

Quantas pessoas você conhece que foram abandonadas pelo pai, seja física ou afetivamente?

Uma das coisas que eu mais estranhei quando estive na França foram os homens com seus bebês. Pais nas ruas com suas crianças, de todas as idades, às vezes mais de uma. Andando de bicicleta, brincando nas pracinhas, passando nos mercados… Pais sozinhos com suas crianças pelas ruas parisienses. Quando se via um casal hétero com sua criança, na maioria dos casos, era o pai quem empurrava o carrinho.

Tudo bem, não é que não exista tal cenário no Brasil. Eu mesma tive e tenho um pai maravilhoso, que esteve presente em todos os momentos importantes da minha vida. Mas, convenhamos, essa não é uma realidade majoritária no país. Em 2013, segundo o Huffpost Brasil e o Instituto Brasileiro de Direito de Família, 5,5 milhões de crianças brasileiras sequer tinham o nome do pai em sua certidão de nascimento.

Se você vai a um shopping, a um parque, a um restaurante, aqui no Brasil, é muito mais provável que encontre um número muito maior de mães sozinhas com suas crianças do que pais. O que me chamava atenção na França era justamente que, pelo menos nas ruas, ficava muito claro que essa realidade lá é bem diferente. Passei 10 dias em Paris e confesso que não houve um em que eu tenha deixado de reparar nessa questão. A cada vez que eu pisava na rua lá estava um pai com sua criança, da maneira mais natural e rotineira possível. Não parecia ser nada extraordinário por lá. Apenas pais, fazendo sua obrigação de pais.

Lembro inclusive de ter me sentido mal por aquela questão me chamar tanta atenção. Afinal, é exatamente naquilo que eu acredito. Pais e mães com funções semelhantes, criando os filhos em conjunto, como é a obrigação de quem coloca um filho no mundo. Mas a quantidade era o que me assustava. Porque não, não é o que vemos por aqui.

Não estou assumindo aqui uma postura de “tudo é melhor fora do Brasil”, até porque não acredito nisso. Amo meu país, apesar dos pesares, e ainda acredito no potencial de crescimento que temos aqui. Assim como, durante minha estadia na França, certos aspectos culturais também me incomodaram. Mas esse foi um aspecto que eu invejei, algo que eu não pude deixar de observar a todo o tempo.

A barreira linguística ainda me impede de investigar a fundo a questão na França. Ainda assim, acredito que a situação econômica do país e a menor desigualdade social, sejam grandes responsáveis pelo que eu observei nas ruas por lá. Mas isso é só um palpite meu. Não achei nenhum artigo sobre o assunto e, como não entendo francês, a coisa fica ainda mais dificultada. Inclusive, se você conhecer algum dado sobre a paternidade na França, algum artigo traduzido, seja para o português, para o inglês ou mesmo para o espanhol, me mande! É algo que muito me interessou e eu gostaria de saber mais.

Seja lá qual for a causa dessa paternidade mais presente e responsável, espero que um dia ainda durante minha vida o meu país chegue lá também. Que um dia eu saia na rua e veja pais e mães em quantidades semelhantes cuidando de seus filhos. Sei que estamos caminhando para isso, pelo menos na minha humilde bolha social. Mas espero que um dia a população como um todo consiga reverter nossas estatísticas.

 

Bruna Paiva

 

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