Se você gostasse

Se você gostasse mesmo de mim, não teria me deixado ir naquele dia. Teria vindo atrás de mim, me segurado bem perto e insistido para eu ficar. Teria dito algo engraçado para que eu risse, mesmo estando chateada. Pedido desculpas por ter vacilado e reconhecido que era hora de darmos um rumo para a nossa situação.

Se você realmente correspondesse o meu sentimento, a distância não seria uma desculpa recorrente. E você não teria deixado que ela fosse maior ainda quando estávamos lado a lado. Você não teria se afastado, deixado de conversar comigo, ou de dar atenção quando eu chegava animada para te contar alguma coisa. Se gostasse de mim, não deixaria a gente esfriar. Não teria permitido que eu chegasse ao ponto de me sentir tão insegura com você que questionasse a minha própria existência.

Mas você deixou. Você deixou que eu acreditasse numa reciprocidade inexistente enquanto me enganava secretamente. Talvez não por maldade, quem sabe, no fundo, você mesmo quisesse acreditar naquilo. Eu sei que eu tinha certeza do que você sentia. E hoje não tenho mais certeza de nada.

Você chegou devagar, pouco a pouco foi se tornando parte da minha rotina, parte de quem eu era. Mexeu com meus sonhos, ouviu minhas confidências, segurou minha mão, dividiu pequenos detalhes e por fim se cansou. Se de mim ou de fingir interesse eu nunca entendi direito…

Bruna Paiva

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Crush

É engraçado como, na minha imaginação, nós dois funcionamos tão bem. Somos extremamente íntimos e compartilhamos momentos de intensa sintonia. E a graça é que eu mal te conheço. Nunca tivemos abertura para isso, mas, ainda assim, me apaixonei pelo que inventei de você, pelo que inventei de nós.

Está certo que a parca convivência que tivemos nos últimos tempos contribuiu para que minha cabeça meio louca fantasiasse os mais insanos diálogos em que descobríamos um interesse mútuo e subitamente éramos um casal. É, eu tenho uma imaginação fértil.

Entretanto, o mais irônico de tudo isso é que eu não tenho coragem de te contar como me sinto. Primeiro porque gosto demais da minha fantasia para correr o risco de você acabar com ela. Já passei por situações parecidas antes. Isso nunca termina bem pro meu lado, ainda assim eu insisto em repetir o erro. Depois, te ter por perto é algo que me faz bem. Gosto de poder conviver com você; te ter do jeito que posso. A possibilidade de perder isso, caso confesse meu interesse, me angustia.

Ainda assim, uma parte de mim quer acreditar que dessa vez é diferente. A coitada não vai aprender nunca. Então, todos os dias, ela acorda otimista, tendo a certeza de que vai ter coragem suficiente para passar por cima das minhas inseguranças e te chamar para conversar. É claro que eu nunca deixei que ela se manifestasse. Abafo toda a coragem dessa doida dentro do peito e me contento em assistir à nossa história juntos, nessa realidade paralela, toda noite com a cabeça no travesseiro.

 

Bruna Paiva

 

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O amor não vê idade

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Ele tem 36, eu tenho 22. Ele tem um filho de 8 anos e eu não penso em engravidar tão cedo. Ele tem pós-doutorado e é bem-sucedido na profissão. Eu estou terminando a faculdade e torcendo para conseguir um estágio. Ele tem uma ex-mulher e eu uns dois ex-namorados. Ele conhece oito países e eu nunca saí do Sudeste. Ele comprou uma casa para os pais e eu ainda dependo dos meus para pagar a faculdade.

Estamos em fases diferentes da vida e somos extremamente felizes assim. Ele me ensinou a gostar de ler e aprendeu comigo a amar o Twitter. Ele passou a curtir Beyoncé e me levou para conhecer lugares incríveis. Ele faz um bife à parmegiana maravilhoso e ama meu pudim de leite.

Fiz ele voltar a curtir o Carnaval e, com ele, criei a tradição de assistir a todos os filmes indicados ao Oscar antes da premiação. Ele ficou muito interessado em aprender sobre moda e desenvolveu um estilo incrível que até combina com o meu. Ele diz que adora o jeito com que eu cuido do filho dele e eu realmente amo aquela criança. A ex dele me pediu ajuda para organizar a festinha de aniversário do menino e como a gente se divertiu!

Ele nunca tinha feito uma tatuagem e minhas sete acabaram o inspirando. Eu fiz ele assistir Gossip Girl e até ele se apaixonou por Chuck Bass. Ele me ensinou a usar post its para organizar meus cadernos e a casa dele é tão arrumada que eu passei a atender quando, na dela, minha mãe me manda arrumar o meu quarto.

A diferença de idade é grande, a gente ouve o tempo inteiro. Mas é exatamente o que faz nossa relação ser tão especial. A gente se completa. Um está sempre muito interessado no que pode aprender com o outro. Eu nunca estive me sentindo tão viva e madura. Nunca tive tanta certeza do meu sentimento por alguém. Contrariando todas as fofocas e pitacos sobre nossa vida, a gente se ama. E não são 14 anos que vão me impedir de me permitir ser feliz como nunca fui.

Bruna Paiva

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DESILUSÃO NO PRIMEIRO AMOR – VIDEO NOVO NO AR!

Quem nunca teve um amor não correspondido? Quem já se deixou iludir em nome de uma grande paixão? Pois é, gente. Comigo aconteceu pela primeira vez aos 13 anos e é sobre isso que falo no vídeo desta semana. O tema gira em torno do texto “Obrigada por quebrar meu coração”, que escrevi e publiquei aqui no blog em 2014.

Aproveito pra convidar todo mundo a  participar do projeto do livro Adolescente Demais assistindo ao vídeo de apresentação e  me visitando na plataforma Wattpad. Não se esqueçam de divulgar para os amigos e de deixar a opinião de vocês. É a partir da participação do público que irei selecionar os textos e temas que farão parte da edição física do livro Adolescente Demais.
Ansiosa pelos comentários, visita e likes de todos vcs por lá!
Bjs da Bru!

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O que me move é a paixão

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O que leva uma menina de 16 anos a dizer para o mundo que quer ser escritora? Um ano depois da decisão tomada, ainda não consigo responder à pergunta sem parecer piegas.

O que me move é a paixão. Sou levada às palavras para que a ausência delas não me leve à loucura. Quero ser escritora porque não sou nada sem a escrita. Colocar o que sinto no papel é terapia, desliga-me do mundo, traz-me paz. Não acredito que nenhuma outra profissão me proporcionaria tamanho prazer.

Uma vez, durante uma entrevista, a escritora Clarice Lispector ouviu a seguinte pergunta: “Por que você escreve?”. Ela logo retrucou: “Por que você bebe água?”. A resposta, à primeira vista, parece bonita. Mas só entende a carga de realidade e sinceridade na fala de Clarice quem compartilha o mesmo sentimento.

A escrita não se escolhe, acata-se. Ela vem de dentro, da alma. Escolhe você, e quando se manifesta, não dá muitas opções. Você precisa escrever, externar o que sente e transformar em palavras aquilo com o que não consegue lidar internamente.

Escrevo desde os 14 anos; profissionalmente, desde os 16, e hoje, tenho absoluta certeza de que quero fazê-lo para o resto de minha vida.

Bruna Paiva

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Entre o medo e o amor

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Não sei se desconheço o que sinto ou se temo conhecê-lo muito bem… O coração treme quando você chega perto, o estômago se enche de borboletas cada vez que você fala comigo. Toda música na rádio me lembra você… Mas não entendo o porquê disso tudo. Ou talvez, somente não queira entender.

É evidente que você mexe comigo. Você me faz bem e eu quero estar contigo. Mas ao mesmo tempo tenho receio de acreditar que “dessa vez vai ser diferente”.

Acho que as experiências passadas com essa tal da paixão me deixaram um pouco refratária. Nas últimas vezes que me permiti acreditar que estava “apaixonada”, não deu muito certo pro meu lado. Confesso que não é pequeno o medo de dar errado dessa vez também.

Sei que você não fez parte de minhas desilusões amorosas. Nem te conhecia nessa época… E pelo o que você diz  sentir, não pretende me magoar ou me desiludir.

Porém, acho que precisava te revelar esse meu medo secreto. Um temor que tento esconder bancando a durona, mas que por dentro me faz frágil. Um medo de assumir, até pra mim mesma, o que sinto. Medo de deixar acontecer, medo de me dar mal mais uma vez, medo de sofrer e posso até citar um provável medo do amor.

Talvez eu esteja sim apaixonada por você e este texto só tenha sido uma tentativa de expressar isso em palavras. Ou talvez uma tentativa frustrada de negar tal sentimento, para minha mente, mais uma vez. Ou uma maneira de mostrar a confusão que eu faço na minha cabeça com todo esse receio de me arriscar.

Sei que no final vou acabar assumindo que gosto de você. E quando eu fizer isso, só espero que não dê errado. Espero que você não seja mais um para entrar na lista das desilusões. Espero que dessa vez seja de verdade.

Bruna Paiva

Brincadeira do destino

tumblr_lh0wj3cBli1qcis5ro1_400Era mais um dia comum. Verônica só precisava comprar uma camisa para um amigo. Era aniversário dele e ela tinha se esquecido do presente.

Já passavam das três da tarde quando ela correu para o shopping mais próximo. Passeou por aqueles corredores que viviam cheios de gente e parou por cinco minutos no Starbucks para tomar um café gelado com bastante chantilly. Continuou procurando uma loja que a agradasse.

Achou uma, bastante conhecida, bem grande e de boa qualidade. Resolveu entrar e procurar alguma camisa que servisse para seu amigo. Enquanto passava os olhos pelos modelos, uma voz grossa, porém suave, disse:

— Posso ajudar?

Verônica se virou. O dono da voz era um vendedor. Ele devia, assim como Verônica, ter seus vinte e pouquinhos anos. Seus olhos azuis eram completamente hipnotizantes. Ele era alto, loiro, lindo.

—Quanto… Quanto custa essa daqui? —perguntou gaguejando e escolhendo uma camisa da qual tinha gostado.

— Deixa eu da uma olhada pra você. —Ele pegou a blusa esbarrando nas mãos dela que, para a surpresa de Verônica, já estavam suadas. E, meu Deus, tinha uma escola de samba inteira dentro de seu peito.

—Ela tá R$ 32,90 — respondeu o vendedor olhando bem nos olhos de Verônica.

Ele devia estar achando que ela era maluca. Olhando-o daquele jeito sem dizer uma mísera palavra.

—É… Eu vou levar.

—Ok. —disse já direcionando a menina ao caixa. —É para o namorado? — perguntou enquanto dobrava a camisa, tentando puxar assunto.

—Não. Eu não tenho. É aniversário de um amigo mesmo.

—Ah, sim.

Ela pegou o presente e saiu da loja se despedindo daquele vendedor que, sabe-se lá por que, fez seu coração sambar e suas mãos suarem. Pegou o carro e dirigiu, ainda meio atordoada, de volta para casa.

Chegou e começou a se arrumar. Já eram cinco horas da tarde, a festa seria às oito. Depois de um banho quente e demorado, vestiu aquele vestido azul que amava, uma sapatilha prateada e uma bolsa combinando. Não era lá muita coisa mas estava bom. Saiu de casa sentindo-se bonita.

Na festa, pessoas conversavam e bebiam. Verônica estava jogando conversa fora com uma colega da faculdade quando seu amigo aniversariante a chamou.

—Vê, vem cá. Quero te apresentar para um amigo meu. O Lucas fez o Ensino Médio comigo.

Verônica sorriu e foi com o amigo.

—Verônica esse é o Lucas, Lucas essa é a Verônica.

—Você?! —Lucas e Verônica disseram em uníssono.

—Ué, mas vocês já se conhecem?

—Eu comprei seu presente com ele hoje. —disse Verônica achando graça da situação.

—Lucas, é ela aquela cliente gata que você me falou?

Tanto Verônica como Lucas olharam para ele. Ela surpresa, ele, quase matando o amigo, que foi embora deixando os dois a sós.

—Então era só um presente para um amigo mesmo? Achei que fosse alguém mais especial. — disse tentando brincar com ela. Verônica riu e os dois conversaram e ficaram juntos o resto da noite. Acabaram descobrindo que tinham a mesma banda favorita e que compartilhavam do mesmo sonho de viajar o mundo.

E dali em diante, a paixão à primeira vista numa lojinha do shopping acabou virando relacionamento sério.Creio que a vida de vez em quando gosta de brincar com a gente…

Bruna Paiva

Sobre deixar de amar…

4023413882_88a94952b9Vai doer, e muito. Você vai se machucar a cada vez que vir eles dois. Vai chegar em casa e chorar litros de ódio misturado com amor, mágoa, ciúmes, talvez até inveja.

 Aí você vai chegar a odiá-la, fuxicar a vida dos dois em todas as redes sociais. Vai sofrer pela felicidade deles. Vai chorar se lembrando de vocês, lendo mensagens, vendo fotos antigas… Mas chega uma hora em que aquilo tudo acaba te consumindo por dentro. Leva tudo de bom que há dentro de você. Então começa a sentir um vazio no peito e fica mal, cada dia pior…

Mas dá pra acabar com tudo isso… Não espere ficar insuportável viver desse jeito. Apaga da sua vida, corta todos os vínculos. Joga fora todas as fotos, delete os arquivos no computador e celular também… Para de escutar as músicas que vocês gostavam, e as que te lembrem dos momentos que viveram juntos.  Apaga o número dele do seu celular, apague todas as mensagens, desfaz a amizade no Facebook, dá unfollow no Twitter e nunca mais entra lá pra ver o que ele tem feito.

Para de passar na frente da casa dele e olhar lá pra dentro procurando por algum sinal de que  ainda não tenha te esquecido.  Não faz mais isso…E o mais importante: viva! Saia com os seus amigos, faça uma playlist  nova,  conheça gente diferente. Ache algo que te faça bem e ponha em prática. Adrenalina, leitura, um esporte… Se dedique realmente a essa reabilitação.

Porque um dia, a dor acaba… Um dia, ao passar na frente da casa dele não vai nem ter curiosidade de olhar lá dentro. Um dia quando você vir eles dois juntos, não vai nem ligar. Quando você o vir passar, seu coração não vai disparar, suas pernas não vão tremer, suas mãos permanecerão secas, seu estômago completamente normal… É aí que você vai perceber que é possível sim deixar de amar um grande amor.

Bruna Paiva