O segundo armário feminino

guarda-roupaNão posso falar pelos meninos, mas tenho certeza de que uma grande parte das meninas vai se identificar. Quando somos pequenas, temos um armário de onde nossas mães tiram todas as combinações que usamos. Roupas, sapatos, cabelo, tudo decidido dentro do pequeno universo do guarda-roupas de uma criança. Entretanto, na adolescência, esse cenário se transforma.

Durante a adolescência, toda menina acaba apelando para o segundo armário feminino da casa. Comigo não foi diferente. Que atire a primeira pedra a menina que nunca correu para o armário da mãe, ou da irmã mais velha, buscando uma roupa diferente. No início, é claro que nem todas as peças servem, mas quando você cresce mais um pouco, aquilo vira o paraíso.

Já imaginou ter dois armários completos para escolher sua roupa antes de sair? Bom, comigo acontece há alguns anos. Dividir o armário com a sua mãe faz com que tudo o que ela compra para ela entre na sua lista de possíveis escolhas e vice-versa. É bom porque você e ela ganham mais opções. Ok, mais você do que ela.

Sempre que minha mãe entra em casa com alguma peça de roupa ou sapato novos, acontece o seguinte:

“Que lindo! Deixa eu ver se cabe em mim”

Hoje os armários já se confundem de tanta peça trocada que eles têm. No último dia das mães aconteceu uma coisa bem engraçada:

No sábado à tarde eu e meu pai corremos para o shopping em busca de um presente. Optamos por comprar maquiagem. Na hora de escolher os batons, experimentei várias cores. Escolhi um vermelho, que eu amo e sei que ela também gosta. Mas, quando escolhi o segundo, meu pai desconfiou:

– Ai, amei esse roxo. Está lindo. Minha mãe não tem batom roxo ainda.

– Bruna, deixa de ser ridícula. Sua mãe não usa batom roxo. O presente é para ela e não para você.

Ah, para. Qual a menina que nunca comprou um presente para a mãe pensando em dividir depois. Bom, eu sempre. Aliás, eu e minha mãe dividimos tudo. Roupa e sapato são os mais frequentes, mas maquiagem, bijouterias, bolsas, cremes, produtos de cabelo e esmaltes, tudo é botado pra jogo.

E você? Já pensou em dividir o armário com a sua mãe ou irmã mais velha? Se você mora com as duas, que sorte, três armários… Contem aqui nos comentários o que é que vocês costumam dividir.

Beijos da Bru!

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Incêndio na escola

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— Pai, não surta. Mas a escola tá pegando fogo!

Parece brincadeira, mas foi exatamente essa a primeira frase que saiu da minha boca quando meu pai atendeu ao telefone naquela manhã de quarta-feira. Antes que você me pergunte, sim, houve um incêndio na minha escola. Mas não foi nada sério. Depois que todas as salas foram evacuadas às pressas, o fogo foi rapidamente controlado.

Sabe aquela besteira que todo mundo repete de “ah, queria que a escola pegasse fogo só para não ter aula amanhã” ?  Pois é, nunca mais diga isso. Na hora do vamos ver, todo mundo corre. É desesperador. Ainda mais quando seu irmão mais novo resolve sumir no meio do caos. E, bom, no dia seguinte teve aula normal, então…

Hoje, pouco tempo depois, até acho graça relembrar uma colega me puxando escada abaixo enquanto eu queria subir pra procurar meu irmão. Ou zoar a professora cujo primeiro reflexo foi apagar o quadro antes de correr da sala. Mas na hora não teve graça nenhuma. A não ser quando uma menina parou na escada, bem na minha frente, pra tirar uma selfie em meio a fumaça preta que tomava conta do corredor.

Depois que encontrei meu irmão, e fui para a quadra aberta junto a todos os outros alunos, achei prudente avisar ao meu pai (nunca à minha mãe, já que ela se desesperaria). Realmente não encontrei jeito melhor de contar o que acontecera e, ao mesmo tempo, tranquilizá-lo. Mas acho que minha declaração não foi lá o que se possa chamar de tranquilizadora…

Agora como pai, deixem-me contar a minha versão. Saio do banho e percebo três ligações perdidas da filha em um horário que ela deveria estar em sala de aula. Vou até a sala ainda enrolado na toalha e escuto o seguinte recado na secretária eletrônica: “Pai, é sério. Atende o telefone. Preciso falar com você. Tem um incêndio aqui”. Ato contínuo, deixo a toalha cair no chão e tropeço na cachorra ao sair correndo nu pela casa para pegar uma roupa no quarto.

Enquanto corria para me vestir em tempo recorde, minhas tentativas de falar com o celular da filha na escola paravam todas na barreira da caixa postal. Em uma situação dessas um pai pode surtar ou respirar e raciocinar. Fiquei no meio termo. Mas pensei, bom, se ela ligou é porque está viva. Ou pelo menos estava cinco minutos atrás.. Então ainda há esperança.

Meus batimentos cardíacos ainda estavam na ascendente quando ela retornou no celular. A alegria de perceber que ela e o irmão estavam bem durou pouco. Como não conseguira falar comigo, ela teve a brilhante ideia de ligar para o trabalho da mãe. E nessas situações a mãe é do tipo que modula entre o surto contido, moderado e o irracional. Consegui pegá-la no trabalho ainda no segundo estágio do surto e fomos os dois juntos resgatar os sobreviventes na escola.

Os pimpolhos entraram no carro com a cara lavada, sorrisos nos rostos e excitadíssimos com as tranquilizadoras histórias que tinham para contar. O mais novo viu labaredas no corredor e disse que a professora foi a primeira a sair correndo da sala. A mais velha ouviu dizer que um cadeirante foi esquecido justo na sala em que o incêndio começou. E os dois divertiam-se ao relembrar as cenas de colegas pisoteados e espremidos enquanto desciam no estouro da boiada pelas escadas do prédio.

O mais curioso é que a escola não enviou sequer um comunicado aos pais com esclarecimentos sobre o ocorrido. Mas os boletos, esses nunca deixam de chegar.

 

Bruna Paiva e J. Maurício

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Meu irmão deu pra me vigiar!

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Recentemente, meu digníssimo irmão mais novo passou a estudar no mesmo colégio que eu. E outro dia chegou em casa com esta:

— Pai, a Bruna vive se agarrando com um monte de meninos no recreio da escola.

— Eu o que?!

—É pai, ela vive agarrada com um monte de homem lá na escola.

—Como assim, filho?

—Como assim digo eu! Tá maluco moleque? Que monte de homem é esse que eu agarro?!

—Eu vi você abraçando um monte de menino hoje no recreio. Uns garotos do Ensino Médio. Deixa de ser sonsa.

— Eu não sou sonsa. Eu abraço os meus amigos. Mas não vivo agarrada com ninguém. Pai você vai deixar essa criança achar que pode tomar conta da minha vida agora?

E aí veio a resposta de meu querido pai que me deixou mais irritada do que eu já estava:

—Tá certo filhão. Tem que tomar conta da sua irmã mesmo. Pra ver quem é que ela fica abraçando no recreio.

Então eu lhes pergunto: COMO ASSIM? Agora meu irmão quer ficar me vigiando enquanto falo com meus amigos. E meu pai ainda incentiva. Vê se pode? Não que eu tenha nada para esconder. Só acho que dizer que não existe amizade sem segundas intenções entre sexos opostos é um pensamento absurdamente machista.

Quer dizer então que  se eu abraço meus amigos como forma de carinho e amizade eu estou me comportando de maneira errada para uma menina? Oi, em que século a gente está mesmo? Vamos deixar o machismo de lado? Minha gente, esse tipo de pensamento, pra mim, só pode ser definido de uma forma: retrocesso.

Meu irmão ainda se encontra naquela fase onde meninos e meninas se odeiam e só se juntam para medir forças. Mas a hora da vingança ainda está por vir. Daqui a uns anos quero ver se ele não vai estar, como ele mesmo diz, “se agarrando” com um monte de meninas na escola. Como ele é homem, ninguém vai ver problema nenhum nisso. Mas as meninas vão estar loucas pra saber coisas que só a irmã mais velha sabe. E aí, ele que me espere…

Bruna Paiva

Uma noite complicada com meu irmão caçula

WP_20140129_002— Tiago, apaga a luz que eu quero dormir.

— Mas eu não gosto de dormir no escuro…

— E eu não vou dormir de luz acesa.

*apago a luz*

*ele acende a luz*

–Eu não quero dormir no escuro. Eu tenho medo.

–Então fecha o olho e dorme que o medo passa.

*apago a luz*

*ele acende a luz*

— Não passa não.

— Ai… Você é muito chato! Vou abrir a cortina e você fica olhando pra luz da rua. Pronto!

*apago a luz*

Dois minutos depois…

— Bruna, vai comigo no banheiro pra fazer xixi?

— Mas eu não quero fazer xixi.

— Eu é que quero.

–Então vai!

–Mas eu não quero ir sozinho. Vem comigo?

–Ah não, Tiago.

— Por favoooor Bruna, eu tô muito apertado.

— Arrrgh…Tá bom, mas vai rápido.

Cinco minutos depois…

— Tiago, fica quieto que eu quero dormir…

— É que eu tô feliz e quero me mexer.

–Oi?! Garoto maluco… Fica feliz quietinho, tá bom?

— Mas é que eu gosto muito de você.

— E por isso tem que ficar me chutando?

— Você gosta de mim?

–Calado!

–Poxa, você não gosta de mim?

–Calado Tiago, eu gosto de você calado!

–Ah, tá. Mas então você gosta de mim?

–Tiago, eu te amo. Mas deixa a sua irmã dormir por favor! Eu tô cansada…

Mais cinco minutos…

–Tiago volta pro seu lado da cama! Assim eu vou cair.

— Mas a cama é grande!

— Sim. É grande, mas é pra você ficar no seu lado e eu no meu. Não dá pra nós dois ficarmos no mesmo canto. Senão eu caio!

— Mas eu quero ficar na janela.

–Mas, há duas horas você brigou comigo porque queria o outro lado!

— Mas agora eu quero a janela.

— TIAGO, FICA QUIETO E ME DEIXA DORMIR PELO AMOR DE DEUS! VOLTA PRO SEU LADO DA CAMA E NÃO ME PERTURBA MAIS!!!

É nisso que dá ter que dividir cama com o seu irmão mais novo. Estamos viajando e dividindo uma cama de casal. O problema é que ele não me deixa dormir de jeito nenhum. O pior de dividir o quarto e a cama com ele é que a criança não para quieta nem dormindo. Como esse garoto me chuta de noite! Ele se mexe na cama feito pipoca, me soca, me chuta, me bate e eu juro que ele faz tudo isso enquanto dorme. Já avisei aos meus pais que na próxima viagem quero uma cama só pra mim ou eu vou enlouquecer…

Bruna Paiva