Loco Love: Uma tragédia Shakespeariana em pleno Arizona

 

Sabe quando você começa a assistir a um filme sem esperar muita coisa e acaba se surpreendendo? Foi exatamente o que aconteceu comigo quando assisti a Loco Love, recém adicionado ao catálogo da Netflix. Eu só queria assistir a alguma coisa aleatória enquanto fazia a unha. Mas acabei gostando do que via.

Um romance bem ao estilo Romeu e Julieta é a principal trama do filme. Gavin é o típico adolescente americano de classe média alta. Marisol também é americana, mas vem de família mexicana e vive na comunidade latina. O problema é que existe um impasse entre latinos e americanos no Arizona já que, devido à imigração ilegal, a mão de obra latina é mais barata e isso acaba gerando desemprego entre os americanos.

O filme traz uma importante reflexão sobre preconceito e intolerância. O pai de Gavin é radicalmente contra a entrada de latinos no país e chega a se filiar a um grupo clandestino de extermínio aos imigrantes ilegais. Ele odeia latinos antes do primeiro “olá”.  Parte da comunidade de Marisol também não suporta americanos. A discriminação vem de ambos os lados e isso fica claro desde o início da história.

Por mais estranho que isso soe, o que eu achei mais interessante no filme é que (SPOILER!) ele não tem um final feliz. É trágico. E expõe sem o menor pudor quais são as reais consequências de intolerância e “justiça” com as próprias mãos. Ninguém acaba bem na história. Disseminar ódio em vez de tentar encontrar soluções para o problema é justamente o que destrói as pessoas.

Apesar de ser um filme mexicano independente e sem muita divulgação, Loco Love toca em questões extremamente importantes e fundamentais para discutirmos a situação tenebrosa em que se encontra o mundo justamente por preconceito e fundamentalismo. A situação México X EUA é reproduzida em diversos países da Europa e, recentemente, num caso registrado em Copacabana. Além, é claro, das últimas manifestações assustadoramente nazistas nos Estados Unidos.

O preconceito, xenofobia e intolerância são problemas reais e que precisam ser, cada vez mais, discutidos e levados a sério. Loco Love faz isso e faz questão de expor o problema sem frescura. Ele grita “estão vendo a que leva tanto esforço para discriminar as pessoas? É a isso que leva: Morte, tristeza e sofrimento.”

Bruna Paiva

 

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Você não tem direito de ser nazista

Imagem reproduzida da Folha de S. Paulo (Alejandro Alvares/Reuters)

Começo a escrever esse texto ainda chocada com as reportagens que li. Chocada porque não tem como aceitar ler esse tipo de coisa numa página datada do ano de 2017, em vez de num livro de história falando sobre a década de 1940. Um grupo de manifestantes, nos Estados Unidos da América, com tochas nas mãos, repito, TOCHAS nas mãos, e fazendo saudações nazistas protestaram contra a retirada da estátua de um general confederado da época das Guerras Civis americanas gritando palavras de ódio contra negros, judeus e imigrantes.

A cena por si só já é revoltante. Mas as aspas dos envolvidos conseguem superar o nível de surrealismo do negócio. Uma pessoa gritou no meio de uma reportagem “sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim”. Um pai levou sua filha de 14 anos (que também segurava uma tocha) para passar a ela o ensinamento de seu próprio pai de “defender a raça branca”.  Um outro cara disse “Gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Por que quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse escândalo?”.

Querido senhor, autor dessa argumentação, eu não faço a menor ideia de qual é a sua história ou a da sua família. Mas tenho certeza de que meia dúzia de aulas de História resolveriam parte do seu problema. O senhor NÃO TEM O DIREITO DE SER NAZISTA. Não tem. Não existe essa possibilidade. Sua liberdade de expressão e seus direitos terminam onde começam os dos outros.

Não é opinião e liberdade de expressão você desejar o extermínio de gays, negros, judeus, imigrantes e quem mais você imaginar. É crime. O último louco que tentou (e conseguiu por um bom tempo) causou uma guerra mundial. Esse ódio gratuito e infundado de vocês só gera isso: guerra, dor, sofrimento.

É tenebroso perceber que a história se repete por todo lado. Porque isso não é exclusivo dessas pessoas perturbadas (perdão, não consigo definir de outra maneira). Tem gente perturbada espalhada pelo mundo inteiro. Nos ataques terroristas, nas pessoas que se recusam a abrigar refugiados de guerra, na liderança da Coreia do Norte, na dos Estados Unidos, nos eleitores do Bolsonaro… A lista é lamentavelmente quase infinita e eu, de verdade, não sei dimensionar o quão preocupante é que o mundo esteja se direcionando para esse tipo de extremismo mais uma vez.

Bruna Paiva

 

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Como conheci o “idiota” do Felipe Neto

Felipe Neto imitando a Bella, de Crepúsculo

A maior parte das pessoas que me conhece sabe que eu sou, desde os 11 anos de idade, incondicionalmente fã do cantor e ator Fiuk. Já viu tudo né? Em meados de 2010, quando eu tinha 12 anos,  Felipe Neto fez um vídeo chamado “Fiukar”. Nele, criticava o comportamento dos ídolos adolescentes em geral, não só o meu ídolo. Porém, isso gerou uma polêmica com o Fiuk, os dois discutiram pelo Twitter e rolou o maior estresse.  O Felipe Neto foi atacado de todos os modos possíveis pelas fãs do Fiuk. E eu estava desse lado da moeda, mesmo sem nunca ter assistido nenhum vídeo dele.

Quando meu pai viu a briga sendo noticiada, e eu me metendo, veio me perguntar “quem é esse tal de Felipe Neto?” Minha resposta?

“Ah pai, é um idiota que aproveita a fama alheia pra falar mal dos outros e tentar fazer sucesso.”

Sim, era isso que eu aos meus 12 anos pensava do tal de Felipe Neto que acabara de falar mal do meu maior ídolo pra quem quisesse ouvir. O pior, ou melhor, é que meu pai  resolveu que ia assistir porque “devia ser engraçado”. Comecei a ouvir meu pai gargalhando na sala assistindo ao vídeo Crepúsculo, e então ele me chamou e me fez assistir também. A ideia não me agradou muito, já que, como quase todas as meninas da minha idade na época, eu gostava da saga de livros e filmes. Porém, assistindo ao vídeo, eu acabei achando aquilo engraçado, porque no fundo tudo o que ele tava falando fazia algum sentido. Era a mais pura verdade. Mas eu não podia dar o braço a torcer e falar que o cara que falava mal do meu ídolo era engraçado. Me segurei o máximo possível pra não rir daquilo.

Depois, meu pai ainda me fez assistir o “Fiukar”. E eu pensei “meu Deus tem muita verdade aqui” e depois eu pensei “ eu não posso rir desse idiota falando mal do amor da minha vida”. Na hora, eu não assumi que tinha achado graça, mas depois, sozinha, eu passei a assistir todos os vídeos que ele postava. E comecei a virar espectadora assídua do Não Faz Sentido. Daí pra fã foi um pulo.

Pode parecer estranho, mas eu acabei virando fã do cara que falou mal do meu ídolo. Porque o que ele fazia não era falar mal simplesmente por falar mal. Tinha inteligência no humor dele. Alguns dos pontos criticados por Felipe Neto realmente mereciam a crítica, até mesmo nos vídeos em que falou de cada um de meus ídolos e coisas de que eu gostava.

Nos últimos três anos, eu acompanhei o Felipe Neto no Youtube a cada vídeo postado. E quando soube que lançaria um livro sobre a história do “Não Faz Sentido”, este entrou na minha lista de compras na bienal. Mas eu não pude ir ao dia do lançamento, quando ele distribuiria autógrafos. Nesse dia meu pai ia trabalhar e não tinha como me levar. Não gostei, mas fazer o que?

Só que no dia dos autógrafos, uma amiga minha foi. E quando estava na fila, me chamou no Facebook pra perguntar onde eu tinha comprado o livro. A gente começou a conversar e ela contou que tinha conseguido senha pra ver o Felipe e que  falaria com ele. Eu, brincando com ela, falei assim: “Não quer tentar pegar um autógrafo pra mim não? Em qualquer pedaço de papel haha”.  Ela me levou a sério e pediu um autógrafo pra mim!  Quando nos encontramos ela me deu um marcador de livro autografado atrás:

2013-09-13 18.16.27

Eu amei, claro, e guardo com o maior carinho dentro do livro que li em dois dias porque não consegui largar, só parava de ler pra dormir, literalmente…Veja aqui a minha resenha do livro.

Gosto de contar essa história porque muita gente faz exatamente o que eu fazia, julgar sem conhecer. Já aconteceu a mesma coisa comigo com uma banda da qual hoje também sou uma fã incondicional. Então, fica a dica: antes de repetir o que os outros falam, procure conhecer o que você está criticando. Porque no fundo, meu amigo, o que o cara ta falando pode fazer sentido…

Bruna Paiva

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