O que me move é a paixão

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O que leva uma menina de 16 anos a dizer para o mundo que quer ser escritora? Um ano depois da decisão tomada, ainda não consigo responder à pergunta sem parecer piegas.

O que me move é a paixão. Sou levada às palavras para que a ausência delas não me leve à loucura. Quero ser escritora porque não sou nada sem a escrita. Colocar o que sinto no papel é terapia, desliga-me do mundo, traz-me paz. Não acredito que nenhuma outra profissão me proporcionaria tamanho prazer.

Uma vez, durante uma entrevista, a escritora Clarice Lispector ouviu a seguinte pergunta: “Por que você escreve?”. Ela logo retrucou: “Por que você bebe água?”. A resposta, à primeira vista, parece bonita. Mas só entende a carga de realidade e sinceridade na fala de Clarice quem compartilha o mesmo sentimento.

A escrita não se escolhe, acata-se. Ela vem de dentro, da alma. Escolhe você, e quando se manifesta, não dá muitas opções. Você precisa escrever, externar o que sente e transformar em palavras aquilo com o que não consegue lidar internamente.

Escrevo desde os 14 anos; profissionalmente, desde os 16, e hoje, tenho absoluta certeza de que quero fazê-lo para o resto de minha vida.

Bruna Paiva

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O que você vai ser quando crescer?

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Todo mundo tem uma válvula de escape, algo que faz você relaxar e libera endorfina pro seu corpo seja lá qual for a circunstância. Bom, eu sempre tive duas: a dança e a escrita. As duas sempre se completaram no que diz respeito a me desestressar, consolar e me dar paz.

Posso estar passando pelo pior dia da minha vida. Mas se tiver uma caneta e papel na minha mão, o dia nem parece mais tão ruim assim. E quando coloco uma sapatilha e aperto o play, os problemas simplesmente desaparecem naquele momento.

A questão é que, quando você chega numa certa idade, o mundo se vira para você e diz “escolha uma coisa para fazer pro resto da sua vida”. Uma?! Como assim? Desde sempre eu concilio as duas e agora preciso escolher?

Engraçado como esse mundo não entende essa vida dupla. E te enlouquece nessa pressão de querer saber “o que você vai ser quando crescer”. Eu sempre respondi “grande” quando isso me era perguntado na infância. E acho que realmente devemos ser grandes seja lá no que formos fazer…

É estranho o sentimento de precisar largar um sonho para viver outro. Escolher entre as duas coisas mais importantes na sua vida? É como pedir para uma mãe escolher entre seus dois filhos. Não dá, entende?

Por algum tempo sofri realmente tentando escolher entre as duas. E digo sofri porque, como já disse, não consigo ver minha vida sem a dança e muito menos sem escrever.

Largar a dança e me tornar apenas uma escritora? Lógico que seria feliz, mas não estaria completa. Me preparo para a dança desde os 3 anos de idade. Simplesmente desistir, jogar fora o trabalho de uma vida, é isso? Não mesmo.

Então viveria de dança? Largar o blog, parar de escrever, desistir do sonho de ser escritora? Era isso,então? Não, não mesmo. Não podia ser.

Até que um dia eu simplesmente parei de me pressionar em relação a isso. Não precisava escolher. Como eu li uma vez e adotei para a minha vida, ninguém “tem que” nada. As pessoas devem fazer o que lhes faz bem.

Se me faria tão mal escolher entre os dois caminhos para o meu futuro, por que não conciliá-los? Bom, é impossível? Tem uma frase de Walt Disney da qual eu gosto muito e com a qual eu me identifico: “ Gosto do impossível porque lá a concorrência é menor.”

A vida é assim. As pessoas julgam tudo impossível. E quem tenta ou consegue sair do padrão do “normal” é sempre tido como errado. Não vejo razão para “ter que” escolher entre as duas coisas que mais amo. E talvez porque realmente não haja problema nenhum em seguir dois sonhos.

Pode até ser que, algum dia , uma carreira acabe atrapalhando a outra. E quem sabe eu até acabe optando por apenas uma delas. Mas, pelo menos, não vou olhar pra trás e me arrepender de ter julgado impossível algo que talvez eu conseguisse ter feito…

Bruna Paiva

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