O esquizofrênico flerte contemporâneo

Postou uma piada. Vou curtir. Mas eu já curti as duas últimas, além do comentário sugestivo naquela publicação. Melhor não, ou vai parecer que eu estou dando muito mole. Mas não estou? Não é exatamente minha intenção que ele entenda que estou interessada?

Sim, mas não posso deixar muito na cara. O que ele vai pensar de mim? De certo vai me achar desesperada e fugir da maluca. Então é isso. Vou maneirar as curtidas, não vou falar nada e ainda vou desviar o olhar quando ele tentar contato visual. Provavelmente já percebeu uma nuance do meu interesse pela indireta que postei semana passada. Preciso me fazer de desentendida.

Mas, dessa forma, não estaria eu mostrando desinteresse e fazendo o rapaz acreditar que qualquer traço interessado que ele tenha percebido é apenas imaginação? Ah, mas ele sabe muito bem o que eu quero… Fui a única a curtir aquele comentário que deixava muito claras minhas intenções. Curtir, não, eu dei amei ainda por cima! Não tem como ser mais direta.

Mas e se a obviedade funcionar apenas na minha cabeça? Claro que não… Todo mundo sabe que, em 2018, curtida é demonstração clara de interesse.  Mas será que é mesmo? Se parar pra pensar, eu curto tudo de todo mundo. Mas só tô dando mole pra ele, mesmo.

Já sei! Vou seguir em outra rede social, assim não tem como ele não entender. Não entendeu. Meu Deus, o que eu faço? O cara não percebe o que eu quero, e está tudo tão claro…

Claro? Na minha cabeça talvez já que o interesse é meu e eu venho prestando atenção em tudo e superinterpretando interações online. Meu Deus! É óbvio que não tem nada claro. Senhor, o que eu me tornei? Completamente louca, achando que meia dúzia de curtidas abrem portas para telepatia.

Logo eu que sempre abominei joguinhos de desinteresse… Eu tenho o telefone do cara, qual a dificuldade? Mas e se ele não quiser nada comigo e todo o interesse que eu percebi for puro egocentrismo da minha mente?

Bom, aí paciência, minha filha. Abrindo o Facebook a cada 5 minutos, feito geladeira é que você não vai conseguir nada, mesmo.

“Alô? Fulaninho? Tudo bem? Então, tô a fim de você. E aí, vamos fechar?”

Bruna Paiva

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