Crush

É engraçado como, na minha imaginação, nós dois funcionamos tão bem. Somos extremamente íntimos e compartilhamos momentos de intensa sintonia. E a graça é que eu mal te conheço. Nunca tivemos abertura para isso, mas, ainda assim, me apaixonei pelo que inventei de você, pelo que inventei de nós.

Está certo que a parca convivência que tivemos nos últimos tempos contribuiu para que minha cabeça meio louca fantasiasse os mais insanos diálogos em que descobríamos um interesse mútuo e subitamente éramos um casal. É, eu tenho uma imaginação fértil.

Entretanto, o mais irônico de tudo isso é que eu não tenho coragem de te contar como me sinto. Primeiro porque gosto demais da minha fantasia para correr o risco de você acabar com ela. Já passei por situações parecidas antes. Isso nunca termina bem pro meu lado, ainda assim eu insisto em repetir o erro. Depois, te ter por perto é algo que me faz bem. Gosto de poder conviver com você; te ter do jeito que posso. A possibilidade de perder isso, caso confesse meu interesse, me angustia.

Ainda assim, uma parte de mim quer acreditar que dessa vez é diferente. A coitada não vai aprender nunca. Então, todos os dias, ela acorda otimista, tendo a certeza de que vai ter coragem suficiente para passar por cima das minhas inseguranças e te chamar para conversar. É claro que eu nunca deixei que ela se manifestasse. Abafo toda a coragem dessa doida dentro do peito e me contento em assistir à nossa história juntos, nessa realidade paralela, toda noite com a cabeça no travesseiro.

 

Bruna Paiva

 

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Vídeo Novo: Precisamos falar sobre amizades abusivas!

Hoje em dia, todo mundo fala muito sobre relacionamento abusivo. Mas as pessoas normalmente focam em relações amorosas para abordar o tema. No vídeo de hoje eu trouxe o tema da amizade abusiva que é tão importante, mas ainda tão pouco discutida. Precisamos falar sobre isso, sim! Eu já passei por uma amizade assim e tenho certeza que muita gente por aí também. Se você se enxerga em alguma das situações citadas no vídeo, eu espero de coração conseguir te ajudar!

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O mural da minha vida

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Há cinco anos eu mantenho um mural na parede do meu quarto. Ele é rosa pink, metálico e fica atrás da porta, no lugar onde eu costumava pendurar os pôsteres dos meus ídolos. Um dia, me irritei com os papéis grudados na parede, arranquei tudo e comprei o mural. Nele, presas por ímãs decorativos, coloco fotos com pessoas importantes, além de uma listinha dos livros que li no ano.

Hoje foi um dos dias chatos em que eu olho para a estrutura de metal repleta de fotos e percebo que preciso tirar algumas pessoas dali. Isso acontece de vez em quando, de acordo com as idas, vindas e decepções da vida. Guardei as fotos e continuei encarando o mural, em parte tentado encontrar uma maneira de arrumar as fotos restantes e cobrir os espaços agora em branco. Foi então que eu percebi.

Em cinco anos, passaram pelo meu mural fotos minhas com variadas amigas que, com o tempo, se mostraram não tão amigas assim. Com garotos de quem eu realmente gostei, e com quem acabei me decepcionando. Com amigos que eu acabei perdendo por falta de contato, tempo e interesse. Com um namorado que não durou nem dois meses e com pessoas que eu nunca nem considerei amigas de verdade.

Mas também há fotos e pessoas que nunca deixaram de estar no meu mural. São poucas, é verdade. Menos ainda se desconsiderarmos as fotos com meus ídolos (que, só para constar, são muito mais importantes na minha vida que toda essa gente passageira).  Minha família, algumas amigas de infância, meu melhor amigo há anos e outra grande amiga de bastante tempo. Todos bem presos pelos ímãs, sem nenhuma perspectiva de serem tirados de lá.

Apesar de o meu mural estar realmente fixado atrás da porta do meu quarto, percebi que  ele é um grande reflexo da minha vida. Pessoas entram e saem da nossa vida o tempo todo. Poucas são aquelas que ficam por mais tempo, as que têm a foto cheia de marcas de ferrugem porque o ímã ficou por muitos anos no mesmo lugar. A maioria acaba só passando. As fotos que eu guardo na gaveta até fazem falta nos primeiros dias. Mas acabam esquecidas lá no fundo, principalmente quando revelo novas.

A questão é que, com o tempo, aprendi que é muito melhor ter poucas fotos com marcas de ferrugem do que um mural cheio de imagens impecáveis em alta rotatividade.

Bruna Paiva

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Amor Passageiro

Imagem: Reprodução

Perdida. Foi só o que consegui responder mentalmente quando me foi perguntado como me sentia. Acho que minha cara denunciava o que eu queria esconder. Mas encontrei alguma energia e, em voz baixa, balbuciei algo como “tô bem”.

É esquisito esse negócio de amor, não? Uma hora a pessoa está ali e do nada passa a ser seu único desejo. O peito explode, as mãos ficam suadas, o estômago revira e tudo o que você mais quer na vida é tê-lo por perto. E aí, tão de repente como quando começou, o amor acaba para alguma das partes.

Como um sentimento tão forte morre? Não sei dizer, até porque o meu continua aqui e bem vivo. Não consigo entender o que passa na cabeça de alguém que diz que te ama e depois vai embora. Ei, você realmente tem noção do que é amor?

Você sabe o que é sentir como se tivesse achado aquilo que sempre quis? O amor não tem nada a ver com a forma com a qual você age. Sair dizendo “eu te amo” e jurando dar o mundo para qualquer uma não é sinônimo de amor, entendeu?

Como eu faço pra reorganizar as coisas aqui dentro agora? Queria um mapa de mim mesma para conseguir me achar no meio de tanta confusão. Não gosto do que estou sentindo e odeio ter que deixar de sentir o que gosto.

Sentei-me na janela do prédio de lado para a vista. Mesmo por trás das grades de proteção a cidade ainda era linda e as luzes do início de noite só tornavam o visual mais agradável.

Recostei a cabeça entre a janela e a grade e tentei simplesmente focar no anoitecer. Era parecido com o amor pelo qual eu sofria. Bonito e intenso, mas infelizmente passageiro.

Bruna Paiva

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Reencontro

te-perdi-agora-vivo-de-SONHOSVocê. Mais uma vez você. E quando eu quase já nem me lembrava de sua existência. Apareceu no lugar mais improvável para te encontrar. Te vi ali e incrivelmente, mesmo depois de três anos, meu coração bateu mais forte.

Foi meio estranho não conseguir me controlar. Afinal, já faz tanto tempo, né? Achei que já não sentia mais nada por você. Aliás, já tinha certeza disso. Mas comigo as coisas nunca são tão fáceis assim.

Fiquei tão chocada em te ver que nem percebi quando você se aproximou.

— Fabiana! Quanto tempo! Você está bem?

Sim, era comigo que você estava falando. Com três anos a mais o seu sorriso conseguia estar ainda mais sedutor. E o brilho de seus olhos castanhos ainda me causava tontura.

—Oi… – foi apenas o que consegui dizer com uma voz que custou a sair. Será que você ainda se lembrava de tudo o que aconteceu?

—O que faz por aqui?

Cheguei a pensar numa resposta verdadeira, mas reparei que você mudou o corte de cabelo. O vento também me fez perceber que seu perfume ainda era aquele que eu adorava.

—Estou só de passagem – menti. Mas não era assim que eu queria um diálogo com você. Mesmo depois de tanto tempo, percebi que ainda havia uma esperança em meu coração. Bolei uma pergunta legal para engatar uma conversa interessante. Mas me detive quando bati os olhos em suas mãos.

No dedo anelar da mão direita, uma aliança dourada refletia o sol do meio dia. Me peguei pensando em que outra mão estaria o seu par. Não pude conter o desejo de que fosse a minha. Continuei ali com aquela cara de idiota olhando para o seu sorriso e seus olhos estonteantes.

—Tenho que ir, Tchau. Foi bom te rever, Fabi!

—Thc.. Tchau… Foi ótimo te ver também!

Você passou por mim, deixando-me ali, de olhos fechados ao sentir seu perfume novamente. E eu te deixei escapar. Sem nem um “espera!” ou qualquer coisa parecida com cenas de filmes. Mais uma vez você se foi e eu não fiz absolutamente nada para te impedir.

Bruna Paiva

 

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Brincadeira do destino

tumblr_lh0wj3cBli1qcis5ro1_400Era mais um dia comum. Verônica só precisava comprar uma camisa para um amigo. Era aniversário dele e ela tinha se esquecido do presente.

Já passavam das três da tarde quando ela correu para o shopping mais próximo. Passeou por aqueles corredores que viviam cheios de gente e parou por cinco minutos no Starbucks para tomar um café gelado com bastante chantilly. Continuou procurando uma loja que a agradasse.

Achou uma, bastante conhecida, bem grande e de boa qualidade. Resolveu entrar e procurar alguma camisa que servisse para seu amigo. Enquanto passava os olhos pelos modelos, uma voz grossa, porém suave, disse:

— Posso ajudar?

Verônica se virou. O dono da voz era um vendedor. Ele devia, assim como Verônica, ter seus vinte e pouquinhos anos. Seus olhos azuis eram completamente hipnotizantes. Ele era alto, loiro, lindo.

—Quanto… Quanto custa essa daqui? —perguntou gaguejando e escolhendo uma camisa da qual tinha gostado.

— Deixa eu da uma olhada pra você. —Ele pegou a blusa esbarrando nas mãos dela que, para a surpresa de Verônica, já estavam suadas. E, meu Deus, tinha uma escola de samba inteira dentro de seu peito.

—Ela tá R$ 32,90 — respondeu o vendedor olhando bem nos olhos de Verônica.

Ele devia estar achando que ela era maluca. Olhando-o daquele jeito sem dizer uma mísera palavra.

—É… Eu vou levar.

—Ok. —disse já direcionando a menina ao caixa. —É para o namorado? — perguntou enquanto dobrava a camisa, tentando puxar assunto.

—Não. Eu não tenho. É aniversário de um amigo mesmo.

—Ah, sim.

Ela pegou o presente e saiu da loja se despedindo daquele vendedor que, sabe-se lá por que, fez seu coração sambar e suas mãos suarem. Pegou o carro e dirigiu, ainda meio atordoada, de volta para casa.

Chegou e começou a se arrumar. Já eram cinco horas da tarde, a festa seria às oito. Depois de um banho quente e demorado, vestiu aquele vestido azul que amava, uma sapatilha prateada e uma bolsa combinando. Não era lá muita coisa mas estava bom. Saiu de casa sentindo-se bonita.

Na festa, pessoas conversavam e bebiam. Verônica estava jogando conversa fora com uma colega da faculdade quando seu amigo aniversariante a chamou.

—Vê, vem cá. Quero te apresentar para um amigo meu. O Lucas fez o Ensino Médio comigo.

Verônica sorriu e foi com o amigo.

—Verônica esse é o Lucas, Lucas essa é a Verônica.

—Você?! —Lucas e Verônica disseram em uníssono.

—Ué, mas vocês já se conhecem?

—Eu comprei seu presente com ele hoje. —disse Verônica achando graça da situação.

—Lucas, é ela aquela cliente gata que você me falou?

Tanto Verônica como Lucas olharam para ele. Ela surpresa, ele, quase matando o amigo, que foi embora deixando os dois a sós.

—Então era só um presente para um amigo mesmo? Achei que fosse alguém mais especial. — disse tentando brincar com ela. Verônica riu e os dois conversaram e ficaram juntos o resto da noite. Acabaram descobrindo que tinham a mesma banda favorita e que compartilhavam do mesmo sonho de viajar o mundo.

E dali em diante, a paixão à primeira vista numa lojinha do shopping acabou virando relacionamento sério.Creio que a vida de vez em quando gosta de brincar com a gente…

Bruna Paiva