Um aprendizado da morte para levar pra vida

Uma das coisas mais incríveis de cursar literatura é justamente ter como tarefa aquilo que sempre foi meu prazer. Descobrir livros diferentes e me apaixonar por histórias e autores. Foi dessa forma que esbarrei com “O Aprendizado da Morte” de Assis Brasil. Assis Brasil é um autor pernambucano do modernismo brasileiro de quem eu nunca havia ouvido falar e por quem, graças à faculdade, estou completamente encantada.

O Aprendizado da Morte conta a história de Olga, uma mulher que se descobre doente e prestes a morrer. Ela se interna num grupo de apoio a pessoas na mesma situação e, a partir da perspectiva da morte, passa a analisar toda sua vida até ali. Percebe que até então não era feliz e havia deixado a vida passar. É sabendo que vai morrer que ela decide aprender a viver. Passa a ser livre e aproveitar os pequenos momentos.

Olga é uma personagem profundamente sofisticada, que cativa o leitor de forma gradual. O livro foi uma experiência linda que eu prefiro classificar como, na verdade, um aprendizado de vida. A forma como Olga “aprende a morrer” vivendo um dia de cada vez e fazendo as coisas que lhe dão prazer é na verdade como a gente devia encarar mais a vida.

É um romance curto e eu não consegui parar de ler até terminar. Os fatos que levaram Olga até ali são apresentados fora da ordem cronológica, o que transforma o livro quase num quebra-cabeça. O narrador, por vezes, se confunde com a própria personagem, mudando inclusive a pessoa do discurso. É uma leitura deliciosa e é assustador que esse autor tão incrível não seja tão comentado entre os modernistas mais importantes.

Assis Brasil ainda está vivo e eu fiquei tão fascinada pela forma com que ele escreve que já quero todos os outros livros. Pela Estante Virtual, nos sebos, os livros dele são bem baratinhos e as premissas são tão cativantes quanto a d’O Aprendizado da Morte. O livro, que nem é o mais famoso dele, é magnífico e com toda certeza já entrou para as minhas melhores leituras do ano e para os favoritos da vida.

Bruna Paiva

 

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de me seguir nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchatwp-1465389060779.png

CLIQUE AQUI PARA VISITAR O ADOLESCENTE DEMAIS NO YOUTUBE

Anúncios

Você também vai querer ser Beth Levitt

wp-1455973510701.jpgSabe aquela história de “não julgue o livro pela capa”? Não funciona comigo. Confesso, sou influenciada, e muito, pela capa antes de comprar um livro que não conheço. Em qualquer produto, se a embalagem é bonita, é fato que atrai mais atenção. Foi assim que cheguei a Quero Ser Beth Levitt. Um livro que tem uma bailarina na capa simplesmente precisava fazer parte da minha coleção.

Amelie Wood perdeu os pais bem novinha. Desde os doze anos vive em um orfanato de meninas. As mudanças em sua vida começam quando ela completa 18 anos e é obrigada a deixar o abrigo. Seu único bem até então era um exemplar do livro preferido de sua mãe, que acabou tornando-se seu. Uma sequência de loucas coincidências acaba levando Amie para um destino que ela nunca imaginou.

Admito que, no início, me decepcionei. E se você pegar o livro com a mesma expectativa que eu, vai se decepcionar também. Comprei esperando que fosse sobre ballet e que o tema principal fosse a dança. Não é.

A história tem pouco de dança. E algumas passagens são de deixar qualquer bailarina louca. Como quando Amie diz que sua roupa de ballet era uma calça legging, blusa baby-look verde-clara e os cabelos presos em um rabo de cavalo. Ainda assim, eu deixei passar e continuei a leitura. Não podia ter feito escolha melhor…

Amie acaba parando no universo cinematográfico. O leitor acompanha todo o processo de gravação de um filme e acaba se envolvendo com a história.

Não quero dar muito spoiler na resenha porque o que mais gostei nesse livro foi não fazer ideia do que viria pela frente. Há uma sequência de acontecimentos que tiram o fôlego. E, cada surpresa, tem um gostinho especial.

Apesar de uma inicial decepção, a história, que foi parar no mundo do cinema, me cativou e me apaixonei pelos personagens.  Dava vontade de ir lá abraçar a Amie em algumas partes do livro. E, meu Deus, o que é Chris Martins? Quero para mim!

É o tipo de livro em que você se apega ao personagem, torce, se emociona e sofre junto com ele. No final era eu quem queria ser Amelie Wood. A autora, Samantha Holtz, tem uma escrita incrível, que, mesmo com um calhamaço de 543 páginas, não te deixa parar a leitura. A cada página, você sente vontade de ler mais cinco. A história é envolvente, bem roteirizada e a narrativa muito gostosa de ler. Fiquei morrendo de vontade de conhecer outras obras de Samantha.

Quero ser Beth Levitt definitivamente não é um livro sobre dança. Mas com certeza vai te encantar a cada linha.

Bruna Paiva

Gostou do post? Então, comente, compartilhe e não se esqueça de seguir o blog nas redes sociais!

Siga @ADemaisblog e @BrunaPaivaC no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog e @BrunaPaivaC no Instagram

Acompanhe BrunaPaivaC no Snapchat

Uma escola de bruxos protegida pelo Cristo Redentor!

armaescarlate copySou fã de Harry Potter desde criancinha. E confesso que, apesar do grande interesse que me causou, comecei a ler “A Arma Escarlate” com certo preconceito. Como quem cresceu acostumada com algo e estranha “imitações”. Resultado? Quebrei a cara como normalmente acontece quando pré-determino uma opinião sobre o que não conheço.

Imitação? Pois eu digo que não. É mais do que claro, e a própria autora afirma isso já na introdução do livro, que a inspiração para a história de Renata Ventura é o mundo criado por J.K. Rowling. Mas em momento nenhum a brasileira tenta se sobrepor à história de Harry.

Muito pelo contrário, a autora trata o mundo bruxo como um universo único. Em várias passagens do livro, traça paralelos ao que ocorre em escolas de bruxaria de outras partes do mundo. “A Arma Escarlate”, publicado pela editora Novo Século, seria, portanto, um retrato da “realidade” do mundo bruxo no Brasil. E acho que a escola de bruxaria com a qual sonhei a vida inteira talvez possa estar mais perto do que eu pensava.

Hugo é um menino negro, pobre e morador da favela do Santa Marta. Aos treze anos, ao mesmo tempo que começa a se envolver com o tráfico de drogas na favela, recebe uma carta que revela que ele é um bruxo. Vendo ali uma oportunidade de mudar de vida e voltar para se vingar de todos os que fizeram ele e sua família sofrer, o menino decide se arriscar. Aceita o desafio de ir para uma escola de bruxaria.

Já na escola, que fica localizada (pasmem!) no morro do Corcovado bem embaixo do Cristo, Hugo faz amigos, sofre decepções e se mete em cada confusão que dá vontade de ir lá brigar com ele. Renata Ventura conseguiu criar em mim uma enorme vontade de conhecer cada um de seus personagens. E confesso que ao terminar de ler já estava caindo de amores por Capí, um dos amigos de Hugo na escola de bruxaria.

Com uma escrita boa que faz a leitura fluir facilmente, a autora carioca mistura a realidade ao mundo bruxo de um jeito genial. A vida nas favelas, o tráfico de drogas e fatos históricos, como a vinda da família Real

Com a fofa da Renata Ventura!

Com a Renata Ventura na Feira De Cultura Literária

para o Brasil, são exemplos de fatores presentes no livro. “A Arma Escarlate” é o primeiro de uma série e eu pre-ci-so ler a continuação. Tive o prazer de conhecer Renata Ventura na Feira de Cultura Literária 2014, onde lancei o Book Trailer de Um Diário Para Alice.

Indico a absolutamente todo mundo que cresceu acreditando nesse mundo bruxo que para nós é completamente real. Garanto que, como eu, vão se surpreender do início ao fim e ansiar por fazer parte desse mundo agora mais perto do que nunca…

Bruna Paiva

Siga @ADemaisblog  no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

Siga @ademaisblog no Instagram

Trilogia A Seleção – não tem como não se apaixonar!

Imagem: Reprodução

Imagem: Reprodução

Acabo de terminar “A Escolha”, o terceiro livro da série “A Seleção”. E nos últimos tempos, a história da protagonista America Singer é uma de minhas favoritas.

Quando li primeiro livro, “A Seleção” , o segundo ainda não havia sido lançado. E eu contei os dias para poder ler “A Elite”. Este ano, em maio, foi lançado “A Escolha” e eu demorei um pouco para encaixá-lo na minha fila de leituras.

Meu Deus, o final da Seleção não podia ter sido melhor. E agora aguardo ansiosamente o lançamento dos novos contos da história, que não é mais uma trilogia. “A Rainha” será lançado ainda em dezembro deste ano, e “O Herdeiro” só em 2015. Além, é claro dos contos já publicados, que eu ainda não li, “O Príncipe” e “O Guarda”.

Pra quem não conhece a série, A Seleção conta a história de America Singer. Num futuro, depois de uma terceira guerra mundial, os Estados Unidos da America viram uma monarquia chamada Illéa.

O príncipe Maxon está em idade de se casar. E, como de costume, é realizada uma seleção. Garotas de toda Illéa se inscrevem e 35 são selecionadas para viver no castelo, para que então o príncipe possa escolher sua esposa.

Detalhe da trilogia na minha estante

Detalhe da trilogia na minha estante

No segundo Livro, “A Elite”,  apenas 6 meninas continuam na disputa. América e o Maxon estão cada vez mais próximos, porém ela ainda está dividida entre o príncipe e Aspen, seu antigo namorado que agora é um guarda no palácio.

Em “A Escolha” é quando a tão esperada decisão do príncipe é tomada. Com uma surpresa atrás da outra, Kiera Cass, autora do best-seller, faz você simplesmente devorar o livro. O final foi do jeito que eu torcia, mas não do jeito que eu esperava. E eu amei me surpreender com tantas coisas. Me apaixonei por personagens que odiava e me emocionei com várias cenas…

Trilogia a seleçãoA Kiera esteve aqui no Brasil na última Bienal de São Paulo, e deu uma passadinha aqui no Rio também, uma pena eu não ter podido estar lá… Todos os livros da série, inclusive os contos, foram e serão publicados pela Editora Seguinte, o selo de literatura jovem da Companhia das Letras.

A série é maravilhosa e eu mal posso esperar para ler os contos!

Bruna Paiva

Seis Anos Depois – o livro de Harlan Coben roubou minha vida social!

Seis-Anos-Depois-Harlan-CobenU-A-U! Foi exatamente o que disse ao ler as últimas palavras de “Seis Anos Depois”. Não tem como falar da nova obra de Harlan Coben usando outra expressão. O livro, publicado no Brasil pela editora Arqueiro, é um suspense irresistivelmente viciante desde a primeira frase.

“Sentei-me no último banco da igreja e fiquei assistindo à única mulher que amaria na vida se casar com outro homem.” Essas são as 21 primeiras palavras de “Seis Anos Depois”. E foram elas que me convenceram a comprá-lo.

Querido Harlan, você conseguiu acabar com minha vida social enquanto eu lia. Toda a minha interação com outros seres humanos se resumia à frase “Só deixa eu terminar mais esse capítulo, ok?”

Não é a toa que o livro está literalmente vendendo que nem água. O meu exemplar, pra vocês terem uma ideia, era o último de uma Saraiva Mega Store!

“Seis Anos Depois” é o tipo de livro que te surpreende a cada página. Nada é do jeito que você imagina. Nada é dedutível. A história é completamente imprevisível da primeira à última página e isso a torna mais interessante a cada parágrafo.

As surpresas eram tantas durante a leitura que em determinado momento eu desisti de especular. Apenas me entregava à maneira divertida e bem escrita com que os capítulos eram contados pelo protagonista. Alguns momentos de interação com o leitor dão um toque muito especial à narrativa…

Jake Fisher conhece Natalie Avery durante um verão. Eles estavam em retiros, o dele para escritores e o dela para artistas. Os dois se apaixonam e passam, juntos, os melhores meses de suas vidas.

O que acontece é que, para decepção de Jake, Natalie decide romper com ele e se casar com um ex-namorado, aparentemente do nada. No dia da cerimônia ela faz Jake prometer que vai deixá-los em paz e nunca mais vai procurá-la.

Por amor, ele cumpre a promessa… Durante seis anos. Até que um dia encontra o nome do marido de Natalie, Todd, no obituário. Jake , então, decide quebrar a promessa que fez à amada e procurá-la. Porém, chegando ao enterro de Todd, para sua surpresa, a viúva não é Natalie. E logo depois Jake descobre que o casamento a que assistira seis anos antes não passara de uma farsa.

Agora, mais do que nunca, ele está decidido a encontrar Natalie. Mas não tem nem ideia de como pode ser perigoso vasculhar o passado de alguém que não quer ser encontrado.

A história parece interessante? Não é só aparência. Sem exagero nenhum, posso afirmar que é um dos melhores livros que li nos últimos tempos. E com certeza já está entre meus favoritos.

Harlan Coben venceu diversos prêmios literários, e suas obras já foram traduzidas para mais de 40 línguas. Na frança, ele é conhecido como “mestre das noites em claro”, e não é a toa, viu? Perdi algumas horas de sono sem conseguir me desprender da história…

“Seis Anos Depois” foi o primeiro livro de Coben que eu li, mas já estou absolutamente ansiosa para ler as obras anteriores desse autor americano…

Bruna Paiva

 

Siga @ADemaisblog  no Twitter

Curta a fanpage do Adolescente Demais no Facebook

A Garota da Casa Grande: um romance sem preconceitos

CAPAA Garota da Casa Grande seria mais um livro no estilo amor de verão como muitos outros, não fosse por um detalhe essencial: o romance é entre duas meninas!

Uma história interessante, já que nos dias de hoje o homossexualidade tem sido fonte e foco de tantas polêmicas e discussões. Nunca tive nada contra os gays, pelo contrário, alguns amigos meus são homossexuais e tenho por eles a mesma consideração que teria por qualquer outra pessoa.

Porém, confesso que foi meio difícil deixar o preconceito completamente de lado lendo o livro. Não sei nem se chega a se chamar preconceito, mas algumas partes da história me causaram certa estranheza. Algumas cenas bobas que confesso que se fossem entre um homem e uma mulher provavelmente teriam passado quase despercebidas…

Mas depois que eu abri a mente e o coração para a história que estava lendo, consegui ver um romance bonito como vários outros que já li. A história das duas me divertiu e conseguiu me emocionar em alguns trechos.

Quando eu leio um livro, gosto de me colocar no lugar dos personagens. E sabe, me colocando no lugar delas, consegui imaginar a dor que comentários preconceituosos podem provocar, o mal que o preconceito pode causar a uma pessoa…

Como de costume, Georgia vai passar férias na casa de sua avó, que mora no interior. Acontece que desta vez ela não fica completamente no ócio, como nos anos anteriores. Durante um passeio matinal com Max, o Golden Retriever que virou seu companheiro naquele lugar, ela conhece Alice, sua vizinha.

As duas logo ficam amigas e Georgia, que já havia se assumido gay dois anos antes, acaba ajudando Alice a entender o que sente e a “sair do armário” de uma vez. No meio de algumas confusões e acontecimentos repentinos, as duas vivem um verdadeiro romance de verão.

Só teve uma coisa que eu não gostei na obra: o texto foi mal revisado. O livro foi publicado pelo selo Novos Talentos da editora Novo Século. E pelo o que eu vejo na internet, não é a primeira vítima desse problema. Os erros na revisão de texto são notáveis, principalmente nos primeiros capítulos. Tirando esse pequeno incidente, a história é o máximo.

A autora de A Garota da Casa Grande é Amanda Marchi. Ela também é blogueira e você pode visitar o blog dela clicando aqui. 

Bruna Paiva

Não se esqueça de seguir o blog no Twitter (@ADemaisblog) e curtir nossa página no Facebook.