Um aprendizado da morte para levar pra vida

Uma das coisas mais incríveis de cursar literatura é justamente ter como tarefa aquilo que sempre foi meu prazer. Descobrir livros diferentes e me apaixonar por histórias e autores. Foi dessa forma que esbarrei com “O Aprendizado da Morte” de Assis Brasil. Assis Brasil é um autor pernambucano do modernismo brasileiro de quem eu nunca havia ouvido falar e por quem, graças à faculdade, estou completamente encantada.

O Aprendizado da Morte conta a história de Olga, uma mulher que se descobre doente e prestes a morrer. Ela se interna num grupo de apoio a pessoas na mesma situação e, a partir da perspectiva da morte, passa a analisar toda sua vida até ali. Percebe que até então não era feliz e havia deixado a vida passar. É sabendo que vai morrer que ela decide aprender a viver. Passa a ser livre e aproveitar os pequenos momentos.

Olga é uma personagem profundamente sofisticada, que cativa o leitor de forma gradual. O livro foi uma experiência linda que eu prefiro classificar como, na verdade, um aprendizado de vida. A forma como Olga “aprende a morrer” vivendo um dia de cada vez e fazendo as coisas que lhe dão prazer é na verdade como a gente devia encarar mais a vida.

É um romance curto e eu não consegui parar de ler até terminar. Os fatos que levaram Olga até ali são apresentados fora da ordem cronológica, o que transforma o livro quase num quebra-cabeça. O narrador, por vezes, se confunde com a própria personagem, mudando inclusive a pessoa do discurso. É uma leitura deliciosa e é assustador que esse autor tão incrível não seja tão comentado entre os modernistas mais importantes.

Assis Brasil ainda está vivo e eu fiquei tão fascinada pela forma com que ele escreve que já quero todos os outros livros. Pela Estante Virtual, nos sebos, os livros dele são bem baratinhos e as premissas são tão cativantes quanto a d’O Aprendizado da Morte. O livro, que nem é o mais famoso dele, é magnífico e com toda certeza já entrou para as minhas melhores leituras do ano e para os favoritos da vida.

Bruna Paiva

 

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8 livros com mulheres incríveis

Olá, pessoal! Hoje, 8 de março, é o tão importante dia internacional da mulher. Para homenagear essa data fundamental para a nossa sociedade, eu separei uma lista com 8 livros que trazem mulheres incríveis como assunto ou personagens da trama! … Continuar lendo

Mortos que viram História

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Você acredita em vida após a morte? Para onde vamos depois que morremos? Não o nosso corpo físico, mas tudo aquilo o que fomos, aprendemos e sentimos enquanto estivemos vivos? Independente da sua fé, ninguém pode responder a essas questões com absoluta certeza. O livro A Guardiã de Histórias traz uma realidade incrível sobre o que acontece depois que morremos.

Histórias. É o que viramos ao morrer. E, como livros, somos guardados na grande biblioteca do Arquivo, uma dimensão paralela. Acontece, que as histórias mais jovens acabam despertando sem saber o que aconteceu e, tentando se encontrar, vão parar numa dimensão intermediária entre o mundo real e o Arquivo. Os guardiões servem para fazer com que essas histórias retornem a seus devidos lugares, impedindo que tenham contato com nosso mundo.

A fantasia escrita por Victoria Schwab apresenta Mackenzie Bishop, uma adolescente que herdou precocemente a função de seu avô, um antigo e renomado guardião de Histórias. Mac segue os passos do avô há quatro anos, mas não pode revelar seu trabalho nem mesmo a seus pais. Depois de uma grande tragédia, a família de Mackenzie se muda para um prédio antigo. A menina não fica tão feliz com a mudança, já que, quanto mais antigo é o lugar, mais histórias viveram ali dentro e maior será o trabalho do guardião daquela área.

Apesar de tratar de um assunto tão denso como a vida após a morte, o livro não traz uma carga negativa. Fala de morte, superação, da dificuldade em lidar com a perda de quem amamos, confiança a importância da amizade. Traz drama, é claro, mas consegue fazer o leitor rir e se apaixonar. A angústia da personagem principal e o carisma dos coadjuvantes fazem com que a gente não consiga parar de ler. Li em menos de uma semana e me diverti com as personagens. Senti como se já os conhecesse há muito tempo.

Pode parecer muito louco, mas a realidade que a escritora americana criou é incrível. Em poucas páginas, a divisão de dimensões e a importância dos guardiões deixam de ser confusas e cativam o leitor. É uma realidade tão legal que eu juro que queria que fosse verdade. É uma história para todas as idades. E incrível para quem, como eu, não tem muita certeza do que acontece depois que a gente parte desse mundo.

Bruna Paiva

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Eu (finalmente) li o novo Harry Potter!

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Até que enfim, depois de todo o mundo já ter lido na época do lançamento, eu finalmente li o tão esperado oitavo livro de Harry Potter. E é claro que um livro tão especial não podia deixar de ter minha opinião aqui para vocês!

A história original escrita pela diva deusa J.K. Rowling e pelos roteiristas John Tiffany e Jack Thorne é um roteiro de teatro para a peça em cartaz na Inglaterra (E, infelizmente, só lá por enquanto). Harry Potter and the Cursed Child, ou, Harry Potter e a criança amaldiçoada, traz o mundo mágico e nossos personagens tão amados dezenove anos depois da batalha de Hogwarts em que Voldemort morreu. O novo livro apresenta os filhos de Harry, Gina, Ron, Hermione e Draco. Mas os protagonistas dessa história são Albus Potter (filho de Harry e Gina) e Scorpius Malfoy (filho de Draco).

Não é o melhor livro da série. E, por ser um texto teatral, está bem longe do texto incrível com que J.K. nos conquistou há tantos anos. Se você espera que Albus seja como o pai e seus amigos, bom, desculpe te decepcionar, mas não é bem assim. Albus é Sonserina e seu melhor amigo é Scorpius, um Malfoy. Os dois são fracassados e odeiam a escola de magia. Ainda assim, é impossível não se afeiçoar aos personagens novos. Eles são muito diferentes de seus pais e isso choca no início. Mas, no decorrer da história, eu juro que me apaixonei pela amizade dos dois.

Albus odeia ser filho de Harry Potter. E, vamos concordar, ter a pressão de ser filho de alguém que salvou o mundo nas costas, realmente, não deve ser tão legal assim. No novo livro, Albus acredita que precisa fazer um ato tão grandioso quanto o do pai e, convencido por Amos Diggory, resolve voltar no tempo e tentar salvar a vida de Cedrico Diggory, que morreu no Torneio Tribruxo, anos antes. Mas a gente sabe bem que mexer com o tempo não é tão simples assim. A coisa foge do controle e Albus e Scorpius precisam salvar o mundo das realidades paralelas que criaram mexendo no passado.

A história é divertida e a gente torce a todo tempo pelos novos bruxos. Mas acho que a melhor parte é estar de volta àquele universo, junto dos personagens mais incríveis. A cada página, meu coração se derretia em saudades. Foi maravilhoso voltar a ter contato com aqueles personagens tão especiais para mim. Acompanhar o presente deles. O casamento de Ron e Hermione, de Harry e Gina, a vida de um Draco viúvo com o único filho, o clima de Hogwarts com a amada McGonagall como diretora…

E, confesso, eu, que nunca gostei muito do Draco e da Sonserina, desenvolvi um carinho enorme pelos dois graças a Albus e Scorpius. Apesar de ainda não ter me conformado com o resultado do novo teste do Pottermore, que me tirou da Grifinória e me colocou na Sonserina, meu coração abriu um espacinho para a casa de Draco, Albus, Scorpius, Snape e, quem sabe um dia eu consiga chamar de minha…

Harry Potter And The Cursed Child é uma história para matar a saudade. Não vá esperando um livro sensacional ou uma história que mude tudo. Mas se você, como eu, é apaixonado por aqueles personagens e o universo mágico criado por J.K. Rowling, com certeza também vai adorar o livro novo. Foi um reencontro incrível com a história que marcou minha adolescência e amenizou a falta enorme que tudo aquilo me fazia.

Bruna Paiva

Bruna Paiva

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Boa Noite: uma história importante, mas nem tão fofa quanto o título

Entrar numa faculdade, morar numa república, mudar de cidade, conhecer gente nova, ter a oportunidade de escolher quem você vai ser de agora em diante. Quanta gente não sonha com isso por aí? É exatamente o que acontece na vida de Alina, no livro Boa Noite, da Pam Gonçalves.

Alina cresceu no interior e nunca teve uma vida social muito ativa. Quando passa para o curso de Engenharia da Computação na universidade, arrisca sair da casa dos pais e vai morar numa república. Lá, começa a ser apresentada para a vida universitária. Junto com os novos amigos, ela passa a frequentar as melhores festas e conhece muita gente. A menina se descobre gostando desse mundo e até arrisca um romance. Tudo parece incrível até que criam uma página de fofocas na internet para falar sobre as garotas da faculdade. Paralelo a isso, vários casos de abuso sexual começam a ser denunciados na faculdade.

Boa Noite não é uma história fofa como o título. O livro traz um assunto muito importante e o trata com seriedade. Amei a maneira como a Pam nos envolve no drama de Alina. A narrativa em primeira pessoa aproxima o leitor da protagonista. Não consegui parar de ler enquanto não terminei. Os personagens são incríveis. Muito bem construídos, tive vontade de ser amiga da Manu e casar com o Gustavo.

img_20160918_202240.jpgAcompanho a Pam Gonçalves desde que ela escrevia suas resenhas no blog Garota It. Um dos meus livros favoritos é uma indicação dela e já até ganhou resenha aqui no blog: A Lista Negra. Adoro os vídeos do canal da Pam no Youtube e fiquei muito curiosa quando soube que ela lançaria um romance. Quem me segue nas redes sociais viu que eu fui ao lançamento aqui no Rio. Ela foi muito simpática na tarde de autógrafos e me pediu para contar o que eu achasse do livro.

Eu achei o livro incrível. A maneira como ela retrata um comportamento machista na universidade, a relação de quatro meninas com um curso predominantemente masculino. A amizade entre os colegas de república, o romance de forma sutil, sem tirar o foco do assunto principal. É uma história que fala sobre abuso sexual, machismo, representatividade, preconceito, sororidade, amizade e amor. Um livro que eu levei para me acompanhar numa viagem e me fez rir e chorar na beira da piscina.  Que faz pensar e que tinha que ser lido por todos os jovens. Um livro que rende uma boa discussão sobre a maneira com que as pessoas pensam e agem por aí.

Se o primeiro livro da Pam já me deixou tão encantada, mal posso esperar pelos próximos trabalhos da autora!

Bruna Paiva

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Luan Santana: uma história tão encantadora quanto o cantor

wp-1459595571538.jpgQuem esse garoto pensa que é para lançar uma biografia? Sei que essa provavelmente é sua reação ao descobrir a biografia de Luan Santana em alguma livraria. Mas na resenha de hoje venho te pedir que dê uma chance. Se você acompanhou o menino evoluir do meteoro da paixão até as músicas incríveis de 2015, provavelmente vai gostar do livro.

Luan Santana – a Biografia não é um livro contando a trajetória de vida de Luan Rafael. O livro escrito pelo jornalista Ricardo Marques conta a história do fenômeno Luan Santana. Como ele começou a cantar e, principalmente, como chegou aonde está hoje.

Eu sempre admirei muito o Luan. Gosto das músicas, acho as letras muito boas. Mas o que me chama muita atenção há tempos é o relacionamento dele com as fãs. Acho Luan Santana extremamente carinhoso e respeitoso com aqueles que o admiram. Um exemplo para todos que são tidos como ídolos. Fora que passa uma verdade e um carisma incríveis em qualquer entrevista. É ele abrir a boca para falar que eu já começo a suspirar. Um príncipe.

Ganhei a biografia bem perto do lançamento, no fim de 2015. Quando terminei de ler me peguei ainda mais admiradora do cantor do que antes. A história de uma família de classe média com um filho talentoso e pais que compraram seu sonho me conquistou.

A biografia conta histórias como a da dupla sertaneja famosa que roubou as músicas que Luan cantava quando não era tão conhecido. Ou a da gravação caseira que acabou indo parar nas rádios.

Para quem, como eu, lembra de Luan desde 2009, com aquelas músicas que grudavam na cabeça (te dei o sol, te dei o mar pra ganhar seu coração. Ou tô de cara com você, tô de cara com vocêêê), é legal saber o que acontecia por traz de toda a explosão. Quais os momentos difíceis, as pessoas que mais o ajudaram, as que só atrapalharam… Como o menino estava se sentindo em meio a tanta exposição quando começou a ficar conhecido. Como foi a evolução de gurizinho do interior a ídolo nacional.

A biografia do Luan Santana é um livro que te conquista aos pouquinhos. Eu li em poucas horas. A história é bonita e interessante. E te garanto que você vai ler encantado até a última página, e fechar o livro desejando conhecer o Luan.

Bruna Paiva

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Quatro autoras e um livro inesquecível

wp-1453815711245.jpgQuando a Gutenberg lançou o projeto do livro Um Ano Inesquecível eu pensei “que ideia sensacional”. Cresci lendo Thalita Rebouças, adoro a Bruna Vieira, me apaixonei pelo primeiro livro da Babi Dewet e sempre quis ler algo da Paula Pimenta. Eu simplesmente precisava desse 4 em 1; e, como contei para vocês aqui, ele foi uma das minhas aquisições da Bienal do Livro 2015.

Um Ano Inesquecível é uma coletânea de quatro contos, um de cada autora. Cada história se passa em uma estação do ano e a proposta era que fosse uma estação inesquecível, que de alguma forma mudasse a vida dos personagens. As quatro autoras contaram histórias divertidas e que me cativaram.

Todos os contos mexem com amor e adolescência. Só não entendi por que estavam fora da ordem das estações.

O primeiro é o inverno, de Paula Pimenta. Nele, Mabel é a protagonista e está furiosa por ser obrigada a viajar com os pais nas férias do meio do ano. A menina queria passar a folga da escola na casa de uma amiga, mas acaba tendo um inverno inesquecível com a família. Achei o conto um pouco previsível, mas ainda assim adorei a história, principalmente porque me identifiquei com a protagonista. É narrado em primeira pessoa pela própria Mabel e dá para acompanhar bem de perto os sentimentos dela durante todo o inverno!

O outono, de Babi Dewet, é o segundo conto. Nele, Anna Júlia concilia o último ano de escola com o estágio num escritório de advocacia. O conto se passa em São Paulo e, no caminho escola-estágio, Anna sempre cruza com um músico de rua. João Paulo também nota a presença da moça, que para sua surpresa odeia música. O que nenhum dos imagina é que nunca se esquecerão daquele outono.

A Babi arrasou. Foi o único conto que me fez chorar. Pela história e por ter me identificado com a vida corrida da protagonista. Os dramas dela, as inseguranças, muito do que eu passei em 2015. Descobri músicas que eu não conhecia e adorei renovar minha playlist.  Deu para sonhar em conhecer os dois personagens e juro que ia amar se eles ganhassem um livro só deles.

O terceiro conto é da Bruna Vieira e se passa na primavera. Jasmine está quase sendo reprovada em matemática em seu último ano do Ensino Médio. Quando a escola mostra a situação à sua mãe, a menina fica de castigo e é obrigada a ter aulas particulares com o professor a quem odeia. Mas tudo fica muito mais divertido quando ele coloca um de seus alunos da faculdade para dar as aulas em seu lugar.

Adorei o modo como a história corre. A narrativa é bem leve e a personagem principal é incrível. Ela passa por cima de todos os preconceitos e se joga de cabeça naquilo que quer. Gostei do drama e do final bonitinho que me fez sonhar acordada.

O verão de Thalita Rebouças é o último conto. Nele, Flávia acabou de terminar um relacionamento e tenta curtir as férias com as amigas Tati e Kaká. Por meio de aventuras amorosas do irmão de Kaká, o trio consegue ingressos para assistir ao espetáculo do carnaval carioca na apoteose, de camarote. O que elas nem imaginavam era quanta confusão aquele carnaval iria render. Gostei de como as coisas acontecem nesse conto. O texto flui e, quando percebi, já estava no final. A história é engraçada e eu juro que fiquei com pena da protagonista.

As quatro histórias são leves e divertidas. Mas o conto que eu mais gostei foi o da Babi Dewet, achei pouco previsível e simplesmente me apaixonei pelos personagens. O livro é descontraído e uma ótima pedida para ler neste finzinho de verão. Inspira a gente a buscar também a nossa estação inesquecível.

Bruna Paiva

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Dias Perfeitos: perturbador e difícil de largar

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Já imaginou entrar na cabeça de um psicopata? Saber por que algumas coisas, que podem nos parecer completamente insanas, para eles fazem todo o sentido? Acompanhar o desenrolar de uma loucura justificada por pensamentos bem esquisitos? É exatamente para isso que o autor Raphael Montes te leva em Dias Perfeitos.

Téo é um jovem estudante de medicina, morador de Copacabana que não tem uma vida social lá muito ativa. Gertrudes, sua melhor amiga, é a maior prova disso. Entretanto, durante uma festa a que foi apenas para agradar sua mãe, Téo conhece Clarice. A garota é uma estudante de Artes que está escrevendo um roteiro para cinema.

Clarice é despachada e vive a vida à sua própria maneira. O que ela nem imagina é que o carinha que ela conheceu na festa vai acabar obcecado por aproximar-se dela. Essa fixação leva o futuro médico a uma sequência de ações extremas.

O que mais me intrigou em Dias Perfeitos foi que, quanto mais eu lia, mais tinha nojo do protagonista, mais achava ele louco e confesso que senti certo medo. Enquanto isso, Téo agia como se tudo fosse rotineiro e justificável. É um livro que te angustia. Te tira completamente da zona de conforto. É tão perturbador que você não consegue parar de ler.

Cheguei a fechá-lo algumas vezes pensando “não dá, esse cara é completamente louco, chega”. Dez minutos depois lá estava eu abrindo-o novamente porque “ai, meu Deus, preciso saber o que vai acontecer agora”. A narrativa é em terceira pessoa, mas só mostra o ponto de vista do protagonista. Ao mesmo tempo que você não aguenta mais a agonia de cada ação do personagem, sente a necessidade de terminar a história.

Raphael Montes é um autor carioca de 25 anos que vem tomando conta do suspense policial brasileiro. Com três livros publicados, Dias Perfeitos é o segundo, conseguiu um enorme reconhecimento na área. E não é para menos. Raphael escreve muito bem e consegue prender seu leitor. Nesse livro, é claro um profundo trabalho de pesquisa, tanto para algumas ambientações, quanto para a construção do personagem principal.

Confesso que o final da história me decepcionou um pouco. Não gostei de como as coisas se encerram. Entretanto, é um desfecho que combina perfeitamente com a loucura de toda a história e da mente de Téo. Quando terminei de ler bateu um certo medo por saber que realmente existem pessoas tão doentes quanto o personagem andando por aí. Qualquer um de nós pode ser a próxima vítima de um Téo da vida real.

Bruna Paiva

 

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Trilogia Jogos Vorazes: Livros X Filmes

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Na semana passada, chegou aos cinemas o último filme da série Jogos Vorazes. Eu, como boa fã da série, fui assistir. Voltei querendo contar o que achei da adaptação. Entretanto, em vez de contar somente minhas impressões sobre A Esperança- parte 2, resolvi falar um pouco sobre toda a trilogia (e seus 4 filmes).

Em 2012, enquanto procurava algo para assistir no Netflix, achei Jogos Vorazes, um filme que havia saído do cinema há pouco tempo. Decidi assistir, mesmo sabendo pouco sobre a obra. A única coisa que eu sabia era “uma menina vai para guerra para proteger a irmã mais nova”. Um resumo meio distorcido e superficial do início da história.

Assisti ao filme e, obviamente, me surpreendi. Chorei feito criança me apeguei aos personagens e, enquanto os créditos subiam, tive certeza de que queria ler aquele livro. No dia seguinte cheguei ao ballet caçando minha amiga, que eu sabia ser fã da série. Ela me emprestou o livro e eu o devorei. Percebi que o filme havia omitido algumas partes e que um completava o outro. Fiquei curiosa pela continuação da história e ganhei Em Chamas de Natal. Em três meses li toda a trilogia.

Assisti as adaptações dos três últimos filmes já por dentro de tudo o que aconteceria na história. Esperando pelas minhas cenas preferidas, pelas falas marcantes e por, quem sabe, uma piedade do diretor para com as vidas de alguns dos meus personagens favoritos.

Jogos Vorazes é incrível, o filme passa a tensão do livro e te faz sofrer com os personagens, torcendo por eles. No primeiro filme, alguns detalhes foram deixados de lado e personagens simplesmente mudados. Um exemplo é o broche de tordo da Katniss. No filme, é ela mesma quem o compra no Prego. Enquanto, no livro, ele lhe é dado por uma colega de infância, filha do prefeito do Distrito 12.

Apesar disso, tem sacadas incríveis, como as cenas do Presidente Snow e dos idealizadores dos jogos. Nada disso é mostrado no livro, mas completou perfeitamente a história. É mais fácil entender a cabeça do pessoal da capital com essas cenas.

Ainda assim, meu livro preferido da série é sem dúvidas Em Chamas. Curiosamente, foi a melhor adaptação para o cinema. O filme foi incrivelmente fiel ao que Suzanne Collins escreveu. Completando a história com mais algumas das cenas na capital, sem a protagonista. Os efeitos especiais, em todos os filmes, são incríveis. Mas em Em Chamas, a recriação da arena relógio e cada uma de suas armadilhas foi simplesmente perfeita.

Outra coisa que sempre me chamou a atenção foi a escolha do elenco. Poucos são os atores que não se encaixaram perfeitamente ao personagem. Jennifer Lawrence é inteira Katniss, Sam Caflin é o próprio Finnick Oddair, Woody Harrelson foi feito para ser Haymitch e o que dizer de Elizabeth Banks como Effie Trinket?

Quando li A Esperança, confesso que fiquei meio decepcionada. Não gostei do final que foi dado à série. Se você ainda não leu, ou não assistiu, prepare-se para não gostar. Achei que o último livro não fez jus aos dois primeiros. Suzanne Collins escreveu um primeiro livro incrível e uma continuação sensacional, mas no final eu pensei “sério?! Então é assim que acaba?”

Por isso, depois de assistir a Em Chamas, nem me empolguei muito para os próximos filmes. Ainda assim, fiquei chocada quando anunciaram que o final seria dividido em duas partes. Não havia a menor necessidade de produzir dois filmes de duas horas para contar um final frustrante e meio monótono até metade do livro.

Ficou mais do que claro que o objetivo não era seguir os detalhes da história. Uma coisa é Harry Potter e as Relíquias da Morte, que era um livro intenso e cheio de acontecimentos do início ao fim. A divisão do final deu super certo. O mesmo aconteceu em Amanhecer, final da saga Crepúsculo. Havia a necessidade de dividir o final em dois para contar tudo o que acontecia da melhor forma possível, o próprio livro é dividido em três partes. Agora, em A Esperança, a divisão foi puramente comercial. Os dois primeiros filmes são muito mais intensos do que a Parte 1 do final e nem por isso foram divididos.

Apesar do claro objetivo de vender mais entradas de cinema e prolongar o lucro por um ano a mais (e do final frustrante, é claro), a adaptação foi bem parecida com o livro. Os efeitos, as mortes e a própria relação de Katniss com todo o resto do mundo foram bem retratados. Confesso que, apesar de não gostar do final da série, me emocionei quando os créditos subiram.

É estranho chegar ao fim quando você acompanhou os personagens por tanto tempo. Se você odeia o final que deram aos seus personagens preferidos, nem se fala. A questão é que acabou, e agora só veremos Katniss e companhia da maneira como já foi escrita e filmada.

Jogos Vorazes, durante toda a série, traz uma mensagem forte. E, nos tempos que estamos vivendo, talvez as pessoas devessem parar para pensar. A verdade é que o ser humano é doente e capaz de tudo pelo poder. A história se repete. É sempre a mesma coisa, em esferas diferentes, em situações diferentes, mas a base não muda. Talvez devêssemos começar a tomar cuidado para não deixar que essa sede de poder nos leve a algo parecido com Panem.

Bruna Paiva

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A Lista Negra: triste e edificante

Baixar-Livro-A-Lista-Negra-Jennifer-Brown-em-PDF-ePub-e-MobiUm livro triste e brutal. Que trata de um assunto, infelizmente, atual e muito sério. Choca, provoca lágrimas e muita reflexão. Um livro que me fez chorar no meio de um shopping lotado e me deixou com uma baita ressaca literária. Estou falando de A Lista Negra.
Após um grande massacre no Colégio Garvin, Valerie Leftman acaba sendo responsabilizada pelo ocorrido. O motivo é simples: foi ela quem criou a lista das pessoas em quem Nick Levil, seu namorado, atirou. A lista daqueles a quem odiavam, as pessoas que faziam bullying contra o casal. Val não tinha ideia do que o namorado planejava, e acaba atingida ao tentar pará-lo. Depois do banho de sangue, Nick se mata.

Quando a Lista Negra é descoberta, apesar de inocentada pela polícia, Valerie é vista como vilã por todos a sua volta. Nem mesmo sua família a trata da mesma maneira. Após meses em casa, a menina precisa voltar para a escola e terminar o Ensino Médio. O que não será nem um pouco fácil já que tudo o que aconteceu naquele 2 de maio ainda está muito vivo na cabeça de todos os sobreviventes.

Descobri esse livro num vídeo da Pam Gonçalves e, quando encontrei na livraria, decidi comprar. Confesso que não pensei que o romance de Jennifer Brown fosse mexer tanto comigo. Entretanto, já na primeira página se tem uma ideia da atmosfera da história.

O livro entremeia a experiência de Val e notícias do jornal local, Tribuna de Garvin, sobre o massacre. A fórmula deixa o leitor num dilema absurdo em relação às personagens, principalmente no que diz respeito a Nick Levil. O garoto, que é visto por todos como um assassino cruel, é lembrado com carinho e saudades por Valerie.

Ao mesmo tempo que eu entendia a dor que o casal sentia por causa do bullying, não havia como apoiar a atitude de Nick. Todo o ocorrido é extremamente triste dos dois lados. Me apeguei à Valerie e Nick de uma maneira que tornou a história ainda mais angustiante.

Já falei sobre bullying no texto Carrie: a estranha. Esse livro trata do mesmo assunto de uma forma tão trágica quanto a de Stephen King. As coisas que falavam e faziam contra Valerie, para muita gente, podem parecer bobas, mas ninguém sabe a dimensão que isso tem na cabeça de quem sofre. Me deixou mal porque já vi isso acontecendo; e que atire a primeira pedra aquele que nunca riu desse tipo de “brincadeira”.

Bullying é um assunto muito sério e a história de A Lista Negra não é nem um pouco fantasiosa. Apesar de Valerie e Nick serem fictícios, já houve diversos casos reais, um inclusive no Brasil em 2011. O romance de Jennifer Brown deveria ser leitura obrigatória nas escolas, principalmente no Ensino Médio. Todo adolescente que já praticou bullying precisava ler para tomar um choque de realidade.

O final não foi exatamente o que eu esperava, nem o que eu queria que acontecesse. Mas é um desfecho extremamente compatível com o resto do livro e não sei se algum outro se encaixaria tão bem.

A Lista Negra, lançado em 2009, foi o romance de estreia da autora americana, que desde então já escreveu diversos livros para o público jovem. Nunca havia lido nada de Jennifer Brown, mas a narrativa dela me cativou. É uma escrita leve e ao mesmo tempo carregada de detalhes e sentimento. Faz o leitor viajar e querer ser levado pelo ritmo dos acontecimentos. A história da lista que causou uma tragédia em Garvin com toda certeza entrou para a minha própria lista. A dos meus preferidos, é claro…

 

Bruna Paiva

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