Ao meu mais recente passageiro…

Eu acredito de verdade que algumas pessoas não passam pela nossa vida por acaso. Falo daquelas pessoas que chegam de repente, passam a ter um papel fundamental na nossa vida e depois vão embora. Personagens passageiros do filme da nossa vida.

Eu já tive um bocado desses. Alguém que me mostrou que eu valia muito mais do que enxergava e me encorajou a me livrar de tudo aquilo que me fazia mal. Alguém que foi amparo num momento em que eu me sentia terrivelmente sozinha. Outro que me fez entender que eu mudei para melhor…

O meu mais recente coadjuvante temporário foi você. Que me fez sentir desejada como há muito eu não sentia. Despertou coisas que eu nem me julgava mais capaz de sentir. Que deixou o sabor de uma história leve, divertida. Que me beijou sob um céu estrelado e conversou comigo até as 4h da manhã. Que me fez um bem absurdo num momento que eu não estava tão bem assim.

E, apesar de ter sido uma experiência tão boa, você me fez perceber que o amor próprio tem que vir antes de tudo. Que não dá para fingir que está feliz quando tem alguma coisa te fazendo mal. Me mostrou que eu, que já me humilhei tanto por amor, hoje sou madura o suficiente para fazer o que sei que vai ser melhor pra mim, antes que de me machucar de verdade, ainda que doa.

Então eu te deixei ir. E me dou conta agora de que você foi realmente passageiro. Passagem breve, porém intensa.

Talvez você não faça ideia do impacto que teve na minha vida. A maioria dos meus passageiros não se dão conta. Mas eu queria que você soubesse; você e o que nós dois tivemos foi muito especial. E obrigada por isso.

 

Bruna Paiva

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Onde o feminismo se aplica na sua vida?

Imagem: Pixabay

Dia desses ouvi um estranho na rua discursando sobre como o feminismo é desnecessário, radical e só quer fazer com que mulheres tenham mais direitos que homens. Eu não me meti na conversa em parte porque não tinha energia para aquilo no momento, parte pela boa educação que meus pais me deram. Acontece, que o que aquele estranho não sabia era que logo ao seu lado, havia alguém se sentindo poderosamente feminista naquele dia.

O feminismo está na luta, na militância? Está, sim. E ainda bem que existem mulheres incríveis dispostas a dar a cara a tapa por todas as outras. Mas o feminismo também está presente em coisas pequenas, do dia a dia.

Naquela tarde, eu vesti a roupa que eu quis, me arrumei toda, olhei no espelho e pensei “meu Deus, que mulherão da porra”. Depois eu saí, sozinha, com o meu dinheiro, encontrei com uma amiga e me diverti a tarde inteira sem dar satisfação para ninguém. Fizemos o que tivemos vontade e depois voltamos para casa. Coisa boba, nada demais, mas eu voltei no metrô (o mesmo em que encontrei o distinto senhor do início do texto) me sentindo incrivelmente livre e feliz.

E o feminismo está aí, em me olhar no espelho, vestindo a roupa que eu gosto, achar ótimo e sair sem dar atenção para o que qualquer um acha do jeito que me visto. No prazer de ter o meu próprio dinheiro e fazer dele o que eu bem entendo. Na segurança em afirmar que um relacionamento, hoje, está longe de ser prioridade na minha vida. O feminismo está nos planos e objetivos que eu traço para mim. No entendimento de que eu sou a pessoa mais importante da minha vida, mesmo. No fato de que agora eu estou postando esse texto e falando sobre esse assunto num espaço que é meu e ninguém tem nada com isso.

O feminismo está na liberdade. Em, finalmente, poder afirmar sem medo que sou apaixonada por mim. Em ponderar as situações e tomar, eu mesma, as decisões importantes da minha vida. O feminismo está na minha avó, que vai me matar quando ler isso, mas, sem tomar consciência, é um dos maiores exemplos feministas da minha vida. Uma mulher que criou três filhos sozinha, que apanhou muito da vida e que hoje, aos 71 anos, é livre, ativa e faz de si o que bem entende.

O feminismo é fundamental e nos permite tomar as rédeas de nossas próprias vidas. Nos faz entender que somos capazes de qualquer coisa. Nos permite acreditar em nós mesmas. E talvez isso incomode; mulheres se unindo, se espelhando umas nas outras para chegarem aonde tiverem vontade. E justamente porque ainda incomoda é que precisamos mais dele. Por causa do feminismo, hoje, eu sei exatamente o que quero da minha vida e luto por isso. Porque eu sei que posso e consigo.

Bruna Paiva

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Nada é por acaso

Eu sempre gostei de acreditar que algumas coisas não acontecem por mera coincidência. Tudo na vida se explica em algum momento. Mais de uma vez o universo já me apresentou a pessoa certa no momento em que eu mais precisava.

Em abril de 2016, num dia em que a paciência me faltava e sobravam pretextos para reclamar de tudo, a caminho da faculdade cruzei com um menino no metrô. Ele entrou no vagão e tocou uma música que mexeu comigo. Abriu meus olhos e mudou meu dia. “Filho, não se estresse. A vida só é boa quando você faz as coisas com o coração”, dizia o refrão que ficou na minha cabeça por tanto tempo que eu precisei escrever sobre ele. Não consegui encontrar nada na internet e não lembrava o nome do menino. Ainda assim, eu quis contar aquela história. 

Eu lembro de estar numa festa de Halloween quando recebi uma notificação estranha no Instagram. Alguém publicando meu texto, agradecendo por ele. Foi só quando cheguei em casa, de madrugada, que consegui entender o que estava acontecendo. O menino do metrô havia esbarrado com o meu texto na internet do mesmo jeito que esbarrara na minha rotina meses antes.

Ele me agradeceu pelo texto e disse que estava pensando em desistir de tudo antes de ler o que eu escrevi. Que minhas palavras o fizeram perceber que ele realmente podia tocar as pessoas com suas músicas. O que ele não sabia era o quanto me fez bem perceber que, por meio da minha arte, eu consegui encontrá-lo e emocioná-lo de volta. Lino Lírio. Procurem por ele e sigam nas redes sociais, as músicas são lindas e estão todas no YouTube (é só clicar aqui).

Na tarde de ontem, finalmente nos conhecemos. Ele veio passar mais um tempo no Rio e fizemos questão de nos encontrar. Arrastei a família inteira para assistir à apresentação e saí de lá encantada. Pelo que assisti, é claro, porque ele conseguiu me emocionar mais uma vez. Pelo lugar onde aconteceu o show; 57 casa aberta é um espaço cultural novo e uma iniciativa sensacional. Pela cantora que se apresentou depois dele, Carol Dall, que é simplesmente sem igual.

E, mais do que nunca, encantada com essa história que eu me recuso a acreditar que seja mera coincidência.

Bruna Paiva

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O palco salvou a minha vida

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No palco eu me sinto livre. Não me importa se atuo, danço ou faço os dois ao mesmo tempo. Ao colocar os pés num palco, sinto uma energia que refresca o rosto e deixa a boca doce. O cheiro de laqué e cortina velha revigora a alma de um jeito que só os artistas entendem. Felicidade que vem de dentro. Felicidade que vem da arte.

Sinto-me à vontade para ser quem sou. E experimentar tudo aquilo que nunca fui. A vibração que vem da plateia e a luz esquentando o meu rosto me encorajam a transformar arte em vida. É onde me sinto mais viva do que o normal. Brilho nos olhos, coração sambando, estômago frio e a adrenalina brincando da cabeça aos pés. Arte correndo nas veias.

Alguns dizem que fui picada pelos “bichinhos do teatro”. Eu prefiro acreditar que já tinha isso na alma. Adormecido, o amor pela arte sempre esteve ali. Até o momento em que, de fato, pisei num palco e experimentei a intensidade de ser artista.

O teatro mudou a minha vida. A dança mudou a minha vida. Libertou-me das vergonhas de ser exatamente quem eu quero ser. De ficar presa e conformada com o mundo; de afogar em minhas próprias mágoas. Livrou-me da condenação de ser igual a todos os outros.

Bruna Paiva

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O amor não vê idade

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Ele tem 36, eu tenho 22. Ele tem um filho de 8 anos e eu não penso em engravidar tão cedo. Ele tem pós-doutorado e é bem-sucedido na profissão. Eu estou terminando a faculdade e torcendo para conseguir um estágio. Ele tem uma ex-mulher e eu uns dois ex-namorados. Ele conhece oito países e eu nunca saí do Sudeste. Ele comprou uma casa para os pais e eu ainda dependo dos meus para pagar a faculdade.

Estamos em fases diferentes da vida e somos extremamente felizes assim. Ele me ensinou a gostar de ler e aprendeu comigo a amar o Twitter. Ele passou a curtir Beyoncé e me levou para conhecer lugares incríveis. Ele faz um bife à parmegiana maravilhoso e ama meu pudim de leite.

Fiz ele voltar a curtir o Carnaval e, com ele, criei a tradição de assistir a todos os filmes indicados ao Oscar antes da premiação. Ele ficou muito interessado em aprender sobre moda e desenvolveu um estilo incrível que até combina com o meu. Ele diz que adora o jeito com que eu cuido do filho dele e eu realmente amo aquela criança. A ex dele me pediu ajuda para organizar a festinha de aniversário do menino e como a gente se divertiu!

Ele nunca tinha feito uma tatuagem e minhas sete acabaram o inspirando. Eu fiz ele assistir Gossip Girl e até ele se apaixonou por Chuck Bass. Ele me ensinou a usar post its para organizar meus cadernos e a casa dele é tão arrumada que eu passei a atender quando, na dela, minha mãe me manda arrumar o meu quarto.

A diferença de idade é grande, a gente ouve o tempo inteiro. Mas é exatamente o que faz nossa relação ser tão especial. A gente se completa. Um está sempre muito interessado no que pode aprender com o outro. Eu nunca estive me sentindo tão viva e madura. Nunca tive tanta certeza do meu sentimento por alguém. Contrariando todas as fofocas e pitacos sobre nossa vida, a gente se ama. E não são 14 anos que vão me impedir de me permitir ser feliz como nunca fui.

Bruna Paiva

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O mural da minha vida

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Há cinco anos eu mantenho um mural na parede do meu quarto. Ele é rosa pink, metálico e fica atrás da porta, no lugar onde eu costumava pendurar os pôsteres dos meus ídolos. Um dia, me irritei com os papéis grudados na parede, arranquei tudo e comprei o mural. Nele, presas por ímãs decorativos, coloco fotos com pessoas importantes, além de uma listinha dos livros que li no ano.

Hoje foi um dos dias chatos em que eu olho para a estrutura de metal repleta de fotos e percebo que preciso tirar algumas pessoas dali. Isso acontece de vez em quando, de acordo com as idas, vindas e decepções da vida. Guardei as fotos e continuei encarando o mural, em parte tentado encontrar uma maneira de arrumar as fotos restantes e cobrir os espaços agora em branco. Foi então que eu percebi.

Em cinco anos, passaram pelo meu mural fotos minhas com variadas amigas que, com o tempo, se mostraram não tão amigas assim. Com garotos de quem eu realmente gostei, e com quem acabei me decepcionando. Com amigos que eu acabei perdendo por falta de contato, tempo e interesse. Com um namorado que não durou nem dois meses e com pessoas que eu nunca nem considerei amigas de verdade.

Mas também há fotos e pessoas que nunca deixaram de estar no meu mural. São poucas, é verdade. Menos ainda se desconsiderarmos as fotos com meus ídolos (que, só para constar, são muito mais importantes na minha vida que toda essa gente passageira).  Minha família, algumas amigas de infância, meu melhor amigo há anos e outra grande amiga de bastante tempo. Todos bem presos pelos ímãs, sem nenhuma perspectiva de serem tirados de lá.

Apesar de o meu mural estar realmente fixado atrás da porta do meu quarto, percebi que  ele é um grande reflexo da minha vida. Pessoas entram e saem da nossa vida o tempo todo. Poucas são aquelas que ficam por mais tempo, as que têm a foto cheia de marcas de ferrugem porque o ímã ficou por muitos anos no mesmo lugar. A maioria acaba só passando. As fotos que eu guardo na gaveta até fazem falta nos primeiros dias. Mas acabam esquecidas lá no fundo, principalmente quando revelo novas.

A questão é que, com o tempo, aprendi que é muito melhor ter poucas fotos com marcas de ferrugem do que um mural cheio de imagens impecáveis em alta rotatividade.

Bruna Paiva

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Cheirinho de passado

wp-1467116707675.jpgEu tenho essa sina com troca de perfumes. Não consigo usar o mesmo aroma em épocas distintas da minha vida. E isso se aplica a qualquer produto com cheiro: shampoo, condicionador, desodorante, perfume, hidratante, sabonete… Parece que junto com a fragrância vem uma carga do passado, uma quantidade sem fim de lembranças que têm aquele mesmo cheirinho no fundo.

É uma das primeiras características que eu gravo sobre qualquer pessoa na minha vida. Desde pequena, pessoas e lugares me remetem aos cheiros que por eles me foram apresentados. Hoje reconheço que aromas são capazes de mexer comigo de forma profunda. Despertam borboletas que para mim já estavam mortas no meu estômago. Memórias que eu nem sabia que ainda existiam em alguma gaveta do meu cérebro.

A sina de não repetir um perfume em momentos distintos é para não me decepcionar. Ainda que eu remonte aquele antigo cenário, com aquele mesmo perfume, a sensação, o sentimento, as borboletas, vão ter para sempre aquele cheirinho de passado. Por vezes ainda, o cheiro retoma momentos que eu não quero que voltem, e aí, o vai e vem de memórias dá vontade de inspirar menos e expirar mais.

Por isso eu vou trocando de perfume. Para o meu cheiro ser sempre o do presente. E o passado ser lembrado apenas em breves momentos, quando um cheirinho conhecido cruzar o meu caminho por aí.

Bruna Paiva

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Eu desisti

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Sim, eu desisti. Do que foi meu maior objetivo durante a vida inteira. Daquilo pelo que dei suor e sangue para conseguir. Sim, desisti quando estava quase chegando aonde tanto sonhei. Desisti porque, às vezes, tudo aquilo que você sempre quis pode não ser o que você quer de agora em diante.

Vergonha? Não há nada de errado em desistir de algo só porque lutei tanto para conseguir. Acredito que é preciso sim coragem. E muita. Para enfrentar o mundo de cabeça erguida e assumir que o que costumava dar sentido à sua vida não tem mais nada a ver com você. Todo mundo julga e condena sem ter direito algum. Era eu quem estava presa a um futuro que escolhi anos atrás. A gente muda, nossas prioridades e sonhos também.

Ainda não sei o que vou fazer a partir de agora. E sei que não será fácil. Afinal, passei anos me preparando para algo em que eu não acredito mais. É o que eu fui programada para saber. O problema é que eu cansei, não conseguia mais projetar minha vida para frente e me enxergar feliz em cinco ou dez anos. Desgastei cada migalha do que um dia já foi meu sonho e hoje só me sobra a estafa.

Só não quero mais viver assim. Presa. Sem perspectiva de futuro e fazendo algo que eu não gosto, só porque vivi até aqui me dedicando para isso.

Bruna Paiva

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A novela da rua

night-690182_1280Até agora, não sei bem o que me tocou naquela cena. Talvez a simplicidade da situação, que era ao mesmo tempo muito mais profunda do que aparentava. Mas também pode ter sido o sorriso estampado no rosto de cada um daqueles dois homens.

 Ambos se encontravam extremamente à vontade. O primeiro, deitado de lado com o cotovelo flexionado e a mão servindo de apoio para a cabeça. Jogado sobre suas pernas, até a altura da cintura, um pedaço de pano fazia as vezes de cobertor. Ao seu lado, o segundo homem estava sentado. Sem camisa, com uma postura relaxada e uma garrafa de cerveja na mão.

Os dois homens, que não aparentavam menos de 50 anos, comentavam, riam e pareciam se divertir com aquilo a que assistiam. Na hora, a cena me pareceu quase cotidiana: dois amigos jogados num sofá, assistindo a algum programa de televisão. Cheguei a olhar melhor, procurando a TV. Mas não havia aparelho algum.

O sofá dos dois homens era uma mureta na pracinha de uma das áreas mais nobres do Rio de Janeiro. Sua televisão, o movimento da rua. O entretenimento deles era rir daquele mundo do qual são meros espectadores.

Os moradores de rua assistiam ao fluxo de automóveis que volta e meia engarrafava, deixando motoristas estressados. Observavam o entra e sai dos estudantes desgastados na universidade do outro lado da rua. Prestavam atenção aos pedestres que passavam, por vezes, com certo medo, na avenida mal iluminada. E às crianças que, acompanhadas por mães e babás, brincavam na pracinha depois da tarde na escola.

Me pareceu uma espécie de ritual. Como se todo dia, àquele mesmo horário, ambos se posicionassem à mureta para assistir à novela da rua. Uma novela que não se repete, e em que a cada dia os personagens são distintos. O que nunca muda nessa novela são as gargalhadas dos espectadores. Esses se divertem com o nosso ridículo, a nossa prepotência e a nossa indiferença.

Bruna Paiva

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As certezas da minha vida

senhoracertezas

Quando eu tinha 12 anos, tive certeza de que não poderia viver sem meus ídolos. Aos 14, acreditei com todas as forças que jamais me apaixonaria novamente. Aos 15, achei que nunca mais fosse fazer amigos. Aos 17, não botei fé em passar no vestibular. Com 19 anos, a ideia de não achar um amor para dividir a vida me aterrorizou.

Aos 25, me sentia nova demais para casar. Aos 31, velha demais para não ter um filho. Aos 34 tive certeza de que a maternidade arruinaria minha carreira. Aos 39, que minha carreira arruinaria a infância de meus filhos.

Aos 47, não pensei que fosse sobreviver à morte de meu pai. Aos 52, tive certeza de que morria junto com minha mãe. Com 55 anos, achei que fosse enlouquecer com os preparativos do casamento de minha filha. Dois anos depois, acreditei que ser avó faria de mim uma velha à beira da morte. Aos 58, pensei que seria triste para sempre com a saída do meu caçula de casa.

Aos 60, tive a certeza de que me aposentar me aproximaria da cova. Aos 63, julguei loucura viajar para lugares insanos com meu marido. Três anos depois, não acreditei que voltaria a ser feliz numa vida onde eu não o tivesse ao meu lado. Aos 67, a depressão me fez ter certeza de que não viveria até os 75.

Mas eu sobrevivi. Passei pelo fim da minha banda preferida com poucas lágrimas, aos 13. E me apaixonei incontáveis vezes depois dos 14. Superei as amizades perdidas aos 15 e fiz outras muitas ao longo da vida. Passei no vestibular na primeira tentativa. Encontrei o amor da minha vida aos 21, e antes disso curti muito a liberdade de ser solteira. Casei aos 25 e percebi que a idade foi perfeita para mim. Minha primeira filha veio aos 32, o segundo aos 34, e me percebi finalmente madura para cuidar de duas crianças.

A maternidade não arruinou minha carreira. E mesmo em meio aos plantões e loucuras de ter uma mãe médica, meus filhos tiveram uma infância incrível. Sobrevivi à perda de meus pais, embora ainda doa lá no fundo a falta que eles me fazem.

O casamento da minha filha foi emocionante e guardo com carinho as lembranças da loucura que foram os preparativos. O brilho no olhar de minha neta acabou me fazendo sentir mais jovem. Meu caçula saiu de casa para ganhar o mundo e hoje morro de orgulho do músico bem-sucedido que ele se tornou. A aposentadoria foi um alívio. Me afastou de obrigações chatas, me deu mais tempo para curtir a vida, estar com as pessoas que amo.

As viagens excêntricas com meu marido são algumas das melhores lembranças da minha vida. Depois que ele se foi, apesar da dor, resolvi seguir em frente. Me mudei para a casa de minha filha e meus dois netos são minha maior alegria. E aqui estou agora, rodeada de pessoas felizes, celebrando meu aniversário de 80 anos.

 Eu tive várias certezas ao longo da vida. E ainda bem que estava errada na maioria delas…

Bruna Paiva

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